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Marcelo Teixeira

Fertilidade, liderança e empresas: o plano para reverter o declínio demográfico

8 Outubro, 2025 by Marcelo Teixeira

Perante uma sala cheia de líderes e decisores, o tema não foi tecnologia, nem geopolítica, nem sequer inteligência artificial. Foi algo mais íntimo e mais profundo: a família. No começo da sua intervenção na Leadership Summit Portugal, Pedro Moura, Diretor Geral da Merck, trouxe à sala uma pergunta óbvia e, ao mesmo tempo, inquietante: que futuro teremos se a sociedade deixar de gerar futuro — isto é, crianças?

Desde o início, confrontou a audiência com factos: nos anos 60 nasciam mais de 200 mil bebés por ano em Portugal; hoje são cerca de 84 mil. A taxa de fertilidade portuguesa situa-se em 1,4 filhos por mulher, bem abaixo dos 2,1 necessários à reposição. Projeções como as do Eurostat apontam para uma população de 8,8 milhões em 2080 — um país menor, mais envelhecido, com menos jovens para alimentar o mercado de trabalho, a inovação e as receitas que sustentam pensões e serviços públicos.

«Penso que todos concordamos, estamos perante uma emergência silenciosa», disse Pedro Moura, fazendo a transição da análise para o compromisso: isto não é apenas um problema demográfico; é um problema económico, social e de soberania. «Menos gente significa menos consumo, menos dinamismo económico e maior pressão sobre a segurança social». E, como lembrou, a demografia já não é um fenómeno apenas nacional: enquanto metade do mundo cresce em demografia e peso económico, a Europa arrisca-se a perder influência se não inverter a tendência.

Um Movimento para fazer frente ao envelhecimento da população

Não se tratou apenas de diagnóstico. O Diretor Geral da Merck lançou uma resposta prática: o Movimento Mais Fertilidade — uma iniciativa empresarial que junta saúde, empresas e políticas concretas com duas linhas de trabalho centrais: aumentar a literacia sobre fertilidade e tornar as empresas mais amigas da família. «Não compliquemos», pediu ele, resumindo o método: informação clara sobre fertilidade e medidas reais nas organizações.

No terreno, as apostas são concretas e pragmáticas — sessões educativas para colaboradores, creches ou apoio a creches, salas de amamentação, flexibilização de horários, opções de trabalho remoto e regimes de licenças parentais que ultrapassem o mínimo legal. Pedro Moura sublinhou uma vantagem que nem sempre é medida em números: «Empresas que têm ambientes mais favoráveis à família são empresas mais humanas e mais resilientes.» Ou seja, políticas familiares não são apenas custo social; são investimento em recrutamento, retenção e produtividade.

O apelo do discurso foi também mobilizador: já aderiram mais de vinte grandes empresas ao movimento e há um selo e benefícios para quem se juntar. «Somos hoje já mais de 20 grandes empresas que aderiram a este movimento», disse, convidando a plateia a entrar «no pelotão da frente». A mensagem foi direta, política e empresarial: não esperem que o Estado resolva tudo sozinho — o setor privado tem papel e responsabilidade.

Um objetivo que só pode ser alcançado juntos

O tom final foi de urgência e de esperança. Recordou um provérbio: «Se queres ir rápido, vai sozinho. Se queres ir longe, vai acompanhado.» Foi exatamente esse chamado à ação colectiva que Pedro Moura deixou no Estoril: não se trata de um gesto simbólico, mas de uma estratégia de país. «Juntem-se ao movimento Mais Fertilidade», concluiu, numa convocatória que é ao mesmo tempo convocatória cívica e apelo de liderança.

Num tempo em que os cenários se medem por algoritmos e índices, a intervenção de Pedro Moura foi um lembrete: há decisões cujo impacto atravessa gerações. Antecipar e agir hoje é a única forma de garantir que o futuro não nos venha a faltar.

Saiba mais sobre o Movimento Mais Fertilidade aqui.

