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Denise Calado

Milton de Sousa (NOVA SBE): «Não é fácil ser gestor nos dias de hoje. Mas a Ciência também aqui nos ajuda»

11 Maio, 2023 by Denise Calado

As competências emocionais dos líderes estão em evidência e são cada vez mais relevantes num momento em que o trabalho e as empresas acordam para um novo mundo do imprevisível e do, quase, intangível. Procura-se um líder que cultive o sentido de pertença, que traga sentido para o trabalho e que cause impacto nos outros.

Milton de Sousa é Professor Associado na Nova SBE e autor do livro The Meaningful Leader (O Líder com Sentido). Na antevisão da publicação em junho, a Líder falou com o autor sobre a liderança com sentido, que se assume como uma liderança servidora onde a vulnerabilidade tem lugar.

Quando aborda o conceito de meaningful leadership, começa por enquadrá-lo no fenómeno da Great Resignation, em 5 Rs: reforma, relocação (viver em outros locais), remodelação (mudar de emprego dentro do setor), relutância (voltar ao escritório) e reconsiderar (pensar: “a vida é frágil e curta”). Qual é, afinal, o papel do trabalho?

O trabalho tem e terá sempre um papel fundamental. Num estudo recente da Pew Research sobre o que dá sentido à nossa vida, o trabalho aparece em segundo lugar, logo a seguir à família. O que esse estudo também aponta, é que as pessoas valorizam cada vez mais um equilíbrio saudável entre quatro aspetos. A seguir à família e trabalho, surgem os amigos e os hobbies. Isto é particularmente evidente nos mais jovens, mas não só. Há pouco tempo, num programa que fizemos para uma cadeia de supermercados, os gestores disseram que era cada vez mais difícil ter pessoas disponíveis para trabalhar umas horas extra no fim de semana na loja. Mesmo ganhando mais e tendo em conta o aumento do custo de vida. As pessoas estão mais conscientes do equilíbrio que necessitam para dar sentido à sua vida. A tecnologia e a desmistificação de algumas barreiras mentais ao trabalho remoto trazem também novas formas para encontrar este equilíbrio. Parece assim que, pelo menos em alguns aspetos, há uma pequena revolta contra a vitória do Homo Laborans sugerido por Hannah Arendt.

Em causa está o sentido do trabalho e o que fazemos, mas também a reflexão sobre quem somos ou queremos vir a ser. Como compreender a ligação entre o lado profissional e pessoal? É possível uma convivência entre os dois?

Um amigo meu, muito próximo, e CEO de uma empresa tecnológica de média dimensão, tem uma técnica de recrutamento interessante. Nas entrevistas de emprego ele começa por fazer a seguinte questão aos candidatos: “Quem és tu?”. Quando as pessoas começam a explicar ele interrompe e diz. “Agora sem fazer referência à tua formação, trabalho e dados demográficos. Quem és tu?” O que ele quer é convidar as pessoas a refletirem e irem à sua essência, mas quase sempre mostram uma enorme dificuldade em se definirem sem fazer recurso ao que fizeram ou fazem. Sugiro aos leitores que tentem também. Difícil, certo? Mas a importância de perceber quem somos para além do trabalho, não implica que este deixe de ter um papel fundamental no sentido que damos à nossa vida. Pelo contrário. Há quatro caminhos pelos quais o trabalho traz sentido à nossa vida. O mais comum na sociedade em que vivemos é, talvez, o da carreira e conquistas pessoais. A progressão, os prémios, os reconhecimentos públicos. Também pode ser pela possibilidade de contribuirmos para algo maior e que nos transcende. Servir os outros, como vemos, por exemplo, com empreendedores sociais, pode ser uma forma de transcendência espiritual que nos dá sentido. Há ainda o caminho da comunhão com nós próprios por fazermos um trabalho que permite a expressão pessoal. Um artista poderá valorizar este caminho em particular. Finalmente, o trabalho pode ser um veículo para criar uma ligação intensa e empática com os outros, satisfazendo uma necessidade de pertença que nos dá sentido.

