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Denise Calado

Da inércia ao movimento: como avançar na carreira quando se sente estagnado?

10 Janeiro, 2023 by Denise Calado

O panorama atual de incerteza gerou um sentimento de medo entre as empresas, gestores e colaboradores, que para além de levar a um estado de estagnação, pode gerar comportamentos contraproducentes.

De forma geral, as pessoas permanecem estagnadas nas suas rotinas, com receio de ter ideias ambiciosas e “fora da caixa”, porque a sua incerteza em relação ao futuro as assusta demasiado.

Estes são os quatro fatores que podem ajudar a combater e enfrentar as manifestações do medo no trabalho, transformando a estagnação em ação, partilhados pela Kelly, consultora de RH:

1. Da escassez à abundância

Existe um medo generalizado da escassez: de colaboradores, de clientes, de dinheiro. Como resultado, existe uma inibição do pensamento inovador e expansivo. Para enfrentar este tipo de medo, pode experimentar o seguinte exercício: crie duas colunas numa folha de papel. De seguida, enumere os itens que estão a escassear numa coluna, como cortes orçamentais e valores relativos ao desgaste. Na segunda coluna, coloque os itens que são estáveis, como os pontos fortes da sua equipa ou a infraestrutura. Este exercício posiciona os medos em relação aos factos de uma forma clara e esclarecedora.

2. Do isolamento à abertura

O trabalho remoto veio expandir o horizonte laboral, permitindo a colaboração a um nível global. No entanto, torna-se mais fácil a priorização das relações presenciais, foco interno que limita as oportunidades do trabalho remoto enquanto potencializador de diversidade e work-life balance. Este foco interno tende também a alimentar o medo do exterior e do desconhecido. A exposição gradual poderá ser uma boa forma de combater este receio, através da resposta à seguinte questão: “o que pode fazer esta semana (um único tópico) para sair da sua zona de conforto?”

3. Da estagnação ao movimento

Quando receia as consequências, pode eventualmente pensar que a inação é a melhor ação. No entanto, não fazer uma escolha é, por si só, uma escolha. Se a estagnação dificulta o progresso, o movimento desbloqueia-o. Ao invés de ignorar o processo de tomada de decisão inicie, por exemplo, um novo projeto e identifique qual o próximo passo.

4. De um ritmo alucinante a enfrentar o medo

Quando existe medo, surgem as listas de tarefas intermináveis para evitar confrontar esses mesmos receios. A celeridade de resposta a cada e-mail, mensagem ou invite para reunião nunca foi tão necessária como atualmente. Quanto maior é o medo que sente, maior o recuo perante aquilo que o assusta – e a crença de que estará demasiado ocupado para o enfrentar.

Opte por reservar 15 minutos na sua agenda para se desligar de todas as mensagens e do ritmo alucinante de trabalho. Aponte as suas “némesis”, isto é, os fatores que está claramente a evitar. Crie três colunas: o pior cenário possível, a situação atual e o melhor desfecho possível. De seguida, identifique o que seria necessário para culminar em cada uma das possibilidades. Se escrever detalhes por baixo de cada coluna, poderá descobrir que é mais provável que o pior cenário possível se mantenha caso não se mobilize noutra direção e mantenha a estagnação.

O medo por antecipação aumenta a probabilidade de concretização das previsões mais negativas. Este sentimento deturpa o foco e atenção no presente, bem como as escolhas certas para alcançar uma melhor versão do trabalho desenvolvido e de si mesmo. Ao invés de optar pela estagnação, adote estratégias para enfrentar o futuro.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

José Esteves é o novo dean da Porto Business School

10 Janeiro, 2023 by Denise Calado

José Esteves é o novo dean da Porto Business School (PBS). A suceder a Ramon O’Callaghan, na liderança da PBS desde 2015, José Esteves pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela Escola, potenciando dossiês estratégicos, destacando-se, aqui, a sustentabilidade e a mentalidade empreendedora.

Com uma ligação de duas décadas à IE Business School, o novo presidente da direção da PBS é formado na área de Sistemas de Informação pela Universidade do Minho, doutorado pela Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona, e pós-graduado pela Harvard Business School, em Boston.

