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Marcelo Teixeira

Autarquias e cultura: um caderno para levar a sério

16 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Num país onde a Cultura continua a ser o parente pobre da governação — lembrado à pressa em tempos de prémios, festivais ou polémicas —, é de saudar que a política cultural local tente afirmar-se com substância. O Caderno de Políticas Culturais Autárquicas, coordenado por Rui Matoso e apresentado no âmbito da Convenção MIL 2024, é um desses documentos raros que não vêm de cima nem têm pretensões vagas: vêm do terreno e propõem soluções concretas.

Com as eleições autárquicas de 2025 no horizonte, e num momento em que os programas políticos se preparam para mais uma temporada de promessas genéricas, este caderno procura recentrar a discussão naquilo que muitas vezes se apaga: a cultura como eixo da cidadania e da coesão territorial. Em vez de ‘eventos culturais’, fala-se de direitos, acesso, planeamento e investimento estratégico. A ideia não é colorir a agenda — é dar-lhe estrutura.

Do diagnóstico à proposta: quando a cultura é levada a sério

O documento resulta de um exercício cívico partilhado, com contributos de artistas, associações, investigadores, técnicos e cidadãos. Mais do que um manifesto, é uma ferramenta que pode — e deve — ser usada pelas concelhias partidárias para pensar o município como espaço de inovação, pluralismo e sustentabilidade cultural.

As áreas abordadas são claras e pertinentes: democracia e cidadania cultural, diversidade e coesão social, o direito à cidade, financiamento, planeamento estratégico e o papel das câmaras municipais na programação e mediação cultural. Não se trata de um catálogo de desejos: são propostas fundamentadas que partem do que existe, apontando caminhos para um futuro mais justo e mais participado.

A cultura não pode continuar a ser tratada como um apêndice festivo das autarquias — algo que se resolve com uma verba residual, dois concertos e um cartaz. O caderno lembra que a cultura não é um luxo nem um ornamento político. É um campo onde se joga a democracia quotidiana, onde se decide quem pertence, quem tem voz, e que formas de vida são reconhecidas num território.

Se for lido, discutido e aplicado, o caderno pode ajudar a inverter a tendência de apagamento da cultura local nas agendas políticas. E talvez, entre promessas de requalificações, mobilidade e mais habitação, surja finalmente um lugar sério para a cultura — não como entretenimento, mas como política pública. Há ainda uma proposta para a criação de uma coligação de munícipios pela democracia cultural. A petição pode ser assinada aqui.

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias, Política

Let them cook: como a geração Z está a transformar a língua inglesa

16 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Se alguma vez deu por si a ouvir um adolescente dizer ‘main character energy’ e pensou tratar-se de uma nova aplicação de energia solar, saiba que não está sozinho. Para assinalar o Dia Mundial das Competências dos Jovens (15 de julho), o British Council decidiu dar uma ajuda a quem tenta, sem sucesso, decifrar a língua em constante mutação da geração Z.

O relatório chama-se Phrase-ology, foi dirigido por dois especialistas de peso — a linguista computacional Dra. Barbara McGillivray e o investigador em linguagem natural Lacopo Ghinassi — e apresenta-se como um dicionário de sobrevivência contemporâneo: 100 expressões, idiomáticas e proverbiais, que contam a história de uma língua em movimento acelerado, alimentada por memes, TikToks, hashtags e estados de alma.

De ‘YOLO’ a ‘let them cook’, passando por ‘no cap’ e ‘ate and left no crumbs’, a seleção espelha muito mais do que modas passageiras: é um espelho linguístico da necessidade de afirmação, identidade e pertença de uma geração que comunica em código e vive entre reels e realidades.

«O inglês é um organismo vivo e coletivo. As palavras moldam-se ao mundo, mas também o moldam de volta», explica Mark Walker, diretor de Inglês e Exames do British Council. Através de uma análise a milhões de documentos online, a equipa identificou expressões que nasceram nos salões de baile de Nova Iorque, nos versos dos rappers afro-americanos, nos fóruns de fãs pop e nos cantos mais virais do TikTok — e que hoje atravessam fronteiras, idades e sotaques.

