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Marcelo Teixeira

Euro Digital: Uma caixa de Pandora?

28 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Não é segredo a tendência para a diminuição da utilização de numerário, seja pelo crescimento dos meios automatizados de pagamento – como PayPal, Apple Pay ou MB Way –, seja pelo aumento exponencial de formas de pagamento associadas a criptoativos, seja ainda, e talvez de forma mais relevante, pela imposição de limites à utilização de dinheiro físico por diversos Estados, como medida de prevenção do branqueamento de capitais.

Com o objetivo de acompanhar estas tendências e promover a modernização do sistema monetário, o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia (CE) introduziram, em 2023, no debate público o denominado Pacote relativo à Moeda Única, revelando, entre outros aspetos, a ambição de criar um Euro Digital.

Esta nova forma de moeda, que se apresenta como um complemento – pelo menos numa fase inicial – ao Euro físico, terá o seu valor garantido pelo BCE, assegurando a paridade com a moeda tradicional. Decorridos dois anos desde o anúncio do referido Pacote, prosseguem as discussões sobre a sua implementação, designadamente quanto ao montante máximo que cada indivíduo poderá deter, sob pena de se distorcer o funcionamento do mercado.

Entre as vantagens apontadas destaca-se a sua aceitação universal, a garantia de privacidade e o facto de estar disponível para todos, tornando também os pagamentos mais eficientes e menos dispendiosos.

Todavia, sob a égide da segurança e da modernização, poderá emergir um mecanismo suscetível de permitir um controlo integral sobre as movimentações financeiras dos particulares, com potenciais implicações na restrição das suas liberdades fundamentais. Poderemos chegar a situações extremas, em que a pessoas consideradas non gratas – por participação em publicações, manifestações ou por associação a determinados indivíduos – lhes seja vedado o acesso ao Euro Digital, conduzindo a cenários de exclusão económica? Tal risco poderá ocorrer tanto do lado do consumidor, que se vê impedido de aceder aos seus fundos, como do lado do prestador de serviços, cujas transações sejam bloqueadas à partida, impedindo-o de receber qualquer montante.

Atendendo a que esta questão tem passado, em certa medida, despercebida, impõe-se a abertura de um diálogo informado e transparente, garantindo a salvaguarda dos direitos, liberdades e garantias de todos os cidadãos.

Arquivado em:Opinião

Que Presidente da República para Portugal? – Vital Moreira

27 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Em janeiro de 2026 teremos eleições presidenciais e, poucas semanas depois, haverá um novo inquilino no Palácio de Belém. Seguindo a tradição, lá permanecerá por dez anos, se for reeleito para um segundo mandato.

Justifica-se na atual conjuntura abordar amplamente a questão do sentido do mandato presidencial no nosso sistema político-constitucional, nomeadamente quanto aos seus poderes e aos seus limites, tendo em conta o crucial princípio constitucional da separação de poderes entre o Presidente da República e os demais órgãos do poder político, a Assembleia da República e o Governo, de modo a evitar sobreposições ou conflitos institucionais e a promover a estabilidade política e governativa.

Organizado em quatro capítulos – Perfil constitucional do Presidente da República; O que o Presidente da República não deve fazer; O que o próximo Presidente da República deve fazer; Propostas de alteração constitucional –, este livro contém sugestões para um projeto de revisão constitucional no capítulo do Presidente da República e preceitos conexos, de modo a torná-lo menos suscetível de pôr em causa a separação e o equilíbrio de poderes, em prol da estabilidade política e governativa, no sentido de preparar a Constituição para gerir a nossa vida coletiva durante mais meio século.

 

Da Bertrand Editora.

Arquivado em:Livros e Revistas

O método do sofrimento e a violência contra as mulheres

27 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A mulher encostou as costas à parede fria da cozinha. O chão estava colado de gordura, e o cheiro a fritos mal disfarçava o silêncio que antecede o impacto. Ele entrou devagar, com os passos pesados de quem já decidiu tudo antes de abrir a porta. O murro veio seco, sem anúncio, atingiu-lhe o maxilar e fez o corpo deslizar até às pernas da mesa. Por instantes quis gritar, mas a voz ficou presa na boca. Era o ar que se recusava a testemunhar. Então, ali, no chão, percebeu que aquela violência não era um acidente. Era um método, um ciclo e um país inteiro concentrado num gesto.

