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Marcelo Teixeira

O charme tóxico da liderança ‘Red Pill’ nas empresas

24 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Em novembro de 2023, sob as luzes de um palco em Los Angeles, Elon Musk deixou cair uma frase que atravessou o mundo empresarial como um murro na mesa: chamou às políticas de diversidade e inclusão «fundamentalmente antissemitas» e acusou-as de mascararem «discriminação com base em raça, sexo e orientação sexual», um desvio, dizia ele, ao princípio do mérito. Meses depois, Bill Ackman ergueu o mesmo estandarte noutro palco mediático, defendendo que a indústria da diversidade se tornara «anti-meritocracia» e abertamente «discriminatória», pedindo até o seu desmantelamento. Nada disto ficou no ruído das polémicas do dia.

Essas declarações, longe de serem incidentes isolados, tornaram-se a porta de entrada para aquilo que um novo estudo académico identifica como a corrente ‘Red Pill’ na liderança empresarial. Um desvio discursivo que nasce em certas subculturas digitais e atravessa, cada vez mais, as salas de reuniões. O trabalho foi publicado este mês no Journal of Business Ethics com o título ‘Red Pill Leadership Behaviours and Discourse Ethics’, assinado por Cihat Erbil, Mustafa F. Özbilgin e Aybike Mergen.

Uma maré discursiva que se normaliza

O estudo analisou 66 discursos públicos de executivos, 227 publicações em redes sociais, 23 casos corporativos, 20 reportagens mediáticas e 13 episódios de podcasts, recolhidos entre 2018 e 2024. O objetivo era detectar as formas subtis  e menos subtis  através das quais conceitos associados à ‘manosfera’ e à ideologia ‘Red Pill’ começam a infiltrar-se no vocabulário da liderança de topo.

A equipa recorreu a netnografia crítica para mapear conteúdos e depois a análise temática para identificar padrões. O que encontraram não foi apenas um conjunto de opiniões controversas, mas uma gramática recorrente, repetida por líderes de diferentes sectores:

O estudo descreve um padrão que se repete com uma frieza quase coreografada: ataques diretos ou indiretos às políticas de diversidade, a defesa de uma ‘meritocracia pura’ apresentada como vítima de agendas identitárias, o recurso a pseudo-argumentos científicos que tentam dar verniz académico a desigualdades de género. Junta-se a isto a romantização de lideranças ‘duronas’, ‘descomplicadas’, ‘sem filtros’, figuras que desprezam nuances e erguem a autoridade como se ainda estivéssemos num tempo de fronteiras claras. E depois há os apelos constantes à ‘verdade incómoda’ e ao ‘bom senso’, como se a inclusão fosse um capricho passageiro e não uma resposta a décadas de desigualdade sedimentada.

Os autores notam que esta retórica, quando entra no espaço empresarial, ganha um brilho de legitimidade perigoso. Disfarça-se de pragmatismo, veste a pele de uma suposta «rebeldia racional», mas funciona, na prática, como um mecanismo de exclusão. Retira espaço à deliberação autêntica, molda culturas internas sem que ninguém dê por isso e instala a ideia de que a igualdade é uma barreira, não um horizonte. É aí que o discurso deixa de ser apenas discurso, tornando-se estrutura, decisão e poder.

Da internet para os conselhos de administração

O estudo descreve um padrão que se repete com uma frieza quase coreografada: ataques diretos ou indiretos às políticas de diversidade, a defesa de uma ‘meritocracia pura’ apresentada como vítima de agendas identitárias, o recurso a pseudo-argumentos científicos que tentam dar verniz académico a desigualdades de género. Junta-se a isto a romantização de lideranças ‘duronas’, ‘descomplicadas’, ‘sem filtros’, figuras que desprezam nuances e erguem a autoridade como se ainda estivéssemos num tempo de fronteiras claras. E depois há os apelos constantes à ‘verdade incómoda’ e ao ‘bom senso’, como se a inclusão fosse um capricho passageiro e não uma resposta a décadas de desigualdade sedimentada.

Os autores notam que estes comportamentos não são apenas retórica: «estes comportamentos normalizam o ressentimento masculino supremacista, deslegitimam iniciativas de diversidade e marginalizam vozes dissidentes». Esta frase resume o efeito real na organização: quando estas ideias entram nas empresas, moldam normas culturais, influenciam recrutamentos e decisões estratégicas, e tornam-se parte da estrutura de poder, muito para lá do debate ideológico.