 

Novas categorias num bairro que envelhece

O relatório está disponível de forma gratuita e foi agrupado em oito categorias temáticas. A secção dedicada à geração Z é talvez a mais reveladora: não só traduz novas formas de comunicar, como também denuncia os seus medos, sonhos e mantras de autoajuda em tom irónico. Por detrás de frases como ‘to glow up’ (melhorar de dentro para fora) ou ‘understood the assignment’ (ultrapassar expectativas com estilo), há um desejo de reinvenção constante, de performance identitária, e talvez, no fundo, de serem ouvidos numa língua que ainda lhes pertence — por enquanto.

Para quem nasceu antes de 1995, este léxico pode parecer um teste à paciência e ao dicionário. Mas desenganem-se os nostálgicos: muitas destas expressões já têm raízes antigas. O célebre YOLO (you only live once), por exemplo, foi gritado por Drake em 2011, mas tem registos desde o século XIX. O novo é sempre mais velho do que parece.

Enquanto o bairro envelhece e os miúdos trocam o futebol de rua por trends de 30 segundos, talvez valha a pena aprender a língua deles. Não por medo de ficar para trás, mas porque, como lembra o relatório, «as palavras também são lugares onde crescemos». E crescer, apesar de tudo, continua a ser uma língua comum.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Direitos Humanos continuam por cumprir em Portugal

15 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

No ano em que se celebram cinco décadas de democracia em Portugal, a Plataforma de Direitos Humanos (PDH) faz soar o alarme: os direitos humanos continuam a tropeçar entre leis bem-intencionadas e uma realidade que insiste em ter falhas. O relatório ‘Entre o Compromisso e a Realidade – Direitos Humanos em Portugal’ traça o retrato cru de um país onde os compromissos públicos nem sempre resistem à prova do quotidiano.

 

Direitos em suspenso. E em silêncio.

Portugal orgulha-se de um sistema democrático que já conta meio século. Mas, segundo o relatório da PDH agora divulgado, esse orgulho esbarra frequentemente em omissões concretas, desigualdades estruturais e uma distância desconfortável entre o que o Estado promete e o que realmente cumpre. O documento funciona como um espelho — por vezes embaciado, por vezes cruel — de onde emergem rostos silenciados: migrantes, mulheres, pessoas com deficiência, pessoas LGBTI+, cidadãos em insegurança alimentar.

«Este relatório é um apelo objetivo à ação e à responsabilidade coletiva», avisa a Direção da PDH. A mensagem é clara: os direitos humanos não são um luxo moral, são uma obrigação política. E essa obrigação, diz o relatório, está a ser reiteradamente adiada.

 

Migração e Asilo: direitos com fronteiras invisíveis

No capítulo dedicado a pessoas migrantes e requerentes de asilo, as falhas são gritantes. O documento sublinha a lentidão na emissão de documentos fundamentais (NISS, NIF), o bloqueio ao reagrupamento familiar e a escassa participação das próprias comunidades nas políticas que lhes dizem respeito. Entre as propostas, destaca-se um modelo de acolhimento descentralizado, com envolvimento direto das organizações não governamentais, mais próximo do terreno e das necessidades reais.

 

Direitos das Mulheres: avanços lentos, retrocessos dissimulados

Apesar de progressos, o acesso pleno à saúde sexual e reprodutiva continua longe de estar garantido. Persistem barreiras na interrupção voluntária da gravidez, no acesso à procriação medicamente assistida, e na conciliação entre vida pessoal e profissional. A violência de género e as desigualdades salariais permanecem como cicatrizes abertas. A PDH defende reformas legislativas e operacionais urgentes — da prevenção ao acesso a cuidados e justiça — para que os direitos das mulheres deixem de ser apenas uma rubrica nos discursos.

 

Pessoas LGBTI+: entre invisibilidade e exclusão

No que toca às pessoas LGBTI+, o relatório é direto: há discriminação sistémica, especialmente no acesso à saúde. A PDH propõe o reconhecimento legal das identidades não binárias, uma lei-quadro antidiscriminação e a formação de profissionais da saúde, educação e justiça, para que deixem de reproduzir preconceitos e passem a garantir direitos.

