Um novo relatório alerta que as alterações climáticas podem abalar os alicerces da economia mundial. O estudo ‘The Cost of Inaction: A CEO Guide to Navigating Climate Risk’, realizado pela Boston Consulting Group em parceria com o World Economic Forum, revela que os desastres climáticos já provocaram perdas económicas superiores a 3,5 mil milhões de euros desde o ano 2000.
Agora, as projeções apontam para um cenário em que o Produto Interno Bruto global pode registar uma queda significativa, entre 16% a 22%, até ao final do século.
Impacto económico e riscos físicos
Os incêndios florestais em 2019 na Austrália, as inundações na Europa central em 2021, ou as tempestades violentas nas Caraíbas o ano passado não são meras tragédias naturais – são sinais de uma economia que pode ficar vulnerável, derretida ou submersa, onde os riscos climáticos se misturam com os financeiros. Os eventos climáticos extremos destroem ativos, interrompem cadeias de abastecimento e reduzem a produtividade.
Esses eventos agem como verdadeiros choques para a economia, podendo ameaçar até 25% dos lucros das empresas num futuro próximo. Além disso, os riscos físicos originam-se de fenómenos que hoje já se mostram cada vez mais frequentes e intensos. Por isso, as empresas enfrentam um ambiente de negócios onde cada passo pode ser decisivo.
A oportunidade da economia verde
Contudo, as alterações climáticas também abrem portas para novas oportunidades. O relatório projeta que a economia verde crescerá de forma marcante, perspetivando ultrapassar os 13,4 mil milhões de euros até 2030. Setores como as energias alternativas, os transportes sustentáveis e os bens de consumo ecológicos registam taxas de crescimento anual que superam a média global.
Essa tendência posiciona as empresas que investem em sustentabilidade como verdadeiras pioneiras num mercado em rápida expansão. Assim, a transição para operações com baixas emissões revela-se não só uma necessidade ambiental, mas também uma estratégia de negócio vantajosa.
Estratégias essenciais para os líderes das empresas
Manuel Luiz, Managing Director da BCG em Lisboa, orienta os CEOs a integrarem de forma eficaz o risco climático na sua estratégia empresarial. O gestor defende quatro ações essenciais: avaliar os riscos climáticos, sendo que as organizações devem medir os impactos dos riscos físicos e dos desafios decorrentes da transição para uma economia de baixas emissões. Essa análise global permite identificar as ameaças e as oportunidades associadas às alterações climáticas.
Devem saber gerir o portfólio, pois as empresas precisam adaptar os seus ativos e operações para reduzir a dependência de fontes poluentes. A descarbonização das cadeias de abastecimento e a otimização dos processos produtivos fortalecem a resiliência e asseguram a conformidade com regulamentações emergentes.
Outra das ações fundamentais para por dinamizar o negócio. Os líderes empresariais devem repensar os seus portfólios e investir em inovação. Ao identificar áreas onde práticas sustentáveis podem impulsionar o crescimento, as empresas desbloqueiam novos mercados e ganham vantagem competitiva.
Por último, é crucial monitorizar e comunicar o progresso. Acompanhar continuamente os riscos e reportar os avanços reforça a confiança dos investidores e melhora a imagem institucional. Essa transparência ajuda a criar um ciclo virtuoso de melhoria contínua e adaptação às novas exigências do mercado.
Além disso, investir em adaptação e resiliência pode gerar retornos significativos. Estudos apontam que cada dólar investido pode retornar entre dois e dezenove dólares. Uma transição rápida para um modelo sustentável pode ainda reduzir substancialmente as emissões, minimizando os custos associados à descarbonização.
Um futuro em risco e a necessidade de ação
As alterações climáticas representam uma ameaça real e crescente para a economia global. Empresas que ignoram esses riscos correm o perigo de ver os seus lucros e a sua competitividade seriamente comprometidos. Por outro lado, os líderes que se adaptam e transformam o risco em oportunidade abrem caminho para um futuro mais resiliente e sustentável.
A realidade apresentada pelo relatório exige uma ação imediata. Num mercado global onde a sustentabilidade já não é uma opção, as empresas devem agir agora para proteger os seus investimentos e garantir a continuidade dos seus negócios. Assim, transformar desafios climáticos em oportunidades de crescimento não só reforça a competitividade, mas também contribui para um futuro mais seguro e próspero.
Com os riscos a crescer e a urgência de mudanças a tornar-se inadiável, o relatório da BCG e do World Economic Forum convoca os líderes empresariais a repensarem as suas estratégias e a investirem num futuro verde. O tempo de agir é agora.
