A intrigante história dos familiares que sobreviveram após o término do regime e vida de Adolf Hitler. O que aconteceu aos irmãos e sobrinhos do ditador nazi? Após uma longa investigação, o autor e jornalista David Gardner demostra que alguns dos irmãos conseguiram sobreviver e fugir para os EUA. E que outros fizeram um pacto para não terem filhos e não perpetuarem os genes de Adolf Hitler. À venda a 14 de janeiro, editado pela Casa das Letras.
Entradas e Saídas
É a biografia do ator Michael Richards que deu corpo e alma a uma das mais notáveis e adoradas personagens televisivas alguma vez inventadas: o Kramer de Seinfeld. Com prefácio de Jerry Seinfeld e Jay Leno, o ator recua até à infância e à mãe solteira, explora o tempo que passou no exército e mergulha na fama que Seinfeld lhe trouxe. Também não deixa por revelar o cancro da próstata que lhe foi diagnosticado em 2018. Editado pela Casa das Letras estará disponível para o público a partir de 21 de janeiro.
O Guia para Não Fazer Nada, Como Resistir à Economia da Atenção
Trata-se de um dos “livros favoritos” de Barack Obama. Parece, no início, um manual de autoajuda, mas depois transforma-se num manifesto político. Mais do que nunca, fazer “nada” tornou-se um ato difícil e desafiador. A razão? Em tempos em que o nosso valor parece ser medido pela produtividade, resistir a essa pressão pode ser uma forma de subversão. A obra é de de Jenny Odell (Casa das Letras) e estará venda a partir de 21 de janeiro.
Dicionário Crítico da Revolução Liberal, (1820-1834)
A revolução liberal foi a maior mudança política e social em Portugal desde a Idade Média provocando uma enorme transformação política, cultural e social. É essa grande alteração histórica que mais de 70 historiadores analisam. Teve a coordenação de Rui Ramos, José Luís Cardoso, Nuno Gonçalo Monteiro e Isabel Corrêa da Silva (Dom Quixote) – À venda a 14 de janeiro.
Trudeau: o príncipe encantado que não resistiu ao peso da realidade
Justin Trudeau anunciou a sua demissão como primeiro-ministro do Canadá, esta segunda-feira, após quase uma década no poder. Num percurso marcado por altos e baixos, a saída deve-se, principalmente, a um problema interno crescente no Partido Liberal e uma queda acentuada na aprovação pública. Apesar disso, Trudeau foi o primeiro dos líderes daquele país a formar um gabinete com representação de género igualitária, promoveu investimentos em energia limpa e priorizou a reconciliação com os povos indígenas, embora nem sempre com sucesso.
Por outro lado, no centro da tempestade, o «príncipe encantado» passou por três escândalos que merecem destaque: o famigerado blackface de 2019, acusações de assédio por parte de uma jornalista local, e a controversa apropriação cultural durante uma visita à Índia. Agora, enquanto Trudeau se despede do cargo, restam as perguntas: com o partido conservador a ganhar terreno, e com Donald Trump à porta de assumir novamente a presidência dos Estados Unidos, de onde vem e para onde vai o Canadá?
Crescimento económico de altos e baixos
Quando Trudeau assumiu o cargo de primeiro-ministro, o Canadá estava a recuperar da crise de 2008, e o crescimento do PIB era uma prioridade. De 2015 a 2019, o crescimento foi positivo, com números entre 1,1% e 3,0% ao ano. Em 2017 e 2018, a economia canadiana respirava, impulsionada por investimentos em infraestrutura e estímulos fiscais, que incluíam cortes de impostos para a classe média e uma série de programas sociais. Trudeau parecia ter encontrado a receita mágica para o crescimento: gasto público e a promessa de uma economia mais inclusiva.
No entanto, a palavra «promessa» é chave aqui. O governo implementou políticas que, no papel, pareciam focadas no bem-estar social, mas os efeitos liberais não chegaram a todos. Investimentos públicos eram, em grande parte, voltados para o setor privado, em vez de medidas mais incisivas contra desigualdades estruturais.