 

Deficiência: quando a lei não chega à rua

O relatório denuncia a infantilização institucional das pessoas com deficiência e a ineficácia dos mecanismos legais. As acessibilidades continuam comprometidas, e o acesso à justiça é, muitas vezes, uma miragem. A PDH pede mudança estrutural e não apenas simbólica, alertando para a urgência de respeitar autonomia, autodeterminação e cidadania plena.

 

Direito à Alimentação: o invisível da pobreza

Num país europeu, a insegurança alimentar afeta milhares. O relatório propõe a consagração constitucional do Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequadas e um plano nacional para erradicar a fome — que, avisa, muitas vezes se esconde fora dos critérios convencionais de pobreza. Promover a agricultura familiar, combater o desperdício e reforçar a literacia alimentar são alguns dos caminhos apontados.

Da lei à prática: a distância que se arrasta

Mais do que um catálogo de fragilidades, o relatório organiza os seus apelos em três eixos principais:

  1. Regulamentação eficaz – Exige-se que os normativos legais não fiquem no papel. Que as leis sejam aplicadas com rigor, que haja fiscalização, consequência e continuidade.
  2. Políticas públicas robustas – O tempo dos diagnósticos está esgotado. É necessária ação coordenada e estratégica, com medidas orientadas para resultados concretos.
  3. Sociedade civil como eixo central – Muitas vezes são as organizações da sociedade civil que garantem, sozinhas, aquilo que o Estado não consegue. Reconhecer-lhes esse papel não é um gesto de gratidão, é uma exigência democrática.

‘Entre o Compromisso e a Realidade’ não é apenas um relatório. É uma convocatória. Um desafio direto ao Estado português e à opinião pública para que deixem de tratar os direitos humanos como um ideal periférico e os assumam como o núcleo duro da governação.

Num tempo marcado por populismos e desinformação, este é também um exercício de resistência. Um esforço para recentrar a democracia naquilo que nunca deveria ter deixado de ser o seu eixo: a dignidade concreta de quem vive cá dentro.

A democracia faz 50 anos. Mas, como este relatório mostra, ainda há a quem não tenha chegado a revolução.

 

Arquivado em:Notícias, Sociedade

ESG Roadmap: o futuro não é verde por acaso

15 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Durante décadas, construir um negócio significava expandir território, conquistar quota de mercado, aumentar margens. O verbo era crescer, sempre. E, com frequência, crescer significava ignorar. Ignorar o impacto ambiental, as assimetrias sociais, os riscos éticos. Esse tempo chegou ao fim. O planeta deixou de ser pano de fundo e passou a ser protagonista — e o mesmo se aplica às pessoas. É neste contexto que o ESG — Environmental, Social and Governance — deixa de ser um apêndice opcional e se torna parte estrutural da narrativa empresarial. 

Hoje, um ESG Roadmap não é um gesto de boas intenções, é uma bússola. Princípios ESG bem integrados traduzem-se em eficiência energética, descarbonização estratégica, práticas laborais dignas, diversidade real, processos de decisão transparentes e estruturas de supervisão robustas. Deixou de ser ética — passou a ser estratégia. 

Estudos da McKinsey revelam que as empresas com políticas ESG sólidas obtêm retornos financeiros superiores, com menor volatilidade e melhor reputação junto dos mercados. E a Comissão Europeia obriga, desde 2024, à apresentação de relatórios de sustentabilidade detalhados, através da CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), com impacto em mais de 50 mil empresas na Europa.  

 

Da retórica ao rigor 

Mas atenção: num mercado saturado de palavras bonitas, o risco do greenwashing é real. Não basta dizer que se é verde, justo ou responsável — é preciso provar. Com métricas claras e verificáveis, relatórios públicos e linguagem compreensível. Transparência deixou de ser uma escolha estética para se tornar a base da credibilidade. 

É aqui que o ESG Roadmap faz a diferença. Quando bem estruturado, permite mapear a pegada ecológica, medir o impacto social, garantir que a governação não é uma simulação de ética, mas uma arquitetura funcional. Fala-se de indicadores como o consumo energético por unidade de produção, a proporção de mulheres e minorias em cargos de liderança, a responsabilidade fiscal, entre outros. E sobretudo, da capacidade de olhar a cadeia de valor como um corpo vivo: do fornecedor ao consumidor final, passando por quem colhe, quem transporta, quem transforma e quem vende. A construção de um negócio sustentável e ético exige, por isso, um compromisso profundo.  

