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Marcelo Teixeira

IA acelera nos escritórios: uso diário dispara 233% em seis meses

23 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

A inteligência artificial já não é só tema de conferências ou de planos de inovação para 2030 — está a entrar, em força, no quotidiano dos escritórios. O uso diário de IA cresceu 233% desde novembro, e 60% dos trabalhadores de escritório já a utilizam. Entre os que a usam todos os dias, a diferença nota-se: são 64% mais produtivos, sentem-se 58% mais focados e 81% mais satisfeitos com o trabalho que fazem.

Os dados são do Slack Workforce Index, apresentado esta semana pela Salesforce, num inquérito que ouviu cinco mil profissionais em vários pontos do globo. O estudo mostra que a IA deixou de ser apenas uma ferramenta de automatização. Hoje, é usada para aprender, criar, estruturar ideias ou tarefas para as quais os utilizadores não tinham, até aqui, competências. Mais de 96% dos inquiridos que usam IA admitem estar a fazer agora coisas que antes não conseguiam fazer. E querem mais: oito em cada dez querem que os agentes de IA os ajudem em brainstormings, pesquisas e apresentações.

Denise Dresser, CEO do Slack, afirma que «à medida que os trabalhadores adotam a IA com crescente confiança, as empresas ganham uma oportunidade clara de gerar maior produtividade e inovação, enquanto os trabalhadores se tornam mais confiantes e realizados.»

Millennials sentem-se mais ligados

São os Millennials, e não a geração Z, quem lidera esta revolução. Trinta por cento afirmam já ter conhecimento avançado de agentes de IA — e 68% usam-nos para tarefas estratégicas, como criação de documentos, resumos e ideias para novos projetos. Já 43% dos executivos também revelam uma utilização diária da IA, embora essa percentagem vá caindo para 23% nos gestores intermédios.

Apesar dos receios iniciais, a IA não está a afastar os trabalhadores uns dos outros. Pelo contrário. Os utilizadores diários reportam uma ligação 246% mais forte com os colegas e um sentimento de pertença 62% maior. E até entre a geração Z, nativa digital, um em cada três afirma que a IA os fez sentir mais ligados no trabalho.

«Quando se trata de trabalhadores e IA, os dados demonstram-nos que ver é crer», resume Lucas Puente, vice-presidente de investigação do Slack. À medida que experimentam a tecnologia, os trabalhadores parecem confiar mais nela — e, acima de tudo, confiam mais em si próprios.

Veja o estudo completo aqui.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia, Trabalho

Liderança é servir com visão

23 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Ao longo das últimas décadas, a forma de liderar uma empresa mudou exponencialmente. Em especial, para corresponder a um perfil de profissionais com maior predisposição para abraçar as mais variadas experiências ao longo da sua carreira. A concorrência e a competição entre organizações aumentaram e, com isso, a capacidade de atrair e manter as melhores pessoas. Por outras palavras, a Mobilidade Laboral veio romper com ideias pré-concebidas, que tiveram o seu cerne após a IIª Guerra Mundial.

Mas também porque a própria noção de empresa mudou. Nas últimas décadas, a cultura organizacional sofreu uma mutação, com a ascensão das chamadas indústrias criativas, primeiro, e depois das tecnológicas. Com isso, criou-se uma visão mais simplista do que concerne à interação entre pessoas, inclusivamente, no vestuário e vocabulário utilizados no dia-a-dia laboral. Onde se verifica um maior disrupção é, exatamente, nos comportamentos registados entre lideranças e os seus colaboradores. A troca de ideias e os incentivos à proatividade tornaram-se comuns. A meritocracia entrou no léxico de todos, os decisores empresariais tomaram consciência da necessidade de incentivar as suas equipas com estímulos que não cingem à componente financeira.

Centro-me, agora, no setor do Lazer, mais concretamente, nas marcas que se posicionam entre a restauração, hotelaria e eventos, com as quais trabalho diariamente há cerca de duas décadas. E cujas idiossincrasias são muito próprias, embora a génese não seja assim tão diferenciada face a qualquer área empresarial.

Ao longo deste período assistiu-se a uma transformação radical, em larga medida, pois muitos dos melhores profissionais destes setores ganharam admiração por parte do grande público, com impacto na sua visibilidade mediática. Por exemplo, o mundo em torno do bartending assumiu um charme e sofisticação como nunca se verificara. Tal implica, também, um exacerbar de egos, uma vontade de experimentar, de fugir à rotina e a hábitos instalados.

