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Marcelo Teixeira

«O que é real e foge à regra é hoje o que mais chama a atenção», destaca Ivo Gomes

13 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Quando a ousadia criativa se cruza com a racionalidade do negócio, nasce uma abordagem capaz de redefinir o marketing no e-commerce português. Ivo Gomes, CEO da MOB Agency, e Rita Faria, Diretora-Geral do KuantoKusta, encontraram o ponto de equilíbrio entre a liberdade de chocar quando necessário e a disciplina de medir cada resultado. Num lugar onde o marketing ainda se move com cautela, a dupla revelou como quebrar ciclos de comunicação previsíveis, transformar a criatividade em vendas e equilibrar instinto e métricas.

Em conversa com a Líder, Ivo não hesita: «Hoje está tudo tão calculado que o que é real, o que foge à regra, é o que chama a atenção. O mercado está a ir nesse sentido.» Nos interstícios de histórias de bastidores, riscos calculados e campanhas que desafiam a lógica do ‘scroll’ que ,Rita e Ivo exploram como emoção e performance podem caminhar lado a lado, numa reinvenção do marketing digital que não se limita a números, mas que toca também na experiência e na conexão com o consumidor.

A MOB é conhecida por ‘chocar’ quando necessário. Em tempos de algoritmos e métricas, o choque ainda é uma arma eficaz ou tornou-se apenas ruído?

Ivo Gomes:  Nós acreditamos que qualquer mensagem verdadeiramente poderosa precisa de um elemento de absurdo, escassez ou exagero. Mesmo quando o copy é bem trabalhado, há sempre uma percepção psicológica associada. Um sinal que provoca reação. É o mesmo princípio de mostrar algo pequeno na Torre Eiffel: o contexto muda tudo.

Os princípios da comunicação continuam os mesmos, mas o que hoje se confunde com ‘choque’ é, muitas vezes, apenas especificidade. Quando falamos para um público concreto, temos de aceitar que quem está fora desse público pode odiar a mensagem. E está tudo bem.

Ivo Gomes, CEO da MOB Agency
Ivo Gomes, CEO da MOB Agency e membro da board L-SIG

Quando uma marca como o KuantoKusta vos procura, o que é que procura de facto? Ousadia, performance ou redenção?

IG: No caso do KuantoKusta é um pouco diferente, até porque eu continuo a ser CEO da MOB e membro da board L-SIG. Foi um casamento à antiga, digamos assim.

Mas, brincadeiras à parte, o que as marcas procuram quando chegam até nós é sobretudo uma abordagem que quebre o ciclo da repetição. Muitas sentem-se presas a uma comunicação previsível, e procuram em nós a liberdade de dizer as coisas de outra forma, mesmo que isso incomode.

Como é que equilibra a liberdade criativa da agência com a ansiedade dos clientes por resultados imediatos?

IG: Trabalhamos sempre em conjunto com o cliente desde o início, não apresentamos propostas pré-feitas. Isso ajuda a alinhar expectativas e reduz a ansiedade.

Temos também um conjunto de regras de engajamento que os clientes assinam antes de começarmos a trabalhar juntos. Essas regras garantem-nos espaço para criar e explicamos que, sem essa liberdade, o resultado nunca será o melhor possível. É um acordo de confiança. No fundo, a liberdade não é um capricho criativo, é uma condição de eficácia.

Qual foi a campanha em que sentiu que a criatividade tocou um limite ético ou estratégico — e como é que decidiram se valia a pena cruzá-lo?

IG: Nunca cruzámos uma linha ética, e isso é um princípio. Somos criativos, trabalhamos por dinheiro como toda a gente, mas não ao ponto de fazer algo de que não nos possamos orgulhar ou explicar em casa.
Há uns anos fomos abordados para fazer uma campanha política por um cliente de um país que estava em guerra. Rejeitámos de imediato e perdemos 30% da faturação nesse mês. Há limites que não compensam, por mais tentador que o projeto pareça.

Num país que tende para o conservadorismo publicitário, o que significa ‘ousar’ em Portugal sem cair no disparate?

