• Skip to main content
Revista Líder
Ideias que fazem futuro
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos

  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      «Sou uma fraude»: metade dos profissionais já viveu este pensamento

      Filipa Maranhão assume liderança da Pendular numa fase de reforço estratégico

      Adolfo Mesquita Nunes: «O maior risco da IA é convencermo-nos de que ela sabe mais do que nós»

      Reis, ditadores e ministros: os comportamentos mais bizarros da História

      O que realmente importa aos trabalhadores em Portugal?

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

      Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
Loja
  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      «Sou uma fraude»: metade dos profissionais já viveu este pensamento

      Filipa Maranhão assume liderança da Pendular numa fase de reforço estratégico

      Adolfo Mesquita Nunes: «O maior risco da IA é convencermo-nos de que ela sabe mais do que nós»

      Reis, ditadores e ministros: os comportamentos mais bizarros da História

      O que realmente importa aos trabalhadores em Portugal?

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

      Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos
Subscrever Newsletter Assinar

Siga-nos Lider Lider Lider

As ideias que fazem futuro, no seu email Subscrever

Marcelo Teixeira

Vendas Para Quem (Acha Que) Não Tem Talento – Mafalda Johannsen

4 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Este livro é para quem diz «Ai eu cá não tenho jeito para vender».

E também para:

– Os que têm um projecto pessoal, mas não sabem como dar o primeiro passo;
– Os que arriscaram começar uma carreira em vendas e falharam por falta de formação;
– Aqueles que já trabalham na área e não estão a chegar aos objectivos;
– Aqueles que lideram equipas cujas ideias para melhorar resultados esgotaram.

Selo da Guerra e Paz.

Arquivado em:Livros e Revistas

Lá em cima, o medo não entra no cockpit

4 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

O medo não entra no cockpit. Não pode. Não é bravura — é necessidade. Porque se entra, toma o lugar de decisões que têm de ser frias, limpas, quase instintivas. Nos primeiros tempos, claro, há nervosismo. Ansiedade, alguma inquietação antes da descolagem, o peso da responsabilidade no silêncio dos céus. Mas medo, não. O medo é outra coisa. E essa, aprende-se a domesticar antes sequer de levantar voo. 

Muito se diz sobre o piloto automático, quase como se fosse ele o verdadeiro comandante. Mas isso está longe da verdade. O avião não voa sozinho. O que existe são sistemas — cada vez mais refinados, sim — que ajudam na tarefa. Que aliviam a carga. Que permitem manter rumo, altitude, velocidade. Mas tudo isso depende de inputs do piloto. O “automático” não substitui a vigilância. Se um sistema falha, há sempre redundâncias. E, se for preciso, há as mãos. As mãos voltam ao comando, sem hesitação, sem pânico. Para isso serve o treino: para garantir que, mesmo quando tudo falha, o avião se mantém estável. E o piloto, também. 

Mais imprevisíveis são os que vêm a bordo. Passageiros em sobressalto, alterados, por vezes agressivos. Chamam-lhes “unruly passengers”. E é preciso saber lidar. Aqui, entra a coordenação entre cabine e cockpit. Comunicar bem, perceber o que está a acontecer, perceber se é o álcool a falar, se é o medo ou outra coisa qualquer. Por vezes, limita-se o consumo. Outras, prende-se ao assento. E, em alguns casos, a viagem termina com uma receção policial em terra. Tudo se avalia em tempo real, mas com distanciamento.

A emoção dos outros não pode contaminar quem está aos comandos. 

E se houver um problema grave? Se algo fugir do guião? Acontece raramente, felizmente. Mas quando acontece, não há espaço para improviso. Há procedimentos. Há memória muscular. O corpo entra em modo técnico, o cérebro num registo quase automático — mas não desligado. Tudo é feito com sobriedade. Sem margem para descontrolo. É quase como se a emoção ficasse suspensa até se pousar. Até estar tudo resolvido. 

Lá em cima, há espaço para muita coisa. Para contemplar o mundo, para respeitar a máquina, para pensar no que se transporta. Mas não há espaço para o medo. Esse, fica em terra. 

Este artigo foi publicado na edição nº 30 da revista Líder, cujo tema é ‘Enfrentar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leadership

Eis uma lista de livros para leituras balneares

4 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Eis a lista de Livros Gerais selecionados pela Líder, para a Revista nº 30.

