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Denise Calado

O peso do bom poder está nos contrapesos

14 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Eis mais um escândalo – o da FTX, a fantástica, prometedora, fabulosa, revolucionária, disruptiva, altruísta e virtuosa plataforma de criptomoedas. O multimilionário Sam Bankman-Fried, seu fundador e líder, passou de divindade a ídolo com pés de barro. A empresa era um feudo seu e de meia dúzia de iluminados sem rédea. O caso ajuda a compreender duas coisas. Primeira: se o que é prometido é demasiado perfeito, convém ser cauto. A segunda, que aqui me traz, é clássica: o poder desprovido de reais (não apenas formais) pesos e contrapesos é muito perigoso.

Eis uma lista de lideranças todo-poderosas que, com rédea solta, semearam perturbações na sua própria vida e nas vidas de milhares e milhares de pessoas e entidades: Elizabeth Holmes (Theranos), Carlos Ghosn (Nissan), Carrie Toldstedt (Wells Fargo), Adam Neumann (WeWork), Ricardo Salgado (BES), Oliveira e Costa (BPN), João Rendeiro (BPP) e Paula Brito e Costa (Raríssimas). Esperemos para ver o que resultará do estilo imperial de Elon Musk após ter adquirido a rede social Twitter.

Recentemente, o Tribunal Constitucional chumbou os estatutos do Chega, condenando a “significativa concentração de poderes” no líder do partido e rejeitando a punição de militantes por “insubordinação”. De Putin e da captura das instituições é melhor nem falar.

Naturalmente, estes casos são diferentes entre si em múltiplas dimensões. Não são comparáveis os estragos e a gravidade das consequências das ações destas figuras iluminadas, todo-poderosas, que prometem mudar este mundo e o outro, e que atraem hordas de entusiastas (ou, na melhor das hipóteses, observadores passivos). Mas há um núcleo de semelhanças, entre estes e outros casos, que passo a citar.

Estas lideranças concentram poder. Detestam limites institucionais ao exercício da sua vontade. Rotulam como desleais quem delas discorda. Odeiam ter de explicar as suas decisões. Adoram o consenso – e atacam as ovelhas negras que pensam pela própria cabeça. Atacam quem se atravessa no seu caminho para, acusam, criar engulhos à prossecução da sua missão. Atribuem-se qualidades morais elevadas – mas não se escusam a usar experientes imorais para alcançarem os seus objetivos.

Estas lideranças “são a organização” (ou o país) – pelo que os opositores e discordantes são rotulados como inimigos da organização, do povo ou do país. Por fim, estas lideranças falam em tom messiânico. Articulam uma narrativa assente numa alegada missão virtuosa que se atribuem o dever de prosseguir (“Deus confiou-me a difícil, mas honrosa missão de transformar Portugal”, Ventura dixit). E não se pense que este messianismo é exclusivo da vida política. Adam Neumann, o semideus que fundou e liderou a WeWork, era bem claro: “Estamos aqui para mudar o mundo.

Menos do que isso não me interessa”. Elizabeth Holmes, condenada recentemente a uma pena de prisão superior a uma década, afirmou aos empregados: “O miniLab é a coisa mais importante que o mundo alguma vez criou. Se não acreditam nisso, devem sair já”. Em suma: qualquer quer seja a arena em que operam, estas lideranças encaram a organização como um feudo pessoal.

Creio haver algumas lições a extrair desta evidência. Primeira: é dever das lideranças cultivar o desconforto provindo da crítica e dos limites ao seu próprio poder. Segunda: é fundamental que as organizações não se deslumbrem com salvadores todo-poderosos e antes criem quadros institucionais que limitam o poder das lideranças. Terceira: como liderados (e cidadãos), temos o dever de desenvolver espírito crítico, e mesmo desconfiança, perante lideranças messiânicas que detestam ser contrariadas e submetidas a freios e contrapesos.

