A Lundbeck é uma das poucas empresas farmacêuticas mundiais com foco exclusivo nas doenças do cérebro – do foro neurológico e psiquiátrico –, diferenciando-se pela especialização e pelo trabalho de Investigação e Desenvolvimento diário, no sentido de compreender cada vez melhor patologias como a depressão, a esquizofrenia ou a enxaqueca. Mais de 300 milhões de […]
A Lundbeck é uma das poucas empresas farmacêuticas mundiais com foco exclusivo nas doenças do cérebro – do foro neurológico e psiquiátrico –, diferenciando-se pela especialização e pelo trabalho de Investigação e Desenvolvimento diário, no sentido de compreender cada vez melhor patologias como a depressão, a esquizofrenia ou a enxaqueca.
Mais de 300 milhões de pessoas em todo o Mundo vivem com sintomas depressivos, segundo a Organização Mundial da Saúde. O cérebro é, por isso, ainda um grande enigma.
Sara Barros, Country Manager da Lundbeck Portugal, quer desfazer alguns mitos e crenças associados, aumentar a informação, contrariar os estigmas, trazer qualidade de vida aos doentes, com medicamentos bem tolerados, com maior capacidade de recuperação cognitiva, e tratar com eficácia e segurança a doença, promovendo a aceitação social.
Fundada em 1915 na Dinamarca, a Lundbeck é especializada em doenças do cérebro, estando há mais de 70 anos na linha da frente da investigação neurocientífica. Quais têm sido os principais marcos da empresa?
Restaurar a saúde mental e neurológica para que cada doente possa estar funcional e no seu melhor, através do desenvolvimento de terapêuticas mais eficazes, é o que nos move.
Outro dos nossos focos, centra-se na Investigação e Desenvolvimento (I&D) de medicamentos diferenciadores e inovadores. Como uma empresa baseada na evidência científica, a aposta na I&D é o nosso maior contributo para o compromisso assumido em recuperar a saúde do cérebro.
Quais é que têm sido as maiores descobertas da Lundbeck sobre o cérebro?
Em primeiro lugar, na Lundbeck, partimos sempre de um princípio fundamental: a preocupação com as pessoas e com a sua saúde mental e neurológica. É com base neste ponto que nos dedicamos, incansavelmente, à melhoria no acesso à inovação. Foi assim no passado, é assim hoje e será no futuro.
A persecução de inovação, que dê respostas e encontre as melhores soluções terapêuticas para pessoas que vivem com doenças do cérebro, necessita de uma abordagem multifacetada. Na Lundbeck, para além de desenvolvermos novos e melhorados tratamentos médicos, estamos empenhados em fazer a diferença na vida dos doentes, concretamente, em aumentar o apoio às famílias, em contrariar estigmas promovendo, através de um elevado sentido de responsabilidade em literacia, uma aceitação social mais ampla destes doentes.
Há ainda um longo caminho a percorrer no combate ao estigma e aos mitos associados às doenças do cérebro e posso dar como exemplo duas patologias com elevada prevalência, como a enxaqueca e a depressão, que ainda são alvo de estigma e desvalorização pela sociedade.
Portugal é o segundo País da Europa com maior prevalência de doenças psiquiátricas. A saúde mental é uma das áreas que mais pede atenção e onde se verificam mais carências. Como estão a combater o estigma?
Combate-se com ações direcionadas para aumentar a literacia das populações. Queremos contribuir de uma forma mais ativa, interventiva e mais próxima, colocando o doente no centro e, por isso, na área da depressão, lançámos a campanha “Depressão sem Rodeios”, uma iniciativa que tem como principais objetivos reduzir o estigma e a desvalorização associados à doença e alertar para a necessidade de procurar ajuda médica atempadamente.
A prevalência da depressão tem registado um crescimento contínuo nas últimas décadas, contudo, ainda é uma das doenças mais incompreendidas e estigmatizadas pela sociedade: amigos, familiares, meio laboral, sociedade no geral e, muitas vezes, até pelo próprio doente.
Estamos, de facto, perante um problema de saúde que afeta milhares de pessoas e que é a principal causa de incapacidade em todo o Mundo.
Além da depressão, a Lundbeck tem como objetivos aumentar a literacia e combater o preconceito associado à esquizofrenia, uma doença mental grave que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, afeta mais de 21 milhões pessoas em todo o Mundo, tornando-a numa das 20 principais causas de incapacidade a nível mundial.