É uma honra ser nomeado dean de uma escola como a Porto Business School e é um prazer regressar a Portugal depois de ter vivido no estrangeiro durante todos estes anos. Para este mandato, o objetivo central passará por dar continuidade à missão da Porto Business School, concretamente no que respeita à formação ímpar de líderes empresariais que pretendem ter um real impacto no desenvolvimento sustentável e criar mudanças positivas no mundo empresarial e na sociedade, através de experiências de aprendizagem inovadoras e que abordem os novos desafios do nosso tempo

José Esteves Sousa, dean da Porto Business School

Arquivado em:Notícias, Pessoas

De uma vez por todas

9 Janeiro, 2023 by Denise Calado

Algumas publicações fazem por vezes o exercício de identificação da palavra do ano. Seguindo o conselho de um amigo, proponho uma variação sobre o tema: a frase do ano de 2022. E a escolha vai para “De uma vez por todas”. A escolha não é global, como por vezes acontece, mas estritamente portuguesa. Trata-se de uma afirmação que todos, dos nossos responsáveis políticos aos vizinhos do lado passando por nós mesmos, gostamos de usar em momentos difíceis. Várias características tornam a frase interessante:

  • Em primeiro lugar, trata-se de uma frase não performativa, ou seja, sem consequências práticas nem desejo de as ter. Diz-se porque se deve dizer qualquer coisa em certos momentos – como uma inundação ou um incêndio grave.
  • É uma expressão catártica. Diz-se e ficamos imediatamente apaziguados. Suspeitamos que nada vai acontecer mas ficamos felizes por alguém ter tomado nota que desta vez tem mesmo de ser.
  • Por suspeitarmos (na verdade, sabermos) que nada vai acontecer, ficamos com a possibilidade de continuar a fazer queixa das coisas que nunca são resolvidas. Podemos dizer que é sempre a mesma coisa, que este país “não vai a lado nenhum”. O país confirmará, por sua vez, a validade da frase. Trata-se de uma profecia que se auto-realiza.

Finalmente, podemos sentir-nos falsamente chocados com a presença daquilo a que José Gil chamou “não-inscrição”. Por isso convém recordar que “de uma vez por todas” não quer dizer nada. Aceitemo-lo. De uma vez por todas.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Roteiro com 10 paragens para parar e pensar

9 Janeiro, 2023 by Denise Calado

Parar para desligar, parar para pensar com a ajuda da filósofa alemã Hannah Arendt, aluna de Karl Jasperes que se tornou cidadã americana, tendo morrido em 1975. A forma audaz como foi ao longo dos anos manifestado o seu pensamento através dos seus livros, fez dela uma figura incontornável da história do pensamento na Europa, nos Estados Unidos e no mundo.

Quando falamos no Direito a Desligar é inevitável abordar o tema do pensamento, em particular do pensamento crítico, da relação do Homem com o trabalho, do tempo e do progresso, entre outros. O que a seguir poderá ler é um roteiro para parar e pensar, roteiro inspirado naquela filósofa, escrito por Samantha Rose Hill, investigadora no Centro de Política e Humanidades Hannah Arendt e professora Associada do Brooklyn Institute for Social Research. Samantha escreveu a mais recente biografia publicada em Portugal sobre Hannah Arendt.

I. A perda da Liberdade 

A obra de Hannah Arendt de 1958 A Condição Humana trata os elementos fundamentais da atividade humana: os labores, o trabalho, a ação, vida privada e a ascendência do social. Esta ascendência do social faz colapsar a distinção entre a vida privada e pública e transforma toda a atividade numa forma de comodidade. No centro do seu trabalho está uma crítica à Modernidade e o receio de que a liberdade na época moderna não possa ser salva. Como é que criamos e protegemos os espaços da liberdade? Para Arendt o elemento fulcral para proteger a liberdade seria separar a Economia e a Política.

II. Eternidade e Imortalidade 

Na nossa era Contemporânea temos trocado o desejo humano pela imortalidade (sermos lembrados após a nossa morte inevitável pelos nossos feitos e palavras em vida) pela eternidade (a falsa esperança de que podemos viver para sempre). Nós surgimos do planeta Terra, mas também fomos nós que o criamos. Temos, por isso, o dever de cuidar do nosso planeta – a única casa própria para a vida humana – temos o dever de criar um mundo em que cada pessoa que nasça seja livre de criar um novo começo, de se recriar.

