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Titiana Barroso

As redes e a Primavera Árabe

18 Janeiro, 2021 by Titiana Barroso

Tem sido assinalada a passagem de dez anos sobre a ocorrência da Primavera Árabe. Foi um acontecimento que muitos seguiram com a esperança de que o mundo árabe pudesse abraçar uma nova era de democracia. E aplaudimos o papel das redes sociais como forças de libertação, capazes, no limite, de fazer cair ditadores.

Hoje sabemos mais. Sabemos que as redes também podem fazer cair democracias. As redes sociais abriram a comunicação de massas de forma não intermediada. Ao fazê-lo permitiram novas formas de mobilização social. As opiniões passaram a valer todas o mesmo. Isso parecia positivo. A verdade é que o tempo tem mostrado que as redes são usadas fundamentalmente, como tem sido dito, para pertencer e não para compreender. O resultado está à vista: uma polarização das opiniões que não admite espaço para dialogar com o outro.


A política identitária passa por aqui: quem não está comigo está contra mim. E quem está contra mim está a pensar mal. Todo este processo é tudo menos favorável ao aprofundamento da democracia, em que se respeita genuinamente a opinião alheia. Na política das redes aparece mais quem fala alto e quem dispara a matar, largando os soundbytes mais sonoros. Quando os media tradicionais convidam os mais desbocados para opinadores trazem para dentro do sistema a lógica das redes, agravando o círculo vicioso. Não se sabe onde o caminho acaba mas o extraordinário romance M – o Filho do Século, de Antonio Scurati (ASA) sobre a ascensão de Mussolini, mostra o processo extremista em andamento, nesse tempo ainda sem o extra das redes. Continuando com Scurati, num mundo de extremismos à esquerda e à direita, a única opção é rejeitar ambos. Até porque eles se tocam.

 


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Tudo o que precisa saber sobre as novas medidas de apoio às empresas e ao emprego

18 Janeiro, 2021 by Titiana Barroso

Na estratégia de combate à pandemia, o Governo volta a fechar e a limitar a operação de muitas empresas. No novo confinamento, a prioridade do Governo parece ser tirar do papel apoios à economia, como o lay-off simplificado, que chega agora ainda mais simplificado.

A medida volta a estar disponível apenas para empresas que vejam a sua atividade ser encerrada por questões sanitárias, mas agora com a garantia de pagamento dos salários a 100%, sem que isso implique mais contribuição da parte da entidade patronal. Além disso, as empresas não precisam de provar a queda de faturação para aceder ao pacote do lay-off simplificado.

O apoio à retoma progressiva é alargado aos sócios-gerentes e reforça o Apoiar.pt, programa de subsídios a fundo perdido para as empresas nos setores mais afetados, como a restauração. Os limites do apoio a atribuir por empresa serão também aumentados para 10 mil euros no caso das microempresas, 55 mil euros para pequenas empresas e 135 mil euros para médias e grandes empresas.

Programa Apoiar

O Programa Apoiar passa a cobrir as perdas do quarto trimestre de 2020 e as do primeiro trimestre de 2021. Este programa vai ser acelerado e a segunda tranche relativa aos três primeiros trimestres de 2020 será paga já a partir da próxima segunda-feira. Os limites são reforçados. As microempresas passam a receber até 10 mil euros, as pequenas até 55 mil euros e as médias empresas até 135 mil euros. Será também lançado um apoio extraordinário, que duplica o subsídio relativo ao quarto trimestre de 2020.

No apoio aos empresários estão também contempladas ajudas no pagamento das rendas aprovadas a 10 de dezembro e cujas candidaturas serão abertas a 2 de fevereiro. As rendas comerciais também serão apoiadas para as empresas com quebras de faturação a partir de 25% e podem chegar aos dois mil euros mensais.

Suspensão das execuções

O Governo decidiu pela suspensão dos processos de execução fiscal em curso ou que venham a ser instaurados pela Autoridade Tributária e pela Segurança Social: de 1 de janeiro a 31 de março. Também não é possível executar penhoras neste período. O pagamento dos planos prestacionais por dívidas à Segurança Social também é suspenso.