Assista ao momento completo na Líder TV:

Pedro Moura – Leading the Game, Win With Humanity

Aceda à galeria de imagens completa aqui.

Todos os conteúdos estão disponíveis na Líder TV e nos canais 165 do MEO e 560 da NOS.

Arquivado em:Artigos, Leadership

Schroders inaugura ETFs ativos na Europa com foco em ações

7 Outubro, 2025 by Marcelo Teixeira

A Schroders deu um passo estratégico no mercado europeu ao lançar os seus dois primeiros fundos cotados de gestão ativa (ETFs). A decisão marca uma nova etapa para a gestora britânica, que procura democratizar o acesso às suas estratégias mais emblemáticas, conciliando a flexibilidade e liquidez dos ETFs com a promessa de valor acrescentado da gestão ativa.

O Schroder Global Equity Active UCITS ETF abre aos investidores europeus a porta à estratégia QEP Global Core, um fundo de ações globais que soma já 24 mil milhões de dólares sob gestão. O segundo produto, o Schroder Global Investment Grade Corporate Bond Active UCITS ETF, permite agora acesso em formato cotado a uma estratégia de obrigações corporativas investment grade que combina análise fundamental com ferramentas quantitativas, até aqui reservada a mandatos segregados e com mais de 3 mil milhões em ativos.

Ambos os ETFs foram desenhados para complementar a gama existente da Schroders e para responder à procura de investidores que querem diversificação global com custos competitivos, sem abdicar da diferenciação que a gestora associa à sua experiência em gestão ativa.

Os dois veículos terão como primeira casa o mercado da XETRA Deutsche Börse, a partir de sexta-feira, 26 de setembro. Nos próximos meses, seguir-se-ão listagens em Londres, Milão e Zurique, numa clara estratégia de capilaridade europeia.

Para Johanna Kyrklund, Diretora de Investimentos da Schroders, este lançamento traduz a convergência entre tradição e inovação:

«Pela primeira vez, a Schroders traz os seus mais de 220 anos de experiência em investimento ativo para fundos ETF ativos na Europa. Aproveitamos a nossa experiência de uma década na oferta de ETFs ativos na Austrália e nos EUA para disponibilizar duas das nossas estratégias – uma de ações e outra de obrigações – a um público mais vasto, através do formato ETF. No atual contexto dinâmico de mercado, ter acesso ao know-how de uma empresa líder em gestão ativa é fundamental.»

Já Meagen Burnett, Diretora Financeira, sublinha a importância operacional do marco:

«Este lançamento demonstra a nossa capacidade de tirar partido da dimensão das plataformas de investimento e operações da Schroders para melhorar a distribuição destes produtos junto de clientes atuais e novos. Permite-nos disponibilizar a nossa experiência em investimento ativo num novo formato, ampliando o alcance e oferecendo a variedade de ferramentas e as rentabilidades diferenciadas que os clientes procuram.»

A aposta europeia assenta numa trajetória iniciada em 2016, quando a Schroders lançou os primeiros ETFs ativos na Austrália, e consolidada em 2018 com a parceria norte-americana Hartford Funds. Agora, ao transpor esse know-how para a Europa, a gestora posiciona-se num segmento em crescimento, onde os ETFs ativos começam a conquistar espaço ao lado dos passivos tradicionais.

Arquivado em:Finanças, Notícias

Futuro digital, salários reais: onde estão as melhores oportunidades em Portugal?

7 Outubro, 2025 by Marcelo Teixeira

Os setores tradicionais da economia portuguesa — construção, saúde e logística — continuam a ser os que oferecem melhores salários e mais oportunidades de emprego. A conclusão é do estudo Tendências Salariais 2025, da Randstad Research, que revela como a transformação digital e a automação convivem com uma procura robusta por profissões essenciais.

O relatório desmonta a ideia de que a inteligência artificial (IA) ameaça, de forma linear, postos de trabalho. O impacto é sobretudo visível em funções administrativas e repetitivas, como operadores de caixa ou entrada de dados. Mas, ao mesmo tempo, a tecnologia está a gerar procura por novos perfis, desde especialistas em Big Data a engenheiros de energias renováveis.