III. Tempo e Progresso 

Desde a Modernidade que o Homem tem falado sobre aceleração e progresso. Em entrevistas, Arendt muitas vezes mencionava que “o único tempo que existe é o tempo presente, o Agora”, “ninguém pode saber o futuro”; Contudo, temporalidade que governa as nossas vidas está sempre ligada ao futuro, mas nós existimos entre o passado e o futuro, incapazes de ver o que está mesmo diante de nós. Nem mesmo os melhores lógicos no mundo conseguem saber com certeza o que acontecerá daqui a cinco minutos. Para Arendt isto cria um problema para a vontade e para a ação. Como escreveu na Condição Humana, temos de parar para pensar no que estamos a fazer. Temos de recuar e pensar de novo em cada problema que surge perante nós; tomar uma decisão baseando-nos em experiências passadas seria um erro trágico, já que o mundo está em constante mudança, por isso, temos de constantemente de pensá-lo de novas maneiras.

IV. Pensamento Crítico 

A conceção de pensamento crítico de Hannah Arendt refere-se a um pensamento crítico de reflexão em que existe um diálogo interno. Chamou-lhe “dois em um”, todos somos um “dois em um”. Neste espaço de pensamento “2 em 1” somos capazes de atualizar o próprio e, assim, responsabilizarmo-nos pelas nossas ações; interrogarmo-nos sobre os nossos princípios morais, que guiam o nosso comportamento, em vez de inconscientemente agirmos conforme o que estiver a acontecer. Para iniciar este tipo de pensamento precisamos de várias coisas: estar em harmonia connosco, ter um espaço de solidão em que possamos estar sozinhos e precisamos de nos retirar do mundo das aparências e da atividade.

V. Pluralidade no Pensamento 

Nunca estamos tão solitários como quando estamos sozinhos. Vivemos num mundo com outras pessoas e as nossas experiências estão condicionadas pela pluralidade da experiência humana. Ao pensar, estamos a ser capazes de tornar o sentido da nossa experiência para nós mesmos. E todo o pensamento vem da experiência. O pensamento tem o poder de nos desconstruir ao questionar tudo aquilo em que acreditamos. É desconfortável e necessário.

VI. Tecnologia e Pensamento 

Hoje mesmo quando estamos sozinhos, não estamos realmente isolados. Estamos constantemente rodeados por tecnologia, e podemos alcançar um smartphone, computador ou tablet assim que uma voz interior nos diz para o fazer, ou quando a solidão nos atinge, ou simplesmente não conseguimos suportar o silêncio das nossas casas. Aprender a pensar por si mesmo requer que se torne amigo de si e que abrace um mundo sem o vício constante da tecnologia. Temos de ter e arranjar tempo para pensar.

Esta pode ser uma das coisas mais poderosas que podemos fazer pela democracia hoje, investir na qualidade do nosso pensar, desenvolver a nossa capacidade de julgar, e escapar da bolha das redes sociais.

VII. Amor Mundi 

Amar o mundo – Amor Mundi – significa amar o bom e o mau e o sofrimento que existe encerrado em si. É uma afirmação pura da vida que reflete o desejo insaciável pela experiência e entendimento de Hannah Arendt.

VIII. A banalidade do Mal 

A banalidade do mal implica a incapacidade de imaginar o mundo da perspetiva do outro. Monstros não existem. Os homens existem e eles praticam o mal. Isto não significa que todos sejam capazes de fazer o mal, mas sim que se há uma maneira de condicionar as pessoas para não o praticarem, a resposta está no próprio processo de pensamento. Como é que pensa por si mesmo num momento em que os chips estão em baixo?

IX. Pensamento Poético 

Num dos seus blocos de notas Arendt escreve a questão: “Existe alguma maneira de pensar que não seja tirânica?”. O oposto do pensamento tirânico, ou seja, o pensamento ideológico que divorcia a experiência do pensamento, é o pensamento poético – abordar o mundo com curiosidade e um espírito socrático que permita que cada um abrace a sua própria experiência sensual da vida.