Empresas que fechem

As empresas que fechem por determinação do Estado podem recorrer ao layoff simplificado. Desta vez, a entidade empregadora suporta apenas 19,8% do salário e o Governo o restante valor. A medida tem uma duração idêntica à do período de confinamento. Transição automática do regime de apoio à retoma progressiva.

Empresas com quebra de faturação

Recurso ao Apoio à Retoma Progressiva. Existe a possibilidade de redução do horário de trabalho até 100%. Redução contributiva de 50% para Microempresas e PME. Os sócios-gerentes ficam abrangidos.

Microempresas

Recurso ao Apoio simplificado para Microempresas, sendo o apoio no valor de dois Salários Mínimos Nacionais (SMN), no valor de €1.330 por trabalhador.

Trabalhadores por conta de outrem

Trabalhadores com remunerações até 3 SMN recebem a 100%.

Trabalhadores independentes

É reativado o Apoio à Redução da Atividade, medida que apoiou 182 mil trabalhadores independentes em 2020. São incluídos os trabalhadores que estão isentos do pagamento de contribuições

Sócios-gerentes

É Reativado o Apoio à Redução da Atividade, medida que abrangeu 60 mil MOE em 2020. Têm acesso ao Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva.

Trabalhadores em situação de desproteção social e Trabalhadores do Serviço Doméstico

Foi criado um novo Apoio Extraordinário ao Rendimento dos Trabalhadores

Arquivado em:Notícias

Filipa Martins: «O digital e o capital humano estão no caminho do abrandamento da crise»

18 Janeiro, 2021 by Titiana Barroso

2020 foi um acelerador de quatro grandes tendências: Digitalização, E-commerce, Segurança e Sustentabilidade. Para Filipa Martins, diretora geral do SAPO (Altice Portugal), a tecnologia, o digital e o capital humano estão no caminho do progresso e do abrandamento da curva da crise.


A marca Portugal é forte, «em torno de produtos de qualidade, competência e adaptabilidade de equipas, tecnologia e inovação», declara Filipa Martins. Nesta mesma análise esclarece que a aceleração do interesse no digital, por parte dos negócios e dos consumidores, é uma oportunidade única para projetos empresariais que se querem viáveis, ambientalmente sustentáveis e pensados desde a origem para serem internacionalizados.

Colocámos a pergunta: Pode a tecnologia esmagar a curva da crise? a alguns líderes, Filipa Martins aceitou o desafio:

«A Pandemia COVID-19 veio marcar o ano de 2020 como um acelerador de pelo menos quatro grandes tendências: + Digitalização, + E-commerce, + Segurança e + Sustentabilidade. Todas elas relacionadas com tecnologia, telecomunicações e internet, exigem inovação, experimentação e aposta numa elevada qualificação de recursos humanos.

Tendo já criado um ecossistema de startups tecnológicas e conferências internacionais, Portugal não deve perder este posicionamento e continuar a afirmar-se como um país seguro, com cada vez mais recursos qualificados em matéria de conhecimentos digitais, e capacidade para captar investimento estrangeiro. A par de uma marca Portugal forte, em torno de produtos de qualidade, competência e adaptabilidade de equipas, tecnologia e inovação, para captar esse investimento importa executar a reestruturação, simplificação e digitalização dos serviços para uma administração pública eficiente, menos burocrática e com celeridade na aplicação da justiça.

Em matéria de negócios mais tradicionais (embora de nicho, de qualidade e ambientalmente sustentáveis), a aceleração do interesse no digital por parte dos negócios e dos consumidores, é uma oportunidade única para projetos empresariais que se querem viáveis, serem pensados desde a origem para serem internacionalizados. Como tal, há duas apostas relevantes depois de ter um negócio pensado para a exportação, recorrendo a soluções de e-commerce: ressalvo a promoção da marca Portugal e a criação de um programa de aceleração de promoção digital do e-commerce português, através de marketplaces globais ou mesmo de marketing digital.

Em todas as frentes, a tecnologia, o digital e o capital humano estão no caminho do progresso e do abrandamento da curva da crise».