As lideranças que não criam, ou não aceitam, limites ao seu poder devem ser alvo da nossa crítica e de uma fundada desconfiança. A força regeneradora de uma boa liderança radica, em grande medida, no vigor e na sabedoria contida nos pesos e contrapesos que a impedem de exercer o poder com rédea solta. Para que os “donos-disto-tudo” não se transformem em “destruidores-disto-tudo”.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Energia das ondas é a renovável certa

13 Dezembro, 2022 by Denise Calado

O futuro está nas renováveis mas as energias solares ou eólicas apresentam ainda alguns entraves para uma transição imediata e, assim, conseguir deixar para trás os combustíveis fósseis. A inovação tecnológica é essencial, e a chave está na força do mar.

A propósito da Sustainable Future Week do Politico, Inna Braverman, CEO da Eco Wave Power, mostrou como as ondas são a fonte de energia que vai revolucionar a transição energética.

A energia das ondas pode ser a solução para a crise energética

Com projetos ativos em Gibraltar há mais de seis anos, e a aprovação em breve de projetos em Portugal, nos Portos do Douro e Leixões, a Eco Wave Power, veio trazer uma nova tecnologia para a energia das ondas.

De acordo com o World Energy Council se a tecnologia for implementada por todo o mundo, vai-se gerar o dobro da energia que é produzida anualmente, a nível global.

A densidade da água é 832 vezes maior que a do ar, o que significa que se pode produzir quantidades muito maiores de energia, com dispositivos mais eficientes, e de pequena dimensão.

Como funciona?

Os equipamentos são colocados em infraestruturas já existentes, na costa, e o único material que está em contacto com a água são os flutuadores. Componentes como geradores, equipamento hidráulico e automação é feita em terra, tal como uma central energética convencional.

Os flutuadores acompanham o movimento das ondas, e através dos cilindros hidráulicos que comprimem o fluído hidráulico, transportam-no para acumuladores que estão instalados em terra. A pressão é então acumulada (e quanto maiores forem as ondas, maior será a pressão para ligar o motor hidráulico), e fará a ligação com um gerador elétrico, que por sua vez envia a energia verde para uma central.

“As vantagens da nossa tecnologia é ser 100% amiga do ambiente, já que usamos infraestruturas já construídas para instalar os nossos materiais, não interferimos com a biodiversidade marinha, e não precisamos de chips, cabos ou mergulhadores para fazer manutenções.”, esclarece a CEO.

Se houver tempestades, os equipamentos não serão danificados, graças aos mecanismos de proteção – os flutuadores sobem automaticamente até ao nível da água, e ficam numa posição vertical até a tempestade passar.

“Temos conseguido inovar neste setor da energia das ondas – e o custo de implementação é de apenas 450 mil dólares, por oposição ao sistema Pelamis, que custava 150 milhões de dólares”, continua.

O sistema Pelamis consistia num equipamento de larga dimensão que era colocado em alto mar, e que interferia com a vida marinha, tinha um grande custo de manutenção pois não era à prova de tempestade, e necessitava constantemente de ser reparado. “Há ondas de 20 metros de altura, e não há nenhum equipamento que consiga sobreviver à força dessas ondas, por isso o Pelamis ficou danificado apenas três dias após a implementação na costa portuguesa.”

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Líderes estão a adotar uma nova abordagem na redução de custos

13 Dezembro, 2022 by Denise Calado

As medidas tradicionais de cortes de custos já não são suficientes e para a maioria dos executivos (90%), é necessária uma nova abordagem que permita responder às contínuas disrupções, e também, criar valor para as organizações. Começar do zero e redefinir o negócio parece ser a solução.

Um novo estudo “Zero-Based Transformation: The Big Reset”, elaborado pela Accenture, mostra que mais de três quartos das empresas (76%) cortaram custos no período da pandemia. Num inquérito realizado a cerca de dois mil executivos C-level, é revelado que as futuras estratégias de custos devem estar alinhadas com o crescimento, sustentabilidade, inovação, e focadas em criar novas capacidades apoiadas pela tecnologia. E praticamente todos os líderes (96%) indicaram que os planos de transformação de custos abrangem todas as áreas do negócio.

Cerca de 70% dos inquiridos afirmam estar a investir na utilização de tecnologias como a Inteligência Artificial, ferramentas digitais e cibersegurança para otimizar processos. Sem este investimento, 80% dos executivos perspetivam desafios contínuos para a transformação dos custos.