Duas investigadoras da Universidade de Canterbury, Marjolein Lips-Wiersma e Sarah Wright, descobriram algo muito interessante. Quando perdemos o equilíbrio entre estes quatro caminhos, do sucesso pessoal, contributo para os outros, autoexpressão e ligação empática, o nosso bem-estar e sentido da vida reduzem significativamente. Isto é, quando ficamos obcecados com um só caminho, ficamos a perder.

Falemos dos líderes como guias de uma jornada laboral com sentido e impulsionadores de engagement. Num mundo focado em resultados e crescimento, que comportamentos são esperados?

No livro que estou agora a acabar sobre o líder com sentido, falo de quatro dimensões essenciais. Primeiro é importante desenvolver um mindset focado no sentido do trabalho. Isto requer que o líder tenha uma perceção alargada de quem é, para além da sua realidade imediata, uma motivação para servir os outros, e um compromisso em transformar a organização. Um líder com sentido assume ainda três funções essenciais. Como contador de histórias que dão sentido à organização e à sua missão (transmite uma narrativa de propósito e impacto). Como facilitador da ação para que os colaboradores possam agir da forma mais autónoma possível no contexto dessa narrativa. Finalmente, como mentor para ajudar os seus colaboradores a encontrarem forma de darem sentido ao seu trabalho específico.

Teria muito a dizer sobre cada um destes aspetos, mas deixe-me focar num tema em particular. Quando falo da facilitação da ação, refiro-me por um lado ao empoderamento dos colaboradores para poderem agir, mas também a uma gestão cuidada dos resultados. Isto implica focar não só na produção (outputs) como no impacto que estamos a ter para quem destinamos o nosso trabalho (outcomes). Por exemplo, na Universidade, o meu trabalho deverá ser medido não só pela capacidade de dar aulas interessantes e produzir artigos (produção), mas também pela diferença (impacto) que isso faz para os alunos (crescimento, realização pessoal, empregabilidade), para a comunidade científica (avanço no conhecimento) e para as organizações (talento mais preparado, práticas mais eficazes de liderança). Esta ligação entre o que cada um faz e o seu impacto é fundamental para dar sentido ao trabalho. Infelizmente, muitos líderes com quem me cruzo focam excessivamente nos outputs (crescimento, rentabilidade, rankings), não dando o devido enfoque aos outcomes do nosso trabalho (impacto).

O líder reforça o sentido da ação para as pessoas e, consequentemente, onde vai ele buscar o sentido para si?

Esta é uma excelente questão. A gestão, tal como outras profissões de intenso serviço aos outros como enfermeiros, médicos e professores, estão muito sujeitos a um desgaste permanente.

Não é fácil ser gestor nos dias de hoje. Mas a ciência também aqui nos ajuda. Uma das áreas em que trabalho (e que inspira o meu modelo de líder com sentido) é a liderança servidora.

Num estudo recente, foi possível constatar que quando os líderes despendiam muito do seu tempo a servir os seus colaboradores num dia, a sua motivação e vontade em liderar no dia seguinte diminuía significativamente. Intrigados por este fenómeno, os investigadores tentaram perceber se havia formas de evitar esse desgaste motivacional. De facto, quando os líderes faziam um esforço para se consciencializarem do impacto que tinham nos outros, e quando havia uma cultura de gratidão na organização, este desgaste deixava de existir. Na verdade, até se sentiam mais entusiasmados com o seu papel enquanto líderes, no dia seguinte, quando tinham servido de forma intensa no dia anterior.

Os bons líderes serão os que tornam o trabalho positivo e com sentido para as pessoas. Como se abordam os problemas e as coisas menos boas?

Há uma certa confusão, por vezes, na imagem do líder positivo. A positividade não é a ausência de negatividade. Uma das pessoas que entrevistei para o meu livro foi o Ricardo Kandelman, membro da comissão executiva de uma grande empresa familiar holandesa chamada SHV.