O que está em causa para as organizações

O estudo alerta que a força da retórica ‘Red Pill’ não vem apenas do conteúdo, mas do facto de ser emocionalmente apelativa. Promete clareza num mundo complexo, segurança em tempos de mudança e, para alguns líderes, um retorno a um estatuto de autoridade que parece ameaçado.

Mas há efeitos palpáveis:

  • impacto negativo em equipas jovens e diversas, que deixam de se sentir representadas;
  • bloqueio de políticas de inclusão, por pressão interna;
  • deterioração da reputação externa;
  • dificuldade em atrair talento qualificado, sobretudo feminino e internacional.

Os investigadores sugerem uma resposta clara: reforçar ética discursiva, formação em diversidade e mecanismos de responsabilização; e deixar de tratar o discurso de líderes como opinião individual quando, na verdade, condiciona culturas inteiras.

Uma linha a não cruzar

O artigo não procura demonizar líderes específicos, mas trazer luz para um fenómeno que cresce depressa: a migração de ideologias populistas digitalmente alimentadas para o centro da gestão empresarial.

O caso Musk-Ackman é apenas a superfície. A normalização está a acontecer em muitos níveis intermédios, menos visíveis, mas igualmente influentes. E é precisamente isso que as empresas, num momento histórico de vulnerabilidade e transformação, têm de decidir: que tipo de liderança querem amplificar e que mundo querem ajudar a moldar.

Arquivado em:Corporate, Notícias

Geração jovem coloca bem-estar acima do salário

24 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Mais de metade dos jovens profissionais aceitaria uma redução salarial de 10% para alcançar maior felicidade no trabalho. A conclusão é do mais recente inquérito global da CEMS – The Global Alliance in Management Education, rede que junta 33 universidades e escolas de gestão de topo, com a Nova SBE como única representante portuguesa.

Realizado em julho, o estudo mostra que 53% dos jovens profissionais estão dispostos a receber menos para serem mais felizes no dia a dia laboral. Outros 40% admitem essa possibilidade dependendo da função, e apenas 7% rejeitam totalmente essa opção.

Num momento em que o debate sobre o regresso ao escritório a tempo inteiro continua aceso, os jovens destacam três fatores decisivos para a sua felicidade profissional: bons colegas de trabalho (31%), sentido de missão (28%) e liberdade ou flexibilidade (27%).

A tendência reforça a necessidade de as empresas criarem ambientes que promovam bem-estar, propósito e impacto social, além do desempenho tradicional. Para Catherine da Silveira, Associate Dean da Nova SBE e Diretora Académica do Programa CEMS em Portugal, este é um objetivo central: «Enquanto membro exclusivo da CEMS em Portugal, procuramos formar líderes capazes de conciliar valores económicos, sociais e ambientais. Os nossos graduados combinam competências analíticas, criatividade, visão internacional e consciência intercultural, preparando-se para construir organizações mais humanas e sustentáveis.»

A valorização destes aspetos é evidente, afirma também Nicole de Fontaines, Diretora Executiva da CEMS: «Embora o salário seja importante, não é o único fator decisivo. Os jovens procuram felicidade, realização e impacto, vendo o local de trabalho como uma comunidade. Cultura, pertença e oportunidades de crescimento são hoje tão relevantes quanto salário e benefícios.» Segundo a responsável, a missão da CEMS é formar líderes globais capazes de equilibrar sucesso económico com impacto social e ambiental, criando organizações onde pessoas e ideias prosperem.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

ICF anuncia Conferência Anual 2025 dedicada ao futuro do coaching

24 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A International Coaching Federation (ICF) realiza, a 25 e 26 de novembro, a sua Conferência Anual 2025, um encontro que promete dois dias inteiros de aprendizagem, reflexão e celebração do coaching profissional. Com oradores nacionais e internacionais, o evento propõe uma imersão em tendências emergentes, novas abordagens e práticas transformadoras.

O primeiro dia, 25 de novembro, decorre online e é de acesso gratuito. O programa inclui debates sobre personal branding estratégico, coaching regenerativo e sustentável, bem como desenvolvimento interior orientado para impacto coletivo. Entre os oradores confirmados estão Aida Chamiça, Cristina Violeta Muntean, Mark Vandeneijnde, Claire d’Aboville e Padraic O’Donnell.

No dia seguinte, 26 de novembro, a conferência passa para formato presencial no Impact Hall, em Lisboa. A tarde será dedicada a temas como presença, equilíbrio e inteligência coletiva, com experiências práticas guiadas por Rafael Ribeiro, Núria Mendoza e Mark Fairley (Team Dynamics). A participação tem um custo de 20 euros para membros da ICF e 40 euros para não membros.