Quatro estratégias para uma abordagem zero-based

Para garantir a transformação de custos, existem quatro aspetos chave que as organizações devem ter em conta:

  1. Garantir visibilidade em tempo real com análise avançada. Colocar a análise de dados no centro das prioridades é fundamental para criar insights necessários para a tomada de decisões de forma mais rápida e inteligente, e precisa.
  2. Começar do zero e redefinir o negócio direcionado para o crescimento e a resiliência. Adotar uma estratégia zero-based permite que a empresa considere os compromissos necessários, ver os custos de forma abrangente e alinhar os recursos com as novas prioridades e capacidades do negócio.
  3. Incluir toda a gente no processo. Um dos segredos para o sucesso da transformação de custos é o alinhamento da história desde o início de forma a minimizar os conflitos de prioridades e garantir mensagens coerentes tanto interna como externamente.
  4. Garantir que a transformação gera resultados. A transformação dos custos já não é uma intervenção direta. De forma a torná-la numa atividade contínua, as empresas têm de garantir os recursos adequados de governance, dados e capacidade de insight para gerir esta transformação e garantir que os benefícios são duradouros.

 

Vivemos agora um cenário de tempestade perfeita com o recorde da inflação, volatilidade global, desafios das cadeias de abastecimento e com a escassez de mão de obra e de material. Para navegar neste cenário, os líderes das organizações perceberam que se têm de focar na resiliência, criar valor e atuar em conformidade com a sustentabilidade. Aqueles que repensam a base de custos total e a forma como atuam no mercado, irão além da simples tendência de cortar custos, não só para sobreviverem, mas para prosperarem, competirem e ganharem no futuro. Começar com uma abordagem zero-based alicerçada em tecnologia permite aos líderes repensar o negócio, redefinir a base de custos e disponibilizar fundos para prioridades estratégicas que potenciam o crescimento, criam resiliência e respondem melhor às necessidades dos stakeholders

Pedro Galhardas, Managing Director e responsável pela área de Strategy e Consulting da Accenture Portugal

Arquivado em:Liderança, Notícias

A Ciência como resposta aos desafios globais

13 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Como eu, muitos portugueses – na verdade, gerações de portugueses – cresceram guiados pela voz de Sir David Attenborough nas suas incursões pela natureza. Fascinámo-nos com a diversidade animal deste nosso globo, aprendemos a localizar determinada espécie no seu habitat natural como se fosse parte da fauna animal do nosso bairro, e, mais recentemente, angustiámo-nos com os alertas que o mítico biólogo e historiador natural nos tem vindo a fazer: os limites do planeta estão a esgotar-se. “Não há planeta B”, dizem as gerações mais novas, as dos meus filhos, alarmadas com os efeitos das alterações climáticas. “Temos de cuidar do planeta A, e já”, avisa o mítico apresentador de programas dedicados à vida selvagem.

Há umas noites, sentámo-nos para vermos em família, numa conhecida plataforma de streaming, o mais recente documentário narrado por Attenborough, na sua carismática entoação e irrepreensível sotaque britânico: “A Terra no Limite: A Ciência do Nosso Planeta”. O filme concentra-se em definir cientificamente aqueles que são os limites planetários e em avaliar em que ponto nos encontramos em cada um deles, com a ajuda do cientista sueco e professor de Ciências Ambientais Johan Rockström. Dos nove limites identificados pelos cientistas, já ultrapassámos a fronteira em quatro, incluindo o que diz respeito à integridade da biosfera ou o indicador que se relaciona com as mudanças climáticas.

Podemos estar, pois, num ponto de não retorno, de irreversibilidade à sustentabilidade da Terra. E se ao longo do documentário a cada vez mais atual “ecoansiedade” parece tomar conta de nós, prestes a sucumbir à ideia de que o mundo se abeira do seu fim, a verdade é que, lá mais para o final, tomamos consciência de uma evidência clara:

 

é a Ciência que nos está a mostrar os limites do planeta e é a Ciência que nos diz que (e como) a ação humana pode reverter as mudanças que estão em curso. Temos os dados, temos o conhecimento, agora é o tempo de agir.

