O panorama atual de incerteza gerou um sentimento de medo entre as empresas, gestores e colaboradores, que para além de levar a um estado de estagnação, pode gerar comportamentos contraproducentes.
De forma geral, as pessoas permanecem estagnadas nas suas rotinas, com receio de ter ideias ambiciosas e “fora da caixa”, porque a sua incerteza em relação ao futuro as assusta demasiado.
Estes são os quatro fatores que podem ajudar a combater e enfrentar as manifestações do medo no trabalho, transformando a estagnação em ação, partilhados pela Kelly, consultora de RH:
1. Da escassez à abundância
Existe um medo generalizado da escassez: de colaboradores, de clientes, de dinheiro. Como resultado, existe uma inibição do pensamento inovador e expansivo. Para enfrentar este tipo de medo, pode experimentar o seguinte exercício: crie duas colunas numa folha de papel. De seguida, enumere os itens que estão a escassear numa coluna, como cortes orçamentais e valores relativos ao desgaste. Na segunda coluna, coloque os itens que são estáveis, como os pontos fortes da sua equipa ou a infraestrutura. Este exercício posiciona os medos em relação aos factos de uma forma clara e esclarecedora.
2. Do isolamento à abertura
O trabalho remoto veio expandir o horizonte laboral, permitindo a colaboração a um nível global. No entanto, torna-se mais fácil a priorização das relações presenciais, foco interno que limita as oportunidades do trabalho remoto enquanto potencializador de diversidade e work-life balance. Este foco interno tende também a alimentar o medo do exterior e do desconhecido. A exposição gradual poderá ser uma boa forma de combater este receio, através da resposta à seguinte questão: “o que pode fazer esta semana (um único tópico) para sair da sua zona de conforto?”
3. Da estagnação ao movimento
Quando receia as consequências, pode eventualmente pensar que a inação é a melhor ação. No entanto, não fazer uma escolha é, por si só, uma escolha. Se a estagnação dificulta o progresso, o movimento desbloqueia-o. Ao invés de ignorar o processo de tomada de decisão inicie, por exemplo, um novo projeto e identifique qual o próximo passo.
4. De um ritmo alucinante a enfrentar o medo
Quando existe medo, surgem as listas de tarefas intermináveis para evitar confrontar esses mesmos receios. A celeridade de resposta a cada e-mail, mensagem ou invite para reunião nunca foi tão necessária como atualmente. Quanto maior é o medo que sente, maior o recuo perante aquilo que o assusta – e a crença de que estará demasiado ocupado para o enfrentar.
Opte por reservar 15 minutos na sua agenda para se desligar de todas as mensagens e do ritmo alucinante de trabalho. Aponte as suas “némesis”, isto é, os fatores que está claramente a evitar. Crie três colunas: o pior cenário possível, a situação atual e o melhor desfecho possível. De seguida, identifique o que seria necessário para culminar em cada uma das possibilidades. Se escrever detalhes por baixo de cada coluna, poderá descobrir que é mais provável que o pior cenário possível se mantenha caso não se mobilize noutra direção e mantenha a estagnação.
O medo por antecipação aumenta a probabilidade de concretização das previsões mais negativas. Este sentimento deturpa o foco e atenção no presente, bem como as escolhas certas para alcançar uma melhor versão do trabalho desenvolvido e de si mesmo. Ao invés de optar pela estagnação, adote estratégias para enfrentar o futuro.