IG: Ser ousado em Portugal não é particularmente difícil, pois a visão é um pouco quadrada em relação às coisas. Vivemos numa lógica de marketing em que tudo tem de ser justificado com métricas. Mas, quando estamos a criar algo novo, não existem métricas que o sustentem.

O mercado começa, felizmente, a mudar. Muitos clientes chegam até nós cansados de ver as mesmas ideias recicladas. Querem arriscar, querem algo que interrompa o ‘scroll’.

Hoje está tudo tão calculado que o que é real, o que foge à regra, é o que chama a atenção. O mercado está a ir nesse sentido. Um vídeo mal filmado, uma pessoa comum, uma frase fora do padrão. São essas coisas que fazem parar o olhar. No fim, é sempre o que está em contracorrente que nos obriga a parar.

 

A parceria com a MOB implica confiança num discurso menos previsível. O que a convenceu de que o risco era necessário?

RF: A nossa relação com a MOB foi mesmo um casamento à antiga. Mesmo assim, tem uma perspectiva muito positiva. Com o tempo, é um negócio super maduro. O que quero dizer é que, se não nos reinventássemos, alguma coisa acabaria por ficar mal, porque o ciclo de vida do negócio terminaria. Por isso confiámos que a MOB mostraria o ponto de inovação de que precisávamos, quebrando um pouco o status quo e ajudando-nos a lançar novamente, crescer e começar outro ciclo de vida do negócio.

Rita Faria, Diretora-Geral do KuantoKusta
Rita Faria, Diretora-Geral do KuantoKusta

O KuantoKusta vive da racionalidade do preço e da comparação. O que é que a emoção acrescenta a esse universo?

RF: À primeira vista, parece tudo muito prático e objetivo, mas na realidade não é. Há sempre uma componente emocional. Fazemos sempre escolhas pessoais; não escolhemos um telemóvel só pelo status quo.

Temos marcas muito próximas do utilizador, e conseguimos identificar quais se mantêm relevantes porque têm essa conexão emocional com os clientes. Na prática, precisamos oferecer pela visão da poupança, mas queremos alavancar sempre as duas coisas. Não podemos deixar uma de lado, porque não é assim que o consumidor decide.

 

Como se mede o valor da criatividade num mundo obcecado com conversões e ROI?

RF: Sou analítica e gosto de números. Para decidir um negócio, os números têm de fazer sentido. Mas quando fazemos algo novo, não há benchmark nenhum. Por isso confio muito na experiência que a MOB traz e acredito que o trabalho que eles estão a fazer terá retorno. Não é algo que se veja imediatamente; o valor vai aparecer mais no futuro, enquanto no imediato as pessoas se adaptam ao que estamos a construir.

Que resistências internas encontrou quando decidiu abrir o KuantoKusta a uma comunicação mais arrojada?

RF: Como em qualquer empresa, existe alguma hesitação quando se desafia o conhecido. Mas temos uma equipa alinhada com os valores do KuantoKusta, que partilha princípios centrais.

Abrir a marca à ousadia não é fazer barulho por fazer. É respeitar princípios, experimentar e adaptar.

Há um ponto em que a performance digital se torna inimiga da identidade da marca?

RF: Só se torna inimiga quando esquecemos o que a marca representa. Se ficarmos presos ao status quo ou demasiado focados em métricas, sufocamos a criatividade e a identidade. Mas se mantivermos o ‘gut feeling’,  a percepção emocional que as pessoas têm da marca, conseguimos usar a flexibilidade digital sem perder essência.

 

O que acontece quando o criativo quer voar e o cliente quer vender? Quem cede primeiro e porquê?

IG: Eu não tenho uma visão muito artística da coisa. Ser artista é uma coisa, trabalhar em marketing é outra. O nosso objetivo final é sempre vender. Mesmo quando fazemos o onboarding de alguém, pergunto: como sabemos se isto é uma boa campanha? É se cumprir o objetivo, ponto. Por muito giro que seja o vídeo ou o trabalho que deu, a meta principal é sempre vender. Quando o objetivo está alinhado, dificilmente acontece de querermos voar numa direção e o cliente não querer seguir.