 

Boas leituras!

 

António Saraiva, Um Certo Perfil – Pedro Teixeira Neves 

Guerra & Paz 

‘António Saraiva, Um Certo Perfil’, de Pedro Teixeira Neves, é o retrato de cinquenta anos, ou, traços gerais, de meio século de uma vida devotada ao compromisso cívico. No livro, não há santificações — mas também não há cinismo. Há trabalho. Muito. E há sobretudo uma lição rara no mundo dos que mandam: saber ouvir. O «patrão dos patrões», como lhe chamaram, agora passado a papel. 

 

A Vingança do Ponto de Viragem – Malcolm Gladwell 

Dom Quixote 

Vinte e cinco anos após a publicação do seu primeiro livro, ‘A Chave do Sucesso’, Gladwell regressa com um volume totalmente novo que reformula as suas lições à luz de novos e surpreendentes conhecimentos. Através de uma série de histórias fascinantes, Gladwell traça a ascensão de uma nova e preocupante forma de engenharia social. Leva-nos às ruas de Los Angeles para conhecer os assaltantes de bancos mais bem-sucedidos, redescobre um programa de televisão esquecido dos anos 1970 que mudou o mundo e oferece uma história alternativa de duas das maiores epidemias da atualidade: a COVID e a crise dos opiáceos. 

 

Gaza está em Toda a Parte – Alexandra Lucas Coelho 

Caminho 

Este livro reúne reportagens, crónicas, alguns textos nunca publicados e 148 fotografias a cores, quase todas inéditas. «Ao começar a organizá-lo fui em busca da revista com a última ida a Gaza. Tinha pensado talvez pô-la em anexo, já que o livro seria pós 7 de outubro de 2023 e a reportagem era seis anos anterior. Mas quando a li, do título à última linha, parecia a véspera do 7 de outubro. Nunca estivera online, não circulara. E dias depois achei na nuvem as 282 fotografias dessa última ida. Não podia ser um anexo. Então é assim que o livro abre, dentro de Gaza, onde os jornalistas do mundo estão impedidos de entrar desde 7 de outubro. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 30 da revista Líder, cujo tema é ‘Enfrentar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Leadership, Livros e Revistas

Arte feita por mulheres: a nova geração já chegou

4 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Como Frida Kahlo que transformou dores em flores, ou Louise Bourgeois que deu corpo ao trauma com aranhas de aço, também em Portugal há mulheres que criam para resistir, transformar e afirmar o seu lugar no mundo. E nunca foram tão visíveis.

A primeira edição da WAF – Women in Art Fellowship – acaba de anunciar as suas 10 finalistas, depois de ter recebido um número surpreendente de 210 candidaturas oriundas de todo o país. O sinal é claro: há talento, há urgência e há uma vontade cada vez maior de ver a arte feita por mulheres sair das margens e ocupar o centro.

Criada para apoiar, capacitar e dar visibilidade a mulheres artistas em Portugal, a WAF é uma iniciativa da SOTA – State of the Art, em parceria com a Portugal Manual, o Freeport Lisboa Fashion Outlet e o Vila do Conde Porto Fashion Outlet. Esta primeira edição tem como madrinha a artista Joana Vasconcelos, cujo percurso internacional é, por si só, um manifesto de grande escala.

O júri enfrentou o maior desafio desde a criação da fellowship: escolher apenas 10 finalistas num mar de talento. A seleção recaiu sobre nomes de diferentes linguagens e territórios artísticos, da pintura à escultura, da instalação à fotografia.

As finalistas da WAF 2025 são:

  • Ana Leça – Pintura, Instalação, Desenho

  • Beatriz Narciso – Pintura

  • Elizabeth Prentis – Performance, Escultura, Instalação

  • Flávia Costa – Desenho

  • Ilfu-Soi Studio (Jéssica Ilfu-Soi) – Escultura

  • Joana Dionísio – Fotografia

  • Joana Paraíso – Pintura, Desenho

  • Patrícia Pettitt – Fotografia

  • Vânia Reichartz – Têxtil (Instalação, Escultura…)

  • Vera Fonseka – Pintura, Colagem

O futuro das artes visuais em Portugal, como o mundo inteiro já começa a perceber, também se escreve no feminino. E começa aqui.

