Apesar de toda a sua beleza, o Universo pode meter medo. Estamos a falar de um lugar com 93 mil milhões de anos-luz de diâmetro. Como um ano-luz corresponde a 9 biliões de quilómetros, estamos a falar de um total de 881 mil triliões de quilómetros de diâmetro. Se for útil para poder visualizar esta dimensão, imagine 176 334 000 000 000 000 000 000 000 (176 quatriliões) de campos de futebol campos de futebol estendidos lado a lado. É esse o diâmetro do Universo.
É claro que em tanto espaço, há coisas belas tais como: estrelas e planetas, onde vida floresce; e coisas desconcertantes e assustadoras, como planetas onde chovem diamantes, buracos negros e magnetares (estrelas de neutrões com alto valor de campo magnético) que podem dar cabo de nós num instante. Ainda assim, estes não são, na minha opinião, o lado mais assustador do Universo. Na minha opinião, o mais assustador é um lugar conhecido como ‘O Grande Nada’. Nome oficial: o Vazio de Boötes.

O Vazio de Boötes é uma zona do Universo que se estende ao longo de 330 milhões de anos-luz, mais de duas mil vezes maior que a Via Láctea. O que torna este lugar tão assustador é que, considerando outras áreas de semelhante dimensão, era suposto haver em média cerca de duas mil galáxias nesta região, mas só há cerca de 60. Colocando as coisas à escala, 60 galáxias é praticamente nada. Para termos noção, se estivéssemos no meio deste vazio, iríamos ver tudo escuro à nossa volta. Nada.
Se alguém vivesse nesta região, apenas a desenvolver tecnologia semelhante à nossa tecnologia dos anos 60 é que poderia finalmente detetar a luz muito ténue de galáxias distantes. Até lá, quem aqui estivesse iria achar que estava sozinho e que o Universo era composto apenas pela sua galáxia.
Se esta informação nos consegue arrepiar, há outra ainda mais desconcertante. Existe um vazio ainda maior e do qual fazemos parte. Chama-se o Vazio de Keenan-Barger-Cowie, e é seis vezes maior que o Vazio de Boötes, embora a sua distribuição seja mais irregular, criando assim um afastamento menor e menos assustador entre as galáxias no seu interior. A Via Láctea está precisamente num dos segmentos da periferia deste gigante vazio.
De resto, os vazios são buracos na distribuição de matéria pelo Universo, tal como se fossem buracos num queijo suíço, e pensa-se que vão surgindo à medida que o Universo expande. Isto porque os filamentos que ligam as galáxias vão esticando até quebrarem, ficando cada vez maiores com o tempo. Os mais entusiasmados sugerem que estes vazios podem ser provocados por civilizações de Tipo II ou III da Escala de Kardashev, com aparelhos conhecidos por Esferas Dyson, que servem, em teoria, para absorver a energia de uma estrela para, então, abastecer essa mesma civilização. Contudo, para já, essa é uma ideia que tem muitos buracos.

Este artigo consiste num excerto adaptado, do livro As 100 maiores curiosidades sobre o cosmos (Oficina do Livro, 2024), de Fábio da Silva, com o consentimento do autor.








