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Marcelo Teixeira

Japão em sete minutos: animes, tecnologia e o silêncio da alma

10 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

O Japão é uma saudade ilustrada a neon, mas antiga como o musgo nas portas de templos ancestrais, uma nação moderna como um ecrã que nunca desliga. É o país onde a história vagueia nas vielas de Quioto, e onde o amanhã vibra nos arranha-céus de Tóquio.

No Global Soft Power Index 2025, o Japão garantiu o 4.º lugar — apenas atrás dos EUA, China e Reino Unido, num ranking que abrange 193 países. É a prova de que não é só a tecnologia ou os mangás: é saber exportar uma cultura que faz o mundo querer entrar, não invadir.

No Democracy Index da Economist Intelligence Unit para 2024, o Japão aparece com 8,48 pontos, mantendo-se como ‘democracia plena’ e a 16.º do mundo. Em contraste, a região Ásia-Australásia registou um decréscimo global do índice — de 5,41 para 5,31. Ou seja: mesmo num continente com sinais de regressão democrática, o Japão mantém firme o seu status.

Este é o 13.º artigo da rubrica da Líder, ‘O estado de uma nação em sete minutos’. Todas as quintas-feiras, trazemos o retrato de um país — nas suas camadas cultural, política, económica e social.

Cultura

Há nos japoneses uma forma de se calarem com elegância; o que se oculta no gesto, na pausa, no vazio entre duas notas de shakuhachi. É um país onde o silêncio tem gramática própria, sem pressa de se explicar.

Na literatura nipónica há um traço fino e uma dor ancestral. Murasaki Shikibu escreveu Genji Monogatari há mais de mil anos e ainda hoje sentimos o reverberar dessa melancolia. Já Murakami (um dos meus preferidos) é o corredor solitário que escreve sobre gatos, jazz e poços sem fundo, mas que nos ensina a resistir ao absurdo com delicadeza. E isso basta para doer. E amar.

Na música, vive num compasso próprio. Do koto ao noise rock, dos cantos budistas ao city pop, há uma linha invisível que une tradição e reinvenção. A música japonesa é uma emoção com arquitetura.

No cinema e no palco, o Japão ofereceu-nos sombras que respiram. E hoje, atores como Sakura Andō ou Hidetoshi Nishijima continuam a mostrar que no Japão se representa como se se contasse uma lenda pessoal.

Dessa forma, o haicai tornou-se roteiro pop, o drama Noh virou cinema contemplativo, e a rigidez do gesto antigo alberga novas danças urbanas. A cultura japonesa é método de existência. Está no traço de um mangá, no arco de uma coreografia de butô, na simetria de um prato de ramen. Está na forma como um povo sobreviveu a tudo, até ao nuclear, sem perder o sentido do belo. E quem o observa com atenção, nunca mais olha o mundo da mesma maneira.

 

Política

O Japão é uma monarquia constitucional com um parlamento democrático, onde o imperador reina, mas não governa. O poder reside no povo, ainda que com o peso cerimonial da história milenar ao ombro. O sistema político japonês é estável, mas às vezes imobilizado por uma etiqueta que encobre o confronto direto — há mudança, mas sempre com reverência.

A democracia nipónica consolidou-se no pós-guerra, sob a sombra das ruínas e sob a supervisão americana. A Constituição de 1947, pacifista por princípio, ainda hoje molda o debate nacional — sobretudo o seu artigo 9.º, que proíbe o Japão de ter forças armadas ofensivas. Mas o mundo mudou, e o arquipélago também. As tensões com a China e a Coreia do Norte reacendem um debate latente: poderá o Japão continuar neutro num mundo em combustão?

Com uma classe política dominada durante décadas pelo Partido Liberal Democrático (LDP), o Japão tem assistido, nas últimas décadas, a mudanças mais subtis do que sísmicas. Ainda assim, os tremores estão lá: a subida de líderes como Fumio Kishida, e antes dele Shinzo Abe, marcaram tentativas de revitalizar a economia e reposicionar o país no xadrez global. Abe, em particular, deixou um legado controverso — um nacionalismo elegante, mas incisivo, e um plano de rearmamento que continua a fraturar a sociedade.