X. Sentido 

É a questão a que volto sempre quando leio Hannah Arendt e relaciona-se com a questão que é fundamental à condição humana: onde é que as pessoas vão buscar o seu sentido?

O crescimento de populismos de direita, estagnação económica, a perda da mobilidade de classe, epidemias e drogas, uma grande solidão, refletem uma sociedade que está a sofrer de uma grande crise existencial.

As pessoas perderam o sentido e precisamos de trabalhar em conjunto para criar espaços onde as pessoas possam realmente ter encontros significativos enquanto seres humanos, e nutrir as diferenças e espaços entre elas; isso requer que se pense sobre as experiências que cada um tem. Não podemos interpretar as pessoas através de frameworks pré-fabricadas, ou através de aplicações para redes sociais, mas sim através do mundo real, partilhando as nossas histórias com outros. Os seres humanos são inerentemente contadores de histórias.

 

Este artigo foi publicado na edição de inverno da revista Líder.

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Arquivado em:Artigos

Roubo de criptomoedas aumenta 43%

9 Janeiro, 2023 by Denise Calado

O mercado das criptomoedas tem enfrentado períodos difíceis, e 2022 foi um ano especialmente penalizador para investidores. O número de roubos na indústria aumentou, contribuindo para perdas significativas: de acordo com dados da Finbold, registou-se um aumento de 43,93% relativamente ao ano anterior.

O crescente número de roubo de criptomoedas 

Fonte: Finbold

O número recorde de roubos em 2022 é um indicador de que os problemas de segurança continuaram a persistir desde o início do espaço das moedas digitais. Portanto, apesar do setor entrar num mercado de urso estendido, as criptomoedas estão a começar a chamar a atenção de hackers.

De facto, os hackers estão a aproveitar as fases iniciais do setor das criptomoedas para roubar, através de técnicas sofisticadas, como o uso de múltiplas carteiras e trocas, para esconder os crimes e serem mais difícil de ser identificados.

Nesse sentido, a anonimidade e a falta de regulação no mercado de criptomoedas facilitam, em parte, que os hackers possam operar sem serem detetados.

Historicamente, os hackers têm como alvo as palavras-passe dos utilizadores para obter acesso aos seus fundos através de phishing, keylogging, e outras técnicas. É ainda de mencionar que os roubos têm alcançado diferentes vetores.

Por exemplo, nos últimos meses, a maioria dos alvos têm sido os protocolos de financiamento descentralizado (DeDi). Outros meios comuns de ataques incluem a exploração de pontes de blockchain e a manipulação do mercado.

Novos setores de roubo de criptomoedas 

Nos dias que correm são os insiders que são acusados de usar plataformas centralizadas para roubar.

O ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried tem sido acusado de desviar fundos de clientes, e a quantia perdida no seu colapso, 477 milhões de dólares, pode ser maior ainda, tendo em consideração que as autoridades ainda não concluíram a investigação.

Em geral, as plataformas centralizadas aumentaram os seus níveis de segurança, incorporando abordagens como a implementação de protocolos KYC rigorosos e a adesão a mecanismos anti lavagem de dinheiro. Consequentemente, são menos atrativas para criminosos exteriores.

O receio da compensação 

Devido à natureza anónima das criptomoedas, os fundos roubados são especialmente difíceis de rastrear, o que dificulta a compensação das vítimas. O rastreio torna-se um desafio com a existência de funcionalidades de cobrimento de transações, com alguns fundos a encaminhar para a lavagem de dinheiro.

No entanto, nos poucos casos em que os clientes são compensados em ativos digitais, gera-se um medo que o mercado destabilize. Por exemplo, depois de os credores chegarem a um acordo para compensar as vítimas de Mt Gox, houve receio de que a liquidação de uma quantidade significativa de ativos digitais fizesse desabar os mercados.

Gestão de futuros roubos 

Com a necessidade de mais regulamentações e sistemas formais no espaço das criptomoedas, a responsabilidade recai principalmente sobre os investidores e empresas específicas.