Em Portugal, este movimento traduz-se numa dupla realidade: de um lado, funções emergentes ligadas à tecnologia; do outro, a valorização crescente de profissões críticas para setores estruturantes. «A automação e a inteligência artificial não significam o fim do trabalho, mas uma mudança profunda na sua natureza», afirma Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal.

TI à frente da tabela salarial

De acordo com o estudo, as Tecnologias de Informação continuam a liderar o ranking salarial, com remunerações que podem chegar aos 55 mil euros anuais. É também uma das áreas com maior pressão de recrutamento, devido à escassez de perfis em cibersegurança, cloud ou machine learning.

O setor da saúde surge logo atrás, com salários que ultrapassam os 45 mil euros, refletindo a pressão sobre o sistema e a procura contínua de médicos, enfermeiros e técnicos especializados. A construção e a indústria mantêm igualmente elevada procura por engenheiros e gestores de projeto, enquanto marketing e vendas apresentam uma grande amplitude salarial, dependente da função e responsabilidade.

Já as áreas de finanças, recursos humanos e jurídica registam salários mais modestos, com valores médios até 32 mil euros. Na banca e seguros, a remuneração é estável, mas menos competitiva face a TI e saúde, destacando-se funções regulatórias e de análise de risco.

Um estudo com várias lentes

A Randstad Research baseou-se numa metodologia exclusiva que cruza dados internos da empresa (recrutamento e consultoria de RH), estatísticas do INE e referências internacionais, como o Future of Jobs Report 2025 do Fórum Económico Mundial e o Workmonitor 2025 da própria Randstad.

«O grande valor deste estudo é traduzir a realidade salarial em Portugal de forma objetiva e comparável entre setores. Para as empresas, é uma ferramenta estratégica de gestão de talento; para os profissionais, é uma bússola que mostra onde estão as melhores oportunidades e em que competências vale a pena investir», sublinha Isabel Roseiro.

IA muda empregos, não os apaga

Embora os empregos administrativos estejam entre os mais vulneráveis à automação, o estudo mostra que a IA abre espaço para novas áreas de especialização. Big Data, fintech, energias renováveis e design digital estão no centro das funções emergentes.

No caso português, coexistem duas tendências: a forte procura por especialistas em IA e machine learning e a necessidade constante de profissionais em setores tradicionais como saúde, construção e logística. “Para os profissionais, investir em competências digitais é a forma mais segura de garantir relevância no futuro do trabalho”, acrescenta Isabel Roseiro.

 

 

Arquivado em:Notícias, Sociedade, Trabalho

Nova vaga de medidas para a Habitação: soluções ou cosmética?

7 Outubro, 2025 by Marcelo Teixeira

O Conselho de Ministros aprovou, no dia 25 de setembro, mais um conjunto de medidas para combater a crise no acesso à habitação. Em primeiro lugar, é de saudar a iniciativa, que vai ao encontro de várias propostas já aqui discutidas no artigo anteriormente publicado (vide Crise de acesso à habitação em Portugal – o boomerang infinito): redução do IVA na construção, incentivos fiscais em sede de IRS e estímulo ao modelo Built to Rent.

Depois de anos de inércia, é positivo ver que se está a dar a devida atenção à questão. Mas estará a ser devidamente abordado ou apenas contornado? Abaixo elencam-se as medidas mais relevantes, com uma breve análise crítica, com o propósito de iniciar o debate.

 

a) IVA Reduzido na Construção

Foi proposta a redução do IVA para 6% na construção de habitações com valor até 648.000€, bem como para imóveis destinados a arrendamento com rendas mensais até 2.300€. A medida é positiva, mas insuficiente — especialmente em zonas como Lisboa ou Porto, onde os preços praticados frequentemente ultrapassam esse limite. Além disso, sem uma redução paralela nos custos de mão-de-obra e dos materiais, o impacto será sempre limitado.

