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Marcelo Teixeira

O Espanto de Bernat Castany Prado: entre o medo e a flor que nasce da greve

9 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Bernat Castany Prado parecia alguém que já tinha começado a falar antes de chegar. Não trouxe slides, trouxe urgência. E começou com um pedido de desculpas sobre o discurso preparado: «Desculpem que seja tão longo, não tive tempo para o fazer mais curto», citando Charlotte Brontë. Era mais do que uma ironia bem escolhida — era um aviso de estilo. A sua filosofia não é dobrada a régua. Vem com terra nas unhas.

Sob o mote ‘Poder sob Pressão — Uma Filosofia Prática do Medo e da Coragem’, no Auditório Maria de Jesus Barroso, na Casa das Histórias Paula Rego, no Festival de Filosofia Espanto, Bernat Castany Prado ensinou que parar também é poder. Que rir é ganhar força. E que filosofar, afinal, é resistir com coragem.

 

O medo e o riso andam de mãos dadas

Falou-nos de jardineiros. Ou melhor, da sua ausência. Em Vitória, norte de Espanha, os funcionários municipais das flores entraram em greve. E o que aconteceu? A cidade explodiu em cor. Rebentaram as flores, os cheiros, os verdes. «A cidade ficou mais viva sem que ninguém a controlasse. Parar é, às vezes, o que permite crescer», disse. A imagem foi tudo menos decorativa. Era uma tese. Era o manifesto de uma filosofia que se quer prática, rebelde, e profundamente política.

Para Castany Prado, o medo e o riso não são opostos. São irmãos. «O medo e o riso são duas faces da mesma moeda», disse. Rimos quando ganhamos potência — como um bebé que se levanta e ri da sua própria força. E temos medo quando sentimos que essa potência se está a perder — como quem percebe que já não cresce, já não muda, já não espanta. O medo, afinal, é um alerta.

«Todas as flechas ferem. A última mata.» Ele cita os antigos. E depois Lovecraft. Porque há medos que vêm do obscuro, do que não entendemos. E esses são os mais perigosos: roubam-nos o chão. Mas, insiste, «o medo não é o inimigo. É um sensor. Um rombo que bate numa parede e muda de direção.» O problema? Quando o sensor está avariado. Quando o medo é fabricado, induzido, manipulado.

Os mercadores do medo

É aí que entram os «mercadores do medo» — políticos, moralistas, empreendedores de vigilância. Gente que, como disse, “sabe mexer nos fios do nosso interior». Gente que lucra com a nossa ansiedade, que vende patriotismo e câmaras de segurança como quem vende calmantes. «Esta filosofia é prática. E sendo prática, é política.» Castany Prado não foge da palavra. É na arena política que o medo se revela mais destrutivo.

O medo, explica, desarticula as quatro grandes dimensões do pensamento: conhecimento, realidade, ética e política. «O medo deforma o saber, simplifica o mundo, impede o prazer e destrói a política.» Em vez de pensamento livre, dogma. Em vez de realidade complexa, dualismos redutores. Em vez de prazer, ansiedade. Em vez de democracia, obediência.

Coragem: não a ausência de medo, mas o seu reconhecimento

A sua proposta? Recuperar as quatro virtudes cardeais da filosofia antiga. Como bússola e armadura.

  1. Phronesis – a sabedoria prática, saber o que queremos.
  2. Andreia – a coragem. «Não é a ausência de medo, mas a decisão de que algo é mais importante do que ele», citando Ortega.
  3. Sophrosyne – a temperança, para não sermos arrastados pelo entusiasmo ou pela dor.
  4. Dikaiosyne – a justiça, não como lei, mas como relação. Dar a cada coisa o seu lugar. Pensar em conjunto.

A filosofia, para Castany Prado, só é verdadeira se for vivida. «Pensar a sério também dá medo. Dá medo desmontar as nossas crenças, descobrir que o mundo é mais frágil do que imaginávamos. Mas a coragem é isso: começar apesar do medo. E continuar.»

Contra o dogma, filaleceia

No seu mapa de resistência ao medo, Castany propõe uma «fórmula da Coca-Cola» da filosofia, inspirada em Lucrécio:

  • Uma filaleceia, amor pela realidade, como ponto de partida — olhar o mundo com espanto, não com cinismo.
  • Um ceticismo lúcido, contra dogmas e fantasias políticas ou religiosas.
  • Um hedonismo generoso, que cultive um prazer consciente, não narcísico.
  • Uma política do «solidário solitário», nas palavras de Camus — coletiva, mas sem apagar a liberdade individual.