Apesar de agora não ser possível eliminar o risco de roubos de criptomoedas, uma combinação de melhores medidas de segurança, fiscalização regulatória e consciencialização individual são apresentadas como as mais eficazes para reduzir o risco desses ataques, e protegem significativamente os investidores.

Em geral, o crescente número de roubos de criptomoedas tem acelerada a necessidade de estabelecer as regulamentações adequadas, com diferentes jurisdições a procurarem proteger os investidores. No entanto, a maioria dos reguladores está dividida entre promover inovações em cripto e proteger quem nelas investe.

Arquivado em:Cibersegurança, Economia, Notícias

Primeiro trimestre de 2023: empregadores não querem contratar nem despedir

9 Janeiro, 2023 by Denise Calado

O atual clima de inflação e abrandamento da economia para 2023 provocaram uma perspetiva de criação de emprego moderada nas empresas nacionais. Embora 31% dos empregadores afirmem que irão recrutar, 19% anteveem reduzir as suas equipas e quase metade dos empregadores (49%) pretende manter o atual número de colaboradores.

Uma nova análise elaborada junto de 38.000 empregadores, em 41 países e territórios, incluindo Portugal, revela ainda que a Projeção para a Criação Líquida de Emprego mantém-se positiva, mas revela um abrandamento face ao último trimestre de 2022.

As principais conclusões do “ManpowerGroup Employment Outlook Survey”, são referentes ao primeiro trimestre de 2023, e mostram que os setores de Energia e Utilities, Tecnologias da Informação, Finanças e Imobiliário e Serviços de Comunicação são os que apresentam as previsões de contratação mais otimistas em Portugal.

Portugal abaixo da média da região EMEA 

O relatório revela uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +12% para o primeiro trimestre de 2023, um valor já ajustado sazonalmente e que traduz numa descida de 15 pontos percentuais, face ao último trimestre, e ainda mais significativa, de 25 pontos percentuais, quando comparada com o período homólogo de 2022.

Estes valores posicionam Portugal abaixo da média da região da EMEA (Europa, Médio Oriente e África), com apenas sete países a terem perspetivas de contratação mais pessimistas, entre os quais, Espanha, Grécia e Itália.

Setores e Previsões de contratação 

Os empregadores de oito dos nove setores analisados esperam aumentar as suas equipas neste início de ano.

Energia e Utilities é o setor que apresenta as perspetivas mais positivas, com uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +43%, um valor que se destaca de forma significativa da média nacional.

A área das Tecnologias da Informação é a segunda com a atividade de contratação mais dinâmica, com uma Projeção saudável de +28%. Esta Projeção representa, porém, uma descida de 10 pontos percentuais, relativamente ao trimestre anterior, e uma acentuada redução de 39 pontos percentuais face ao mesmo trimestre de 2022.

Finanças e Imobiliário e Serviços de Comunicação, que inclui telecomunicações e media, avançam ambos uma Projeção de +18%. Porém, na comparação com o trimestre passado, o setor das Finanças e Imobiliário regista uma diminuição nas intenções de contratação, com menos sete pontos percentuais, enquanto o setor dos Serviços de Comunicação permanece relativamente estável com mais 1 ponto percentual.

Também o setor da Indústria Pesada e Materiais, que abrange os subsetores da Agricultura e Construção, e o setor dos Transportes, Logística e Automoção apresentam uma Projeção favorável de +13%.

Já nos Transportes, Logística e Automoção, a descida é mais acentuada, com menos 32 pontos percentuais em comparação com a Projeção para o período de outubro-dezembro de 2022.

Embora menos otimista, a área da Saúde e Ciências da Vida avança com uma Projeção positiva, mas moderada, em relação ao aumento das suas equipas, fixando-se nos +6%, em queda de 17 e de 18 pontos percentuais face ao trimestre anterior e ao mesmo período do ano passado, respetivamente.

Finalmente, o setor de Bens de Consumo e Serviços, que inclui as atividades de Retalho, Distribuição, Hotelaria, Indústria de bens de consumo, entre outras, é o único com uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego negativa, de -8%, acusando, assim, o impacto do esperado abrandamento no consumo privado.

Grande Porto e Região Centro mantêm-se com Projeções fortes 

Todas as regiões de Portugal apresentam previsões favoráveis quanto à evolução das contratações no primeiro trimestre de 2023.