A política japonesa é feita tanto nos corredores da Dieta como nas entrelinhas da linguagem: há o que se diz e há o que se cala com elegância. Mas as novas gerações estão menos inclinadas ao silêncio. A questão demográfica, a desigualdade crescente, a lenta participação feminina na política e a crise climática são tópicos que ganham voz. E, lentamente, o Japão vai deixando de ser apenas uma democracia respeitável para se tornar, talvez, uma democracia audível.

Economia

Em 2024, no último trimestre, a economia japonesa cresceu 2,8 % em termos reais, segundo recomendações da OCDE para 2024–25, num cenário de recuperação moderada após a pandemia .

O turismo assumiu um papel central. Em 2024, o setor tornou-se o segundo maior ‘exportador’ do Japão, com quase 56 mil milhões de euros em gastos de visitantes estrangeiros. Dados do WTTC apontam um contributo de cerca de 262 mil milhões de euros para o PIB (7,5 %) e mais de 6 milhões de empregos no setor.

Internamente, o Banco do Japão encerrou a política de juros negativos em 2024, após décadas focadas em combater a estagnação crónica. Mas o elevado endividamento — 245 % do PIB em 2022 — continua a exigir reformas. A inflação fixa-se nos 2%.

Nos próximos anos, o país aposta na transição energética, incentiva I&D em PME’s, fortalece a cibersegurança e promove a IA como motor de inovação — numa tentativa de transformar a solidez do presente em potência do futuro.

Sociedade

O Japão enfrenta o desafio de uma população envelhecida — quase 30 % dos japoneses têm mais de 65 anos —, pressionando os gastos sociais e reduzindo a base de trabalhadores.

É uma sociedade marcada por uma ética de trabalho exigente, um profundo respeito pela ordem e uma crescente tensão entre tradição e mudança. A igualdade de género permanece uma ambição por cumprir: apesar de avanços legislativos, o país ainda ocupa posições baixas nos rankings internacionais de igualdade. As mulheres continuam subrepresentadas em cargos de liderança e enfrentam desigualdade salarial e pressões culturais.

O sistema de saúde, de excelência e quase universal, é um dos pilares do contrato social japonês. Mas as disparidades entre zonas urbanas e rurais acentuam-se, sobretudo no acesso a cuidados especializados. O transporte público mantém-se como referência mundial, mas não chega a todos de igual forma.

A integração de estrangeiros — dos trabalhadores migrantes aos refugiados — continua a ser um tema sensível. Apesar de uma crescente necessidade de mão de obra estrangeira, o Japão mostra-se reticente em abandonar a sua homogeneidade cultural. Ainda assim, os sinais de abertura são visíveis em certas comunidades urbanas.

Outro aspeto daquele país é a solidão.  Especialmente entre os idosos, tem sido identificada como um fator de risco significativo naquele país. Em 2024, quase 22.000 mortes solitárias foram registadas, com estimativas de até 68.000 até o final desse ano. Contudo, o governo japonês criou o Ministério da Solidão em 2021, visando combater o isolamento social e prevenir o suicídio. Este ministério implementa políticas públicas focadas em saúde mental e apoio a pessoas que vivem sozinhas .

Conclusão

Consubstanciado em rituais milenares e startups de inteligência artificial, o Japão equilibra sentidos — tradição e inovação, coletividade e liberdade, solidão e resiliência. A sua potência não vem só dos automóveis ou dos animes, mas de uma cultura suave que seduz pela coerência entre passado e futuro. Porém, por trás do brilho cultural e tecnológico, esconde-se o obscurantismo da solidão profunda, um desafio invisível que muitas vezes se cala nas sombras do quotidiano. Ainda assim, os japoneses têm uma forma de dizer «continuamos», com uma calma que rasga o tempo, mesmo quando tudo mudou.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Liderar com a pele toda

10 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Num mundo onde a mudança deixou de ser fenómeno para passar a ser estado natural, já não basta liderar com a cabeça. Exige-se que se lidere com a pele toda. Que se saiba sentir antes de mandar. Ouvir antes de corrigir. Humanizar antes de contabilizar. E é aqui que a empatia e a inteligência emocional deixam de ser palavras bonitas e passam a ferramentas indispensáveis de gestão. 