Tudo isto contra a anestesia moderna: «Vivemos num mundo que tenta abafar os nossos medos com ruído, consumo, distrações. Mas talvez devêssemos, como os antigos, reaprender a estar com o medo. A escutá-lo. A deixá-lo orientar — mas sem o deixar mandar.»

Terminar como os heróis: in media res

Castany Prado terminou como começou: sem ponto final. «A filosofia começou por se desviar da epopeia. Mas precisa de recuperá-la», disse. E explicou porquê:

  • Porque o herói começa no seu ponto mais baixo.
  • Porque parte em busca de grandeza.
  • Porque precisa de coragem.
  • E porque sabe terminar em qualquer momento.

«Também a filosofia precisa de ser valente. Valente quer dizer: magnânima. E deve saber terminar in media res.» Como agora.

Bernat Castany Prado falou-nos de medo, mas falou com coragem. Lembrou-nos que parar também é fazer. Que rir também é lutar. Que filosofar é, acima de tudo, uma prática do valor — e não apenas do saber. E que há flores que só nascem depois da greve.

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias

Livros que lideram, pessoas que inspiram

9 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Eis a lista de Livros People selecionados pela Líder, para a Revista nº 30.

 

Boas leituras!

 

Como os Líderes inteligentes facilitam as coisas certas e dificultam as coisas erradas – Robert I.Sutton e Huggy Rao

Todas as organizações, sem exceção, são afetadas por fricções. Se umas são desejáveis e incrivelmente úteis, outras, porém, revelam-se destrutivas. Depois de sete anos de investigação prática, o ‘Projeto Ficção’ apresenta as ferramentas para nos tornarmos reparadores de fricção.

 

Inteligência Emocional – O que é? – Mike Acker 

Como é a sua Inteligência Emocional? Reconhece os seus pontos fortes e as suas fraquezas? Quanto tempo demora a recuperar de uma emoção perturbadora? Neste livro, vai encontrar aspetos que pode desenvolver para melhorar a sua inteligência emocional e, além disso, obter conhecimentos que o vão ajudar a tornar-se um ser humano melhor.

 

Como falar, como ouvir – Mortimer J. Adler

‘Como Falar, Como Ouvir’ é um manual prático para comunicar com eficácia, lidar melhor com as pessoas e melhorar as suas competências pessoais e profissionais. Mortimer J. Adler revela os segredos para falar de forma organizada e cativante, ajudando-o a transformar simples conversas em oportunidades de inspiração e conexão.

Arquivado em:Leading People, Livros e Revistas

Tecnologia consciente: o compromisso ESG da iServices

9 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Da neutralidade carbónica ao recondicionamento com impacto social, na iServices traçamos um caminho de sustentabilidade real, onde cada decisão conta. Na iServices, acreditamos que liderar não é apenas inovar na tecnologia, mas também assumir um compromisso profundo com a ética, a sustentabilidade e o impacto positivo nas comunidades. O nosso percurso ESG (Environmental, Social and Governance) é uma jornada em construção contínua, feita de escolhas conscientes, metas mensuráveis e ações com propósito real. 


Improved Cook Stove Project 1, Nkhata Bay District, Malawi 

E de Environmental: Neutralidade carbónica com impacto social 

Em 2024, a iServices alcançou a neutralidade carbónica nas suas operações diretas. Para compensar 33 toneladas de CO₂ equivalente – resultantes do consumo energético nos espaços físicos e da nossa frota própria – optámos por investir no Improved Cook Stove Project 1, no distrito de Nkhata Bay, no Malawi. Este projeto, certificado pela ONU através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, substitui fogões tradicionais por fogões mais eficientes, reduzindo em dois terços o consumo de lenha por família. 

Mais do que uma medida de compensação, esta escolha traduz a nossa visão de sustentabilidade com impacto humano. O projeto beneficia diretamente mais de 200 mil pessoas, melhora a qualidade do ar, reduz a desflorestação e apoia a saúde pública – sobretudo de mulheres e crianças. Esta ação reforça o nosso compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), numa lógica de responsabilidade ambiental, mas também de transformação social. 

Paralelamente, iniciámos a transição para a aquisição de energia 100% renovável, com revisão de contratos de fornecimento, assumindo uma gestão ativa e rigorosa da nossa pegada ecológica, em conformidade com o Greenhouse Gas Protocol. 