De que forma é que tudo isto impacta na liderança das organizações? O líder é um gestor de indivíduos, mais do que de um coletivo holístico. E, para tal, não se pode coibir de conhecer mais a fundo os seus colaboradores, também com um olhar psicológico sobre os mesmos. A ideia do trabalho como segunda (e, tantas vezes) primeira casa encontra-se em desuso, por via da crescente influência do worklife balance também não é possível dissociar a capacidade de juntar os melhores da oferta de um conjunto de valências que motivem a continuidade na organização.

A abertura das economias trouxe outros impactos, que, no caso português, podemos mensurar na dimensão do mercado. Ao fazermos parte da União Europeia, sabemos bem que os nossos profissionais poderão a qualquer momento receber propostas vantajosas de algumas das maiores economias do mundo. Mas também cabe-nos compreender que, da mesma forma que perdemos, podemos conquistar pessoas, não apenas do espaço comunitários, mas, essencialmente, de fora do continente europeu, que veem Portugal como um ponto de confluência extraordinário.

À liderança cabe ter um leque de conhecimentos que abarca das ciências sociais à geopolíticas, das finanças à gestão empresarial. Parece irónico, mas urge cada vez ter líderes que colocam as mãos na massa, em conjunto com os seus colaboradores, capazes de dar o exemplo pelo esforço, de saber criar laços e unir, de encontrar resposta aos desafios complexos que se levantam.

Arquivado em:Opinião

Caminhos Globais. Portugueses que Fazem a Diferença Pelo Mundo – Marta Henriques Pereira

22 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Com o título “Caminhos Globais. Portugueses que Fazem a Diferença Pelo Mundo”, de Marta Henriques Pereira, este livro que a Casa das Letras agora edita, é um guia essencial para quem faz ou quer fazer carreira internacional e, com talento e determinação, deixar a marca de Portugal no mundo. Com prefácio de António Vitorino teve apresentações em Lisboa e no Funchal.

Arquivado em:Leadership, Livros e Revistas

Porque falham tantas apostas de inovação no topo das empresas?

22 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Há uma diferença abismal entre inovar e correr atrás do último grito tecnológico. A tentação de investir em ideias brilhantes mas desligadas da realidade tem custado caro a muitas empresas. Falhar na inovação não é por falta de ambição — é por falta de foco. Quando se investem milhares de milhões em tendências que não resolvem dores reais dos clientes ou entraves operacionais, o resultado é previsível: desilusão.

A história repete-se. A Meta afundou-se no metaverso, investindo fortunas num mundo virtual que quase ninguém pediu. A Apple, por sua vez, hesitou em integrar inteligência artificial, preferindo adaptá-la ao que já tinha — sem atacar nenhum problema de raiz. Em contraste, Amazon e JPMorgan escolheram um caminho mais sóbrio: aplicar a IA onde ela realmente faz falta, para desbloquear empecilhos críticos. O impacto não podia ser mais claro.

Esta análise parte de um artigo da Forbes.

O hype não é inovação

A aposta da Meta no metaverso será, muito provavelmente, lembrada como um dos maiores erros estratégicos da última década. Com mais de 17 mil milhões de dólares de prejuízo só em 2024, o investimento acumulado desde 2019 já ultrapassa os 68 mil milhões. Porquê? Porque a Meta preferiu entusiasmar-se com o potencial do hype em vez de escutar o mercado.

A Apple, por sua vez, falhou por excesso de prudência. Em vez de liderar com soluções transformadoras, limitou-se a inserir IA no ecossistema existente, sem responder a nenhuma necessidade clara. A consequência foi imediata: cortes nas projeções de vendas, perdas na bolsa e uma corrida atrás do prejuízo que se estenderá até 2026.

Nenhuma das duas empresas fez as perguntas que importam: Para quem é isto? Que problema estamos a resolver? A única pergunta que parece ter sido feita foi: qual é a tendência do momento e como nos encaixamos nela?

Este tipo de inovação movida a FOMO (medo de ficar de fora) é cara, ineficaz e, pior, cega-nos para as oportunidades óbvias que estão mesmo à frente dos olhos.

Estratégia com propósito

Amazon e JPMorgan provaram que a inovação mais eficaz é muitas vezes a menos vistosa. Em vez de seguir a moda, focaram-se em resolver obstáculos concretos com tecnologia aplicada de forma estratégica.