Durante décadas, o mito do líder frio, racional e imperturbável alimentou a cultura empresarial como um dogma. Mas a realidade mostra o seu contrário: quem lidera como se fosse máquina perde as pessoas. E sem pessoas, não há organizações. A inteligência emocional já não é apenas uma vantagem competitiva – é um requisito mínimo de sobrevivência. 

O psicólogo Daniel Goleman, autor do já clássico Inteligência Emocional, escreveu que «líderes empáticos são capazes de compreender e responder adequadamente às emoções dos seus colaboradores, criando um ambiente de confiança e colaboração». Parece simples, mas implica um trabalho interior de subtil afinação. 

O corpo dos números e a alma dos dados 

Um estudo da Universidade de Harvard revela que líderes com alta inteligência emocional são, em média, 40% mais eficazes nas suas funções do que os restantes.

Empresas que cultivam uma cultura de empatia podem alcançar até 60% mais lucro do que aquelas que não o fazem. Basta lembrar o caso da Starbucks: após implementar programas de treino de empatia para os seus colaboradores, as vendas aumentaram 11% num único trimestre.  

Mais exemplar ainda é a revolução tranquila operada por Satya Nadella, CEO da Microsoft. Em 2014, herdou uma organização gigante, mas emocionalmente estagnada. Não entrou de rompante. Escutou. Reformulou. Apostou numa cultura de vulnerabilidade, aprendizagem contínua e segurança psicológica. Resultado? Queda de 20% na rotatividade de funcionários e um salto de 86 mil milhões de dólares em receitas até 2021. A Microsoft voltou a respirar. E o mundo tomou nota. 

Será que sentir demasiado pode atrapalhar? Será que a empatia esvazia a firmeza? Que liderar com o coração fragiliza a decisão?  

A resposta está no equilíbrio. A liderança empática não implica decisões baseadas exclusivamente em emoções – isso seria ingénuo e até perigoso. Daniel Goleman diz que «na liderança, a empatia é mais do que uma virtude – é uma ferramenta de precisão». Liderar, portanto, é transformar a experiência – própria e alheia – em caminho.  

A liderança do futuro – que é já do presente – é feita de coragem emocional, escuta ativa e empatia prática. No fim do dia, tudo se resume a isto: as organizações não são feitas de processos, mas de pessoas. E as pessoas não seguem títulos. Seguem líderes. Líderes com presença. Líderes com pele.  

Este artigo foi publicado na edição nº 30 da revista Líder, cujo tema é ‘Enfrentar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leading People, Notícias

Capacitação em liderança para autarcas: pilar estratégico para o sucesso sustentável

10 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Num mundo organizacional cada vez mais complexo e imprevisível, a liderança transformou-se num fator crítico de sucesso. Já não se espera do líder apenas que decida, mas que inspire, mobilize e desenvolva equipas de forma sustentável. Segundo a Gallup, 79% dos colaboradores abandonam os seus empregos devido à falta de liderança inspiradora. Este número é um alerta claro: sem líderes capacitados, não há equipas produtivas.

Liderar é muito mais do que gerir

Os CEOs das empresas de maior sucesso não chegaram ao topo apenas pelo domínio técnico.  O que verdadeiramente os distingue é a sua capacidade de liderar com visão, empatia e compromisso. Liderança exige:

• Exemplo pessoal
• Motivação e delegação
• Escuta ativa
• Feedback construtivo
• Flexibilidade e criatividade
• Comunicação clara
• Humildade e compromisso

Estas competências são desenvolvidas com formação e prática contínua — não são traços inatos.

O papel da liderança no setor público

Também na Administração Pública e muito em particular nas muitas autarquias, muitos portugueses (nomeados ou eleitos) gerem pessoas, projetos e meios financeiros. Mas será que estão preparados para o fazer com eficácia? Segundo a OCDE, uma Liderança eficaz pode aumentar em até 20% toda a eficiência administrativa. A capacitação em liderança no setor público não é um luxo, mas uma necessidade estratégica para melhorar os serviços à comunidade.