S de Social: Reutilizar é cuidar 

Na iServices, recondicionar tecnologia é um ato de inclusão e circularidade.

Acreditamos que prolongar a vida útil de um dispositivo é tão importante como torná-lo acessível a mais pessoas.

Com mais de uma década de experiência, a nossa rede de lojas trabalha diariamente para dar uma nova vida a smartphones, tablets, computadores, smartwatches e consolas – reduzindo o lixo eletrónico e democratizando o acesso à tecnologia. 

Além disso, colaboramos com parceiros certificados para garantir o destino responsável de baterias e componentes, fomentando cadeias de valor mais éticas e sustentáveis. A nossa atuação social estende-se também a programas de apoio a comunidades e instituições locais, reforçando o nosso papel como marca com responsabilidade social ativa. 

G de Governance: Transparência e responsabilidade como cultura 

Sabemos que o “G” de ESG é muitas vezes o menos visível, mas é a base que sustenta todas as decisões. A nossa cultura interna promove a ética, a transparência e o cumprimento rigoroso das normas legais e ambientais. A responsabilidade começa dentro de casa – nas lideranças, nas equipas e nas políticas que adotamos para garantir que o nosso crescimento é sólido e alinhado com os valores da integridade e da equidade. 

Acreditamos que o futuro das marcas líderes passa por aqui: agir com consciência, decidir com base em dados e cuidar das pessoas e do planeta em cada etapa. O nosso ESG Roadmap está em curso – não como uma tendência, mas como uma responsabilidade. Porque, para nós, tecnologia consciente não é um slogan. É uma missão. 

Referências bibliográficas:

https://offset.climateneutralnow.org/vchistory/details?orderId=37266  

https://offset.climateneutralnow.org/improved-cook-stove-project-1-nkhata-bay-district-malawi-9933-?

searchResultsLink=%2FAllProjects%3FSorting%3D103%26ContinentId%3D260  

Este artigo foi publicado na edição nº 30 da revista Líder, cujo tema é ‘Enfrentar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Opinião

Foi o Mickey que fez a asneira e será o Hulk que nos vai salvar, uma maneira portuguesa de ser

8 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

“É o medo que nos tolhe e, direta e indiretamente, nos inibe de expandirmos a nossa potência de vida, e mesmo a nossa vontade de viver. De certo modo, pode perguntar-se se a própria não-inscrição, toda essa atividade saltitante do ‘toca e foge’, esse constante desassossego dos portugueses, não provém do medo. Porque este arranca o indivíduo ao seu solo, desapropria-o do seu território e do seu espaço, deixa-o a sobrevoar o real, em pleno nevoeiro.”  

 

José Gil, Portugal, Hoje- O Medo de Existir 

 

José Gil, filósofo português, ficou conhecido pela sua obra Portugal, Hoje – O Medo de Existir. Nesse livro, o filósofo aborda de forma profunda o medo e o nosso modo de ser portugueses ancorado neste sentimento que se apropria da nossa vontade e da nossa razão. Inaugura este pensador um conceito que chama de não-inscrição que abarca este modo de ser identificado como um ‘toca e foge’ com raiz no medo.

O medo é um sentimento constitutivo, é a nossa essência e está de uma certa maneira relacionado com a finitude que nos define,

está também associado à nossa frágil passagem pela vida, à vulnerabilidade dos nossos corpos, à avalanche de sentimentos a que somos submetidos todos os dias, uns atrás dos outros. O conceito de não-inscrição introduzido por José Gil, ajuda-nos a compreender o medo e a portugalidade, assustada, de uma forma muito acutilante. Toca no âmago da questão do ser, e em concreto do ser português.  

 Para percebermos o que é esta não inscrição é relevante saber o que significa inscrição. Para o filósofo significa: “Produzir o real. É no real que um ato se inscreve porque abre o real a outro real. Não há inscrição imaginária e a inscrição simbólica (apesar do que pretende a psicanálise) não faz mais do que continuar a realidade já construída. Quando o desejo não se transforma, o Acontecimento não nasce, e nada se inscreve.”  Esta produção do real, a transformação do desejo fazendo nascer o acontecimento são manifestações de inscrição. É aqui que, na perspetiva do pensador, o ser português se manifesta, uma vez que a sua trajetória histórica o foi acometendo de uma certa pequenez, negando o excesso, afirmando uma primazia do ser pequeno e ‘ser certinho’. Segundo José Gil, “o ser pequeno é a estratégia portuguesa de permanecer inocente, continuando criança.” 

