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Marcelo Teixeira

Maria Paula Monroy assume liderança da gestão de risco na Zurich Portugal

27 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A Zurich Portugal nomeou Maria Paula Monroy como nova Chief Risk Officer (CRO). Com mais de uma década de experiência no Zurich Insurance Group, a gestora chega a Lisboa vinda da Zurich Colômbia, onde desde 2019 liderava a área de gestão de risco. Antes disso, desempenhou funções como Risk Manager na Zurich Brasil.

A economista colombiana, formada pela Universidade de los Andes, iniciou o seu percurso profissional na ASOFONDOS – Associação Colombiana de Administradores de Fundos de Pensões e Desemprego – antes de integrar o grupo Zurich.

«É com orgulho e enorme entusiasmo que abraço esta oportunidade na Zurich Portugal. Vamos gerir de forma ativa e contínua os riscos financeiros e não financeiros, em articulação com as equipas, para garantir a execução da nossa estratégia de negócio sem comprometer a exposição ao risco», afirmou Maria Paula Monroy. «’O objetivo é manter a capacidade de resposta a um mercado em constante transformação e continuar a oferecer um serviço de excelência aos nossos clientes e parceiros.»

Para Helene Westerlind, CEO da Zurich Portugal, a escolha reflete a aposta da seguradora no talento interno. «A experiência internacional da Maria Paula Monroy, aliada à sua formação e capacidade de liderança, será um contributo decisivo para o nosso sucesso local. Encontrar esta solução dentro do próprio grupo demonstra a força e diversidade do talento Zurich.»

Presente em Portugal há 106 anos, a Zurich conta com mais de 550 colaboradores e uma rede de distribuição com mais de 1.800 agentes, corretores, bancos e parceiros. A seguradora serve atualmente mais de 830 mil clientes no país.

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Centauros ou ciborgues? O dilema de quem usa inteligência artificial, sem ter certezas sobre a sua liberdade

26 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Foi com uma pergunta que parece saída de um filme de ficção científica – mas que já nos atravessa o quotidiano – que Fernando Bação, Professor Catedrático da NOVA IMS, abriu a sua talk: queremos ser centauros ou ciborgues? Não era metáfora vazia, era bisturi. O tema – a convivência, o embate, a fusão possível entre seres humanos e modelos generativos de linguagem – atravessou a manhã como uma ferida aberta: a de um tempo em que nos pedem para pensar depressa, decidir mais rápido, viver com algoritmos que não dormem.

Este conteúdo foi abordado na ‘Data with Purpose Summit’, uma iniciativa da Nova Information Management School (NOVA IMS), que decorreu a 7 de maio na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa. O evento, organizado em colaboração com o Jornal Expresso e produzido pela Líder Events, reuniu investigadores, líderes empresariais e especialistas em dados para pensar o lugar – e o impacto – da inteligência artificial no trabalho, na economia e nas relações humanas.

Na metáfora do professor, os centauros distribuem tarefas com a IA, mantêm-na à distância como ferramenta. Já os ciborgues dissolvem a fronteira: fundem-se, conversam com o sistema, deixam-se contaminar. E são esses que, segundo os estudos apresentados, têm tirado melhor proveito da nova ordem algorítmica. Mas a que custo?

O professor partilhou três investigações recentes que ajudam a cartografar a mudança:

1- Os jovens são os maiores beneficiários – quem chega agora ao mercado, com menos experiência, pode atingir níveis de desempenho que antes levariam anos. Há ganhos visíveis na qualidade do trabalho, na interação com clientes, na fidelização.

2- Quem tinha mais dificuldades, sobe mais depressa – a IA é uma alavanca. Ajuda a ultrapassar bloqueios e aumenta o rendimento dos que antes ficavam para trás.

3- Mais ideias, menos faísca – a criatividade expande-se em quantidade, mas empobrece em profundidade. Há confiança, sim, mas também mais previsibilidade.

A explicação, diz Fernando Bação, está no próprio desenho dos modelos: produzem respostas médias, transversais, seguras. Se não forem desafiados, repetem o senso comum. «É preciso conversar com a IA, obrigá-la a sair do trivial. Não se pode aceitar o primeiro rascunho», afirmou.

Manifesto Ciborgue e as palavras de quem sabe

Donna Haraway, teórica pioneira do conceito de ciborgue, ajuda a dar corpo a esta reflexão. No seu Manifesto Ciborgue, propõe a imagem do ciborgue não como uma ameaça, mas como uma criatura que dissolve fronteiras rígidas — entre humano e máquina, natural e artificial, físico e virtual. «O ciborgue é uma criatura de realidade social e também de ficção.« Esta ambiguidade revela o desafio central: fundir-nos com as máquinas pode abrir caminhos inesperados, mas também nos impele a repensar o que significa ser humano. É uma dança entre a promessa da tecnologia e o risco da desumanização.

