Já ouviu falar na dívida digital? Pois fique a saber que também ela está em alta. O elevado fluxo de dados, emails, reuniões e notificações está a afetar o negócio e a criatividade das equipas. Durante a semana de trabalho, o utilizador mais intensivo de tecnologias gasta, em média, dois dias úteis a gerir caixas de entrada e reuniões.
Não há tempo e energia para desempenhar o trabalho e a falta de novas ideias aliada a uma corrente de obrigações digitais põem em risco a inovação das organizações. A solução parece estar do lado da Inteligência Artificial (IA).
O estudo “Work Trend Index – Will AI Fix Work?”, contou com a participação de cerca de 31 mil pessoas, em 31 países, e analisou biliões de sinais de produtividade na ferramenta Microsoft 365 e tendências laborais no LinkedIn.
O estudo, elaborado pela Microsoft, revela três insights urgentes para os líderes que procuram compreender e adotar a IA de forma responsável na sua organização.
1. Dívida digital está a colocar em risco a inovação
Neste estudo, cerca de 64% dos inquiridos afirmam ter dificuldades em ter tempo e energia para desempenhar o seu trabalho – sendo que têm 3,5 vezes mais probabilidades de também terem dificuldades com o pensamento estratégico. Os líderes afirmam já estar a sentir estes efeitos, e 60% diz que a falta de ideias inovadoras nas suas equipas é uma preocupação.
Quando analisada a forma como as pessoas despendem o tempo, é evidente o custo da falta de concentração, a procura de informação e o volume de comunicações. A maioria (68%) afirma não ter tempo suficiente para se concentrar sem interrupções, enquanto outros se debatem com o tempo gasto na procura de informações.
Numa análise nas aplicações do Microsoft 365, o colaborador médio passa 57% do tempo a comunicar (reuniões, emails e chat) e 43% a criar (documentos, folhas de cálculo e apresentações). Os utilizadores mais intensos passam mais de 8 horas por semana a enviar emails e mais 7,5 horas em reuniões – ou seja, mais de dois dias úteis a gerir a caixa de entrada e a ter reuniões.
2. Aliança entre a IA e os colaboradores
Apesar de quase 50% afirmar a preocupação de que a IA vá substituir os seus empregos, 70% delegaria o máximo de trabalho possível à IA para diminuir a carga de trabalho. Entre os possíveis cenários de utilização, 3 em cada 4 pessoas afirmam que se sentiriam confortáveis em utilizar a IA para tarefas administrativas (76%), trabalho analítico (79%) e criativo (73%). Inclusivamente, para ajudar a encontrar as informações e respostas de que necessitam (86%), resumir reuniões e pontos de ação (80%) e planear o dia (77%).
Os inquiridos também acreditam que a IA pode aumentar a criatividade, sendo que, quanto mais compreendem, mais percebem as vantagens. A maioria (87%) dos trabalhadores em funções criativas, que estão extremamente familiarizados com a IA, afirmam que se sentiriam confortáveis em utilizar esta ferramenta para os aspetos criativos do seu trabalho.
3. Todos os colaboradores devem saber trabalhar com a IA
Trabalhar com a IA – utilizando a linguagem natural – será tão inerente à forma de trabalhar como a Internet e o PC. A maioria (82%9 dos líderes inquiridos afirmam que os seus colaboradores vão precisar de novas habilitações para estarem preparados para o crescimento da IA.
Para reforçar, existem 33 vezes mais publicações no LinkedIn a mencionar tópicos como IA generativa e GPT do que há um ano e, em março de 2023, a proporção de anúncios de emprego nos EUA no LinkedIn que mencionam GPT já aumentou 79% em relação ao ano anterior.
Esta nova geração de IA irá permitir eliminar as tarefas morosas e impulsionar a criatividade. Existe uma enorme oportunidade para as ferramentas impulsionadas por IA ajudarem a aliviar a dívida digital, a desenvolver novas habilitações e a capacitar os colaboradores
Satya Nadella, chairman e CEO da Microsoft