 

b) Incentivos Fiscais

Anunciou-se a redução da taxa de IRS para senhorios (de 25% para 10% nos contratos com rendas “moderadas”) e o aumento das deduções para arrendatários (900€ em 2026 e 1.000€ em 2027). Acrescenta-se a isenção de mais-valias de IRS na venda de habitações, desde que o valor seja reinvestido em imóveis para arrendamento a valor moderado, e a isenção do adicional de IMI para imóveis arrendados até 2.300€.

Embora positivas, estas medidas são limitadas. A ausência de incentivos em sede de IRC exclui a realidade das pessoas coletivas, que detêm uma parte significativa dos imóveis e atuam, também, como senhorios. Ademais, ao interferir na procura sem garantir a oferta, corre-se o risco de o mercado se ajustar e os preços voltarem a subir.

 

c) Agravamento do IMT para Não Residentes

Prevê-se o agravamento do IMT na compra de habitações por cidadãos não residentes em Portugal, com exceção dos emigrantes. Trata-se de uma medida de cariz populista, que levanta dúvidas quanto à sua constitucionalidade, nomeadamente por eventual violação do princípio da igualdade. Poderá ainda desincentivar investimento estrangeiro que, em casos específicos, poderia ser determinante.

 

d) Licenciamentos com Menor Controlo Prévio

A substituição do controlo prévio por controlo sucessivo é promissora, mas levanta questões sérias: segurança jurídica, qualidade construtiva e compatibilização com o princípio da legalidade urbanística.  Seria preferível o foco em medidas que auxiliasse os municípios a cumprir os prazos legais na apreciação dos pedidos, em vez de flexibilizar o controlo sem reforçar a fiscalização.

 

e) Apoio ao Alojamento para Trabalhadores da Construção

A medida foi anunciada, mas carece de concretização. Aguardemos para ver como será implementada.

 

f) Reforço da Garantia Pública para Jovens

O reforço da garantia pública para jovens na compra de casa segue a lógica de medidas anteriores. No entanto, como já referido, o problema não se resolve pela procura, mas pela oferta. Esta solução será paliativa: o mercado ajusta-se e os preços sobem, anulando o efeito pretendido.

 

g) Intenção de Cessar o Limite de 2% nos Novos Contratos e Facilitação de Despejos

O fim do limite de 2% nos aumentos de novos contratos de arrendamento é uma decisão acertada. Já se havia referido que tal medida era contraproducente, pois retirava casas do mercado e fomentava práticas paralelas. A sua revogação é, portanto, bem-vinda. Sobre a facilitação dos despejos, nada a apontar, pois a segurança dos senhorios é positiva para a estabilização dos preços de renda.

 

Conclusão

As medidas são relevantes, mas estão longe de ser decisivas. O problema continua a ser a falta de capacidade produtiva do setor da construção, sendo que tal não resolve com decretos nem com incentivos isolados. Sem uma estratégia integrada que envolva formação profissional, apoio às empresas, revisão da fiscalidade e segurança jurídica, estaremos apenas a tentar vencer pequenas batalhas sem conseguir vencer a guerra.

Arquivado em:Opinião

Anatomia da decisão Judicial

6 Outubro, 2025 by Marcelo Teixeira

Diz a Lei que ao juiz cabe o dever de decidir, e este não pode abster-se de julgar com fundamento na falta, obscuridade ou ambiguidade da Lei, ou com fundamento em dúvida insanável sobre o caso em litígio, desde que este deva ser juridicamente regulado. Perante tal, se de uma forma precipitada olharmos para a função de juiz, somos levados a pensar que a sua função primordial é decidir. Nada de mais errado. 

Tal seria muito simples e levar-nos-ia a cair em decisões afastadas da verdadeira finalidade da função jurisdicional – a de administrar a Justiça, tal como é contemplado pela nossa Constituição. 