Aproveitar os recursos que já existem

Portugal dispõe de instituições altamente qualificadas para ministrar formação em Liderança Pura. As Forças Armadas são um exemplo de referência, com décadas de experiência em liderança, organização e disciplina. Vários CEOs e/ou quadros superiores, já frequentaram formações dadas por estruturas militares, reconhecendo o valor da sua metodologia prática. Mas há também entidades civis, universidades e empresas de formação com programas especializados em liderança moderna. O importante é não desperdiçar estes meios e colocá-los ao serviço de todos os sectores.

Liderança é investimento com retorno garantido

Segundo dados da McKinsey & Company, as Empresas com líderes bem preparados têm 23% mais lucro e 17% mais produtividade. É um facto: bons líderes criam melhores ambientes, tomam decisões mais acertadas e obtêm resultados sustentáveis.

 

Chamada à Ação

É tempo de agir. Empresas, instituições públicas e organizações da sociedade civil devem unir esforços para promover programas de capacitação em liderança de qualidade. A liderança pode – e deve – ser ensinada, praticada e aprimorada. O futuro da nossa vida em comum, será tão forte quanto a liderança que formarmos hoje.

Arquivado em:Opinião

O Espanto de Bernat Castany Prado: entre o medo e a flor que nasce da greve

9 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Bernat Castany Prado parecia alguém que já tinha começado a falar antes de chegar. Não trouxe slides, trouxe urgência. E começou com um pedido de desculpas sobre o discurso preparado: «Desculpem que seja tão longo, não tive tempo para o fazer mais curto», citando Charlotte Brontë. Era mais do que uma ironia bem escolhida — era um aviso de estilo. A sua filosofia não é dobrada a régua. Vem com terra nas unhas.

Sob o mote ‘Poder sob Pressão — Uma Filosofia Prática do Medo e da Coragem’, no Auditório Maria de Jesus Barroso, na Casa das Histórias Paula Rego, no Festival de Filosofia Espanto, Bernat Castany Prado ensinou que parar também é poder. Que rir é ganhar força. E que filosofar, afinal, é resistir com coragem.

 

O medo e o riso andam de mãos dadas

Falou-nos de jardineiros. Ou melhor, da sua ausência. Em Vitória, norte de Espanha, os funcionários municipais das flores entraram em greve. E o que aconteceu? A cidade explodiu em cor. Rebentaram as flores, os cheiros, os verdes. «A cidade ficou mais viva sem que ninguém a controlasse. Parar é, às vezes, o que permite crescer», disse. A imagem foi tudo menos decorativa. Era uma tese. Era o manifesto de uma filosofia que se quer prática, rebelde, e profundamente política.

Para Castany Prado, o medo e o riso não são opostos. São irmãos. «O medo e o riso são duas faces da mesma moeda», disse. Rimos quando ganhamos potência — como um bebé que se levanta e ri da sua própria força. E temos medo quando sentimos que essa potência se está a perder — como quem percebe que já não cresce, já não muda, já não espanta. O medo, afinal, é um alerta.

«Todas as flechas ferem. A última mata.» Ele cita os antigos. E depois Lovecraft. Porque há medos que vêm do obscuro, do que não entendemos. E esses são os mais perigosos: roubam-nos o chão. Mas, insiste, «o medo não é o inimigo. É um sensor. Um rombo que bate numa parede e muda de direção.» O problema? Quando o sensor está avariado. Quando o medo é fabricado, induzido, manipulado.

Os mercadores do medo

É aí que entram os «mercadores do medo» — políticos, moralistas, empreendedores de vigilância. Gente que, como disse, “sabe mexer nos fios do nosso interior». Gente que lucra com a nossa ansiedade, que vende patriotismo e câmaras de segurança como quem vende calmantes. «Esta filosofia é prática. E sendo prática, é política.» Castany Prado não foge da palavra. É na arena política que o medo se revela mais destrutivo.