No caso da Amazon, o desafio estava nos armazéns. A solução? IA aplicada à eficiência logística — não em chatbots nem em compras em realidade virtual, mas em robôs que aumentam a produtividade nas linhas de distribuição. O Proteus, o primeiro robô autónomo da Amazon, já faz parte do quotidiano dos centros de logística, permitindo cortes de custos significativos e entregas mais rápidas.

Erika McClosky, responsável de operações técnicas na Amazon Robotics, explica: «O nosso novo centro em Shreveport, Louisiana, opera com dez vezes mais robótica avançada e IA. Esperamos melhorias de 25% na eficiência, entregas 25% mais rápidas e um aumento de 30% nos postos de trabalho qualificados.» Não é hype. É resolução de problemas concretos. E com isso, até 2030, a Amazon projeta uma poupança anual de 10 mil milhões de dólares.

JPMorgan seguiu um caminho semelhante, mas adaptado à banca. Em vez de se perder em modas como cripto ou fintechs reluzentes, concentrou os esforços da IA em áreas primordiais como detecção de fraude, compliance e trading. Os resultados? Redução de 95% em falsos positivos nos sistemas anti-branqueamento de capitais, ganhos de eficiência e decisões de investimento mais rápidas e precisas.

 

Oportunidades à vista de todos

Porque será que tantos líderes preferem seguir as luzes do palco em vez de se concentrarem nas falhas estruturais? Talvez porque ‘estar a par’ pareça mais glamoroso do que fazer o trabalho duro — aquele que, embora menos visível, muda realmente as coisas.

Existe portanto uma necessidade de alterar narrativa da inovação. O valor não está em ser o primeiro a surfar uma tendência. Está em ter a visão e a coragem de resolver o que realmente importa.

 

Por onde começar?

Se é CEO e quer fazer apostas corajosas mas calculadas, aqui ficam três ideias para reorientar a sua abordagem à inovação:

  1. Comece pelo problema. Qual é a maior dor do seu cliente ou da sua operação? Foque aí a energia. Muitas vezes, as soluções ‘aborrecidas’ escondem o maior valor por explorar.
  2. Aposte fundo, não largo. Evite pulverizar recursos para agradar a todas as modas. Faça como a Amazon: aposte estrategicamente onde pode haver impacto real.
  3. Meça o que importa. Avalie o sucesso com base no impacto: custos reduzidos, receita aumentada, eficiência ganha. Esqueça os likes do comunicado de imprensa.

Se a Apple tivesse parado para pensar onde é que o seu ecossistema realmente precisava de IA, estaria hoje a liderar essa conversa? Se a Meta tivesse redirecionado parte do orçamento do metaverso para melhorar a experiência dos utilizadores reais, precisaria agora de correr atrás da IA?

A lição é simples. A inovação não nasce do espetáculo, mas do compromisso sério com o impacto.

Arquivado em:Liderança, Notícias

NASA em Portugal: Atlântica volta a liderar missão espacial

22 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

Barcarena vai voltar a ter o cosmos no centro da mesa. O NASA International Space Apps Challenge está de regresso, e a Atlântica – Instituto Universitário volta a ser anfitriã e ‘Local Leader’ deste evento espacial sobre o planeta. Em 2025, a chamada é clara: resolver problemas globais (e interplanetários) com soluções locais — e o ponto de partida é já a 4 e 5 de outubro.

Durante 48 horas, estudantes, programadores, engenheiros, cientistas, designers e criativos de todas as áreas vão poder mergulhar num desafio global com dados abertos da NASA, uma hacklathon de 48 horas, colaborando em equipa para encontrar respostas para questões reais ligadas ao espaço, à Terra e ao futuro da humanidade. O evento decorre de forma híbrida: presencialmente no campus da Fábrica da Pólvora de Barcarena, em Oeiras, ou à distância, para quem preferir participar online.

Antes da descolagem, há ainda paragem obrigatória: no dia 3 de outubro, a Atlântica promove a 2.ª edição das Jornadas Aeroespaciais, abertas ao público em geral, com oradores e temas a anunciar em breve.

Com uma oferta formativa sólida nas áreas de engenharia e computação — incluindo a primeira licenciatura em Engenharia Aeronáutica numa universidade privada portuguesa — a Atlântica quer envolver não só os seus alunos, mas toda a comunidade escolar, científica e empresarial. O objetivo? Puxar pelas ideias, fomentar o trabalho em equipa e mostrar que, com dados e criatividade, o espaço também é nosso.

«É uma oportunidade única para ver ideias e projetos a ganharem vida», afirma Patrícia Pinheiro, engenheira aeronáutica e responsável local pelo evento. «Cada contributo conta. Mesmo os pequenos. Porque é assim que se constrói um impacto positivo — no mundo e no universo.»