[O testemunho foi publicado na edição n.º 11 da revista Líder]

Arquivado em:Artigos, Leading Tech

«Architect Your Home é completamente inovador no meio da arquitetura»

18 Janeiro, 2021 by Titiana Barroso

Quer melhorar a sua casa? A Architect Your Home tem um método único e à medida de cada um, através de um menu de serviços de arquitetura e decoração. Renova quartos até projetos de grande escala, desenvolve home-staging (montagem de casas para venda) e tem em mãos a reabilitação de edifícios antigos.

Já recuperou o Palácio Nacional de Queluz ou o Hotel Le Consulat em Lisboa e tem 12 ateliers com 27 arquitetos em Portugal.

Mas vamos ao seu início. Tudo começou quando a arquiteta Mariana Morgado Pedroso estava a ler uma revista inglesa de decoração e se deparou com a publicidade da Architect Your Home (AYH). Nunca tinha visto um anúncio publicitário feito por um gabinete de arquitetos. Na altura, tinha 32 anos e vontade de criar o seu negócio próprio, algo que fosse para além de um atelier tradicional de arquitetura – e este conceito encaixava que nem uma luva no que idealizava para si. Daí até trazer a marca para Portugal foi uma questão de persistência.


A origem da AYH advém da visão de um casal de arquitetos, que criou em 2002 um “Menu de Serviços” para chegar aos proprietários ingleses e a todos os “self-builders” de arquitetura. «No Reino Unido, é comum as pessoas fazerem renovações e até construções de raiz, sem a ajuda de um arquiteto, acompanhados apenas pelo construtor», conta à Líder Mariana Morgado Pedroso. Este “Menu” possibilitava a uma vasta franja de pessoas o apoio de profissionais arquitetos e decoradores nas suas renovações através de um inovador sistema que permitia uma pequena consultoria até a um projeto chave-na-mão integral.

«O sistema foi muito bem-sucedido, e alargou-se para uma rede de arquitetos pelo país, o que o tornou ainda mais interessante trazer o conceito para Portugal», explica visivelmente satisfeita. Hoje, além de clientes portugueses, tem também angolanos, americanos, franceses e ingleses. E, agora, com uma forte componente online, no sentido de a empresa poder dar continuidade a todos os projetos durante a pandemia.

Traz para Portugal a marca Architect Your Home em 2012. O que tem de diferente este conceito no nosso mercado?
O Architect Your Home é um sistema completamente inovador no meio da arquitetura, por dois fatores principais. O Menu de Serviços – único e que permite aos clientes utilizarem os serviços de um arquiteto tanto ou quando precisarem – por exemplo podem contratar alguém apenas para dar ideias para um quarto de bebé ou renovar uma casa-de-banho até projetos de grande escala, acompanhando desde a arquitetura até à decoração e especialidades com equipas dedicadas e conhecedoras. E pela nossa rede de arquitetos, por todo o País, que trabalham em uníssono, partilhando ideais e formas de trabalhar – temos tido um desenvolvimento acentuado no sentido do acompanhamento total, em especial junto de clientes estrangeiros e promotores que procuram um serviço completo de profissionais que trabalham sob a mesma chancela o que facilita a comunicação. No AYH acreditamos que a boa comunicação é a base para projetos bem-sucedidos, pelo que fomentamos a escolha de arquitetos e ateliers para a nossa equipa que tenham a comunicação nas fundações da sua prática profissional, um cliente bem acompanhado, deve estar a par do desenvolvimento do projeto, e ajuda muito ir esclarecendo as várias etapas da burocracia dos licenciamentos, ou os passos necessários numa obra para prevenir mal-entendidos entre arquitetos e clientes.

Neste momento tem 12 ateliers com 27 arquitetos. Trabalha no sentido de manter alguma estética ou tipo de marca?
Estamos muito contentes com a dimensão e dinâmica que os ateliers têm tido trazido. O Architect Your Home junto dos arquitetos, enquanto marca, promove o sentido de comunidade entre os ateliers – temos conseguido criar uma rede que vai muito além de apenas partilharmos projetos, é um grupo de pessoas que partilha ideais e conhecimentos, o que permite chegar mais longe enquanto equipa, e esta partilha entre nós é algo que me dá um enorme orgulho. Em relação ao Architect Your Home na sua ligação com os clientes a marca é apologista que a comunicação é a base de um bom projeto, por isso trabalhamos muito junto dos arquitetos a questão de comunicarem com os clientes para melhorarem a fluidez do projeto e resultados mais satisfatórios para ambos os intervenientes.