RF: Sim, é fundamental a rentabilidade do negócio. O formato como entregamos essa rentabilidade pode mudar. Podemos testar novos formatos e diferentes artes, mas no final, tem de entregar receita e lucro. É para isso que olhamos sempre.

A inteligência artificial promete otimizar campanhas. Mas pode otimizar instinto, risco ou criatividade?

IG: A forma como os LLMs funcionam é como uma intuição mecânica, mas com um universo de referências muito maior do que uma pessoa normalmente teria. Isso pode ser prejudicial, porque o instinto humano de quem trabalha na área há anos, e tem vida fora do trabalho, é único. Usamos AI para libertar o criativo, otimizar processos, eliminar tarefas repetitivas e gerar ideias. Mas não substitui a intuição humana; otimiza processos e o tempo, sobretudo.

RF: A AI já está presente há décadas, sobretudo em machine learning. Não substitui a experiência humana. Para mim, é um auxílio à decisão: ajuda a medir, ajustar e recalibrar previsões, mas nunca substitui totalmente o julgamento humano.

Se o marketing é o espelho do tempo, o que vosso trabalho diz sobre Portugal e sobre o consumidor de hoje?

IG: Vivemos tempos interessantes. As novas gerações ainda estão separadas por ideais. Hoje, existem mais marcas a trabalhar marketing ativamente, o que cria diversidade de estilos: desde throwbacks dos anos 90 até campanhas futuristas e contemporâneas. Conseguimos encontrar um conjunto de anúncios com mais flexibilidade nas suas dimensões.

A publicidade ainda pode ser uma forma de comentário político?

IG: Sim, especialmente para marcas de nicho. Por exemplo, o Ben & Jerry’s associa campanhas a valores e posicionamentos políticos. Para marcas generalistas, como o KuantoKusta, torna-se mais difícil pelo público abrangente, mas é possível.

O consumidor ainda distingue uma marca com alma?

RF: No imediato, ele compra de forma automática. Procura rapidez e preço. Mas se algo corre mal, quer uma marca presente, com contacto humano. Há uma dicotomia entre necessidade imediata e fidelização a longo prazo. Nós ainda conseguimos fazer isso.

O trade-off é constante: o cliente quer rapidez e preço, mas também quer personalização e serviço humano.

Quando tudo é medido, testado e filtrado, onde fica o erro?

IG: O erro é inevitável e, muitas vezes, é o que faz avançar uma ideia. Normalmente, quando erramos, descobrimos uma nova maneira de fazer as coisas. É quase um processo científico: testamos, observamos e ajustamos. No digital, o erro é até um luxo. Se uma campanha não está a funcionar, desliga-se, corrige-se, volta-se a lançar. Podemos correr vários testes em simultâneo e isso reduz o impacto do erro ‘grande’.

Claro que há outro tipo de erro. O que vem de uma aposta criativa maior, de uma campanha que tem peso, tempo e investimento. Aí, só aprendemos depois de lançar. Mas, mesmo nesses casos, o erro é uma forma de medir até onde podemos ir. É um sinal vital. Quem não erra está a repetir o que já foi feito.

RF: O erro, para nós, é sobretudo uma ferramenta de afinação. Nós vivemos de previsões e nenhuma previsão acerta a 100%. O que fazemos é medir o desvio: perceber o que correu diferente, ajustar e recalibrar o plano.
A gestão, sobretudo a financeira, vive disso. Um desvio bem analisado é uma fonte de informação preciosa. Se tudo corresse exatamente como esperávamos, não aprenderíamos nada novo, nem desenvolveríamos novas respostas.

Quais são os próximos objetivos de comunicação desta parceria?

IG: Estamos a seguir um plano claro de objetivos. Esta relação entre a MOB e o KuantoKusta começou há pouco tempo, mas os primeiros resultados são muito positivos. Conseguimos reduzir significativamente o investimento e, ainda assim, aumentar o retorno. Houve uma mudança profunda na forma de comunicar: o tom, o ritmo, o tipo de presença que o KuantoKusta tinha. Trouxemos um universo novo de parcerias e de formatos que ajudaram a marca a respirar diferente. Agora temos dois grandes testes pela frente — a Black Friday e o Natal — que vão ditar muito daquilo que precisamos ajustar para o próximo ano.