E depois há o queixume, há frases que se ouvem muitas vezes, como a de “ter vergonha de ser português”. Este queixume e vergonha funcionam como tubo de escape perverso que ajuda a viver, mas, como frisa o filósofo, “continuando o esmagamento do individuo- pelo destino, pela ‘desgraça’ pelo ‘pais’. O queixume é uma técnica de socialização interiorizada e que faz convergir as pessoas vivendo em grupos alimentados por esta forma de afeto social esmagador. 

A expressão que ainda hoje ouvimos vezes sem conta, nas conversas entre amigos, nos debates políticos, dentro das organizações é a seguinte: “fala-se, fala-se e nada de faz “.  

José Gil, encontra aqui o tal modo de ser, a tal não-inscrição portuguesa. Como o próprio frisa: “o sujeito da enunciação refere-se aos outros (tal como no queixume), a um outro geral e abstrato que constitui a coletividade de que esse mesmo sujeito se exclui. Ele próprio que se julga real, desrealiza-se, evapora-se, transferindo-se para um grupo de eleitos que avalia, emite juízos, culpabiliza, atribui sanções e justas penas.” 

 Nesta frase podemos perceber um dos traços da não-inscrição identificada no ser português, a evaporação e desrealização do sujeito. Aquele que fica de fora do campo de ação, do real, assumindo uma existência imaginária. Esta existência imaginária, feita de julgamentos que incidem sobre um coletivo abstrato a quem é exigida a ação, reforça a ideia de infantilização acima referida. Colocar num ser imaginário as culpas do não acontecimento é o que acontece com as crianças quando lhes perguntamos quem fez a asneira ou quem devia fazer as coisas bem. A tendência será atribuir culpas e responsabilidade a personagens imaginárias ou ficcionais: foi o Mickey que fez a asneira e será o Hulk que nos vai salvar. 

Na base desta não inscrição, muito bem identificada por José Gil, estão o medo e os estratagemas tipicamente portugueses para o enfrentar. 

Uma forma, pois, diferente de enfrentamento do medo, a nossa, a portuguesa, através da não inscrição, deste ser e não ser ou de estar e não estar. Deste queixume criador de laços afetivos, deste ser pequeno e certinho para não ofender. Este ‘falar, falar e não fazer’ atribuído a um sujeito abstrato, imaginário é uma forma perversa de enfrentar o medo, mas parece ser a nossa.  

Este artigo foi publicado na edição nº 30 da revista Líder, cujo tema é ‘Enfrentar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leadership

Verão em marcha: o que está a mudar na forma como se constroem hotéis em Portugal?

8 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

O verão é a época alta do turismo, mas também um bom termómetro das mudanças mais profundas no setor. Já não se constroem hotéis apenas para dormir: constroem-se para viver. A função continua a ser a mesma – acolher –, mas o que se espera de um edifício hoteleiro mudou. E mudou de forma estrutural.

A GesConsult, empresa especializada em gestão e fiscalização de obras, está envolvida em mais de 18.000 m² de construção hoteleira ativa em Portugal – de norte a sul –, e tem acompanhado de perto esta mudança de paradigma.

«Hoje construímos mais do que edifícios: construímos experiências. A autenticidade local, a sustentabilidade e o conforto andam de mãos dadas. O nosso papel é garantir que tudo isso se concretiza com rigor», afirma Nuno Garcia, diretor-geral da GesConsult.

Cinco tendências estão a redesenhar o setor – e nenhuma é meramente estética. A nova hotelaria exige arquitetura pensada ao detalhe, com soluções versáteis, tecnologia invisível e uma ligação profunda ao território. Eis o que está a mudar.

 

1. Autenticidade como marca

O luxo contemporâneo é o da identidade. Os novos hóspedes procuram sentir o bairro, a cidade, a cultura. Um hotel, hoje, não pode ser neutro: precisa de contar uma história, integrar materiais locais, respeitar o lugar onde se insere. É um regresso à ideia de pertença – mesmo para quem está só de passagem.

 

2. Formatos híbridos para novas formas de viajar

Famílias em movimento, nómadas digitais, casais em estadias prolongadas – todos exigem mais flexibilidade. A resposta está em unidades com kitchenettes, zonas de estar integradas e quartos adaptáveis, combinadas com os serviços clássicos: limpeza, room service, segurança. Uma espécie de hotel-apartamento sem perder o toque de conforto hoteleiro.