Como é que o vosso gosto e estilo evoluem? Como definiria o vosso traço?
O Architect Your Home não tem um estilo único – cada arquiteto desenvolve o seu traço, gosto e traz a sua escola, e o acumular da nossa experiência coletiva traz projetos muito ecléticos e variados em estilo, o que permite aos clientes ter uma grande variedade de oferta quando procuram um profissional para os acompanhar num projeto, desde arquitetos especializados em questões energéticas, ambientais a grandes equipamentos, reabilitação do património. Na decoração também temos decoradores de vários estilos, do clássico ao mais trendy e concentramos as energias na sede em garantir uma boa entrega ao cliente, deixando a criatividade ao arquiteto.

Qual é a estratégia e princípios guia?
O Architect Your Home pontua-se pela diversidade na oferta de equipas e serviços na área da arquitetura e interiores e pelo rigor na entrega dos projetos e casas aos clientes. Em termos estratégicos tem-se posicionado no mercado dedicado à área residencial, e em oferecer uma resposta com serviços ao nível de todo o País. Em termos estratégicos, posicionámos sempre também a empresa como oferta para clientes estrangeiros, com equipas multilíngues e acompanhamento à distância, com uma plataforma online muito forte que nos permite desenvolver todo o projeto, montar a casa e fazer uma entrega de uma casa mesmo sem alguma vez termos estado com o cliente – esse posicionamento no mercado trouxe clientes de várias nacionalidades que procuram viver ou investir em Portugal a confiar no AYH como o parceiro certo para os seus negócios.
A oferta de serviços é muito variada mas pontuada sempre por um acompanhamento muito profissional, por exemplo, temos desenvolvido projetos de home-staging (montagem de uma casa para venda) a um ritmo rápido para uma empresa de gestão de créditos que precisa de colocar casas no mercado para recuperação de investimentos – para tal fazemos o projeto de decoração e montamos a casa de forma rápida, de acordo com as tendências do mercado e temos equipas desde o Algarve ao Norte a desenvolver este serviço.

Desde que iniciou o projeto, como retrataria as épocas que a arquitetura acabou por atravessar no nosso País? A arquitetura está em crise? Como é que conseguimos mudar isso?
O lançamento do Architect Your Home foi uma lufada de ar fresco na área da arquitetura em 2012, vivia-se uma crise financeira que já tinha começado em 2010, e perduraria até 2014, fruto da crise financeira global 2007-2008 e lembro-me no pico da crise da quantidade de falências diárias anunciadas. Contudo, lembro-me também de sentirmos que era o momento certo, que nada de semelhante existia no mercado e na altura de a preocupação maior ser como seria aceite dentro do sector, mais do que junto do público em geral. O sector da construção atravessava, à data, uma crise enorme e os gabinetes de arquitetura ressentiam-se muito com isso, com vários ateliers a fecharem e os arquitetos a procurarem emprego fora do sector. Ter a capacidade de inovar, pensar fora da caixa, foi algo que nos permitiu inovar num sector muito tradicional e no fundo encontrar uma oportunidade estratégica de posicionar os serviços de arquitetura para o público em geral de uma forma fresca e nova e o posicionamento na área da reabilitação. A ideia foi bem aceite por todos, e tem evoluído muito positivamente. Em 2020 enfrentamos um desafio diferente do criado pela crise do subprime – de repente parou tudo – é uma crise relacionada com a saúde o que traz reações inesperadas e obriga a uma estratégia diferente daquela que usámos em 2012 – é certo que vivemos todos um tempo difícil e incerto, mas até agora o sector aguentou o embate da COVID-19. As obras não pararam em Portugal, com uma suspensão temporária no início desta crise, e veremos o que nos traz 2021. Em termos de posicionamento apostámos na divulgação nacional e internacional das consultorias AYH online – temos feito muitas para clientes que estão fora de Portugal e para quem está em casa e quer fazer uma renovação, mas não quer pessoas de fora a entrar em sua casa – em que comunicamos através dos meios digitais para desenhar com os nossos clientes as suas ideias permitindo desenvolver um projeto à distância.  Tem sido uma forma de adaptação a esta nova realidade do teletrabalho e também uma forma de continuar a prestar os serviços para quem ficou em casa durante a pandemia, algo que já fazíamos para os clientes que estão fora de Portugal.