Como escreveu Hannah Arendt, «a promessa é o fio que atravessa o tempo». Um ESG Roadmap é uma promessa feita com consciência do futuro.  

No fim, tudo isto é uma questão de visão. E de coragem.

A coragem de construir negócios que não só resistem ao tempo, mas que fazem sentido dentro dele.

Porque o futuro, esse que todos projetam, não será verde por acaso. Será verde porque alguém o construiu com as mãos limpas, os olhos abertos e o coração inteiro. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 30 da revista Líder, cujo tema é ‘Enfrentar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leading Brands, Notícias

Como preparar as empresas para lidar com as tecnologias emergentes

15 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Os executivos precisam de antecipar as rápidas mudanças tecnológicas — que têm um impacto cada vez maior nos negócios — e identificar novos mercados, oportunidades e parcerias. O Índice de Disrupção Global da Accenture, que mede mudanças económicas, sociais, geopolíticas, climáticas, tecnológicas e de consumo, revela que o ritmo destas mudanças é hoje cinquenta vezes superior ao de há cinco anos. Como, então, podem os líderes empresariais preparar-se para esse cenário?

Ao antecipar e adotar tecnologias disruptivas, os executivos protegem as operações da estagnação e abrem caminho para crescimento, eficiência e inovação. Isso permite às organizações aumentar a produtividade, otimizar processos, melhorar a experiência do cliente e tomar decisões mais estratégicas com base em dados.

Exemplos não faltam! A Amazon foi pioneira no comércio eletrónico, apostou em infraestrutura digital e logística. A Apple revolucionou a indústria em 2007 com o iPhone, intoduziu o ecrã tátil, aplicações móveis e uma experiência de utilizador integrada. A Netflix alterou os modelos tradicionais de televisão e aluguer com o streaming, e a Uber transformou o setor dos transportes ao permitir viagens via app. Todas estas empresas souberam identificar e explorar tecnologias emergentes para gerar novas oportunidades, conquistar mercado, aumentar receitas e consolidar a sua reputação como líderes inovadores.

No entanto, novas tecnologias são notoriamente imprevisíveis — seja pelo custo, pela facilidade de adoção, pelo valor percebido ou por padrões emergentes. E eventos inesperados, como a pandemia de COVID-19, podem tornar obsoletas previsões cuidadosamente planeadas.

Adotar novas tecnologias, cedo, pode trazer desafios: há quem sobrevalorize a informação disponível ou hesite em abandonar investimentos que já não fazem sentido. O sucesso nesta área exige infraestruturas e produtos complementares, numa rede de interdependências complexa. Por isso, os decisores corporativos precisam de estar bem informados sobre as tecnologias emergentes e saber distinguir as que têm verdadeiro impacto.

Ninguém é um “vidente tecnológico” infalível, mas é possível criar um ecossistema organizacional que valorize a aprendizagem, a resiliência e a inovação. Para isso, é essencial adotar uma estratégia multifacetada que incorpore consciência tecnológica, envolvimento ativo e agilidade. Quatro capacidades são especialmente importantes para identificar e aproveitar tendências tecnológicas:

 

  1. Monitorizar e explorar novas tecnologias

Mais do que seguir tendências pontuais, é crucial adotar uma abordagem contínua e estruturada para analisar o panorama tecnológico. Para isso, pode-se criar uma equipa dedicada à prospeção, focada em identificar, avaliar e testar inovações com potencial real para o negócio — idealmente em parceria com centros de investigação e startups. O foco deve estar na geração de valor, com indicadores que avaliem o impacto da equipa.

Como alternativa, pode-se montar uma equipa virtual com líderes de diferentes áreas. Manter-se atualizado com relatórios, eventos e redes de contactos, bem como promover sessões internas e testes práticos, ajuda a preparar a organização para tirar partido das novas tecnologias.