 

Como homem da Ciência que sou, formado em Ciências Farmacêuticas, acredito que é a evidência científica que deve reger as tomadas de decisão. As lideranças – macro e micro – precisam de ter guias, fontes de orientação, que garantam a boa definição de políticas públicas que sirvam efetivamente os seus – colaboradores, utentes, clientes, comunidades, cidadãos. Esta é, felizmente, uma opinião amplamente partilhada por muitos de nós: num estudo internacional, que decorreu em 22 países e inquiriu 44 mil adultos, elaborado pela consultora Povaddo e divulgado pela Philip Morris International (PMI) em junho passado, mais de oito em cada 10 entrevistados consideram que as melhores soluções para responder a desafios globais críticos (por exemplo, alterações climáticas) podem ser encontradas no meio termo e não nos extremos.

Em Portugal, onde o estudo entrevistou duas mil pessoas, 92% dos inquiridos dizem acreditar que as decisões que afetam a sociedade e a Saúde Pública devem ser baseadas em Ciência e em factos. Mais ainda, 93% esperam que os líderes adotem leis e regulação baseadas em factos e em dados, por forma a acompanharem o ritmo da mudança tecnológica e da inovação.

Esta generalizada fé na Ciência, acredito eu, será aquilo que nos permitirá determinar positivamente o curso de desafios globais, como são a emergência climática, mas também os de Saúde Pública. Como afirmei anteriormente, sou um homem da Ciência e foi pela Ciência que decidi trabalhar, há quase uma década, em prol da transformação que a PMI (da qual a Tabaqueira é subsidiária) está a operar, com o objetivo de melhorar os resultados em Saúde Pública.

Uma missão que culmina numa visão ambiciosa, mas concretizável assim seja encorajada por legisladores e reguladores: criar um mundo livre de fumo e, por isso, trabalhar com vista a deixarmos de comercializar cigarros em 10 a 15 anos em muitos países. A abordagem da PMI ao desenvolvimento de novos produtos, em que tem vindo a investir há mais de uma década por forma a oferecer aos fumadores adultos melhores alternativas, com potencial de redução de nocividade, substanciados em evidência científica, tem por base aquelas que são as boas práticas da Indústria Farmacêutica e é muito semelhante ao desenvolvimento de um medicamento. A Ciência sempre ao serviço da transformação, em qualquer circunstância.

Minimizar o impacto negativo associado ao consumo de tabaco, garantindo que quem não deixa de fumar tem acesso e informação sobre produtos alternativos que visam a redução de nocividade (ainda que não sejam isentos de riscos) é fundamental, se quisermos conceber, de facto, um futuro livre de fumo. Escolher ignorar ou manter a opacidade sobre os benefícios que estas novas soluções podem ter na Saúde Pública é decidir remover a Ciência dos processos de tomada de decisão.

O mesmo estudo global acima citado, mostra que existe, entre a população em geral (consumidores e não consumidores de produtos de nicotina), grande concordância (85%) sobre a necessidade de fornecimento de informação e de acesso a alternativas livres de fumo, o que denota amplo apoio social a esta abordagem de redução do risco aplicada a políticas públicas. E se 78% dos adultos que consomem nicotina sentem que as suas visões devem ser consideradas pelos legisladores e reguladores quando tomam decisões relativas ao enquadramento regulatório sobre o tabaco e a nicotina, 81% referem que, até agora, se sentiram excluídos desta discussão.

Às lideranças cabe ouvir todas as partes interessadas e decidir com base em factos e em informação científica. Se temos o conhecimento, porque não agir? É o que Sir Attenborough acaba a perguntar no documentário. No que aos desafios globais diz respeito, a Ciência e a esperança devem estar sempre no centro de todas as decisões.

 

Este artigo foi publicado na edição de outono da revista Líder

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Arquivado em:Artigos

Estas são as principais tendências do mercado de trabalho para 2023

13 Dezembro, 2022 by Denise Calado

As principais tendências do mercado de trabalho para quadros executivos em empresas de grande dimensão, mostram, no conjunto de 16 setores, o aumento da digitalização dos negócios, a mobilidade, novos métodos de trabalho, novas funções e a corrida por talentos.