Com o tratamento adequado, é possível reduzir substancialmente os sintomas associados à esquizofrenia e reconhecer os “fatores de risco” de uma recaída imprevista, de uma doença complexa, que é caracterizada por episódios de psicose (perda de contacto com a realidade) com períodos de manifestação de sintomas positivos e negativos. A Lundbeck disponibiliza terapêuticas eficazes no controlo dos sintomas, mas, sobretudo, e mais importante para a pessoa que sofre de esquizofrenia, bem toleradas e menos sedativas, o que permite manter a funcionalidade e, consequentemente, a qualidade de vida. Calmar e não sedar é o paradigma que devemos perseguir, porque devolver a normalidade durante o tratamento é vital para a adesão do doente à terapêutica.
O que está a ser feito nestes campos específicos?
Ao nível da depressão temos como objetivos ajudar, tratar com eficácia e segurança e, mais uma vez, proporcionar uma melhor qualidade de vida aos doentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas sofrem com este transtorno e, nesse âmbito, a Lundbeck tem desenvolvido soluções inovadoras, mais completas na sua resposta terapêutica e com menos taxas de efeitos adversos, que fazem a diferença e que contribuem para a diminuição destes números.
Além de iniciativas destinadas à compreensão da doença e redução do estigma como a plataforma “Depressão Sem Rodeios”, a Lundbeck promoveu também o Estudo de Perceção “A visão dos portugueses sobre a depressão” em 2022, que mostrou que nove em cada 10 portugueses afirmam que se fossem aconselhados a ir a um Psiquiatra, iriam e revelaram-se, mostrando-se ainda favoráveis ao tratamento.
Ainda assim, o mesmo estudo indicou alguma desconfiança quanto aos efeitos secundários dos antidepressivos que têm o “rótulo” de provocar sonolência e dependência. Tratam-se de mitos e crenças que não estão sustentadas em evidência científica, pois os antidepressivos não provocam dependência (não têm essa capacidade), e a maioria das atuais terapêuticas prescritas não provoca sonolência, pelo que este não é já um efeito secundário comum.
É, por isso, importante desfazer esses mitos e crenças, aumentar a informação e contrariar a desinformação e trazer inovação aos doentes, com medicamentos bem tolerados, com maior capacidade de devolver a funcionalidade e a recuperação cognitiva e tratar com eficácia e segurança a doença.
A aposta que temos desenvolvido nesta área levou-nos a dar um importante passo no caminho da inovação terapêutica na área da Depressão, com o desenvolvimento de um medicamento que demonstrou não só elevada segurança como eficácia evidente. Esta terapêutica tem vindo a conquistar o mercado nacional desde o seu lançamento há seis anos, destacando-se pelas suas vantagens na recuperação da função cognitiva e no facto de as pessoas voltarem a ser ativas e produtivas, ao mesmo tempo que tem demonstrado benefícios inequívocos ao nível da segurança, nomeadamente ao nível do peso, função sexual e sono, e ao nível da recuperação de energia e capacidade intelectual.
O uso de medicamentos para a saúde mental está a aumentar?
A incidência da depressão tem registado um crescimento contínuo nas últimas décadas, a par do facto de continuar a ser uma das doenças mais incompreendidas pela sociedade, ainda que estejamos todos mais despertos para a importância da Saúde Mental, no decorrer da pandemia que afetou o Mundo inteiro.
O facto de o uso de medicamentos para a saúde mental estar a aumentar tem a ver com isto. Se a incidência das patologias aumenta a utilização de fármacos também aumenta, se não a comunidade médica não estaria a fazer um bom trabalho e a dar acesso às soluções terapêuticas mais inovadoras a todos os que precisam.
A depressão é um dos problemas de saúde mental mais comum, sendo que uma em cada quatro pessoas vai sofrer de depressão em qualquer ponto da sua vida. Afeta cerca de 350 milhões de pessoas em todo o Mundo e Portugal destaca-se como um dos países da Europa com maior prevalência de doenças psiquiátricas: cerca de 700 mil pessoas vivem com sintomas depressivos.
Há mais de 70 anos que a Lundbeck trabalha na área da Saúde Mental, com um conhecimento muito profundo da doença, encontrando-se na linha da frente da investigação em Neurociência, na qual dedica importantes esforços para restaurar a saúde mental e neurológica dos doentes, com vista a devolver qualidade de vida a estas pessoas.
Milhões de pessoas em todo o Mundo vivem com doenças neurológicas e psiquiátricas e demasiadas sofrem devido a um tratamento inadequado, discriminação, número reduzido de dias de trabalho, reformas antecipadas, entre outras consequências. Todos os dias, na Lundbeck, dirigimos o nosso esforço para melhorar o tratamento e para oferecer uma vida melhor a todas as pessoas que vivem com estas doenças.
