Até ao dia das eleições legislativas, 30 de janeiro, a Líder vai publicar diariamente as opiniões e contributos de várias personalidades a quem foi lançado o desafio de responderem à pergunta: O que precisamos mudar?
Homens, mulheres, jovens, seniores, caucasianos, negros, crentes e não crentes, qualquer que seja a orientação sexual terão a sua opinião na Líder e serão capa.
Na Líder a capa é de todos.

Diogo Vieira da Silva é Curador dos Global Shapers WEF Lisbon Hub
Quebrar os dogmas do passado
Se dúvidas houvesse, a realidade de hoje demonstra-nos que vivemos num mundo cada vez mais complexo, interligado e por vezes paradoxal. Portugal não é exceção.
Por exemplo, a democratização do acesso à educação no nosso país nas últimas décadas, com altos e baixos, permite-nos por um lado ter hoje a geração mais qualificada de sempre, mas por outro, ter mais de um terço dos jovens disponíveis a emigrar. A grande maioria que o faz não é pela falta de emprego em Portugal, mas sim porque as oportunidades que têm no nosso país, ou não se coadunam com a sua área de formação ou, mais comum ainda, pela expectativa salarial não alcançar o almejado.
De forma muito simplista, isto representa uma enorme perda do investimento que todos nós fazemos para ter um sistema de ensino superior de qualidade e acessível à grande maioria. Mas quem tira proveito desse investimento são outras sociedades, nomeadamente Países Europeus, que tiram proveito de indivíduos altamente qualificados e produtivos. Até porque, caso já não se recordem, vivemos numa economia Europeia, e ainda bem!
A realidade é que novas oportunidades advém de novos investimentos, que por sua vez advém da criação de confiança de que no futuro será possível pagar o seu valor e ter externalidades positivas. E esses investimentos podem ser públicos, privados ou ambos. Mas aqui é que esbarramos nos dogmas do passado.
Ainda vivemos com dogmas do século XX, apesar de já estarmos numa sociedade do século XXI. Onde assistimos a discursos que promovem a dicotomia do público/privado; litoral/interior; esquerda/direita; rural/urbano; tradicional/moderno; online/offline; conservador/liberal… O que simplesmente já não faz sentido!
Num mundo como o atual, onde inclusive celebramos coletivamente as nossas individualidades, as realidades são múltiplas, complexas e em certo ponto paradoxais e contraditórias. Mas é isso que cria novas formas de estar e pensar, onde o certo e o errado são substituídos pelo raciocínio da liberdade individual e bem estar coletivo.
Se queremos um Portugal com mais oportunidades, temos de quebrar estas barreiras e estar disponíveis a conviver/trabalhar com quem por vezes discordamos. Pois se houve algo que a democracia nos ensinou, nestas últimas quase 5 décadas, é que a cooperação, ligação de pontos invisíveis e criação de pontes entre margens, é o que nos permite prosperar e ter um Portugal melhor.
mesmo, mas traz em si uma finalidade. Sempre considerei que as pessoas têm de vir à frente das tarefas, por isso a única forma de assistirmos a mudanças nos comportamentos, que terão impacto nos resultados, que levarão o país a melhores portos, será quando cuidarmos verdadeiramente das pessoas com quem nos relacionamos nas várias esferas da vida.
O “wake up call” é dado por Mo Gawdat, reconhecido autor e que após uma carreira de 30 anos como Chief Business Officer na Google X, dedica-se a explorar e a inspirar os outros sobre o tema da felicidade. Desta vez, a Inteligência Artificial (IA) foi o tema da sua Talk disruptiva e inesperada “The Future of AI and how can you save our world”, no evento Building the Future. Com base no seu recente livro “Scary Smart”, o autor explica de que forma, aparentemente simples, nos devemos relacionar com a IA e criar um mundo melhor. E a resposta não está no controlo das máquinas, nem no Ego humano.
Tanto um estudo como o outro ajudam-nos a identificar melhor os riscos e perceções mundiais e dos Portugueses em particular. Entre as diferentes respostas dos governos, empresas e sociedade civil, que venham a surgir na sequência destes apelos, uma prioridade parece certa: para responder a desafios comuns será necessária uma maior coordenação e solidariedade no seio da comunidade internacional.