Ele abordou este tema especificamente. Ao longo da sua carreira passou por muitos momentos difíceis, com reestruturações, conflitos, e falhanços vários. Mas como ele disse, um líder pode ser honesto sobre feedback mais crítico ou ter até de demitir alguém (algo negativo) e simultaneamente ser respeitoso e realmente preocupado com o seu crescimento, dando oportunidades para que se possa desenvolver (algo positivo). A Jacinda Ardern, que recentemente renunciou ao seu cargo de primeira-ministra na Nova Zelândia, por já não se sentir capaz de o fazer, disse que esperava ter demonstrado que um líder consegue ser decisivo e empático, forte e gentil, otimista e focado. É esta dualidade paradoxal que faz um líder.

Já agora, quando o trabalho tem sentido é porque fazemos algo que valorizamos e isso implica ter de enfrentar problemas. Isto distingue o sentido da felicidade, que é mais centrada no presente e na ausência (mesmo que momentânea) de preocupações. Por isso é que a procura da felicidade permanente é impossível. O objetivo não deve ser ter uma vida sem problemas, mas antes escolher o tipo de problemas que achamos relevantes enfrentar para que a vida e o trabalho tenham sentido.

Fala-se de negócios com propósito, profissões e organizações onde as pessoas sintam um propósito. Em que medida se distingue do “sentido”?

O propósito é uma das três expressões do sentido que damos ao trabalho ou à nossa vida. Essencialmente passa por termos objetivos para o futuro que valorizamos e nos motivam. Esta orientação para o futuro pode passar pelo sucesso pessoal ou pelo contributo que damos aos outros (impacto). Quando as empresas falam de propósito, geralmente referem-se a este segundo tipo. Ao impacto que querem ter na sociedade pelo seu trabalho.

As outras duas expressões do sentido incluem a coerência e a significância. A significância é talvez uma forma mais espiritual do sentido. Sentimos que há um valor implícito à vida (ou ao trabalho) que vale a pena por si. Acordamos de manhã e dizemos “A vida é boa”. Quanto à coerência, sabemos que o nosso cérebro detesta dissonância cognitiva e está sempre à procura de formas de a garantir. Por isso é que muitas pessoas acreditam em teorias de conspiração. Muitos fenómenos populistas até assentam neste fator. As pessoas votam naqueles que lhes prometem voltar ao tempo em que as coisas faziam sentido (em que havia coerência). Quando o trabalho ou a vida têm sentido, nós sentimos que há coerência entre o que fazemos e quem achamos que somos. Estas três expressões de significância, propósito e coerência podem e devem coexistir para que o trabalho e a nossa vida tenham sentido.

Esta frase é do Peter Drucker (1909- 2005) “The leader of the past was a person who knew how to tell. The leader of the future will be a person who knows how to ask”. E hoje, em 2023, que pessoa é um líder?

Essa frase do Peter Drucker é muito certa. No meu livro falo muito disto, sobretudo no capítulo sobre storytelling. Desde logo, uma história que dá sentido à organização deve ser pensada não para ser lida, mas para ser recontada. Isto é, deve ter em conta a realidade de quem a ouve para que a possa tornar sua, no seu contexto. Isto implica uma grande capacidade de saber questionar e ouvir a organização, para que as histórias façam sentido a todos os níveis. O que observo é que os líderes que tomamos como referência em 2023, ou pelo menos os que vejo como referência, são pessoas que assumem a sua vulnerabilidade de forma humilde. Veja-se os casos de João Vieira de Almeida, em Portugal, ou de Satya Nadella na Microsoft. Esta vulnerabilidade humaniza o líder e, paradoxalmente, amplifica a sua capacidade de inspirar os outros. Com isso criam condições para que cada um se expresse de forma mais autêntica no trabalho, o que contribui para o sentido. Obviamente, isto só funciona quando as pessoas reconhecem competência no líder. A vulnerabilidade e a humildade não implicam a ausência de assertividade, determinação e coragem.

 

Esta entrevista foi publicada na edição de primavera da revista Líder. 

Subscreva a Líder AQUI.