O novo relatório Portugal, Balanço Social 2025 volta a lembrar isso com uma clareza brutal. Quase metade das mulheres em Portugal já sofreu algum tipo de violência. Quase metade. Não é uma metáfora. São vidas. Rostos. Números que deviam queimar as páginas onde se escrevem. Esta semana, no dia 25, assinalou-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e a nota complementar Género e Violência em Portugal: Um Retrato da Desigualdade, divulgada pela Fundação la Caixa, o BPI e a Nova SBE, lança luz sobre uma realidade sombria que se mantém entranhada no quotidiano português.

A intimidade como território da agressão

Em Portugal, 46,8% das mulheres e 42,6% dos homens já foram vítimas de violência ao longo da vida. O número arrasta um desconforto que não encontra refúgio nas comparações. É metade do país marcada por agressões físicas, sexuais, psicológicas ou perseguições silenciosas.

A violência na intimidade é mais frequente entre as mulheres. 22,5% foram vítimas, contra 17,1% dos homens. O lar, esse espaço que tantas vezes se vende como seguro, transforma-se em fronteira de risco. As agressões físicas e sexuais repetem-se com mais insistência nas mulheres. 19,7% delas sofreram uma ou outra, e mais de metade viveu episódios contínuos, ritmados como um calendário interno que ninguém deve conhecer.

A violência sexual segue o mesmo padrão. 6,4% das mulheres foram vítimas. Nos homens, 2,2%. A desproporção não precisa de explicação. Precisa de vergonha pública. Precisava de urgência, mas o país habituou-se a normalizar aquilo que devia provocar um sobressalto diário.

O peso invisível da violência psicológica

A violência psicológica é a mais comum. 21,8% das mulheres e 16,8% dos homens. Não deixa nódoas negras, nem precisa de sirenes. Não precisa sequer de força física. Basta repetir-se ao ponto de se confundir com rotina. Instala-se devagar, altera a maneira de falar, de andar, de pensar. Primeiro desvia-se o olhar. Depois mede-se cada frase. Mais tarde, pede-se desculpa por existir espaço suficiente para desagradar. É assim que cresce. Vai ocupando a casa inteira. Depois instala-se na memória.

Muda o corpo sem que o corpo se dê conta. Dá ao estômago um aperto constante, ao sono um tremor que não se explica, às mãos uma hesitação que parece timidez mas é medo. A violência psicológica sussurra onde a física grita. E o sussurro é mais traiçoeiro porque convence a vítima de que talvez tenha exagerado, talvez tenha interpretado mal, talvez tenha merecido.

O agressor raramente precisa de levantar a voz. Basta-lhe moldar o ambiente. Basta-lhe a sugestão de que o erro está sempre do outro lado. Obriga a vítima a caminhar como se pisasse vidro invisível. Torna a respiração mais curta e a linguagem mais defensiva, fazendo do quotidiano um exercício contínuo de sobrevivência emocional.

Silêncio é a resposta nacional

A severidade das agressões expõe a desigualdade mais brutal. 62,7% das mulheres vítimas reportam danos físicos. 19,3% viveram limitações nas atividades diárias. Entre os homens, os valores caem. A diferença repete o padrão histórico: as mulheres sofrem mais e pior.

Apesar da dimensão do fenómeno, só 65,3% das vítimas contam o que aconteceu. E, dentro desse grupo, mais de 60% fala apenas com familiares ou amigos. Só 20% procura autoridades. O país conhece linhas telefónicas, casas de abrigo, apoios jurídicos. Mas entre conhecer e agir estende-se um fosso que mantém as agressões em surdina.

O silêncio não é apenas uma ausência de palavras. É estrutura e tradição. Uma herança que passa de geração em geração, como se Portugal tivesse aprendido a sofrer para dentro. Há medo, claro, mas há também vergonha, culpa, crença de que não vale a pena, de que nada muda, de que denunciar é expor a própria falha. O silêncio torna-se hábito nacional: protege o agressor, isola a vítima, enfraquece a justiça.

A insegurança que muda percursos

A sensação de segurança também revela a desigualdade. Só 77,1% das mulheres se sentem seguras a caminhar sozinhas à noite. Entre os homens, 89,5%. A discrepância não nasce de paranoia. Nasce de experiência.

Quase 44% das mulheres consideram a violência doméstica muito comum. Só 25% dos homens vê o mesmo. Já a violência exercida por mulheres contra homens é reconhecida como muito comum por 10,5% das mulheres e 6,9% dos homens. A percepção pública continua a seguir padrões rígidos, mesmo quando os números mostram que ninguém está totalmente imune.