Por exemplo, o governo criou o Fundo de Aceleração da Habitação, que visava incentivar a construção de novas casas. No entanto, esses investimentos acabaram por ser amplamente direcionados a grandes empresas de construção e empresas imobiliárias, sem garantir um impacte direto nas populações mais vulneráveis.
Em 2020, o mundo entrou em colapso com a pandemia de COVID-19. O Canadá não escapou, e o PIB caiu mais de 13% no segundo trimestre. Trudeau, como muitos outros líderes, reagiu com pacotes de estímulo fiscal que, ao menos, garantiram que a população não afundasse no abismo. Em 2021 o crescimento do PIB do Canadá foi de 5,29% após uma forte recuperação de 10,33% em relação a 2020. Porém, em 2022, houve uma desaceleração para 3,82%, e no ano seguinte o crescimento foi de apenas 1,07%, sinalizando desafios económicos mais amplos.
A pobreza e as desigualdades persistentes
Imigração num país historicamente acolhedor
Um dos maiores sucessos do governo de Trudeau foi a sua política de imigração. O Canadá, reconhecido por ser um país de acolhimento, atraiu milhões de imigrantes, especialmente da Índia. O aumento dessa comunidade contribuiu para o crescimento da força de trabalho e ajudou a sustentar o consumo interno. No entanto, esse sucesso também trouxe à tona uma série de desafios.
Embora muitos imigrantes tenham encontrado espaço no mercado de trabalho, o reconhecimento de qualificações e a adaptação cultural são obstáculos difíceis de superar. Profissionais altamente qualificados de países como a Índia ou Brasil enfrentam barreiras que os forçam a aceitar empregos inferiores às suas qualificações ou, em casos mais extremos, a formarem-se novamente.
Enquanto isso, a política de imigração do governo, muito voltada para atrair trabalhadores qualificados, não conseguiu criar as condições para uma verdadeira integração social de todos os imigrantes, especialmente nos centros urbanos onde os custos de vida dispararam.
Criminalidade e drogas: a ascensão de uma nova realidade
Se a economia canadiana vive tempos de relativa estabilidade, a segurança pública passa por momentos delicados. O Canadá, até 2014, vivia uma queda contínua nos índices de criminalidade violenta, sendo um país consideravelmente seguro. No entanto, a partir de 2014, os números começaram a mudar, com um aumento significativo dos crimes violentos.
Esse fenómeno foi particularmente evidente nas grandes cidades, onde, de acordo com dados de organizações de segurança pública, o aumento da violência grave e dos homicídios se tornou uma preocupação permanente.
Mais impressionante ainda foi o aumento das overdoses fatais relacionadas ao uso de opioides, uma epidemia que atingiu várias regiões do país, com destaque para a província de Colúmbia Britânica. Em 2021 nessa região registaram-se mais de 2,2 mil mortes ligadas a essas drogas, o equivalente a 6 pessoas por dia. Em todo o país, de janeiro de 2016 a setembro de 2021, foram assinaladas 27 mil mortes e mais de 29 mil internações por overdose, segundo dados do governo.
Esse aumento foi, em grande parte, impulsionado pela disponibilidade de fentanyl, uma droga sintética altamente potente que se espalhou rapidamente no mercado ilícito. A resposta do governo? A combinação de esforços de policiamento mais intensos, políticas de descriminalização e programas de tratamento, mas ainda sem um plano abrangente de prevenção que saiba lidar diretamente com as causas sociais da crise, como a pobreza e a falta de apoio psicológico.
O paradoxo Trudeau e o futuro do Canadá
Em última análise, o legado de Justin Trudeau é um paradoxo. Destacou-se por promover a imagem do Canadá como uma nação inclusiva e progressista, mas, na prática, as políticas implementadas seguiram a lógica e o ritmo das economias ocidentais. O parcial crescimento do PIB foi sustentado por investimentos públicos, mas também alimentado por um modelo de mercado livre que, frequentemente, não atendeu às necessidades da população mais vulnerável.