Já foram desenvolvidos 350 projetos d
esde restaurantes, hotéis, casas privativas e unidades para aluguer. Cerca de 75% dos clientes do AYH Portugal são estrangeiros. Podemos dizer que o seu trabalho engloba muitas culturas?
No Architect Your Home contamos com centenas de clientes de quase todas as nacionalidades, o que o torna a nossa sede num polo cultural interessante, acima de tudo pela forma como é necessário gerir estes clientes – o que esperam de nós em cada cultura – mais do que pelos estilos de arquitetura e decoração. Um bom profissional sabe responder às questões de estilo de um cliente americano, francês ou angolano adaptando-se ao que fará o cliente confortável em sua casa, e são muitos os desafios, desde formas diferentes da nossa de viver “a casa” até pequenos detalhes que estamos atentos para conseguir chegar ao melhor projeto possível para cada caso. Acima de tudo este ecletismo de clientes, trouxe-nos desenvoltura e abertura de espírito e estamos sempre prontos para um novo desafio.

Quando olha para trás, quais são os projetos mais emblemáticos e que mais orgulho tem?
Existem alguns projetos que nos trazem bastantes memórias e dos quais temos muito orgulho, destaco a Recuperação do Palácio Nacional de Queluz, o Hotel Le Consulat em Lisboa, e projetos de reabilitação de edifícios antigos na zona de Lisboa e Porto, para investidores privados que foram feitos com muita dedicação e que atingiram em pleno os objetivos dos clientes. Nos projetos de decoração destaco a “casa do baloiço” como um exemplo bem-sucedido de projeto à distância e que em um mês de projeto e um mês de montagem se conseguiu destacar os pontos fortes da casa, utilizando designers e produtos portugueses inéditos para um resultado original.

 

Se pudesse escolher ter feito algum projeto nacional, qual seria?
Destacaria a possibilidade de fazer parte de uma equipa de recuperação do património residencial nacional.

Qual é a parte mais difícil deste trabalho?
A gestão das várias equipas e projetos – embora seja um desafio interessante obriga a uma visão conjunto de todas as matérias em movimento e ao mesmo de detalhe para saber o que se pode fazer para melhorar cada projeto em curso atendendo às sensibilidades de ambos os intervenientes – arquitetos e clientes – o que se revela por vezes um desafio de conseguir o bom-senso e um bom projeto, e vai muito além do desenho de arquitetura.

Quais são as prioridades com a marca?
Manter a marca posicionada no sector da reabilitação e das grandes obras nacionais. Temos vindo a crescer nesse sentido e continuamos a apostar em dar resposta a desafios dessa natureza, oferecendo aos nossos clientes uma nova perspetiva e abordagem às questões da arquitetura, com uma flexibilidade, inovação que traz todo o serviço de arquitetura para outro nível na oferta de serviços na área.