A farmacêutica está implementada em mais de 50 países, com cerca de 5800 colaboradores distribuídos pelas áreas de investigação, desenvolvimento, produção, marketing e vendas. Com produtos disponíveis em mais de 100 países. Este ano assinalam 22 anos de presença em Portugal. Em que momento se encontra a Lundbeck no nosso mercado?
A Lundbeck está em Portugal há mais de 20 anos, foi aliás, em outubro de 2022 que assinalámos este aniversário com o evento científico “Expandir Ligações”, onde se juntaram especialistas de várias áreas com o objetivo de debater e trocar algumas experiências no âmbito das perturbações neurológicas e psiquiátricas.
Neste momento, estamos a atravessar um grande crescimento, onde se incluem o lançamento de novos produtos, para os quais temos elevadas expectativas. Os nossos objetivos vão nesse sentido e estamos naturalmente muito otimistas quanto ao futuro.
Alinhados desta forma, continuaremos a apostar na investigação e na inovação, na tecnologia como forma de evoluirmos mais, dia após dia. Vamos também continuar a dedicar-nos às Neurociências e muito especificamente a áreas onde ainda há necessidades médicas não atendidas, para conseguirmos chegar cada vez mais longe, a mais doentes e às suas famílias.
A Lundbeck tem também terapêuticas inovadoras na área da esquizofrenia, mais uma área da saúde mental em que os doentes e seus familiares/cuidadores são muito estigmatizados. Queremos percorrer esse caminho, de aposta no conhecimento, na literacia sobre a esquizofrenia e, sobretudo, poder apoiar os doentes para dar início ao tratamento o mais cedo possível preservando o seu património neuronal, incentivando a adesão ao tratamento, tão crucial para o sucesso terapêutico e com impacto na qualidade de vida do doente e do familiar.
A área da enxaqueca é também uma prioridade para a Lundbeck. Existe uma desvalorização do impacto desta patologia e das queixas dos doentes afetados pela mesma, pela generalidade dos Médicos de Medicina Geral e Familiar e mesmo pelos médicos especialistas em Neurologia.
Verifica-se uma reduzida referenciação de doentes com esta patologia para a especialidade no sector público e existe ainda, em doentes referenciados, uma desvalorização da própria doença e dos seus sintomas e impacto na qualidade de vida dos doentes. Adicionalmente, há poucos médicos dedicados a esta patologia tão incapacitante e, mesmo o tempo dedicado pelos especialistas em cefaleias nos hospitais que têm já consulta dedicada de cefaleias, é claramente insuficiente para dar uma resposta eficaz a todos os que precisam. O setor privado iniciou consultas estruturadas para o acompanhamento e tratamento de doentes com cefaleias e enxaquecas, que embora seja uma excelente iniciativa, cria desigualdades e um desajustamento no acesso a consultas da especialidade e às terapêuticas inovadoras que, na sua maioria, só são financiadas se forem prescritas em hospitais públicos.
O que trouxeram de diferente e marcante ao nosso país?
Na Lundbeck trabalhamos para encontrar respostas para as questões ainda não resolvidas das Neurociências, com o objetivo de compreender o que está na origem das doenças mentais e do cérebro, como elas progridem e o que podemos fazer para as prevenir ou extinguir. Quem vive com estas doenças, precisa de certezas por parte da comunidade científica para prosseguir com esperança de melhorar a sua qualidade de vida, restaurando a saúde da mente e do cérebro e poder ter uma vida normal.
À medida que cresce o número de pessoas que vive com estas perturbações, a necessidade de alcançar respostas para necessidades médicas não atendidas nunca foi tão urgente.
Na Lundbeck, marcamos a diferença ao continuarmos a investir na nossa própria investigação e a desenvolver compostos inovadores para milhões de pessoas com doenças do foro psiquiátrico e neurológico. Só assim conseguimos marcar a diferença no Mundo.
O Lado A de Sara Barros

Desde muito cedo foi claro para Sara Barros de que gostaria de seguir a área da Saúde. Cresceu e encantou-se pelas Ciências Farmacêuticas. Hoje, fascina-a liderar equipas e a oportunidade de enfrentar desafios dinâmicos e ambiciosos.
A variedade, a aprendizagem contínua e a oportunidade de fazer a diferença na vida das pessoas que sofrem de patologias tão incapacitantes, são os aspetos que a cativam mais no seu trabalho.
Assumiu a liderança da Lundbeck Portugal há 4 anos, quais têm sido os seus maiores desafios?