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias

A Bíblia da Internacionalização – Diogo Sousa-Martins

3 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

A Bíblia da Internacionalização de Diogo Sousa-Martins é um livro pioneiro que combina teoria e estratégia para ajudar profissionais em todas a áreas de negócio a dominar a gestão processos de internacionalização com sucesso. Baseado no modelo inovador IOSy®, oferece uma abordagem prática para transformar ambições globais em realidades sustentáveis. Com carimbo da Gradiva.

Arquivado em:Livros e Revistas

Irlanda em sete minutos: de Ulisses a Starburster

3 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

A Irlanda não é apenas uma ilha; é uma saudade mineral, antiga como o musgo que cresce nos muros esquecidos. Um sopro que vem de dentro da terra, húmido, doce e amargo, como as canções que os avós entoavam à lareira. É mais lenda do que mapa, mais bruma do que fronteira. A Irlanda é o lugar onde o tempo tropeça e se deita, onde o presente caminha de braço dado com o mito.

Na edição de 2025 do Global Soft Power Index, a Irlanda surge no 28º lugar, consolidando a sua imagem como nação de cultura, diplomacia e inovação. No Índice de Democracia da EIU, mantém-se como uma democracia plena, no 8.º lugar, destacando-se pela liberdade civil, transparência e confiança institucional. Entre o amargo da Guinness e o fogo do Irish Whiskey, existe um país que vem de longe e sabe para onde vai.

Este é o 12º artigo da rubrica da Líder, ‘O estado de uma nação em sete minutos’. Todas as quintas-feiras, traremos um retrato de um país, explorando sucintamente quatro dimensões: cultural, política, económica e social.

Cultura

O que distingue a Irlanda não é o ruído, mas o peso do que sussurra — histórias antigas, lamentos guardados, palavras afiadas como enxadas. A literatura nasceu aqui com um fogo lento: James Joyce moldou a língua até ela sangrar (e nós continuamos a tentar compreender), Beckett esperou por Godot, já Heaney escreveu como quem escava ossos da memória e os transforma em beleza densa, telúrica.

A palavra, nesta ilha, é tanto um abrigo como uma arma.  Não é apenas literatura: é sobrevivência emocional. É um povo inteiro a dizer «ainda estamos aqui».

Na música, a Irlanda soube sempre resistir com ritmo. Os Fontaines D.C. são talvez o grito mais inteligente e cru da nova geração. Cresceram em Dublin, a devorar Yeats e a caminhar por ruas esburacadas de história e desalento. A sua música tem a urgência do punk e a estrutura de um poema clássico. Não se limitam a cantar — constroem paisagens urbanas com raiva e ternura, com ironia e desespero.

A Irlanda deu ao mundo alguns dos atores mais intensos e multifacetados do nosso tempo. Cillian Murphy, com o seu olhar de aço líquido, tanto é gangster como santo. Saoirse Ronan tem a rara capacidade de carregar um século nos ombros com um simples gesto. Brendan Gleeson, Colin Farrell, Barry Keoghan — todos eles trazem à pele o espírito inquieto de uma terra que nunca se deixa domesticar.

Dessa forma, a harpa deu lugar ao baixo elétrico, o lamento à batida, e a rebeldia permaneceu. Aqui, a cultura não é espetáculo — é prática vivida. Está no que se escreve, no que se canta, no que se pinta nos muros. Está na forma como um povo se conta a si mesmo. Na Irlanda, até o silêncio tem sotaque. E quem o ouve, não esquece.

Política

A Irlanda é uma república parlamentar onde o Presidente representa, mas não interfere, e onde o poder muda de mãos sem sobressaltos, ao ritmo paciente de uma democracia amadurecida pela adversidade. Não foi sempre assim. A sua história política tem raízes fundas na luta pela autodeterminação, no trauma da separação com o Reino Unido e nas dores de crescimento de uma jovem nação que aprendeu, à sua maneira, a envelhecer com dignidade.

O sistema é estável, mas não estático. A crise financeira de 2008 e os anos de austeridade marcaram um ponto de viragem — talvez o mais sísmico da política irlandesa desde a fundação do Estado. O resgate internacional de 2010, liderado pela troika, expôs as fragilidades de um sistema que crescera depressa demais. Mas também revelou um país que soube olhar-se ao espelho e, lentamente, reconstruir.