Fale-me do seu percurso académico e profissional? E porque decidiu seguir esta área?
Especializei-me na área da Reabilitação, Restauro e Recuperação do Património Arquitetónico, e essa especialização na recuperação de imóveis históricos tem marcado o meu percurso mais recente. Iniciei a minha carreira profissional junto do arquiteto Manuel Salgado, onde entre 2004 e 2008 participei em inúmeros projetos de desenho urbano. Seguidamente, e até 2012, colaborei no atelier Frederico Valsassina Arquitetos, integrando equipas em projetos de reabilitação de edifícios. O trabalho intenso de quase uma década junto de alguns dos mais prestigiados gabinetes de arquitetura em Portugal capacitou-me a experiência na execução de grandes projetos, alguns dos quais premiados. Sempre gostei de desenho e criar e a arquitetura surgiu no liceu como um caminho profissional a seguir para o meu futuro.
Paralelamente à atividade em atelier, lecionei a cadeira de Arquitetura na Licenciatura de Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico (2006-2009) o que trouxe o contacto com centenas de estudantes e permitiu-me desenvolver aptidões na área da comunicação que viriam a revelar-se muito importantes mais à frente no percurso. Essa especialização na recuperação de imóveis históricos tem marcado o seu percurso mais recente. A partir de 2012 tem trabalhado em nome próprio com vários clientes, desenvolvendo tanto projetos de edifícios novos como reabilitações na área do Património. Entre os projetos individuais destacam-se a recuperação de apartamentos em Lisboa e dois edifícios de habitação para o centro histórico de Cascais e, na área do Património, os projetos para a recuperação do Pavilhão Robillon – Cafetaria e Auditório para o Palácio Nacional de Queluz e a Escola Portuguesa de Arte Equestre, no Picadeiro Henrique Calado em Lisboa. À experiência profissional e ao valioso conhecimento adquirido durante a última década, foi a visão de mercado e uma capacidade empreendedora que permitiram contra todas as previsões e desafiando o contexto e a conjuntura, no final de 2012 implementar em Portugal a empresa Architect Your Home, que até agora tem ocupado o meu panorama profissional, sendo que já estou a explorar novos desafios para a próxima década.

Por TitiAna Amorim Barroso

Arquivado em:Entrevistas

António Caetano: Psicossociologia das organizações em busca de novos equilíbrios

15 Janeiro, 2021 by Titiana Barroso


Acabado de publicar Psicossociologia das Organizações (Edições Sílabo), organizado por António Caetano, José Gonçalo das Neves e José Carvalho Ferreira, é um livro importante. Junta um impressionante grupo de especialistas para discutir uma das dimensões críticas da vida organizacional: o comportamento humano e a sua gestão, em contexto organizacional.

Um enorme desafio para as organizações – empresariais, estatais, sociais – consiste em requalificar as suas pessoas para o mundo digital pós-pandémico que enfrentaremos em breve. A nossa capacidade de criar esse mundo depende de um conhecimento profundo da natureza do comportamento humano.

Este livro constitui um excelente ponto de partida para refletir sobre a jornada de desenvolvimento humano. Aproveitámos o lançamento do livro para colocar algumas perguntas a um dos organizadores, ao Professor António Caetano.


Como Professor, Autor e Investigador na área de Psicossociologia das Organizações, qual diria ser a importância desta área para a Gestão?
Como se refere no livro, as organizações são espaços sociais cuja dinâmica remete para um conjunto de processos socio-organizativos que geralmente são mais complexos e complicados do que todos os seus atores gostariam que fossem.
Nesse sentido, os fenómenos psicossociais constituem a fonte energética e o motor da gestão de qualquer organização. Por isso, o conhecimento baseado na evidência empírica produzida na área da Psicossociologia das organizações afigura-se uma ferramenta essencial para os gestores e atores organizacionais. É com esse objetivo que este livro se focaliza nos fundamentos e aplicações desse conhecimento à gestão das organizações.

Alguma competência em particular que os gestores portugueses devam considerar para criar organizações mais internacionais?
Dada a natureza do tecido empresarial português, na minha perspetiva, a internacionalização apenas será sustentável se se basear na criação e funcionamento eficaz de múltiplas redes entre pequenas, médias e grandes empresas.
Isso requer naturalmente diversas competências técnicas, estratégicas e políticas, mas, num sentido amplo, e para assinalar apenas uma, sem confiança não há redes, e sem redes o fio do horizonte não vai além da paróquia.

Como pode o livro agora lançado ajudar a desenvolver as competências dos Gestores?
Como dizia um dos fundadores da abordagem psicossocial, “não há nada mais prático do que uma boa teoria”. O livro, que tem a colaboração de mais de vinte colegas, apresenta de forma rigorosa e acessível as principais teorias atuais e modelos aplicáveis aos problemas e processos organizacionais com que os gestores têm de lidar no dia-a-dia.
Desse modo, permite ao Gestor atualizar e alargar o seu quadro de referência nesta área e desenvolver competências específicas que lhe interessem para lidar melhor com a dinâmica ao nível individual, ao nível grupal, ou ao nível organizacional.