Nos locais de trabalho, as desigualdades continuam expostas. 23,8% das mulheres sofreram assédio persistente. 12,3% foram vítimas de assédio sexual. Entre os homens, os números caem para 17,3% e 5,2%. Mais de metade das mulheres assediadas sexualmente viveu episódios repetidos, como se o assédio fosse uma função paralela do emprego.

 

Europa: um consolo imperfeito

No contexto europeu, Portugal apresenta números mais baixos do que a média da União Europeia. A violência na intimidade atinge 22,5% das mulheres portuguesas, contra 31,8% na UE. A violência física e sexual afeta 19,7% em Portugal, 30,7% na UE.

Mas a taxa de denúncia é menor aqui. 65,3% das vítimas portuguesas de violência física e sexual denunciam. Na UE, 68,2%. Este país está abaixo da média num lado e continua abaixo do necessário no outro. O progresso europeu não serve de abrigo.

No fim, tudo regressa ao mesmo ponto: o país continua a medir-se pelo que tolera. E Portugal tolerou durante demasiado tempo. A violência de género não desaparece com campanhas anuais, nem se dissolve em relatórios. Só se extingue quando o desconforto coletivo se torna maior do que o medo individual. Quando a sociedade deixa de tratar a violência como um episódio e passa a vê-la como falha estrutural. Até lá, cada número destes continuará a ser uma vida por cumprir, uma história interrompida, uma ferida que se arrasta para além das casas, dos corredores, dos horários de trabalho. E o país continuará a ser julgado pelas leis que escreve e também pelas vidas que deixa cair.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Black Friday: o consumismo como piada de mau gosto

27 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Amanhã celebra-se a Black Friday, uma data que parece um ritual do desperdício, de acumular mais do que precisamos, de dar corpo a desejos fabricados. Promete «descontos», «oportunidades», mas entrega exagero, arrependimento, pressa. Compra agora, pensa depois.

Enquanto as promoções gritam «preço baixo», a conta ambiental e social é paga pelo planeta e por nós. As entregas ligadas à Black Friday geram um salto nas emissões de carbono. Por exemplo, estima-se que no Reino Unido as entregas dessa época libertem cerca de 429 mil toneladas métricas de CO₂, um volume equivalente a 435 voos de ida e volta entre Londres e Nova Iorque.

O desperdício e a obsolescência rápida

O desperdício cresce brutalmente. Muitos dos itens comprados por impulso duram pouco. Um estudo aponta que até 80 % dos produtos adquiridos na Black Friday acabam descartados. Vão para aterros ou incineração, ou entram numa reciclagem de má qualidade.

As devoluções também disparam: com compras impulsivas e erradas ou pouco necessárias, novas estimativas indicam um aumento de até 143 % nas devoluções nos dias que seguem a Black Friday.

A pegada ecológica de alguns dos aparelhos como telemóveis, gadgets, eletrónicos, é pesada. A produção, transporte, embalagens, descarte, tudo somado gera mais emissões, mais consumo de matérias-primas e mais resíduos. A Black Friday é, muitas vezes, um salto no abismo da obsolescência rápida.

A psicologia do impulso, o arrependimento e a memória do consumo

Por detrás da pressa, dos alarmes dos descontos, opera um mecanismo psicológico bem conhecido: a urgência, a excitação, o medo de perder a «oferta do ano». Um estudo recente indica que muitos compradores se rendem a estas emoções. A pesquisa demonstra que a sensação de «estar a conseguir um bom negócio» dispara a liberação de dopamina, cria sensação de urgência, gera uma explosão de desejo e depois, quando a euforia passa, fica o arrependimento.

De facto, estudos recentes mostram que quase 40 % dos consumidores admitiram arrependimento por compras feitas na Black Friday, especialmente de artigos que nunca chegaram a usar.

O impulso de consumo torna-se hábito. Há quem repita o padrão ano após ano, como se a emoção substituísse o critério. A compra deixa de ser um ato consciente, ponderado, útil e converte-se numa compulsão cultural, alimentada por marketing, urgência e manipulação de emoções.

O rasto do pós-venda: lixo, devoluções, frustração

As consequências ultrapassam o fim da festa. Quando o entusiasmo passa, chegam os pacotes. Chegam os equipamentos que raramente usamos e chega também a frustração. E com ela, o descarte. As estimativas ambientais e de resíduos confirmam: a Black Friday cria picos de lixo, poluição e desperdício. Os retornos das entregas aumentam drasticamente, o transporte de mercadorias dispara, a reciclagem não dá conta do volume. Tudo isso enquanto somos empurrados a comprar como se estivéssemos numa guerra de descontos.