Para já, os dados indicam que estamos num bom caminho, mas falta passar por esses dois momentos para tomarmos decisões estruturais sobre o futuro.

RF: O KuantoKusta está a reinventar-se. Este processo não é apenas uma questão de comunicação, é também uma transformação interna, de como nos apresentamos, de como queremos ser percebidos e de como medimos sucesso. Os resultados iniciais mostram que valeu a pena arriscar, mas o trabalho continua. 2026 vai ser um ano de grandes projetos e de consolidação dessa nova fase, sempre com a MOB ao nosso lado como parceira estratégica. Estamos a aprender a equilibrar melhor performance e emoção, número e narrativa. E é nessa combinação que está o futuro da marca.

Arquivado em:Entrevistas, Leading Brands

Cabo Verde duplica capacidade solar com apoio de empresa portuguesa

13 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A empresa portuguesa RESUL, especializada em soluções energéticas, vai integrar um consórcio internacional responsável pela reabilitação e expansão da Central Fotovoltaica do Palmarejo, situada na cidade da Praia, em Cabo Verde. O investimento total ascende a 6,8 milhões de euros, com conclusão prevista para 2027.

O projeto, designado Repowering da Central Fotovoltaica do Palmarejo, prevê o aumento da capacidade instalada de 4,4 para 10 megawatts, o que permitirá abastecer mais de 20 mil habitantes da ilha de Santiago. Além de reforçar a segurança energética do país, a intervenção deverá contribuir para tarifas mais competitivas e uma redução anual de 18 mil toneladas de emissões de CO₂.

A RESUL será responsável pelas fases de engenharia, construção e fornecimento de materiais, em parceria com a Águas de Ponta Preta, empresa cabo-verdiana que também integra o consórcio. A execução da obra envolverá mais de uma centena de profissionais.

«A participação da RESUL neste consórcio reflete a nossa capacidade técnica e a experiência acumulada em projetos de grande escala no setor energético. A modernização da Central do Palmarejo será um passo decisivo para aumentar a capacidade renovável do país e gerar um impacto positivo ainda maior na comunidade local», afirmou Bruno Painho, administrador da RESUL.

Primeiro projeto apoiado pelo Fundo Climático e Ambiental

Trata-se do primeiro projeto financiado pelo Fundo Climático e Ambiental, criado no âmbito do programa de conversão de 12,5 milhões de euros da dívida de Cabo Verde a Portugal. O fundo foi aprovado pelo Parlamento cabo-verdiano em julho de 2024 e ampliado, durante a VII Cimeira entre os dois países, para 42,5 milhões de euros até 2030.

Com este mecanismo, Portugal e Cabo Verde pretendem canalizar recursos para projetos com impacto ambiental e climático, privilegiando energias renováveis e eficiência energética.

A RESUL tem já presença consolidada em Cabo Verde, tendo participado em projetos de modernização energética como o da Baía das Gatas, na ilha de São Vicente, e em várias intervenções no continente africano.

Cabo Verde regista atualmente 99% de taxa de eletrificação, com a meta de cobertura total até 2026. O país pretende também atingir 50% de penetração de energias renováveis até 2030 — meta para a qual o reforço da Central do Palmarejo deverá ser um contributo decisivo.

 

Arquivado em:Cabo Verde, Notícias

Confiança como novo capital: o que os líderes do setor financeiro têm de aprender com os consumidores

13 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

No setor financeiro, os números continuam a ser essenciais. Mas há algo que se tornou ainda mais valioso: a confiança. Hoje, consumidores e empresas já não avaliam apenas taxas de juro ou produtos de crédito. Avaliam, sobretudo, a transparência, a proximidade e a integridade das instituições. Para os líderes do setor, compreender este novo capital não é apenas uma vantagem competitiva. É uma exigência estratégica.

