As empresas que antecipam este problema apontam as alterações legislativas na lei da migração e consequente complexidade burocrática dos processos de regularização e contratação de imigrantes (33%) como o principal fator. Outras causas incluem a procura por melhores condições de vida e de trabalho noutros locais e países (14%); o desequilíbrio entre a oferta e a procura (14%) e a falta de alojamento (9,5%).
Estas são as conclusões do inquérito anual aos associados da AHSA – Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos concelhos de Odemira e Aljezur. A amostra da investigação é composta por mais de 30 empresas hortofrutícolas portuguesas da região do Sudoeste alentejano, com um período de auscultação que decorreu entre 18 de agosto e 15 de novembro de 2025.
Agricultura continua dependente de trabalhadores imigrantes
Face às preocupações demonstradas, o inquérito confirma ainda a forte dependência de mão de obra, em particular de trabalhadores estrangeiros. Neste ponto, refira-se que 74% das organizações têm mais de metade dos seus postos de trabalho preenchidos por imigrantes, com a maioria (55%) a destacar uma proporção superior a 75%.
Apesar dos receios, as expectativas para o volume total de negócio durante o próximo exercício são globalmente positivas: mais de 60% das empresas espera um aumento e 29% antevê estabilidade. O mesmo se verifica no que diz respeito às previsões do valor das exportações, com mais de metade das empresas a predizer uma subida e 32% que se mantenha estável.
Luís Mesquita Dias, presidente da AHSA, sublinha a relevância dos dados: «Este inquérito confirma um setor dinâmico e resiliente, com perspetivas de crescimento ao nível do volume de negócio e das exportações, mesmo num contexto exigente ao nível do recrutamento e mão de obra».
E concluiu: «As alterações legislativas na área da migração eram necessárias e fazem sentido, contribuindo para um enquadramento mais estruturado e equilibrado. No entanto, trazem consigo desafios operacionais e um período de adaptação que está a dificultar o acesso a trabalhadores estrangeiros, essenciais para a atividade. É importante garantir que este processo decorre com eficácia, minimizando impactos na capacidade de resposta das empresas no curto prazo».
Empresas do sudoeste alentejano são maioritariamente exportadoras
O inquérito sublinha também a forte vertente exportadora da agricultura do sudoeste alentejano: 65% das empresas exportam mais de 70% da produção, número que ascende a 77% no caso das que exportam mais de 40%. França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Alemanha surgem em destaque como os principais mercados.
Relativamente aos resultados da atividade em 2025, a maior parte das empresas (75%) faz um balanço alinhado com ou acima das expectativas. Os dados evidenciam também que a maioria das empresas (81%) apresenta um volume de negócio anual superior a um milhão de euros e 45% mais de cinco milhões de euros.
Os dados surgem como resultado do inquérito anual da AHSA aos seus associados. A amostra é composta por mais de 30 empresas hortofrutícolas portuguesas da região do Sudoeste alentejano. O período de auscultação decorreu entre 18 de agosto e 15 de novembro de 2025 e obteve uma taxa de resposta de 80%.