 

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

Portugal esgota Recursos para 2023

11 Maio, 2023 by Denise Calado

Portugal esgotou os recursos naturais que deveriam durar o ano a sete de maio. A partir desta data, o país passa a consumir os recursos destinados a 2024.

A ZERO, em parceria com a Global Footprint Network, revelou que se cada pessoa na Terra vivesse como um cidadão médio português, necessitaríamos de 2,9 planetas para sustentar a demanda de recursos.

O déficit de recursos naturais em Portugal, conhecido como “dívida ambiental”, tem aumentado ao longo dos anos. Esta tendência é amplamente atribuída ao atual modelo de produção e consumo do País.

Um estudo da ZERO sobre a Economia do Bem-Estar revelou que a circularidade dos materiais em Portugal é de apenas 2,2%, bastante abaixo da média da União Europeia, que é quase 13%. Além disso, os portugueses consomem cerca de três vezes a quantidade de proteína animal recomendada, mas são deficitários no consumo de legumes, frutas e leguminosas.

Destaca-se, assim, a alimentação e a mobilidade diárias, que são as que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal.

No domínio da mobilidade, apenas 9,7% do consumo final bruto de energia nos transportes provém de fontes renováveis. Este dado enfatiza a necessidade urgente de Portugal melhorar a sua estratégia de sustentabilidade.

Para combater a crescente dívida ambiental, a ZERO sugere várias medidas. Entre elas incentivar a agricultura sustentável, reduzir as viagens e deslocações, especialmente as de avião, investir em infraestruturas para promover transportes mais suaves e regulamentar a sustentabilidade dos produtos no mercado.

Além disso, a população pode contribuir para a redução da pegada ecológica, adotando dietas mais baseadas em plantas, privilegiando os transportes coletivos e adotando um estilo de vida mais circular, focado em reduzir, reutilizar, trocar, comprar em segunda mão e reparar.

A Pegada Ecológica é um indicador da demanda humana sobre os recursos da Terra. Comparada com a capacidade de regeneração do planeta (biocapacidade), é um indicador vital do nosso relacionamento com o ambiente natural. Os dados atuais mostram que Portugal precisa urgentemente de reavaliar e reformular as suas práticas para garantir um futuro sustentável.

 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Os Futuristas: Adeus, Stor, bem-vindo Professor Robô

11 Maio, 2023 by Denise Calado

A massificação da Inteligência Artificial está a colocar em causa o futuro da Educação, das Instituições de Ensino e dos Professores, como nunca aconteceu na história.

Em 1988, um pouco por todo o mundo, alguns Professores de Matemática manifestaram-se contra a utilização da calculadora.

Hoje, passados 35 anos, alguns Professores manifestam-se contra a utilização do GPT e outros modelos de Inteligência Artificial (IA) disponíveis gratuitamente na internet.

Em 1988 o argumento era que os alunos iam perder a capacidade de compreender os básicos e, consequentemente, a capacidade de criar e evoluir. Parece que não se verificou, pois, foram parte desses mesmos alunos que vieram a construir a base de produtos tão complexos como o GPT, uma verdadeira obra-prima da Engenharia.

Não precisaremos de esperar 35 anos para recordarmos com curiosidade e nostalgia quem hoje se manifesta contra a utilização da IA.


A IA será bem mais agressiva para a Educação do que foram as calculadoras, provavelmente agressiva ao ponto de acabar com a Educação (com as Escolas) como as conhecemos – um Professor a ensinar a umas dezenas de alunos uma matéria específica com o recurso a livros, exercícios e a algumas ferramentas digitais – tudo isto poderá ser obsoleto em menos de 10 anos.

O GPT é um exemplo de um modelo linguístico com centenas de milhares de milhões de parâmetros de análise, entre centenas de outras aplicações semelhantes hoje disponíveis. Modelos focados em criação de texto a partir de texto, ou de imagem, vídeo ou som surgiram nas últimas semanas um pouco por todo o mundo e começaram a generalizar-se e a serem utilizados de forma comum em empresas, projetos e escolas.
Os modelos são impressionantes e requerem uma demonstração ou teste para se conseguir partilhar a sua rapidez de execução (poucos segundos), a sua criatividade (superior à humana), a sua base de conhecimento (boa parte da internet e dos livros alguma vez digitalizados, no caso do GPT) e a simplicidade da sua utilização.