Em Portugal, por exemplo, estudos sobre o comportamento dos consumidores confirmam que a Black Friday convence cerca de 66 % dos compradores a adquirir bens, ainda que muitos planeiem gastar apenas até 200 €.

Isto revela que grande parte das compras, mesmo que modestas no valor, podem ser impulsivas, motivadas mais pela ideia de «oferta» do que pela necessidade real. A pressa, o desejo, o marketing, tudo empurra para o consumo rápido.

Comprar menos. Viver melhor.

Não é moralismo. É factualidade. A Black Friday expõe o lado mais incisivo do sistema de consumo. Promove excesso, alimenta a urgência sobre a necessidade.

Se pensa em «aproveitar ofertas», pergunte primeiro: preciso mesmo disto? Se a resposta for não, está a participar numa corrida suja de carbono e provável arrependimento. Se for sim, procure alternativas: produtos duradouros, de segunda mão, reparáveis, recicláveis. Compre com consciência. Compre com memória. Porque o barato da Black Friday é, no fim, o preço que o planeta acaba por pagar.

 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

O futuro do trabalho não será comandado por algoritmos, mas por líderes com propósito

27 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar presença quotidiana nas organizações. Já não é futuro: é infraestrutura. Está a transformar funções, a redefinir competências e a desafiar modelos tradicionais de liderança. Mas à medida que a tecnologia avança, é a liderança, e não os algoritmos, que continua a determinar a forma como vivemos, decidimos e trabalhamos. Segundo o Global Workforce of the Future 2025, realizado em 31 países, incluindo Portugal, 60% dos profissionais portugueses acreditam que a IA está a criar mais empregos, e 69% sentem que as suas funções estão em evolução. No entanto, apenas 38% afirmam sentir propósito diariamente, e a confiança na IA situa-se nos 3 em 10, abaixo da média global. Estes números confirmam uma realidade: a tecnologia progride rápido, mas a confiança humana não acompanha o mesmo ritmo.

Liderar na era da IA é mais do que dominar tecnologia, é inspirar pessoas a crescer com ela. Liderar hoje não significa apenas conhecer ferramentas, dashboards ou processos automatizados. É garantir que a tecnologia não aprofunda desigualdades, mas funciona como motor de inclusão, eficiência e desenvolvimento — especialmente num país onde, segundo o OCDE Skills Outlook, 35% da força de trabalho corre elevado risco de automação. Ser líder é cultivar equipas que se sentem vistas, ouvidas e valorizadas, num tempo em que a inteligência é artificial, mas a motivação continua profundamente humana. Implica escuta ativa, comunicação clara e criação de ambientes seguros, onde o erro é entendido como parte do processo de aprendizagem e crescimento.

A liderança ganhou uma dimensão ética sem precedentes. Quem lidera hoje precisa de gerir ferramentas que aprendem, influenciam e decidem, definir limites claros para o uso da tecnologia, garantir transparência e explicabilidade, proteger a privacidade e os dados e assegurar que cada avanço é inclusivo, justo e responsável. Num contexto em que 82% dos CEOs globalmente afirmam que a IA já está a alterar os seus modelos de negócio (PwC 2025), a questão central já não é “usar ou não usar IA”, mas como usar a tecnologia sem perder a confiança das pessoas.

Mais do que nunca, liderar é formar equipas, promover talento interno e construir culturas de aprendizagem contínua — especialmente num mundo onde 44% das competências que usamos hoje serão diferentes em 2028 (World Economic Forum). Mas há uma competência que nunca muda: a capacidade de liderar com humanidade. Porque é essa humanidade que cria confiança. E sem confiança, não há transformação.

Automação cria eficiência. Dados criam previsibilidade. Mas é a liderança que cria direção, cultura e sentido. Os líderes que conseguirem unir dados e emoção, automação e propósito, produtividade e significado, serão os que verdadeiramente prepararão as suas organizações para o que vem a seguir. Se a inteligência artificial está a reconfigurar o “como”, cabe à liderança reimaginar o “porquê”. É nesse espaço — humano, estratégico e ético, que se decide o verdadeiro futuro do trabalho. Só com direção humana será possível construir um futuro onde a tecnologia potencia o melhor das pessoas — e não o contrário.

 

Arquivado em:Opinião

Portugal envelhece e o mercado de trabalho muda: quem vai substituir quem?