Em 2024, a edição lisboeta reuniu mais de 50 participantes divididos por 12 equipas, com apoio e mentoria de especialistas do setor espacial nacional. Este ano, as inscrições já estão abertas na página oficial da iniciativa — e o countdown já começou.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

O futuro da gestão de pessoas com IA

22 Julho, 2025 by Marcelo Teixeira

A Inteligência Artificial está a revolucionar a gestão de pessoas, trazendo mudanças significativas que prometem transformar a forma como gerimos e apoiamos as nossas equipas. À medida que a tecnologia avança, as ferramentas de IA tornam-se cada vez mais sofisticadas, por vezes até de forma assustadora. Estas ferramentas sugerem formas de tornar a gestão de pessoas mais eficiente e personalizada. Por exemplo, no recrutamento, as ferramentas de IA podem analisar currículos e perfis de candidatos com uma precisão impressionante, destacam candidatos que se alinham perfeitamente com as necessidades das empresas. Imaginemos uma empresa que utiliza um sistema de IA para filtrar milhares de candidaturas e identificar os candidatos ideais com base em competências específicas e experiências anteriores. Isto não só acelera o processo de contratação, como também assegura que os candidatos mais qualificados sejam os selecionados.

No entanto, há algo que me questiono: e as soft skills? Como é que a IA avalia a criatividade ou a empatia, que são fundamentais para a eficácia no trabalho, mas muito difíceis de medir?

É aqui que chego à conclusão que a IA é excelente nas análises de dados, nos objetivos e na identificação de competências técnicas, mas a avaliação das softs skills representa um grande desafio.

Muitos especialistas na área afirmam que algumas ferramentas e aplicações de IA já conseguem analisar a linguagem e os comportamentos em entrevistas e reuniões virtuais, incluindo a capacidade de interpretar o tom de voz e as expressões faciais. No entanto, é fundamental lembrar que nada substitui a avaliação humana.

Dar prioridade às pessoas significa reconhecer que, embora a IA possa disponibilizar informações úteis, o compromisso de estarmos juntos presencialmente continua a ser indispensável na gestão de pessoas. O equilíbrio entre a precisão tecnológica e a compreensão empática são essenciais para garantir que a gestão de pessoas deve ser não só eficiente, mas também humana e justa.

A combinação de inovação tecnológica com respeito pelas necessidades das nossas pessoas é a chave para um ambiente de trabalho único e exclusivo. No entanto, para que esses avanços sejam realmente benéficos, os responsáveis devem integrar a IA de forma a complementar, e não substituir o contacto humano.

O papel de quem gere carreiras e bem-estar é muitas vezes desafiador, mas muito reconfortante. Somos o ponto de contacto constante para as equipas de consultores, sempre disponíveis para responder a perguntas, esclarecer dúvidas e apoiar o desenvolvimento e carreira de cada consultor. No entanto, este contacto constante traz consigo um conjunto gigante de tarefas, responsabilidades, muitas delas repetitivas, como responder às mesmas perguntas sobre processos internos, benefícios, ou mesmo gerir informações básicas.

É aqui que a IA pode fazer a diferença. Por exemplo, um assistente virtual capaz de responder rapidamente às perguntas mais frequentes, como detalhes sobre férias, processos administrativos ou informações sobre benefícios.

O impacto que esta ferramenta tem vai muito além da sua eficiência. Esta solução permite que quem gere carreiras e bem-estar ganhe tempo para se concentrar noutros temas de enorme relevância como a cumplicidade e relação com o seu consultor. E criar esta relação vai muito mais além do que ter em agenda reuniões marcadas. Passa por criar uma ligação mais forte com as equipas, apoiar o desenvolvimento individual e estratégico, e resolver questões que obrigam a uma sensibilidade mais humana e empática que os chatbots não têm.

A verdadeira e distinta gestão de pessoas pede empatia, sensibilidade e a capacidade de compreender particularidades que um algoritmo dificilmente capta. Ferramentas como chatbots são complementares e devem ser integradas de forma estratégica.

Ao refletir sobre o futuro da nossa profissão, vejo a IA como uma ferramenta poderosa que nos ajuda a focar nas pessoas. O equilíbrio entre tecnologia e contacto humano será fundamental para criarmos ambientes de trabalho mais dinâmicos, eficientes e, acima de tudo, humanos.

Arquivado em:Opinião

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