A análise foi elaborada pela Michael Page. Aqui ficam os oito setores seguintes:

Logística 

Neste setor, observou-se um forte aumento na procura de profissionais de Logística e Supply Chain principalmente em setores industriais, retalho e construção, onde a procura destes profissionais é superior à oferta. Esta escassez de talento traduziu-se num aumento entre 5% e 8% dos salários em geral. Os perfis mais procurados são essencialmente de middle management, onde se destacam as funções de Customer Service, Supervisor de Logística, Responsável de Operações ou Comprador Sénior. Também as posições de Top Management cresceram em procura, nomeadamente: Diretor de Operações, Diretor de Logística, Diretor de Supply Chain e Diretor de Compras. Na área de Supply Chain, a função de Supply Chain Analyst pode auferir até 28 mil euros e um diretor de compras (Procurement Director) até 110 mil euros, enquanto na área de Logística, o plafond de remuneração máximo de 90 mil euros cabe ao cargo de Diretor.

Recursos Humanos

Num período extremamente desafiante para todas as organizações, as equipas de Recursos Humanos foram decisivas para a reação, adaptação e desenvolvimento de estratégias de Gestão de Recursos Humanos, num curto espaço de tempo, e tiveram de reforçar a sua proximidade com os restantes departamentos. Relativamente aos candidatos, a tecnologia promoveu a procura de perfis transversais que contribuam com conhecimentos especializados como finanças, análises de dados e sistemas informáticos. Observou-se uma maior procura de perfis de HR Operations, destacando a importância de indicadores no setor de Recursos Humanos, através do desenvolvimento de KPIs, esquemas de Payroll, forte planeamento de C&B e controlo de custos. O pacote salarial continua a ser um fator importante, mas não decisivo. Outros benefícios como a cultura e clima organizacional, oportunidades de formação, desenvolvimento e crescimento, bem como o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional são cada vez mais importantes na tomada de decisão. Relativamente à remuneração, nas grandes empresas e multinacionais, um diretor de RH pode auferir entre 49 mil a 84 mil euros.

Retail 

A retoma deste setor em 2022 foi surpreendente, destacando-se a competitividade e novas formas de trabalhar, quer a nível de ferramentas digitais como de logística. Se setores como a construção, bricolage, mobiliário, alimentar, desporto, entre outros, já tinham tido um ano bastante positivo em 2021, a grande surpresa foi no retalho especializado que, em algumas áreas, conseguiu obter recordes de vendas face a 2019.  Se no primeiro trimestre, a procura por novos perfis foi mais focada na vertente digital, nos trimestres seguintes observou-se um aumento da procura por perfis de operação, ou seja, vendedores e gestores de loja. Os candidatos procuram melhores condições salariais, mas também outras regalias, nomeadamente o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional. Nas funções com turnos rotativos, observa-se uma procura por funções com horários mais estáveis, nas funções de sede procuram-se projetos com possibilidade de trabalhar em modelo híbrido. A aposta na profissionalização tem levado à procura de profissionais com formação académica. Relativamente à remuneração, e observando-se um aumento salarial médio de 5% para funções qualificadas, nas funções de Direção, a posição de Diretor Geral pode auferir até 160 mil euros e de Diretor de Marketing até 130 mil euros. Nas funções de Compras, o Retail Manager pode ganhar entre 42 e 63 mil euros, enquanto nas funções de Operações no retalho alimentar e especializado de grande dimensão, a remuneração máxima de 80 mil euros cabe ao Diretor Comercial de Retalho.

Shared Services Centres (SSC) 

Prevê-se que 2023 seja um ano muito interessante e desafiante no que diz respeito ao recrutamento neste setor. Os salários aumentaram significativamente, entre 10% e 15%, nos últimos anos nos mercados mais dinâmicos, sobretudo para cargos que exigem competências linguísticas como alemão, francês e italiano, onde o aumento chegou aos 25% em alguns projetos. Observa-se um crescimento de CSCs já instalados, agora com funções e departamentos estratégicos (Plataforma de Controlo, Equipas de Melhoria e Automatização de Processos, etc.) e de novos players com responsabilidades de alto nível. Isso leva a uma grande transformação da indústria e a um aumento significativo dos salários em todos os níveis. A remuneração de um Manager (Head of SSC / Head of GBS) pode atingir os 154 mil euros, de Accounts Payable Manager até 56 mil euros, um Purchase-to-Pay Team Leader até 120 mil euros, enquanto um especialista Purchase-to-Pay pode auferir cerca de 28 mil euros.