Qual o previsível impacto da pandemia na Gestão de Pessoas?
Face às turbulências macrossociais e económicas que se perspetivam, o maior desafio que se coloca na Gestão de Pessoas é o de construir ou reconstruir equilíbrios entre o desempenho, a sustentabilidade e o bem-estar no trabalho.
Consoante o setor de atividade e a área específica de negócios, isso vai requerer, em diferentes graus, a aceleração de mudanças e inovações nas formas e processos como, em conjugação com o desenvolvimento tecnológico, a Gestão das Pessoas proporciona a adequada criação de valor e a realização pessoal e profissional.
São já bem visíveis, entre outras, necessidades de inovação, nalguns casos radical, na organização dos sistemas de trabalho, na gestão da produtividade do trabalho, na aquisição e desenvolvimento de competências, nos processos de liderança, decisão e responsabilização, nas dinâmicas de sociabilidade e diversidade, nas relações com os clientes, etc. Todos estes aspetos requerem mudanças comportamentais. Cabe aos gestores terem conhecimentos, capacidades e competências para as perspetivar e implementar.

Por Miguel Pina e Cunha

[Nota: A capa do livro é um original do pintor Pedro Calapez como forma de articular conhecimento científico e Arte]

Arquivado em:Entrevistas

A importância da motivação e formação das equipas em tempos de pandemia

15 Janeiro, 2021 by Titiana Barroso

“Quanto mais as coisas mudam mais elas ficam iguais”. Sinto que este paradoxo nunca foi tão verdadeiro como nesta crise sanitária. A vida e o trabalho mudaram drasticamente, mas o que mantém as pessoas motivadas e o que as empresas podem fazer para as manterem motivadas permanece, de certa forma igual. Com base na experiência de mais de 20 anos de setor Imobiliário sabíamos o que o mercado imobiliário e os seus consultores precisavam. Mais acompanhamento, mais simples e mais feliz. Isso em nada mudou com a pandemia. É, contudo, necessário adaptar a forma como o fazemos e a formação é chave nisso.

Com as equipas a trabalharem remotamente, ou com pouco contacto físico, é imperativo criar um sentimento de pertença e de acompanhamento.  É preciso criar uma relação próxima, onde as pessoas sintam que a nossa prioridade é a sua felicidade. O foco tem que ser em comunicar, comunicar e comunicar. Ainda mais do que se estivéssemos juntos. Para além disso é importante abrir o canal no sentido contrário, perguntar e solicitar ideias, e estar preparado para as ouvir e reagir. No nosso caso criámos um grupo online de partilha de experiências sobre boas práticas de trabalho em casa. É o tipo de iniciativa que promove a colaboração, a comunicação e ainda nos dá informação útil para perceber o estado de espírito dos nossos colaboradores (relembrando que os queremos mais felizes).

Finalmente, tendo em conta a incerteza e mudança que vivemos é importante orientar nesta nova realidade. Aqui surge a tentação de olhar para a formação e replicar o que se fazia no passado. E, contrariamente ao que se pensava, não foi o formato o mais complicado, havendo já várias ferramentas disponíveis para o fazer. A principal dificuldade reside na dinâmica da formação que altera completamente, seja ao nível do ritmo ou da própria capacidade de manter a atenção remotamente, e é preciso estarmos preparados para isso.  Na Zome sentimos isso, mas rapidamente disponibilizámos um conjunto de formações online, que vão desde cursos para aumento da produtividade no trabalho a partir de casa, até à própria formação inicial da marca – Azimute Zero – que permite a integração de novos consultores. Continuamos a privilegiar a formação presencial, pela interação e partilha que promovem, mas é crucial adaptarmo-nos a esta nova fase.

Se tivermos em mente o que as nossas pessoas procuram, o que queremos fazer, e no nosso caso está bastante bem definindo, ou seja, dar mais acompanhamento, de forma mais simples, para ser mais feliz, a seguir temos apenas que nos adaptar a esta nova realidade, através de tecnologia, e bom senso.


Por Bruno Coelho, CO-CEO do Hub do Campo Pequeno da Zome Pr1me e Diretor de Marketing do Grupo Pr1me

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