A confiança é a verdadeira moeda de troca. Num mundo cada vez mais digital e impessoal, os consumidores valorizam relações autênticas. Um processo de crédito claro, uma comunicação honesta e a capacidade de ouvir e responder às necessidades dos clientes transformam-se em ativos inestimáveis. Quando a confiança é consolidada, surgem benefícios que vão muito além dos números.

Liderar com proximidade e transparência deixou de ser opcional. Os líderes financeiros não podem operar apenas por trás de relatórios e dashboards. É necessário humanizar a gestão, partilhar decisões com clareza e criar canais de comunicação que aproximem clientes e colaboradores. Esta abordagem não só fortalece a confiança, como contribui para uma cultura organizacional mais sólida, ética e resiliente.

O foco exclusivo no lucro de curto prazo é cada vez mais arriscado. Instituições que investem na construção de relações duradouras com os clientes reduzem riscos e, simultaneamente, criam defensores da marca. A confiança, quando bem gerida, transforma-se no capital mais valioso de qualquer instituição financeira, garantindo estabilidade e crescimento sustentável.

Para os líderes que pretendem aproveitar este novo capital, é essencial ter uma comunicação clara e consistente em todos os pontos de contacto, garantir processos de financiamento transparentes e acessíveis, implementar uma gestão ética e empática, e, por fim, estimular uma cultura interna que valorize integridade, responsabilidade e proximidade com o cliente.

A confiança não se compra, constrói-se. No setor financeiro, este capital exige dedicação, ética e uma visão de longo prazo. Para os líderes que abraçarem esta filosofia, os dividendos vão muito além dos números: constroem credibilidade, lealdade e relações verdadeiramente sustentáveis.

Arquivado em:Opinião

94% dos portugueses defendem a literacia financeira desde o ensino básico

12 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

O custo de vida aumenta e o acesso à habitação tornou-se um desafio, e com isto em cima da mesa há um ponto que une a esmagadora maioria dos portugueses: a importância da literacia financeira.

Um estudo independente da Nickel, instituição financeira de pagamento do grupo BNP Paribas, em parceria com a DATA E, revela que 94% dos portugueses defendem a introdução de programas de literacia financeira desde o ensino básico.

Os resultados são surpreendentes não só pelo consenso, mas pela distribuição geográfica: o Algarve (97%) e o Norte (94%) destacam-se como as regiões mais convictas, revelando uma preocupação transversal, tanto em zonas urbanas como em territórios de menor densidade populacional.

Conhecimento financeiro: entre o básico e o intermédio

O estudo mostra que metade dos inquiridos avalia o seu conhecimento financeiro como intermédio, enquanto apenas uma minoria se sente verdadeiramente preparada para tomar decisões complexas sobre poupança e investimento.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, apenas 13% consideram ter um nível avançado, um dado que expõe as fragilidades da formação económica e financeira na transição entre o ensino secundário e o superior.
Nos adultos entre os 55 e 64 anos, 30% admitem ter apenas conhecimentos básicos, o que sugere que as lacunas não são apenas geracionais, mas estruturais.

Portugal continua a posicionar-se abaixo da média europeia no que diz respeito à compreensão de conceitos como juros compostos, diversificação de risco ou inflação real, segundo dados comparáveis da OCDE e do Banco de Portugal.

A poupança como reflexo de insegurança

Apesar das limitações no conhecimento técnico, a maioria dos portugueses demonstra uma crescente consciência sobre a importância da gestão financeira pessoal.
Quando questionados sobre as razões que os levam a poupar, os inquiridos apontam: emergências e imprevistos (53%), a reforma (33%), as viagens (32%).

A prioridade às situações de emergência reflete uma mentalidade de contenção e prudência, típica de economias onde o rendimento disponível é limitado e as margens orçamentais são curtas. Em Portugal, o salário médio líquido ronda os 1.200 euros, e cerca de 70% das famílias gasta mais de metade do seu rendimento em habitação e alimentação, segundo dados do INE.

O peso do custo de vida e os limites da poupança

Mais de 57% dos inquiridos afirmam ter dificuldades em poupar regularmente. Os principais motivos são conhecidos: salários baixos; despesas inesperadas; rendas e prestações de casa demasiado elevadas.