Customer Service

Perfis dinâmicos e jovens, com licenciatura e domínio de línguas, sobretudo inglês (obrigatório), são os mais procurados. Por outro lado, os candidatos valorizam projetos que lhes permitam maior estabilidade, flexibilidade e condições salariais, onde possam adquirir novas competências e obter possibilidades de crescimento dentro das organizações. A crescente procura de perfis de customer service, é ainda justificada pela crescente aposta de empresas multinacionais em Portugal, que têm como referência salarial outros países com índices salariais superiores bem como pelo crescimento do setor do turismo que obriga as empresas portuguesas a prestar um serviço mais completo aos seus clientes. Acresce ainda o facto de Portugal ter vindo a posicionar-se como um hub para o atendimento bilingue de diversos países, tendência que aumentou em 2022. Os BPOs que até há pouco tempo mantinham os valores alinhados com o salário mínimo vêm-se obrigados a aumentar salários para conseguir reter talento, que são tão mais elevados quanto mais específicas ou técnicas as competências que procuram. Como referência, nas empresas de grande dimensão e multinacionais, um Customer Service Specialist pode ganhar até 18.200 euros por ano, um Operador de Backoffice (Países Nórdicos), até 28 mil euros e para a função de Contact Center Manager, o plafond máximo pode ir até aos 63 mil euros. Os salários na área aumentaram, de uma forma geral, 5% relativamente ao ano passado.

Sales & Marketing 

Na área Comercial, a procura recai na venda técnica e consultiva orientada para a satisfação e fidelização do cliente, enquanto nas equipas de marketing, com a ascensão dos dados, os skills analíticos e digitais são relevantes em qualquer indústria. No que diz respeito às lideranças, as empresas procuram num “Head of” ou diretor capaz de conciliar a estratégia e a operacionalização, com conhecimento das ferramentas e técnicas, além de saber gerir a equipa. Nas funções de marketing e comunicação generalistas, um Diretor de Marketing pode auferir até 85 mil euros e um Diretor de Comunicação 72 mil euros, enquanto nas funções ligadas ao marketing digital, o plafond máximo é de 110 mil euros para a função de Diretor de e-Commerce. Numa análise generalizada, em marketing digital e e-commerce, os salários dos quadros executivos especializados em 2022 subiram 5,8%. Em Vendas, com oscilações consoante o setor e função, a média de subida salarial foi de 4,5%.

Secretarial & Business Support 

Seguindo a tendência do último ano, regista-se uma crescente especialização dos perfis que desempenham funções de Assessoria o que se traduz num aumento gradual dos pacotes remuneratórios destas funções. A procura de perfis dinâmicos e com competências de real suporte ao negócio, com background em áreas de formação como Direito, Gestão, Línguas e Literatura, é valorizada pelos empregadores, assim como a capacidade de trabalho de forma autónoma e o pensamento crítico. Tendo em conta que os perfis de suporte continuam a ser parte integrante de equipas multidisciplinares onde a riqueza de ideias é vista como uma grande mais-valia, a fluência em Idiomas continua a ser considerada um requisito chave. Em termos de remunerações, como exemplo, a função de Secretária de CEO e de Presidência pode auferir o valor de 46.200 euros por ano, seguindo-se a de Secretária de Administração com um máximo de 38 mil euros por ano. Os perfis qualificados nesta área registaram um aumento entre os 5% e os 10%.