Caçadores de trufas: o desafio de recrutar talentos de elite
No cenário atual do mercado de trabalho, encontrar talentos especializados é uma tarefa comparável à procura de trufas raras: exige paciência, conhecimento e ferramentas certas. Com a escassez de competências técnicas e a incerteza económica a moldar as decisões profissionais, as empresas precisam de adotar uma abordagem mais estratégica e cuidadosa para atrair os chamados candidatos passivos.
Quem são os candidatos passivos?
Ao contrário dos candidatos ativos, que procuram ativamente novas oportunidades, os candidatos passivos estão satisfeitos com as suas funções atuais. No entanto, tal como as trufas escondidas sob o solo, possuem um valor inestimável para quem sabe onde e como procurar.
«Estes profissionais trazem consigo uma riqueza de experiência e competências, mas não se apresentam ao mercado por conta própria. É necessário conhecê-los, compreendê-los e apresentar uma proposta que realmente faça sentido para a sua trajetória», explica David Ferreira, Country Head Portugal da Robert Walters.
Estes talentos não respondem a abordagens genéricas ou vagas pouco atrativas. Têm de ser conquistados com uma proposta à medida, que alinhe desafios, crescimento e benefícios que justifiquem uma mudança.
A estratégia certa para encontrar o talento adequado
Assim como caçadores de trufas recorrem a cães treinados para identificar o local exato da preciosidade, os gestores de contratação precisam de ferramentas específicas e um conhecimento aprofundado para encontrar estes profissionais.
Além disso, este processo consome mais tempo do que os métodos tradicionais de recrutamento, o que pode sobrecarregar as equipas de RH, especialmente quando há várias posições em aberto simultaneamente.
Outros métodos tradicionais de recrutamento — como a simples publicação de vagas — raramente funcionam para posições altamente técnicas. De acordo com o Estudo de Remuneração 2024, metade das empresas relata que as suas ofertas de emprego não recebem candidaturas adequadas. Nesse contexto, o recrutamento proativo, apoiado por redes profissionais e bases de dados especializadas, torna-se essencial.
Competição acirrada: muitos caçadores para poucas trufas
Captar a atenção dos candidatos passivos exige mais do que uma boa oferta salarial. A incerteza económica tem tornado muitos trabalhadores avessos ao risco, preferindo manter-se na estabilidade das suas posições atuais.
A identificação e o recrutamento destes profissionais exigem uma equipa de RH bem preparada, com conhecimento técnico da área de atuação. Nem todos os gestores de contratação têm a expertise necessária para avaliar competências específicas ou para compreender as motivações individuais dos candidatos.
Além disso, no mercado atual, os candidatos passivos mais qualificados estão frequentemente na mira de múltiplos recrutadores. Consequentemente, as empresas precisam destacar-se da concorrência, oferecendo vantagens exclusivas que vão além do salário – como equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, oportunidades de desenvolvimento e uma cultura organizacional atrativa.
Esse nível de competição pode elevar significativamente os custos de recrutamento, tanto em termos de recursos financeiros quanto do tempo investido pelos gestores de contratação.
O valor estratégico dos candidatos passivos
Embora exigente, o esforço de atrair estes profissionais vale a pena. Tal como as trufas raras elevam qualquer prato a um novo patamar, estes talentos podem transformar uma equipa e impulsionar a organização para resultados extraordinários.
«A experiência diz-nos que este tipo de candidatos, tendo passado pelos filtros do gestor, tem um elevado grau de idoneidade e costuma adaptar-se muito bem à equipa, ao cargo e à cultura empresarial» explica David Ferreira.
Encontrar talento especializado é um desafio que exige estratégia, dedicação e uma visão de longo prazo. Tal como na procura pelas preciosas trufas, o sucesso depende de saber onde procurar e valorizar cada descoberta. Porque, no mercado atual, os candidatos passivos não são apenas candidatos; são investimentos estratégicos para o futuro das organizações.