 

3. Sustentabilidade como exigência, não como extra

Eficiência energética, materiais de baixo impacto ambiental, climatização inteligente. Já não é só uma tendência – é o novo standard. Os edifícios que não forem energeticamente responsáveis deixam de ser competitivos, quer em termos de operação, quer em termos de financiamento.

 

4. Reabilitar sem apagar a história

De Alfama ao Porto histórico, muitos hotéis nascem hoje em edifícios com valor patrimonial. O desafio é técnico e simbólico: preservar o passado sem sacrificar o presente. A integração de tecnologia deve ser discreta, sem ferir a estética. Reabilitar não é apagar – é fazer coexistir.

 

5. Espaços multifunções: dormir, trabalhar, conviver

O hotel do futuro é um espaço vivo. Recebe hóspedes, mas também nómadas digitais, eventos, reuniões, jantares de bairro. A construção deve responder a essa multiplicidade: bom isolamento acústico, redes tecnológicas, zonas de convívio, luz natural e ambientes que favoreçam tanto o descanso como a interação.

A hotelaria é, hoje, uma plataforma de inovação – e a construção, o palco onde essa mudança se materializa.

Arquivado em:Lazer, Notícias, Sustentabilidade

Negócios com propósito: o impacto silencioso da liderança responsável

8 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

No que representa uma mudança silenciosa, mas profunda, no mundo empresarial, as organizações estão a repensar o que significa ter sucesso. Atualmente já não basta crescer; é preciso fazê-lo com consciência, responsabilidade e impacto positivo na sociedade. Esta mudança de prioridades — tanto organizacionais como pessoais — está a redesenhar a forma como se lidera, como se decide e como se gera valor. 

Sete em cada dez líderes afirmam que os fatores ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) têm influência nas decisões de investimento a longo prazo (McKinsey, 2023). E três em cada quatro colaboradores preferem trabalhar em empresas com impacto positivo na sociedade e no ambiente (PwC, 2023). Estes dados mostram que o ESG não é apenas uma exigência regulatória — é uma exigência humana. 

Liderar, hoje, é alinhar performance com propósito, e desenvolver uma cultura que não vive apenas de métricas, mas de princípios. É aqui que ganha força a construção de um Roadmap ESG: um guia estratégico para a organização, onde os valores são transformados em práticas concretas, a visão em ação, e a ética em resultados sustentáveis. 

Este caminho vai além de relatórios e boas intenções, exigindo decisões alinhadas com o propósito da organização e sustentadas por uma liderança corajosa, que saiba inspirar, mobilizar e transformar. Muitas vezes sem visibilidade no imediato, estas decisões moldam a cultura e o impacto da organização a longo prazo. 

Um Roadmap ESG eficaz começa com um diagnóstico rigoroso: compreender onde estamos, que impacto geramos e que prioridades devem ser repensadas. Segue-se a definição de metas claras: realistas, mensuráveis e inspiradoras que orientem a transformação.

Mas o verdadeiro motor da mudança são as pessoas,

só com equipas conscientes, envolvidas e capacitadas é possível integrar o ESG no dia a dia das organizações, tornando-o uma prática viva e consistente, e não apenas um exercício teórico. 

Neste processo, é essencial investir no desenvolvimento de competências críticas: desde a comunicação ética à gestão da mudança, passando pela capacidade de escuta ativa, análise crítica e tomada de decisão responsável. É esta capacitação que permite às equipas incorporar o ESG de forma genuína no seu quotidiano, tornando-o parte integrante da cultura organizacional, e não apenas uma iniciativa pontual ou decorativa. Liderar com responsabilidade pede mais do que competência técnica. Pede empatia, consciência e consistência. São estas capacidades que sustentam culturas onde o ESG deixa de ser um projeto, para ser parte do ADN.  

No fundo, negócios sustentáveis constroem-se todos os dias. Não apenas nos planos estratégicos, mas em reuniões onde se ouve verdadeiramente, em decisões tomadas com integridade, em parcerias escolhidas pelo impacto que geram. O futuro sustentável começa com escolhas reais. Começa na liderança. E começa agora. 

Este artigo foi publicado na edição nº 30 da revista Líder, cujo tema é ‘Enfrentar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

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