A inflação e a subida das taxas de juro dos últimos anos agravaram o cenário, travando o impulso de poupança. Mesmo assim, Portugal continua a ser um dos países europeus com maior taxa de poupança de precaução, ou seja, poupança destinada a emergências e não a investimento.

O comportamento financeiro nacional mantém-se tradicionalmente conservador: 47% dos portugueses continuam a preferir depósitos a prazo, 29% optam por certificados de aforro e 26% têm Planos de Poupança Reforma (PPR). A adesão a produtos mais complexos, como fundos de investimento ou ETF, ainda é residual.

‘Carácter financeiro’: mais do que números

«Os dados revelam uma população cada vez mais consciente da importância da literacia financeira e da gestão responsável do seu orçamento. Reforçar a educação financeira, desde cedo, é essencial para transformar esse conhecimento em hábitos de poupança e investimento sustentáveis, bem como em decisões mais equilibradas», afirma João Guerra, CEO da Nickel Portugal.

A frase ecoa uma ideia que transcende a simples gestão de dinheiro: a de carácter financeiro. Trata-se da capacidade de tomar decisões conscientes, resistir à pressão do consumo e planear o futuro com disciplina — competências que se aprendem, mas também se cultivam.

Um estudo da OCDE (2023) aponta que os países que introduziram programas de literacia financeira no ensino obrigatório registaram uma redução de até 20% no sobre-endividamento juvenil. Exemplos como a Finlândia, a Holanda e o Canadá mostram que o ensino precoce de noções básicas de crédito, juros e planeamento orçamental tem impacto direto na saúde financeira das famílias.

Educação e cidadania económica

Em Portugal, o tema da educação financeira tem vindo a ganhar espaço nas escolas e nos meios de comunicação, mas ainda sem a integração sistemática que lhe permita transformar-se numa política pública transversal. A Estratégia Nacional de Educação Financeira, lançada em 2011 e coordenada pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (Banco de Portugal, ASF e CMVM), tem produzido materiais didáticos e campanhas de sensibilização, mas a sua aplicação prática depende fortemente da vontade das escolas e dos docentes.

O desafio, portanto, não é apenas ensinar a poupar, mas educar para a responsabilidade financeira e social. A literacia financeira não pode ser um luxo académico, mas sim uma ferramenta de autonomia e proteção.

 

O futuro da literacia financeira em Portugal

A tendência é clara: os portugueses querem aprender mais sobre finanças, mas enfrentam barreiras culturais, linguísticas e emocionais. O receio de ‘não perceber de dinheiro’ ainda é comum, sobretudo entre gerações mais velhas.
As novas plataformas digitais e as fintechs — como a própria Nickel — têm ajudado a simplificar o acesso à informação e a democratizar o uso de serviços financeiros, mas o fosso entre o conhecimento e a prática ainda persiste.

O estudo da Nickel reforça, assim, um sinal de maturidade social: a literacia financeira tornou-se uma exigência coletiva, e não apenas uma competência individual. Num país em que metade da população sente que ‘sabe mais ou menos, o verdadeiro desafio será fazer com que saber básico ou intermédio se converta, finalmente, em confiança e autonomia financeira.

Portugal parece pronto para dar um passo decisivo: ensinar finanças desde cedo. Numa sociedade onde o crédito é fácil e a vida é cara, compreender o valor real do dinheiro é um ato de cidadania. A literacia financeira, afinal, não é só sobre números. É sobre liberdade.

 

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Empresas cabo-verdianas distinguidas com o selo ‘Empresa Excelência 2024’

12 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Vinte e cinco empresas cabo-verdianas foram distinguidas com o selo ‘Empresa Excelência 2024’, uma iniciativa que visa reconhecer e valorizar as organizações que mais se destacam pela gestão responsável, desempenho financeiro sólido e compromisso com a sustentabilidade.