E, pois, esta actividade dual de decidir, assegurando a Justiça, que move o juiz no exercício da sua função. A decisão não assenta em estados de alma, mas em elementos objectivos, temperados pelo conhecimento da natureza humana e da sociedade. Para isso a decisão judicial assenta num processo, onde se prevê uma forma ordenada de actos para que: primeiramente, se adquira o conhecimento das questões que cumpre efectivamente decidir (e que nem sempre são as que são percepcionadas por quem recorre aos tribunais); para que, seguidamente, se determine que factos ocorreram; e, só depois, se busque a solução que o Direito prevê como situação. 

Nas palavras de Von Jhering, «a forma é inimiga jurada do arbítrio e irmã gémea da liberdade», e é o respeito pela formalidade, ou seja, pelo método judiciário, que afasta a decisão da arbitrariedade e a traz para o campo da transparência e do rigor jurídico.  

O método judiciário tem como pano de fundo o que é levado ao processo pelas partes, não podendo o juiz por si, em regra, tomar em consideração factualidade que não seja levada por estas e, principalmente, basear-se em factualidade sobre a qual as partes não tenham tido oportunidade de se pronunciar. 

Assente o método seguido para a decisão, mesmo aplicando as normas jurídicas, o julgador pode, por vezes, ver-se confrontado com um resultado que geraria decisões injustas. Ora, ainda que as normas expressas não dêem resposta, o Direito não se basta com estas, e contém mais do que simples regras a que o julgador deve lançar mão para a resolução dos casos que lhe são colocados a resolver, contemplando um conjunto de princípios que enformam as regras e que têm um conteúdo tão vinculativo como aquelas, sendo o exercício interpretativo que lança a solução a dar para além do enunciado pela simples letra da Lei.  

Assim, através da análise das normas e da solução a que se chegou, em confronto com os princípios vigentes, ponderando-os numa lógica de máxima optimização, é possível chegar-se à decisão acertada.  

 

A decisão de um juiz 

Numa perspectiva subjectiva, a decisão de um juiz, apesar de muitas vezes ser apelidada de solitária, é na verdade tomada em conjunto com os diversos actores judiciários, que levam ao processo os elementos-chave para a tomada de decisão. Sendo limitado o poder do juiz para a composição do que lhe chega, aquele poder não é nulo, não se podendo colocar de fora do problema a que é chamado a resolver, de tal maneira que o respectivo desfecho lhe seja indiferente.  

É indiferente no sentido de que não tem interesse pessoal na causa, nem de forma directa nem indirecta, mas a finalidade de justiça deve sempre movê-lo, nomeadamente para indagar quanto ao que lhe falta para decidir, por perceber que dentro de uma lógica de normalidade a realidade que lhe é exposta se encontra incompleta. 

Numa dimensão temporal, observamos que a decisão do juiz se centra, na grande maioria das vezes, em factos ou ocorrências passadas e para casos concretos. Nesta dimensão, as decisões do juiz não se confundem com aqueles que decidem para o futuro e sem atender ao caso concreto, o que acontece por exemplo no campo do Direito, na função legislativa e, fora dele, comumente no mundo empresarial. 

 

Quererá isto dizer que a decisão judicial não tem efeitos para o futuro?  

Certamente que não, pois ser “a boca da Lei”, como foi definida a função jurisdicional por Montesquieu, tem também efeitos para além do caso concreto, podendo determinar uma alteração nos comportamentos das pessoas, empresas e administração pública e no próprio poder legislativo, que se adaptam às interpretações que os tribunais fazem do Direito aos casos concretos. Há um sistema de influência mútua, e a esta repercussão o juiz não pode estar alheio. 

Nesta perspectiva, não existe uma decisão certa que possa ser atentadora do bem comum, pois este é um factor de ponderação – com conteúdo vinculativo próprio. Deste modo uma optimização de uma solução em que prevaleça o bem individual, mas seja atentatória do bem comum (sendo este um valor que contém em si mesmo uma dimensão complexa de princípios) não permite a salvaguarda deste e, por isso, não pode ser acertada. 