Ao longo dos dois dias, os participantes serão convidados a refletir sobre o papel do coaching na transformação individual e organizacional, num momento em que a profissão continua a ganhar relevância global.

Paralelamente, a ICF promove a iniciativa ‘Try Coaching’, que permite ao público experimentar gratuitamente uma sessão de 30 minutos com um coach profissional credenciado. As sessões decorrem online nos dias 25 (entre as 17h e as 19h) e 26 (entre as 9h e as 12h), sendo necessária inscrição prévia.

O programa completo da conferência e as inscrições encontram-se disponíveis no site oficial da ICF.

Arquivado em:Líder Corner

Roberto Martínez: a seleção como laboratório de liderança

21 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Há treinadores que comandam. Outros que gritam. Poucos lideram. Roberto Martínez pertence a essa minoria obstinada que encara o futebol além do espetáculo. Olha para o desporto com uma forma de pensamento, uma operação moral diária, uma engenharia invisível entre a pressão pública e a intimidade dos balneários. «A seleção é um grupo de pessoas com o objetivo de ganhar jogos», disse Roberto Martínez no almoço-debate do International Club of Portugal, uma sessão guiada esta terça-feira pelo Dr. Manuel Ramalho, presidente da instituição, que conduziu a conversa e orientou as perguntas.

Para o selecionador de Portugal, cada jogador é uma pessoa inteira, com sonhos individuais, motivações, inseguranças e orgulho familiar. É nesse espaço humano, e não apenas no relvado, que se constrói a liderança. «O mais importante num grupo é o individual: a pessoa sente que pode atingir os sonhos individuais na função da equipa», afirmou.

A lição que o selecionador transmite é clara: um grupo só existe quando todos acreditam que podem fazer o impossível. «Todos os dias precisamos de ajustar, porque as pessoas precisam de alinhar objetivos», disse, lembrando que liderança não é estática. É uma negociação diária entre expectativa individual e necessidade coletiva.

Clareza, métrica e melhoria constante

O balneário da seleção portuguesa funciona como um microcosmo de liderança e performance. Para Martínez, a base é a clareza: «Todos os membros precisam saber o que podem fazer e dar responsabilidade nas suas tarefas». Vai além do saber: é preciso medir, analisar e melhorar. «Quando medimos, podemos melhorar. É constante melhora», sublinhou. Cada corrida, cada passe, cada decisão em campo é avaliável, objetivável. É essa disciplina silenciosa, quase científica, que transforma talento em rendimento coletivo.

E há ainda o respeito pela individualidade. «Em grupos não existem egos. Isso é falso», diz Martínez. Cada jogador chega com uma história, uma motivação própria. Alguns jogam por orgulho familiar, outros por ambição ou fama. A tarefa do líder é alinhar essas histórias com o objetivo maior: a equipa.

Dr.Manuel Ramalho, presidente do ICTP e Roberto Martínez

Matemática moral

Martínez é obcecado por dados, métricas, padrões. Não por fetiche estatístico, mas porque a medição cria justiça. Num universo carregado de perceções, pressões e narrativas, medir é a única forma de proteger a verdade. Quando se fala em injustiças na convocatória — inevitável em qualquer país — olha nos olhos, sem fugir: «Nunca condiciono os minutos de um jogador. Condiciono a chamada.»

A liderança na seleção portuguesa exige uma adaptação constante. Alberga uma série de respostas calibradas à necessidade de cada momento. «O selecionador precisa estar próximo da pessoa entre jogos, mas muito distante no dia do jogo», explicou Martínez, descrevendo a tensão de decisões que têm de ser imparciais, neutras e assertivas. É o equilíbrio entre proximidade emocional e rigor absoluto que define uma liderança capaz de gerir estrelas internacionais.

E quando algo corre mal? Martínez enfatiza a autocrítica e a análise objetiva. «Precisamos de momentos difíceis para poder desfrutar dos bons momentos. Eu preciso saber porquê», disse, apontando que cada derrota ou resultado negativo deve ser estudado para aperfeiçoar processos, corrigir erros e preparar futuros jogos.

É uma posição quase científica. Impopular, muitas vezes. Mas íntegra. E a integridade é o cimento da sua liderança.