 

  1. Promover uma cultura de curiosidade

Fomentar uma cultura de inovação vai além de incentivar os colaboradores a manterem-se atualizados. É preciso criar um ambiente onde o pensamento criativo e a tomada de riscos sejam valorizados. Pode-se, por exemplo, criar um espaço próprio, onde todos são convidados a experimentar novas tecnologias e partilhar os resultados. Esta abordagem facilita a identificação de tecnologias que possam ser postas em prática.

Eventos internos com a presença de fornecedores tecnológicos ajudam a gerar confiança nas soluções e estimulam a experimentação. Outra ferramenta útil é o Nível de Maturidade Tecnológica, criado pela NASA, que permite avaliar a prontidão das tecnologias para adoção prática.

 

  1. Usar um mapa tecnológico e plano de cenários

Estar preparado para múltiplos futuros requer planeamento e flexibilidade. Equipas multifuncionais, combinando conhecimento técnico e visão de negócio, podem usar dados e análises para criar planos adaptáveis e revistos com regularidade. Para cada nova tecnologia, é essencial refletir sobre: Será bem aceite pelos colaboradores? Resolve um problema real da empresa? Pode ser explicada facilmente aos utilizadores? É financeiramente viável?

É recomendável manter um documento atualizado para cada tecnologia emergente com uma breve descrição e a sua relevância para o negócio. Partilhar esse documento com parceiros, fornecedores e clientes pode também fortalecer relações e demonstrar visão estratégica.

 

  1. Estabelecer parcerias

Nenhuma empresa, por mais recursos que tenha, consegue acompanhar sozinha todos os avanços tecnológicos. Estabelecer uma rede de parceiros — desde grandes fornecedores até startups, instituições académicas e empresas do setor — garante acesso a conhecimento e inovação de ponta.

Estas parcerias podem surgir sob várias formas: colaboração em investigação, participação em consórcios ou mesmo investimento em fundos de capital de risco focados em novas tecnologias. Converse com fornecedores sobre os seus planos e ofereça-se para testar novas soluções. Se conseguir resolver um problema real com essas tecnologias, ganha prioridade na relação e acelera o processo de adoção — e o melhor: o parceiro é quem gere e mantém a solução.

Além disso, empresas com processos formais para avaliar e integrar inovações externas, combinando-as com competências internas, tendem a obter melhores resultados.

A revolução digital exige que os líderes se mantenham atentos à evolução tecnológica e estejam um passo à frente das tendências disruptivas. Monitorizar, experimentar, mapear e colaborar são passos fundamentais para garantir que a sua organização não só acompanha a mudança, mas lidera o processo.

 

Arquivado em:Opinião

A nossa sociedade pós-alfabetizada

14 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Um dos prazeres de ler um jornal como o Financial Times está nos textos de colunistas de qualidade superior, isto é, textos que nos ajudam a pensar e a formar opinião. Não há ali pregadores a tentar doutrinar o povo. Sarah O’Connor é um desses colunistas. Há uns meses interpelou-nos: estaremos a construir uma sociedade pós-alfabetizada?

De acordo com inquéritos internacionais, a resposta afirmativa é plausível. Uma percentagem significativa das pessoas tem dificuldade em ler textos mais longos e complexos. Como já aqui referi a propósito de um artigo de Rose Horowitch na Atlantic (The elite college students who can’t read books), mesmo as supostas elites têm perdido competências básicas. Olhemos em volta: quantas pessoas vê a ler um livro, um jornal ou uma revista? Citando o autor Neil Postman, O’Connor lembra-nos duas coisas importantes: (1) a inteligência humana é das coisas mais frágeis da natureza; (2) os governos autoritários já não têm que queimar livros para assegurar que as pessoas não os leem – há muitas maneiras de cultivar a estupidez.

Contrariar esta tendência é fácil: é uma questão de ler – incluindo em papel (livros, jornais). Para começar e no âmbito deste tema, temos aí A Geração Ansiosa de Jonathan Haidt (Dom Quixote) e de A Fábrica de Cretinos Digitais, de Michel Desmurget (Contraponto). Não sei se ainda vamos a tempo, mas não custa tentar contrariar a onda. Talvez um dia o papel seja redescoberto, como foi o vinil. Aproveitemos o Verão: boas leituras!

 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

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