O medo, explica, desarticula as quatro grandes dimensões do pensamento: conhecimento, realidade, ética e política. «O medo deforma o saber, simplifica o mundo, impede o prazer e destrói a política.» Em vez de pensamento livre, dogma. Em vez de realidade complexa, dualismos redutores. Em vez de prazer, ansiedade. Em vez de democracia, obediência.

Coragem: não a ausência de medo, mas o seu reconhecimento

A sua proposta? Recuperar as quatro virtudes cardeais da filosofia antiga. Como bússola e armadura.

  1. Phronesis – a sabedoria prática, saber o que queremos.
  2. Andreia – a coragem. «Não é a ausência de medo, mas a decisão de que algo é mais importante do que ele», citando Ortega.
  3. Sophrosyne – a temperança, para não sermos arrastados pelo entusiasmo ou pela dor.
  4. Dikaiosyne – a justiça, não como lei, mas como relação. Dar a cada coisa o seu lugar. Pensar em conjunto.

A filosofia, para Castany Prado, só é verdadeira se for vivida. «Pensar a sério também dá medo. Dá medo desmontar as nossas crenças, descobrir que o mundo é mais frágil do que imaginávamos. Mas a coragem é isso: começar apesar do medo. E continuar.»

Contra o dogma, filaleceia

No seu mapa de resistência ao medo, Castany propõe uma «fórmula da Coca-Cola» da filosofia, inspirada em Lucrécio:

  • Uma filaleceia, amor pela realidade, como ponto de partida — olhar o mundo com espanto, não com cinismo.
  • Um ceticismo lúcido, contra dogmas e fantasias políticas ou religiosas.
  • Um hedonismo generoso, que cultive um prazer consciente, não narcísico.
  • Uma política do «solidário solitário», nas palavras de Camus — coletiva, mas sem apagar a liberdade individual.

Tudo isto contra a anestesia moderna: «Vivemos num mundo que tenta abafar os nossos medos com ruído, consumo, distrações. Mas talvez devêssemos, como os antigos, reaprender a estar com o medo. A escutá-lo. A deixá-lo orientar — mas sem o deixar mandar.»

Terminar como os heróis: in media res

Castany Prado terminou como começou: sem ponto final. «A filosofia começou por se desviar da epopeia. Mas precisa de recuperá-la», disse. E explicou porquê:

  • Porque o herói começa no seu ponto mais baixo.
  • Porque parte em busca de grandeza.
  • Porque precisa de coragem.
  • E porque sabe terminar em qualquer momento.

«Também a filosofia precisa de ser valente. Valente quer dizer: magnânima. E deve saber terminar in media res.» Como agora.

Bernat Castany Prado falou-nos de medo, mas falou com coragem. Lembrou-nos que parar também é fazer. Que rir também é lutar. Que filosofar é, acima de tudo, uma prática do valor — e não apenas do saber. E que há flores que só nascem depois da greve.

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias

Livros que lideram, pessoas que inspiram

9 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Eis a lista de Livros People selecionados pela Líder, para a Revista nº 30.

 

Boas leituras!

 

Como os Líderes inteligentes facilitam as coisas certas e dificultam as coisas erradas – Robert I.Sutton e Huggy Rao

Todas as organizações, sem exceção, são afetadas por fricções. Se umas são desejáveis e incrivelmente úteis, outras, porém, revelam-se destrutivas. Depois de sete anos de investigação prática, o ‘Projeto Ficção’ apresenta as ferramentas para nos tornarmos reparadores de fricção.

 

Inteligência Emocional – O que é? – Mike Acker 

Como é a sua Inteligência Emocional? Reconhece os seus pontos fortes e as suas fraquezas? Quanto tempo demora a recuperar de uma emoção perturbadora? Neste livro, vai encontrar aspetos que pode desenvolver para melhorar a sua inteligência emocional e, além disso, obter conhecimentos que o vão ajudar a tornar-se um ser humano melhor.