A forja: Wigan, frio, choque, carácter

Há uma biografia que molda a visão de Martínez e que raramente aparece nas crónicas rápidas. Antes de se tornar treinador de elite, viveu aquela Inglaterra pré-Premier League milionária: campos duros, clubes periféricos, balneários onde a hierarquia se confirma nos dias de chuva e não nos dias de glória. Muita chuva e menos glória. Wigan, Motherwell, Swansea. Geografias do esforço.

Foi ali que percebeu que um grupo só existe quando todos acreditam que podem fazer o impossível. E foi ali que aprendeu que uma equipa sobrevive mais pelo carácter colectivo do que pelo talento individual.

A Taça de Inglaterra de 2013, conquistada ao Manchester City, não é apenas um dos maiores choques da história do futebol inglês: é um manifesto sobre o que ele acredita. Um triunfo do trabalho minucioso contra o glamour. Da convicção contra o estatuto. Do processo contra o deslumbramento.

Disciplina e liberdade criativa

A seleção portuguesa inspira uma estrutura onde a disciplina permite que a criatividade floresça. «Todos os jogadores precisam de saber muito bem o que é disciplina coletiva, o que é a estrutura de equipa onde podemos utilizar o talento individual», disse Martínez. Cada jogador tem liberdade para se expressar, mas dentro de uma arquitetura que garante estabilidade tática. É esta combinação que diferencia Portugal de outras seleções: talento, sim, mas orientado e canalizado.

A formação contínua é central neste modelo. Desde as academias portuguesas até ao balneário da seleção, os jogadores aprendem a conjugar inteligência tática e instinto competitivo. «O jogador português é incrível porque é competitivo, mas gosta de informação tática», observou.

Um dos momentos mais surpreendentes do almoço surgiu quando explicou a importância da música como âncora emocional.

Duas músicas específicas antes dos jogos. Sempre as mesmas. Uma para lembrar a Liga das Nações; outra para ativar o corpo e o espírito.
Serve para unir, para respirar, para criar pertença. É bonito: num futebol cada vez mais tecnológico, Martínez ainda acredita que a memória é um músculo. E que uma equipa joga melhor quando se lembra de quem é.

Olhar para o futuro

Questionado sobre futuros líderes da seleção, Martínez não hesitou: «Há jogadores que a capacidade que eles têm é acima da média. O Bernardo Silva, para mim, será treinador. Ficarei muito surpreendido se não for um dia». E sobre Cristiano Ronaldo, destacou disciplina e compromisso inabaláveis: «A sua ligação com o futebol, o compromisso que tem com o desporto, é único. Ele tem disciplina, hábito e fome de alcançar, é contagioso».

A liderança, conclui Martínez, conquista-se  com respeito. «Quando um jogador, um empregado, uma pessoa respeita as decisões de alguém, então essa pessoa é líder. Mas um grupo que não respeita o seu líder não é um bom treinador».

O Selecionador e o País

Martínez sabe que em Portugal cada cidadão carrega dentro de si um selecionador amador, pronto a aparecer à mesa do café, no elevador ou no Facebook. E, ainda assim, mantém uma serenidade quase desarmante. «A crítica que nasce da paixão é bem-vinda. A crítica maliciosa não pertence ao jogo.» Não foge à pressão. Não a dramatiza. Digere-a. E devolve ao país aquilo que o país mais raramente oferece aos seus próprios ídolos: equilíbrio.

Roberto Martínez não tem o brilho fácil dos vendedores de sonhos. Não promete títulos. Não fabrica mitos nem distribui ilusões. Promete outra coisa, mais difícil, mais adulta e mais rara: processo, carácter, verdade.

E, no fim, é isso que constrói equipas com colunas vertebrais. É isso que designa um país que acredita poder vencer sem deixar de ser inteligente.  Roberto Martínez mostra que liderar no futebol é mais do que tática: é conhecer cada indivíduo, medir, ajustar, comunicar e, acima de tudo, inspirar. A sua seleção porque cada jogador sabe o que representa, para si e para o grupo. «O mais importante é criar uma dinâmica saudável, positiva», conclui. E é essa dinâmica que pode, um dia, levar Portugal ao impossível.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Nós e o ego. Estamos cada vez mais egocêntricos?

21 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Vivemos num tempo em que a imagem parece valer mais do que a essência, em que o reconhecimento rápido substitui o valor profundo e em que o “eu” se tornou uma espécie de montra permanente. As redes sociais amplificam esta tendência, mas não a criaram, apenas tornaram visível algo que já crescia dentro de nós. A pergunta não é apenas se estamos mais egocêntricos, mas porquê. O que nos levou a construir identidades tão frágeis e, ao mesmo tempo, tão defensivas? Por que razão precisamos tanto de ser vistos, aprovados, aplaudidos?