O Grande Porto que apresenta a Projeção para a Criação Líquida de Emprego mais sólida, com um valor de +23%. No entanto, esta região regista uma evolução negativa de menos 16 pontos percentuais, desde o último trimestre, e que é ainda mais acentuada, com menos 23 pontos percentuais, quando comparada com a previsão para o período homólogo de 2022.

A Região Centro, com uma Projeção de +22%, é a única que apresenta uma evolução positiva face ao trimestre anterior, crescendo três pontos percentuais. No entanto, se comparada com o mesmo período de 2022, regista um decréscimo de oito pontos percentuais.

Com Projeções mais modestas estão as Regiões Norte, da Grande Lisboa e Sul, com +9%, +8% e +6%, respetivamente. A Região Sul é a que apresenta a quebra mais acentuada na evolução das intenções de contratação trimestre a trimestre, com uma descida de 33 pontos percentuais.

Empresas e perspetivas de recrutamento 

Todas as categorias de empresas inquiridas, independentemente da sua dimensão, preveem começar o ano a aumentar as suas equipas, estando alinhadas com a Projeção nacional. No entanto, também a totalidade das categorias assume uma evolução negativa face ao último trimestre e ao início de 2022.

São as Microempresas que avançam com a perspetiva mais dinâmica, com uma Projeção de +14%, menos 4 pontos percentuais do que a registada no último trimestre e 11 pontos percentuais inferior à do período homólogo de 2022.

Seguem-se as Grandes Empresas, as empresas de Pequena Dimensão e, por fim as Médias Empresas, com Projeções mais moderadas de +13%, +11% e +10%, respetivamente.

Intenções de contratação a nível global 

Tal como em Portugal, a Projeção para a Criação Líquida de Emprego a nível global sofre um decréscimo, com o valor a situar-se agora nos +23%, menos 6 pontos percentuais do que o registado no trimestre passado e menos 14 pontos percentuais face aos mesmos meses de 2022.

Dos 41 países e territórios inquiridos, 38 apresentam perspetivas de contratação positivas, mas 29 revelam um abrandamento face ao trimestre anterior.

Panamá, Costa Rica e Canadá são os países que apresentam uma Projeção mais otimista, de +39%, +35% e +34%, respetivamente.

Na Região EMEA, onde se situa Portugal, a Áustria e a Turquia mostram as intenções mais elevadas, ambas com +29%. Portugal ocupa assim o décimo sexto lugar da tabela, com seis pontos percentuais a menos da média da Região. No que respeita à média Global, o país posiciona-se onze pontos percentuais abaixo.

A nível mundial, a Hungria destaca-se nas Projeções menos ambiciosas, com uma Projeção negativa de -8%, seguida pela Polónia, com -2%, e pela Républica Checa, que, apesar de positiva, se situa apenas nos +1%.

A subida acentuada da inflação e o aumento das taxas de juro vieram unir-se aos desequilíbrios nas cadeias de abastecimento e configuraram um cenário bastante desafiante ao nível da estrutura de custos das empresas, enquanto a Projeção para a Criação Líquida de Emprego resulta da diferença entre a percentagem de empregadores que planeia aumentar a sua força de trabalho e a percentagem de empregadores que planeia reduzi-la. redução do consumo impacta a procura de bens e serviços. Em face destes desequilíbrios, os empregadores entram em 2023 com uma posição mais conservadora quanto à evolução do mercado, e ainda mais focados na garantia da competitividade e sustentabilidade dos seus negócios. Este cenário traz impactos inevitáveis no mercado de trabalho, e traduz-se já num abrandamento das intenções de contratação para o primeiro trimestre. Não obstante, este menor dinamismo no mercado de trabalho não implica, de momento, uma intenção alargada de dispensa dos colaboradores. O que observamos é que, face à atual escassez de talento e à dificuldade em atrair profissionais com as competências que procuram, os empregadores estão a privilegiar a manutenção das suas equipas, estando dispostos a fazer esse investimento para estarem dotados do talento necessário quando a economia retomar

Rui Teixeira, Diretor Geral do ManpowerGroup Portugal

Arquivado em:Economia, Notícias, Trabalho

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