Esta é a 2.ª edição do programa Empresa Excelência, que se afirma já como uma referência no panorama empresarial de Cabo Verde. O processo de avaliação foi conduzido pela plataforma promotora da iniciativa, com base em critérios definidos no regulamento oficial, assegurando transparência e rigor na seleção das empresas premiadas.

«Cada uma destas empresas representa o que há de melhor no tecido empresarial cabo-verdiano — organizações que inovam, inspiram e contribuem de forma concreta para o desenvolvimento económico e social do país», sublinhou a organização em comunicado.

Empresas distinguidas em 2024

As empresas reconhecidas com o selo Empresa Excelência 2024 são:

AQUASERVICE; CV INTERILHAS; CABOPLAST; EMEP; ETE LOGÍSTICA; FARMÁCIA JOVEM; FREEXAUTO; GRUPNOR; GUIA DE SERVIÇOS; IMPOFRUT; INCENTEA CV; INFORSAL; INKTONER INFORMÁTICA; ISATOUR; KHYM NEGOCE; LOGIS CV; MÉDIS PHARMA; MORABITUR; NAVEX CV; ÓPTICA DA PRAIA; PRAIATUR; SALSS; SESIS; TRIAL; TUACAR.

Estas empresas, que atuam em setores tão diversos como a logística, indústria, saúde, turismo e tecnologia, refletem o dinamismo e a diversidade da economia cabo-verdiana, bem como o reforço do compromisso empresarial com a excelência e a sustentabilidade.

Cerimónia de entrega acontece no TechPark, na cidade da Praia

A cerimónia oficial de entrega das distinções está agendada para 28 de novembro, no Auditório Principal do TechPark, na cidade da Praia. O evento contará com a presença de parceiros institucionais, entidades públicas e representantes do setor privado, e promete ser um momento de celebração e partilha de boas práticas empresariais.

Durante a cerimónia, as empresas distinguidas terão também oportunidade de apresentar os seus projetos e estratégias, num ambiente de networking e colaboração, reforçando o propósito da iniciativa: ‘Inspirar um Futuro de Excelência para Cabo Verde.’

Excelência como motor do desenvolvimento

Mais do que um selo, a distinção Empresa Excelência procura criar um ecossistema de confiança e reconhecimento entre empresas, consumidores e instituições. Ao premiar quem aposta na gestão ética, inovação e sustentabilidade, a iniciativa contribui para elevar o padrão de competitividade nacional e consolidar a imagem de Cabo Verde como um destino de investimento sólido e responsável.

 

 

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Liderar é um verbo moral: o carácter em tempos difíceis

11 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

As pessoas entram cedo no edifício do ministério, quando os corredores ainda respiram aquela luz cinzenta de começo de dia. O ecrã do elevador pisca números lentos, os passos vibram ao mesmo tempo que as pastas batem nas pernas. Pensa-se, por instinto, que um líder público é apenas aquele que ocupa a poltrona com insígnias e gravata. Mas há mais. Há uma quietude interior, uma convicção discreta, um nervo que dá ritmo mesmo quando o mundo à volta se desmorona.

No artigo da McKinsey que serve de ponto de partida para este texto, esse nervo chama-se carácter. E ao lê-lo, percebe-se que carácter não é uma palavra de marketing corporativo, mas uma chama que tanto ilumina o funcionamento da máquina pública como a pode consumir, se for esquecida.

 

O mundo que o líder público enfrenta

O ambiente em que os líderes públicos operam é uma tempestade constante. No estudo, mais de 800 líderes séniores do sector público de diversas regiões partilharam que quase 80 % esperam que os próximos cinco anos (2025-2030) sejam mais disruptivos do que o passado recente.
Orçamentos apertados, fuga de talento, revolução tecnológica (IA, automação), expectativas dos cidadãos em ascensão e confiança cada vez mais ténue no aparelho estatal. Tudo isso se entrelaça como trepadeiras numa parede antiga.
Mas mesmo sob esse peso, alguns líderes emergem para «fazer», mas também para sobreviver e acima de tudo para transformar. E é aí que o carácter entra como bússola.