O egocentrismo moderno não nasce da força, mas da insegurança. Não nasce da verdadeira autoestima, mas do medo de não sermos suficientes. Tornámo-nos mais egocêntricos porque nos sentimos mais vulneráveis, mais comparados, mais expostos. O ego, que deveria ser apenas um organizador interno, tornou-se um escudo permanente. E quanto mais nos ferimos, mais o reforçamos. Reagimos por medo da crítica, medo do fracasso, medo de desaparecer no meio da multidão. Assim, defendemos a imagem em vez da verdade, a aparência em vez da profundidade, o imediato em vez do essencial.

A sociedade acelera este processo. Vivemos sob a pressão constante de provar valor, mostrar conquistas, exibir felicidade. E como ninguém quer parecer menos do que perfeito, cada um constrói uma versão editada de si mesmo, uma versão que não sente dor, não falha, não hesita. Mas quanto mais alimentamos a máscara coletiva, mais solitários e desconectados nos tornamos. O egocentrismo não nos aproxima, isola-nos, pois transforma conversas em competições, relações em palcos e identidades em personagens.

Contudo, o fenómeno não é apenas social é também profundamente psicológico. O ego que hoje mostramos ao mundo é o mesmo que nos impede de crescer por dentro. Vejamos, transforma qualquer crítica em ataque e qualquer erro em humilhação. E se estamos a tornar-nos mais egocêntricos, é porque estamos a evitar olhar para dentro. Evitar tocar nas feridas antigas, evitar admitir vulnerabilidades. É mais fácil projetar força do que enfrentarmos aquilo que dói. Mas a fuga tem um preço, isto é, quanto mais evitamos o confronto interno, mais o ego cresce e mais nos domina.

O lado luminoso desta constatação é que o egocentrismo coletivo revela uma verdade profunda sobre nós: estamos, todos, à procura de valor. Queremos ser vistos, reconhecidos, amados. O problema não está no desejo, está na forma. Enquanto tentarmos obter isso através da imagem, estaremos condenados a um vazio crescente. O ego pode gritar, exibir e competir, mas nunca conseguirá dar-nos o que realmente procuramos. Porque o que procuramos não é aprovação, é conexão. Não é aplauso, é pertença. Não é perfeição, é humanidade partilhada.

E é precisamente aqui que o ego, paradoxalmente, se transforma no nosso mestre. Mostra-nos o caminho através daquilo que tentamos evitar. A insegurança que nos torna egocêntricos revela onde precisamos de cura. A necessidade de validação mostra onde não aprendemos a validar-nos. A defensividade aponta para fragilidades que nunca nos permitiram compreender. O ego expõe tudo aquilo que ainda temos de trabalhar e se tivermos coragem de olhar, torna-se o guia para uma versão mais consciente e mais livre de nós mesmos.

Talvez estejamos, de facto, mais egocêntricos. Mas isso, longe de ser apenas um sinal de decadência emocional, pode ser um espelho poderoso do que está a acontecer dentro de nós como coletivo humano. Um espelho que revela que algo está a pedir mudança. O aumento do egocentrismo não é apenas um problema, é também um sintoma, um aviso, uma oportunidade de rutura. Sempre que uma estrutura interna se torna insustentável começa a mostrar fissuras e as nossas fissuras emocionais estão hoje à vista de todos. Vivemos num tempo em que a pressão para parecer forte atingiu um limite tão extremo que começa a colapsar e é precisamente neste colapso que nasce a possibilidade de transformação.

A verdade é que ninguém aguenta eternamente a tensão de sustentar uma imagem perfeita. A exaustão silenciosa que tantas pessoas sentem é o sinal claro de que o caminho que temos seguido não está a nutrir o que é essencial em nós. O egocentrismo coletivo revela um esgotamento afetivo: estamos cansados de fingir, cansados de competir, cansados de parecer felizes em vez de sermos. E este cansaço pode tornar-se a porta de entrada para uma nova consciência. A partir do momento em que reconhecemos que viver para o exterior não nos preenche, começamos a procurar vida interior. Começamos a questionar: “Quem sou eu sem a aprovação dos outros?”, “O que realmente importa para mim?”, “Onde deixei a minha verdade?”, “Que parte de mim está a pedir ajuda?”