A decisão do juiz, sendo livre, não é aleatória, ela é balizada por diversos elementos, e sendo seguido o método judiciário não pode resvalar para a arbitrariedade. A decisão não é tomada em absoluta solidão; a decisão é assente em factos, que resultem provados, assenta na aplicação de normas e princípios pré-existentes – sendo o desfecho de todo um processo, orientado (desejavelmente) por todos, para aquele fim – a tomada de uma decisão justa. 

 

Por: S. Monteiro Mesquita, Juiz de Direito

 

Este artigo foi publicado na edição nº 31 da revista Líder, cujo tema é ‘Decidir’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leadership

Viagens na minha terra 2.5

6 Outubro, 2025 by Marcelo Teixeira

Se Garrett viajasse hoje pela sua terra não deixaria de ver Santarém, o Tejo aos pés da colina e a memória das pedras que guardam séculos, mas talvez os seus olhos se demorassem mais nas cidades que agora chamamos inteligentes, essas que se orgulham de sensores invisíveis e cabos que correm debaixo do chão como veias artificiais de um corpo que acredita estar vivo só porque a luz dos ecrãs não se apaga, encontraria o 5G em vez do fumo do carvão, os aplicativos em vez do rodar das rodas da carruagem, os algoritmos que dizem conhecer-nos melhor do que nós próprios e ainda assim descobriria que nada disso substitui a ternura de um gesto ou a clareza de uma palavra humana.

Da janela já não de carruagem mas de telemóvel na mão veria os contrastes que teimam em atravessar os séculos, casas precárias ao lado de prédios reluzentes, bairros que esperam por médicos e professores enquanto outros se perdem em abundância e distração, jovens que partem porque não encontram lugar e velhos que ficam porque já não têm onde ir, e perceberia com a serenidade de quem viajou muito para chegar ao mesmo ponto que andamos mais depressa mas não mais longe, que corremos o risco de repetir a velha história de um país habituado a prometer futuro e a esquecer o presente.

Carlos já não seria o liberal romântico mas o jovem precário a saltar de estágio em estágio sem salário, a contar moedas para pagar rendas impossíveis, e a comprar um bilhete só de ida porque às vezes a sobrevivência escreve-se com a geografia dos que partem, e Joaninha já não ouviria rouxinóis mas o som gasto das escolas onde as paredes se descolam e os professores rareiam, e mesmo assim sorriria porque a esperança quando nasce cedo não é escolha mas instinto, e Frei Dinis esse seria talvez o avô sentado à janela cansado de ver promessas repetidas como um refrão que já não engana mas ainda assim incapaz de abandonar a crença de que a política pode voltar a servir o futuro.

E no entanto no meio de dashboards coloridos que não curam solidão, de sensores que não substituem cuidado, de algoritmos que não conhecem a alma, Garrett veria também que há uma beleza que não se deixa apagar, o mar que continua a abrir horizontes, os rios que apesar do lixo insistem em correr, as serras que ardem mas renascem, as crianças que sorriem mesmo quando falta tudo, como se Portugal tivesse sempre esta capacidade de resistir não por ingenuidade mas porque sabe que desistir seria uma forma de morte antecipada.

É essa herança de esperança que se renova agora, no tempo em que nos aproximamos de mais uma escolha, no próximo dia 12 de outubro, quando cada um será chamado a decidir quem governa as autarquias que estão mais perto de nós, aquelas onde se joga a vida verdadeira, a rua onde caminhamos, a escola onde os filhos aprendem, o centro de saúde onde procuramos cuidado, o jardim onde respiramos, votar não é apenas um ato de rotina, é um gesto de pertença, é dizer que esta terra é nossa e não desistimos dela, é recusar a indiferença e assumir que o futuro começa no lugar onde habitamos.

E talvez no fim desta nova viagem Garrett deixasse a mesma pergunta suspensa de há quase dois séculos mas com uma luz diferente, que terra é esta que chamamos nossa, talvez respondesse enfim que é a terra que escolhemos cuidar, a terra que ainda acreditamos poder reinventar, a terra que apesar de tudo continua a ser nossa porque não desistimos de a chamar pelo nome e porque só pertence verdadeiramente a quem não desiste de a amar.

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