 

Carácter como bússola, propósito como motor

Segundo o artigo, definir uma visão clara e um propósito foi apontado por cerca de 70 % como a competência mais importante para a excelência em liderança pública.
Mas algo mais se destacou: quando se pergunta «quem são os líderes que mais me marcaram?», a resposta não é «aquele que fez tal política», mas «aquele que não vacilou nos valores», «aquele que manteve a sua palavra«, «aquele que, quando pressionado, mostrou o conteúdo do seu carácter».
Uma citação forte do estudo: «Leadership is a potent combination of strategy and character. But if you must be without one, be without the strategy.»
Ora, isto significa que, para além de «saber o que fazer» — organizar equipas, recursos, políticas — há que «ser quem se é», ter integridade, coragem moral, persistência quando os holofotes esfriam.

 

Práticas concretas, mas vivas

O estudo identifica seis práticas essenciais para líderes de excelência, ou seja aqueles que conseguem virar navios gigantescos apesar da tempestade. Entre elas:

Definir a direção (‘set the direction’) ― ter visão, traduzi-la em estratégia, mobilizar recursos.

Mobilizar através de líderes (‘mobilize through leaders’) ― formar equipas com confiança, capacitar, dar espaço, assumir accountability.

Navegar no governo (‘navigate the government’) ― entender os tabuleiros, as alavancas políticas, as redes externas.

Gerir a própria eficácia (‘manage personal effectiveness’) ― poucos líderes dão conta de que a batalha não está só lá fora, está dentro: gerir energia, presença, vulnerabilidade.

Mas o que transborda é isto: estas práticas funcionam melhor quando o líder tem consciência de si (‘inside-out’ leadership), sendo capaz de reconhecer a sua fragilidade, ir ao combate sabendo que vai encontrar empecilhos,  que vai errar, que haverá retaliações.

 

Por que importa  e por que falha tanto

Porque o sector público é diferente. Não se trata de fazer dinheiro, mas de servir cidadãos, enfrentar elefantes invisíveis, explorar terras abertas sem mapa claro. No estudo, 68 % disseram que «mudança política» é o factor que mais distingue a liderança no sector público de outras lideranças.
E mesmo quem «sabe» definir direção ou mobilizar equipa sente lacunas em ‘co-criar com stakeholders’ ou ‘gerir recursos externos’. Ou seja: os esforços são enormes, muitos, mas a fragilidade humana emerge. O líder recua, hesita, falha.
Isto importa porque, no fim, o impacto social, como em escolas, saúde, segurança, ambiente,  não espera que o líder tenha um currículo perfeito; espera que o líder seja crível, visível, alguém em quem se possa realmente confiar.

 

O carácter em contextos mais amplos

Para dar ainda mais densidade, encontram-se outras fontes que dialogam com este tema do carácter na liderança.

O The Oxford Character Project no seu relatório ‘Character and Global Leadership’ identificou mais de 1 000 artigos sobre liderança baseada em carácter em países de rendimento baixo e médio.

Um artigo no jornal Financial Times afirmava que, num mundo onde 39 % das competências-chave mudarão até 2030, sendo o «caráter um motor central da confiança»

Esses cruzamentos ajudam a ver que o que a McKinsey chama de ‘carácter’ está inserido num movimento mais amplo: uma exigência de liderança que não esquece a humanidade, o corpo, a alma, o impacto social — e não apenas os KPIs.

 

O que podemos retirar para reflexão

O verdadeiro teste do líder não está apenas no anúncio da visão, no discurso no auditório. Está no momento em que os holofotes se apagam, os recursos falham, o eleitor cobra e a estrutura trava. E aí o carácter aparece ou não.

Construir carácter exige auto-conhecimento, ritual de reflexão, assumir que liderar  é mostrar vulnerabilidade, pedir ajuda, aprender com os erros.

Num país como Portugal, onde o sector público muitas vezes opera entre burocracia, moral coletiva reduzida e recursos escassos, este foco no ‘ser’ do líder torna-se ainda mais relevante.

Finalmente: o carácter não anula a execução. Ter carácter sem entregar resultados é demasiado pouco; ter só execução sem carácter é arriscado. A convergência dos dois é onde mora a excelência.

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