É nesse momento que surge a oportunidade de trocar a imagem pela autenticidade. Quando percebemos que não precisamos de ser extraordinários para sermos suficientes, começamos a libertar-nos da comparação constante que nos tem esmagado. A presença substitui a pressão, a vulnerabilidade substitui o fingimento, e a consciência substitui a necessidade desesperada de validação. A vida deixa de ser palco e passa a ser caminho — um caminho onde cada passo conta, não porque alguém o vê, mas porque tu o sentes.

Não se trata apenas de sermos menos egocêntricos. Trata-se de sermos mais humanos. De reconhecermos que o valor não vem de sermos admirados, mas de sermos verdadeiros. Que a força não nasce do orgulho, mas da capacidade de olhar para dentro com honestidade. Que a felicidade não está em destacar-nos, mas em ligarmo-nos. Que a evolução não acontece quando nos protegemos, mas quando nos permitimos ser quem realmente somos.

Talvez estejamos mais egocêntricos, sim. Mas isso significa também que estamos mais perto de perceber que esse caminho não nos leva onde queremos estar. E quando essa consciência desperta, nasce um desejo profundo de transformação, uma vontade de regressar ao que é simples, real e essencial. E assim, passo a passo, deixamos de viver para sermos vistos e começamos a viver para sermos. Deixamos de buscar aprovação e começamos a construir valor. Deixamos de nos esconder atrás do ego e começamos finalmente a encontrar-nos.

E é nesse ponto que o egocentrismo, que parecia um problema sem solução, transforma-se na oportunidade mais valiosa da nossa geração: a oportunidade de nos tornarmos mais conscientes, mais presentes, mais empáticos e mais humanos no sentido mais pleno e mais belo da palavra.

 

Arquivado em:Opinião

CEOs temem queda na prosperidade mundial, mas apostam em inovação para resistir

20 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Num ano marcado por guerras prolongadas, fricções geopolíticas e uma aceleração tecnológica que não abranda, os líderes empresariais encaram o futuro com uma combinação de pessimismo económico e confiança nas suas próprias capacidades de intervenção. A nova edição do The CEO Response, estudo global da consultora Egon Zehnder, indica que mais de 70% dos CEOs preveem estagnação ou mesmo declínio da prosperidade mundial. Em contrapartida, 97% acreditam que continuam a existir oportunidades significativas para criar impacto positivo — tanto dentro das empresas como na sociedade em geral.

O estudo recolheu respostas de 1.235 líderes de setores como finanças, saúde, indústria, administração pública e consumo. O retrato traça uma liderança consciente de que a sobrevivência passa por adaptação e adaptação rápida.

Adaptabilidade torna-se palavra de ordem

A esmagadora maioria dos CEO (92%) reconhece que precisa de desenvolver um nível de adaptabilidade «sem precedentes» para navegar num cenário volátil. É por isso que 59% apontam a agilidade e a capacidade de adaptação como as competências fundamentais para garantir resiliência organizacional.

As prioridades estratégicas refletem essa urgência: 53% consideram a inovação absolutamente central; 44% destacam a aposta na Inteligência Artificial; 42% elegem o desenvolvimento de talento como área crítica. A sensação dominante é clara: já não basta responder à mudança, é preciso antecipá-la.

Quando desafiados a identificar as principais ameaças globais, os CEOs colocam a instabilidade geopolítica no topo da lista (46%). A incerteza económica surge logo a seguir (44%). A disrupção de mercado, a gestão de talento (ambas com 38%) e o impacto crescente da IA (37%) completam o quadro.

Apesar do peso destes fatores externos, a maioria dos líderes sente suporte interno: 75% apontam as suas equipas executivas como o principal pilar para enfrentar a complexidade atual, enquanto 43% valorizam o contributo dos seus pares. A colaboração, mais do que um valor decorativo, aparece como mecanismo de sobrevivência.

Um paradoxo evidente

Para Jorge Valadas, líder da Egon Zehnder em Portugal, o estudo revela «um paradoxo interessante». «Apesar de 72% anteciparem desafios para o crescimento global, quase todos reconhecem oportunidades reais para gerar impacto positivo», afirma. Segundo o consultor, esta visão demonstra uma liderança «mais pragmática, mais colaborativa» e fortemente orientada para decisões com impacto sustentável.

A principal conclusão do relatório é inequívoca: o futuro vai exigir líderes capazes de manter adaptabilidade constante, apostar na inovação e gerir talento com visão estratégica. Num contexto em que a mudança deixou de ser episódica para se tornar permanente, os CEOs sabem que não terão margem para abrandar.

O mundo acelera e eles sabem que terão de acompanhar.

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