 

Como falar, como ouvir – Mortimer J. Adler

‘Como Falar, Como Ouvir’ é um manual prático para comunicar com eficácia, lidar melhor com as pessoas e melhorar as suas competências pessoais e profissionais. Mortimer J. Adler revela os segredos para falar de forma organizada e cativante, ajudando-o a transformar simples conversas em oportunidades de inspiração e conexão.

Arquivado em:Leading People, Livros e Revistas

Tecnologia consciente: o compromisso ESG da iServices

9 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Da neutralidade carbónica ao recondicionamento com impacto social, na iServices traçamos um caminho de sustentabilidade real, onde cada decisão conta. Na iServices, acreditamos que liderar não é apenas inovar na tecnologia, mas também assumir um compromisso profundo com a ética, a sustentabilidade e o impacto positivo nas comunidades. O nosso percurso ESG (Environmental, Social and Governance) é uma jornada em construção contínua, feita de escolhas conscientes, metas mensuráveis e ações com propósito real. 


Improved Cook Stove Project 1, Nkhata Bay District, Malawi 

E de Environmental: Neutralidade carbónica com impacto social 

Em 2024, a iServices alcançou a neutralidade carbónica nas suas operações diretas. Para compensar 33 toneladas de CO₂ equivalente – resultantes do consumo energético nos espaços físicos e da nossa frota própria – optámos por investir no Improved Cook Stove Project 1, no distrito de Nkhata Bay, no Malawi. Este projeto, certificado pela ONU através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, substitui fogões tradicionais por fogões mais eficientes, reduzindo em dois terços o consumo de lenha por família. 

Mais do que uma medida de compensação, esta escolha traduz a nossa visão de sustentabilidade com impacto humano. O projeto beneficia diretamente mais de 200 mil pessoas, melhora a qualidade do ar, reduz a desflorestação e apoia a saúde pública – sobretudo de mulheres e crianças. Esta ação reforça o nosso compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), numa lógica de responsabilidade ambiental, mas também de transformação social. 

Paralelamente, iniciámos a transição para a aquisição de energia 100% renovável, com revisão de contratos de fornecimento, assumindo uma gestão ativa e rigorosa da nossa pegada ecológica, em conformidade com o Greenhouse Gas Protocol. 

S de Social: Reutilizar é cuidar 

Na iServices, recondicionar tecnologia é um ato de inclusão e circularidade.

Acreditamos que prolongar a vida útil de um dispositivo é tão importante como torná-lo acessível a mais pessoas.

Com mais de uma década de experiência, a nossa rede de lojas trabalha diariamente para dar uma nova vida a smartphones, tablets, computadores, smartwatches e consolas – reduzindo o lixo eletrónico e democratizando o acesso à tecnologia. 

Além disso, colaboramos com parceiros certificados para garantir o destino responsável de baterias e componentes, fomentando cadeias de valor mais éticas e sustentáveis. A nossa atuação social estende-se também a programas de apoio a comunidades e instituições locais, reforçando o nosso papel como marca com responsabilidade social ativa. 

G de Governance: Transparência e responsabilidade como cultura 

Sabemos que o “G” de ESG é muitas vezes o menos visível, mas é a base que sustenta todas as decisões. A nossa cultura interna promove a ética, a transparência e o cumprimento rigoroso das normas legais e ambientais. A responsabilidade começa dentro de casa – nas lideranças, nas equipas e nas políticas que adotamos para garantir que o nosso crescimento é sólido e alinhado com os valores da integridade e da equidade. 

Acreditamos que o futuro das marcas líderes passa por aqui: agir com consciência, decidir com base em dados e cuidar das pessoas e do planeta em cada etapa. O nosso ESG Roadmap está em curso – não como uma tendência, mas como uma responsabilidade. Porque, para nós, tecnologia consciente não é um slogan. É uma missão. 

Referências bibliográficas:

https://offset.climateneutralnow.org/vchistory/details?orderId=37266  

https://offset.climateneutralnow.org/improved-cook-stove-project-1-nkhata-bay-district-malawi-9933-?

searchResultsLink=%2FAllProjects%3FSorting%3D103%26ContinentId%3D260  

Este artigo foi publicado na edição nº 30 da revista Líder, cujo tema é ‘Enfrentar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

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