Do ponto de vista pessoal, tem sido muito gratificante poder fazer parte da história de uma companhia com uma missão tão nobre como é possibilitar que pessoas que veem a sua vida interrompida por uma doença do cérebro, tenham acesso às melhores terapêuticas possíveis, e procurar sempre mais e melhor inovação para resgatar a qualidade de vida perdida.
Um dos maiores desafios para a Lundbeck tem sido, sem dúvida, garantir a qualidade de vida dos doentes que sofrem de patologias do cérebro para que estes possam ser mais ativos e consigam viver em pleno.
Para a Lundbeck, os doentes são, acima de tudo, pessoas. Estamos, nesse sentido, empenhados em contribuir para fazer a diferença junto de quem sofre com estas doenças, nomeadamente, através do desenvolvimento de novos e inovadores tratamentos, aposta no conhecimento e literacia sobre as doenças e combate aos mitos e estigmas que recaem sobre os doentes que, muitas vezes, não se sentem compreendidos e ouvidos.
Durante décadas, o esforço e o empenho trouxeram a Lundbeck até aqui e, apesar de ainda existir um longo caminho a percorrer, não viramos costas a este enorme desafio.
Quais são as suas prioridades e compromissos?
As minhas prioridades são continuar a desenvolver e manter uma cultura positiva e produtiva dentro da companhia; reter o talento interno; promover a inovação constante e investir em tecnologias que impulsionem o crescimento e a eficiência; continuar a cultivar relacionamentos sólidos com clientes e parceiros estratégicos e procurar oportunidades de crescimento sustentável.
O meu maior compromisso é para com todos os doentes que sofrem com patologias psiquiátricas e neurológicas e com a minha equipa de colaboradores dedicados, que todos os dias trabalham em prol do nosso propósito comum. Um dos nossos maiores patrimónios são claramente as nossas pessoas. São elas que fazem a diferença e é a elas que devo todas as conquistas que temos alcançado.
E como descreve a cultura da Lundbeck?
A Lundbeck é uma companhia nórdica com valores com os quais muito me identifico. Temos um foco muito especial na pessoa doente e somos corajosos, ambiciosos, responsáveis e apaixonados. Só assim sei estar no meu projeto de vida profissional.
A inovação e a tecnologia são dois dos pilares da sua liderança. Em que sentido e quais as metas?
Na área da investigação, a Fundação Lundbeck promove anualmente o Brain Prize, o maior prémio mundial de investigação na área do cérebro que, todos os anos, atribui aproximadamente 1 milhão de euros a um ou mais investigadores que tenham tido um impacto inovador na investigação do cérebro. Embora seja um prémio promovido pela Fundação Lundbeck na Dinamarca, investigadores do Mundo inteiro podem candidatar-se e ter a possibilidade de receber esta importante distinção. Os vencedores da edição de 2024 foram conhecidos no dia 5 de março.
Por outro lado, as novas tecnologias permitem que o know how adquirido ao longo de 70 anos de experiência, transformem a Lundbeck numa das companhias farmacêuticas mais reconhecidas ao nível da vanguarda tecnológica. Um conhecimento que se reflete nas práticas clínicas que fomos implementando e renovando, mas também ao nível das necessidades terapêuticas adaptadas a cada patologia.
A par da inovação farmacológica, a Lundbeck não fica indiferente aos avanços tecnológicos e tem na transformação tecnológica e na mudança das necessidades dos cuidados de saúde um dos seus grandes desafios. Assim, avançámos na implementação de novas soluções tecnológicas no âmbito da informação em saúde, promovendo a transformação digital, o tratamento de dados, a sustentabilidade e uma maior proximidade da comunidade à inovação e aos benefícios que daí advém.
A tecnologia tem-nos, por isso, permitido estar mais próximos dos doentes, fazer uma divulgação mais contígua das terapêuticas que desenvolvemos e dos benefícios das mesmas.
Que conselhos pode partilhar para melhorar a saúde do cérebro de uma forma prática?
É fundamental que estejamos capacitados que as patologias mentais e neurológicas são tão incapacitantes como qualquer outra doença física e que necessitam de tratamento como todas as outras. A adoção de hábitos de vida saudáveis é obviamente encorajada, mas serão complementares à adoção de abordagens farmacológicas, na grande maioria das situações que abordamos nesta peça. O estigma existente em torno dos medicamentos para a saúde mental não facilita a adesão ao tratamento e as crenças e mitos, muito enraizados na sociedade, devido às perceções erradas que em muitas situações foram incentivadas pela própria comunicação social, não contribuem para que as pessoas doentes e suas famílias tenham a iniciativa de procurar ajuda médica especializada.