26 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

«Every man desires to live long, but no man wishes to be old.» A frase é de Jonathan Swift, escrita no início do século XVIII, mas podia perfeitamente ter sido pronunciada hoje, num gabinete de ministro ou numa sala de espera da Segurança Social. Portugal aproxima-se desse paradoxo com a precisão de um relógio com ponteiros antigos. Vive cada vez mais, mas envelhece ainda mais depressa. E é nesse intervalo que o mercado de trabalho português tenta reinventar-se, ao mesmo tempo que o país se confronta com um facto duro e incontornável. Já não é garantido que haja alguém para substituir quem sai.

Um novo relatório da Randstad Research, divulgado esta terça-feira, alerta para a falta de renovação geracional e para a necessidade urgente de valorizar os profissionais com mais de 55 anos, um grupo que representa já um quinto da força laboral.

 

Envelhecimento avança e metade da população terá mais de 55 anos em 2050

Os números mostram uma tendência estrutural: em 2024, 38% dos portugueses tinham mais de 55 anos, e as projeções apontam para 46% em 2050, ou seja quase metade da população. Em sentido contrário, o país deverá perder mais de 600 mil jovens até meados do século, reduzindo a população abaixo dos 30 anos para apenas um quarto do total.

Portugal é atualmente o 2.º país mais envelhecido da UE, apenas atrás da Itália, e mesmo em 2050 deverá manter-se muito acima da média europeia. Este desequilíbrio demográfico já tem reflexos diretos na capacidade produtiva. O grupo sénior duplicará em relação ao dos mais jovens, invertendo o perfil populacional e pressionando o mercado laboral.

 

Um em cada cinco trabalhadores já tem entre 55 e 64 anos

Os profissionais séniores representam hoje 19,6% da população ativa, o valor mais elevado de sempre. Em dez anos, o número absoluto de trabalhadores nesta faixa etária quase duplicou, atingindo 1,07 milhões de pessoas em 2024.

A distribuição por género é equilibrada: 50,4% mulheres, 49,6% homens.

A tendência deverá intensificar-se, não apenas pelo envelhecimento geral, mas também pela crescente permanência dos trabalhadores no mercado por mais tempo. Apesar da maior participação no mercado, a reintegração laboral continua a ser uma barreira difícil para quem ultrapassa os 55 anos.

Em 2024 existiam 63.500 desempregados séniores, menos do que há uma década, mas a sua representatividade subiu de 14,2% para 18,1% do total de desempregados. A situação é especialmente grave no desemprego de longa duração: 28,8% dos desempregados há mais de um ano pertencem a este grupo etário — a proporção mais elevada entre todas as faixas.

 

Renovação geracional falha: entram menos de 7 jovens por cada 10 pessoas que saem

Um dos sinais mais críticos está na taxa de renovação geracional. Portugal tem hoje apenas 68 jovens (10–19 anos) por cada 100 adultos entre os 55 e os 64 anos, a 4.ª pior taxa da União Europeia.

A consequência é inevitável: por cada 10 trabalhadores que saem para a reforma, entram apenas 7 jovens. Sem imigração qualificada e sem prolongamento da vida ativa, o país enfrenta uma redução da sua força de trabalho.

Para Érica Pereira, diretora de Professional Talent Solutions da Randstad, o país está perante «o maior dilema de sustentabilidade social e financeira» das próximas décadas. «A pressão sobre a Segurança Social e a Saúde atingirá níveis críticos. Mas a solução não passa apenas por cortes ou reformas restritivas. Passa por ativar uma economia orientada para atividades e serviços dirigidos a esta população», afirma.

Defende ainda que o talento sénior deve ser encarado como um ativo estratégico: «Ao promover o emprego sénior, o consumo ativo e a longevidade saudável, estamos a alargar a base contributiva e a reduzir a dependência. A demografia pode — e deve — transformar-se numa alavanca de equidade intergeracional.»

Quem vai substituir quem?

No fim, a pergunta deixa de ser apenas estatística e torna-se quase íntima. Quem substitui quem, quando o país inteiro envelhece ao mesmo ritmo de livros que amarelecem nas estantes? O mercado de trabalho é apenas o espelho mais visível de uma transformação silenciosa, uma sociedade onde a juventude já não chega para empurrar o futuro e onde a experiência, antes vista como um estágio final, passa a ser o eixo de sustentação.

Números que apertam e projeções que se adensam, ficando uma sensação quase existencial. Talvez a maior urgência não seja contar quantos saem e quantos entram, mas compreender como queremos viver num país onde trabalhar depois dos 55 deixa de ser exceção e passa a ser a regra. Porque, no fundo, vai além do mercado laboral. É a história de Portugal a tentar perceber quem será quando for, finalmente, um país velho.

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