As ameaças são muito claras e disruptivas. Os modelos (ou robôs) atualmente existentes têm já um nível de conhecimento comparado ao humano (às vezes superior) e uma capacidade de interação e inteligência facilmente reconhecida como humana. A materialização da ameaça surge da facilidade com que se podem escrever artigos, criar conteúdos sobre matérias das mais elementares às mais complexas, executar qualquer tipo de trabalhos que dependam de modelos linguísticos e, principalmente, aprender sobre qualquer matéria num esquema de pergunta e resposta como se com um especialista mundial se estivesse a falar, de forma gratuita, 24h x 7 dias e remota. Nos próximos anos, ou décadas, está em causa a figura do Professor e a figura da Instituição de Ensino. Está em causa também o valor criado por essas entidades e a forma como esse valor é percecionado.

 

Leia o último artigo do Futurista aqui.

Arquivado em:Futuristas, Notícias

Cabo Verde: o papel da digitalização no empoderamento social da população

11 Maio, 2023 by Denise Calado

Cerca de 60% da população de Cabo Verde possui pelo menos uma conta em uma rede social, com 270 mil usuários no Facebook e 100 mil no Instagram. A taxa de inscrições móveis é maior do que a população total, e o custo do gigabyte no país está abaixo da média da região da África subsaariana.

Ricardo Martins, Administrador da Pedago Portugal e da Plurália África, falou sobre o papel das redes sociais e da transformação digital na promoção do empoderamento social em Cabo Verde, na Leadership Summit Cabo Verde.

Na talk “(E-)Liderar, (E-)Educar e (E-)Inspirar para o Empoderamento Social”, destacou a alta penetração dos smartphones e a crescente utilização das redes sociais no país, ressaltando a importância de acompanhar esse desenvolvimento tecnológico com competências e conhecimentos adequados.

Esses números mostram o enorme potencial das tecnologias digitais para a inclusão e o empoderamento da população cabo-verdiana

O Administrador da Pedago enfatizou que a transformação digital não deve ser uma responsabilidade exclusiva da tecnologia, mas também deve envolver a humanização e a socialização. “Para alcançar isso, é fundamental entender os contextos locais e trabalhar com as comunidades, superando barreiras culturais e promovendo a participação ativa dos jovens e das mulheres.”

Citando exemplos de projetos bem-sucedidos em Angola e Guiné-Bissau, defendeu a importância de envolver os jovens no processo de tomada de decisões, dando-lhes a oportunidade de liderar e influenciar os resultados.

Além disso, destacou ainda a necessidade de trabalhar com influenciadores digitais e comunicar-se na linguagem das pessoas, aproveitando as redes sociais para promover a inclusão e o empoderamento.

Para alcançar um empoderamento social sustentado, Ricardo Martins defendeu a criação de equipas multidisciplinares, envolvendo profissionais que entendam a realidade local, que saibam ouvir e motivar as pessoas e possam desenvolver soluções adequadas ao contexto. Essa abordagem permite que a juventude participe e lidere a transformação digital em Cabo Verde.

Concluiu a sua intervenção realçando a necessidade de se abraçar uma abordagem humanista e inovadora para promover a transformação digital e o empoderamento social em Cabo Verde. Instando todos os presentes a se envolverem nesse esforço, especialmente os jovens, que têm um papel crucial a desempenhar no desenvolvimento das suas comunidades e do país como um todo.

Orçamento participativo jovem

No âmbito da semana da Leadership Summit Cabo Verde, Ricardo Martins conduziu ainda a Masterclass, “e-Participação e Corresponsabilização dos Jovens nas Políticas Públicas”, em que abordou o orçamento participativo jovem, numa vertente digital, como “forma de os jovens de cabo verde fazerem a diferença e terem participação na democracia”.