O outro momento decisivo chegou pela força da vontade popular. Em 2015, a Irlanda tornou-se o primeiro país do mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo por referendo popular. 62% dos eleitores disseram “sim” à igualdade, num gesto que surpreendeu o mundo e mostrou o quanto o país católico, rural e conservador estava disposto a mudar. Assim, foi mais do que uma vitória política; foi uma epifania social.

Hoje, com uma imprensa ferozmente livre, instituições sólidas e uma sociedade civil que não se cala, a política irlandesa equilibra-se entre tradição e transformação. A coligação atual, entre Fianna Fáil, Fine Gael e os Verdes, com Simon Harris a primeiro-ministro, seria impensável há vinte anos. E o crescimento do Sinn Féin reabre velhas perguntas com uma nova linguagem: pode o futuro da Irlanda passar por uma reunificação com o Norte? E estará a República preparada para isso?

Economia

Em 2024, a economia irlandesa manteve um crescimento robusto, com o PIB real a subir 2,1%, apesar de uma conjuntura europeia marcada por incertezas. O país continua a ser um dos destinos mais atrativos para investimento direto estrangeiro, sobretudo em tecnologia e farmacêuticas, com empresas como Google, Pfizer e Meta a manterem sedes europeias no país. O desemprego mantém-se baixo e as finanças públicas continuam saudáveis, com um excedente orçamental de mais de 8 mil milhões de euros impulsionado pelos lucros corporativos.

Contudo, a Irlanda não é apenas um hub fiscal sofisticado – está a tentar reinventar-se. Há investimento crescente em energias renováveis, com destaque para o offshore wind, e um foco maior em habitação pública e planeamento urbano, ainda que o problema da crise da habitação se mantenha no topo da agenda política.

Por entre o crescimento e a tensão, a Irlanda debate-se com a mesma questão que atravessa toda a Europa: como manter a coesão social num tempo de abundância desequilibrada. Aqui, a prosperidade levanta perguntas morais. O dinheiro chega – mas chega a todos?

Sociedade

Com pouco mais de cinco milhões de habitantes, a Irlanda cultiva um tecido social de solidariedade e memória. Aqui, o ideal de justiça social pulsa nas políticas públicas e nas ruas, numa nação que valoriza tanto a tradição quanto a mudança.

A igualdade de género tem avançado significativamente, com licenças parentais cada vez mais flexíveis e um sistema educativo que aposta na inclusão. O acesso à saúde pública continua a ser um pilar essencial, apesar das pressões e desafios que se acumulam. O transporte público melhora gradualmente, enquanto as tensões sociais não desaparecem.

A questão da integração é um tema urgente, com a Irlanda a acolher novas comunidades, mas enfrentando dificuldades na inclusão plena. A crise da habitação e o aumento da desigualdade social deixam marcas profundas, assim como a solidão e os problemas de saúde mental entre os mais jovens.

Alheio a isso, há um fenómeno crescente que começa a definir o debate público: a pressão para o boicote a produtos de Israel, que tem vindo a ganhar força especialmente nos círculos universitários e entre grupos de ativismo social, colocam a Irlanda numa posição de destaque no panorama europeu em termos de solidariedade com a causa palestiniana.

 Conclusão

Na Irlanda, onde a vida se desenrola como um rio sinuoso na prosa de Joyce, os Fontaines D.C. disparam versos como murros: ‘I’m gon’ hit your business if it’s momentary blissness’. É um país que desconfia das euforias fáceis. Que prefere profundidade à pressa. Onde a memória não serve só para lembrar, mas para exigir — mais justiça, mais verdade, mais futuro. Não numa rendição silenciosa, mas numa afirmação viva, feita de histórias que se recusam a morrer.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Interim pages omitted …
  • Página 120
  • Página 121
  • Página 122
  • Página 123
  • Página 124
  • Interim pages omitted …
  • Página 180
  • Go to Next Page »
Lider
Lider
Lider
Lider
Lider
Tema Central

Sobre nós

  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Tema Central
  • Termos e Condições
  • Política de Privacidade

Contactos

Av. Dr. Mário Soares, nº 35,
Tagus Park
2740-119 Oeiras
Tel: 214 210 107
(Chamada para a rede fixa nacional)
temacentral@temacentral.pt

Subscrever Newsletter
Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Subscrever Newsletter

©Tema Central, 2026. Todos os direitos reservados.