Tax & Legal 

O regresso à normalidade em 2022 contribuiu para o extremo dinamismo do mercado de trabalho, onde a procura por perfis das Sociedades de Advogados aumentou rapidamente. Os perfis de Advogado mais procurados continuaram a ser aqueles com senioridade entre os 2 e os 5 anos de experiência pós agregação. No seguimento do que já se verificou nos últimos dois anos, o volume elevado de pedidos por parte de empresas continuou a ser uma tendência, provavelmente com o objetivo de continuar a reduzir custos com a externalização de serviços. Ao contrário dos anos anteriores, a procura por perfis mais seniores (com mais de 5 anos pós agregação), por parte de Sociedades de Advogados, cresceu em determinadas áreas tais como Contencioso, Público, Corporate e M&A, Bancário e Financeiro, Regulatório e Concorrência, Fiscal e Imobiliário. No setor financeiro, a área de Compliance continua a ser um mercado interessante, e no que concerne às empresas multinacionais houve especial procura de perfis com experiência nas áreas de Corporate, Imobiliário, Proteção de Dados e Laboral. No que diz respeito à remuneração variável, a maioria das Sociedades manteve os valores, esforçando-se por se tornar mais criativa e competitiva em matéria de fringe benefits e possibilidade de flexibilidade no que toca a home office. Como exemplos de remuneração nas sociedades de advogados, um advogado associado com 4 a 7 anos pós agregação ronda os 35 mil euros, enquanto um advogado com 10 anos pode auferir até 78 mil euros. O aumento significativo de salários ocorreu nas sociedades de pequena dimensão e no valor de entrada, com uma média de crescimento de 34%.

 

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Receios em relação ao Credit Suisse voltam a aumentar

13 Dezembro, 2022 by Denise Calado

As ações do Credit Suisse Bank (CSGN.US), que causaram uma onda de especulação na bolsa de valores em torno da potencial falência e insolvência do banco no início de outubro, ainda estão sob pressão. Os níveis dos Credit Default Swap (CDS) subiram para novos máximos:

  • As obrigações do Credit Suisse denominadas em dólares caíram recentemente, e os spreads dos CDS atingiram novos máximos, para perto dos 444 pontos base. A Reuters assinalou que os níveis dos CDS são agora comparáveis aos da Banca Monte dei Paschi italiana em 466 pontos base, sendo já um banco isento de fianças;
  • Em comparação, o Commerzbank, o Santander e o UBS, referidos entre os bancos potencialmente mais afectados, estão a manter os seus spreads de CDS muito mais baixos, na faixa dos 70-80 bps. Os analistas bancários do ABN Amro comentaram a situação, sublinhando que “a confiança dos investidores ainda não recuperou”. O relatório financeiro do Credit Suisse do terceiro trimestre surpreendeu negativamente o mercado;
  • O Credit Suisse está actualmente em processo de emissão de novas acções no âmbito de um aumento de capital planeado de CHF 2,24 mil milhões como parte de uma ação de “resgate” de capital mais ampla no valor de CHF 4 mil milhões;
  • As preocupações em torno de uma potencial recessão profunda na Europa e o aperto das políticas monetárias conduzidas pelo BCE estão a aumentar os riscos para a indústria financeira. Os preços da energia são também um problema, e embora tenham estabilizado recentemente, continuam a ser incertos, o que se pode traduzir num aumento do risco de crédito.
As margens dos CDS alargaram-se no final de Novembro e estão novamente a atingir níveis recorde perto dos 450 pontos. Fonte: Bloomberg, BondEvalue

 

Os títulos Credit Suisse continuam a cair, indicando a crescente instabilidade financeira esperada. Fonte: Credit Suisse: BondEvalue

 

O que são CDSs?

  • Os Credit Default Swap servem como cobertura contra o incumprimento e um tipo de contrato entre as partes que faz parte do preço do risco de incumprimento potencial ou da ocorrência de outros eventos negativos. Um factor importante que afeta o spread do CDS é a medida do risco da transação, tal como estimado por instituições de notação financeira como a Fitch, Standard&Poor’s e Moody’s;
  • Um alargamento do spread dos CDSs de uma instituição significa aumentar a incerteza entre os especuladores sobre os seus problemas futuros;
  • No passado, o comportamento dos CDSs foram fundamentais para se perceber o risco de falência de entidades que inevitavelmente teriam de passar por ela de qualquer forma. Assim, podemos arriscar e considerar a propagação do CDS como a capacidade do mercado para fixar o preço da probabilidade de uma possível ameaça de instabilidade financeira.

Credit Suisse (CSGN.CH) gráfico de 4 horas. Fonte: xStation5

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