“Em países como Cabo Verde faz todo o sentido, já que a juventude representa a grande maioria da população”, conclui, “e se nós não percebermos que qualquer transformação nesta sociedade implica o envolvimento dos jovens, não estamos a fazer uma transformação”, referiu.

 

Assista a todas as intervenções da Leadership Summit Cabo Verde 2023, disponível on demand, com acesso universal e gratuito, na Líder TV na posição 165 do MEO e 560 da NOS.

Disponível online aqui.

Tenha acesso à galeria de imagens da Leadership Summit Cabo Verde aqui.

 

Arquivado em:Cabo Verde, Notícias

Making of da nova capa da Líder com assinatura FCB Lisboa

11 Maio, 2023 by Denise Calado

A razão e o coração nem sempre andaram de mãos dadas no mundo corporativo. Houve um tempo (tão recente que para muitas entidades ainda é o tempo presente) que liderar era sinónimo de mandar, cuidar de resultados, tratar da máquina, relegando o cuidado com as pessoas para um segundo ou terceiro plano. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Já dizia o poeta.

E foi com o desafio de encontrar uma capa que refletisse o que queremos dos líderes do futuro (mais sensíveis, mais holísticos) que fomos buscar inspiração no passado. Recordámo-nos das caras do movimento Flower Power que ali pelos anos 60 pregavam que a imaginação e os sentimentos iriam tomar o poder.

Assim fomos beber a cartazes, capas de discos e livros, publicidades de grandes marcas da época como a Coca-Cola ou a VW, para criar uma capa cheia de energia psicadélica e flores, muitas flores.

Que a força (florida) esteja consigo.

Arquivado em:Notícias

Nelson Ribeiro é o Diretor da FCH Católica para o triénio 2023-2026

11 Maio, 2023 by Denise Calado

A Universidade Católica Portuguesa anunciou a nomeação do professor Nelson Ribeiro para um terceiro mandato como diretor da Faculdade de Ciências Humanas, para o triénio de 2023-2026.

Após ter assumido pela primeira vez o cargo de diretor da FCH-Católica, em 2016, Nelson Ribeiro mantem a liderança da Faculdade, em que a internacionalização da instituição e consolidação dos centros de investigação, com especial atenção a novas ofertas de ensino, estão entre objetivos do novo mandato.

Doutorado em Media and Culture Studies pela Universidade de Lincoln, Nelson Ribeiro é Diretor da Faculdade de Ciências Humanas e Coordenador da Área Científica em Ciências da Comunicação. Liderou recentemente o projeto ‘Broadcasting in the Portuguese Empire: Nationalism, Colonialism and Identity’, financiado pela FCT e pela União Europeia.

É atualmente presidente da secção de História da International Association for Media and Communication Research (IAMCR) e membro da direção da secção de História da Comunicação da International Communication Association (ICA).

Em 2022 foi premiado com uma Fellowship do Hoover Institution da Universidade de Stanford. As suas principais áreas de investigação são a desinformação, história dos media e da propaganda e estudos do jornalismo.

Tem sido um privilégio exercer estas funções, sobretudo porque me tem permitido contribuir para o lançamento e reestruturação de cursos, projetos de investigação e iniciativas de transferência de conhecimento que acredito que contribuem para que a nossa Escola continue a ser uma Faculdade de referência nas áreas das humanidades e ciências sociais. Alegra-me especialmente o facto de partilhar com o corpo docente a visão de uma Faculdade inquieta e irrequieta, capaz de inovar enquanto se mantém fiel aos seus valores e à sua missão de pugnar pela formação integral dos seus alunos. Enfrentamos hoje o desafio de cultivar o gosto por aprender e pensar, numa geração cada vez mais dependente da informação que recebe através de vídeos curtos que recebe através dos media sociais. É esta geração que temos de preparar para enfrentar o futuro, num contexto em que lutar pelo bem comum significa lidar com o facto de que os cidadãos estão cada vez mais dependentes de informação selecionada à sua medida por algoritmos, o que potencia a fragmentação e a polarização

 Nelson Ribeiro, Diretor da FCH-Católica

 

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