No fundo, a escolha permanece: queremos controlar a máquina ou nos fundir com ela? Ser centauros, que mantêm distância e domínio, ou ciborgues, que se entrelaçam com a tecnologia, com todos os seus perigos e potencialidades? O futuro da nossa humanidade está nesta decisão — na nossa capacidade de preservar o que é irrepetivelmente humano, mesmo quando as máquinas parecem poder replicar quase tudo.

Como nos lembrou José Saramago, talvez o mais sábio seja: «Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.» Neste equilíbrio delicado reside a urgência calma de construir uma relação consciente com a inteligência artificial — antes que o tempo nos ultrapasse.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Começou o que não pode mais parar: um pacto com a saúde mental nos nossos trabalhos

26 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Trabalhar não devia fazer mal à saúde. Mas há muito que os corpos se encolhem nas cadeiras, os olhos se apagam diante de ecrãs, e as cabeças se perdem em reuniões sem fim. Há muito que o trabalho entrou pela pele dentro — e quando a mente cede, nem sempre se ouve o estalo. Ainda há quem ache que resiliência é calar e aguentar. Mas o tempo mudou.

Foi nesse espírito — o de virar a página — que, no passado 19 de maio, a ASM – Aliança Portuguesa para a Promoção da Saúde Mental no Local de Trabalho apresentou a Carta ‘Tempo de Agir – Dar Voz à Saúde Mental no Local de Trabalho’, numa sessão pública com mais de três dezenas de entidades fundadoras, de organismos estatais a empresas privadas.

«A carta é um convite realista e comprometido à ação — porque mais do que falar, é tempo de agir», afirmou Filipa Palha, presidente da ASM, perante um público atento no Centro Local de Lisboa Oriental da Autoridade para as Condições de Trabalho. Ao seu lado, representantes da ACT, da DGS, do INA, da CITE e de empresas como o BPI, a Fidelidade, a Câmara Municipal do Porto ou a PWC selaram o compromisso.

O documento, construído ao longo de seis meses, propõe cinco eixos estratégicos — da redução do estigma à promoção ativa de saúde mental, da avaliação contínua à reabilitação — e metas concretas a cumprir até 2028. Entre elas: incluir a saúde mental nas políticas de recrutamento, formar líderes com literacia emocional, planear o regresso ao trabalho após baixas, ajustar tarefas e ambientes. Tudo adaptado aos recursos de cada organização — mas com exigência.

«Apesar da robustez da evidência, essa prioridade ainda está longe de se refletir na prática. As consequências são visíveis: sofrimento, perda de produtividade, e um custo social insustentável», sublinhou Filipa Palha, reforçando que o compromisso está alinhado com diretrizes internacionais — da OMS à OIT.

Filipa Palha, presidente da ASM

A Carta fica agora aberta a novas adesões, num processo contínuo de escuta, partilha e transformação.

Porque trabalhar não pode ser sinónimo de adoecer. E o futuro dos nossos dias úteis — e da nossa saúde — começa aqui.

Arquivado em:Notícias, Saúde, Trabalho

Jovens enfrentam a urgência do clima sem as competências certas

26 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Seis em cada dez jovens entre os 16 e os 24 anos reconhecem que as chamadas green skills são a chave para novas oportunidades profissionais. Mas, paradoxalmente, menos de metade sente que tem essas competências para responder aos desafios ambientais que o mercado de trabalho exige.

Um estudo recente do Research Institute da Capgemini, em parceria com o Generation Unlimited da UNICEF, revela que os jovens vivem uma ansiedade crescente em relação às alterações climáticas, mas não desistem da esperança de virar o jogo. ‘Young People’s Perspectives on Climate: Preparing for a Sustainable Future’ aprofunda o olhar sobre o papel das competências ambientais no futuro das suas carreiras e no compromisso ativo com o planeta.

Apesar da apreensão global — que em zonas urbanas ultrapassa os 70% — a juventude mantém uma vontade forte de moldar políticas, adotar empregos verdes e participar em soluções reais. Contudo, há um fosso preocupante: apenas 44% dos jovens acredita possuir as ferramentas e conhecimentos necessários para um mercado cada vez mais verde e especializado.

A disparidade não é menor entre zonas urbanas e rurais, nem entre regiões do hemisfério norte e sul. Em países como o Brasil, 60% dos jovens sentem-se preparados; já na Etiópia, este valor cai para 5%. E, desde 2023, algumas competências, como design sustentável e tecnologias verdes, registaram mesmo um retrocesso.

O estudo lança um alerta claro: para cumprir a promessa de um futuro sustentável, é urgente ultrapassar o fosso geracional e criar pontes entre jovens, governos, empresas e educação. Estes devem ser motores da capacitação, da inclusão e da voz ativa dos mais jovens na agenda climática global.

Iniciativas como o Green Rising, que pretende apoiar 20 milhões de jovens até 2026, mostram que o caminho passa por dar-lhes as ferramentas, o espaço e as oportunidades para agirem localmente, e daí promoveram mudanças globais.

 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

«A nossa casa está a arder e muitos agem como se nada fosse», avisa Rita Nabeiro

23 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

O alerta não veio de um cientista. Nem de um ativista. Veio de uma gestora — e em palco, perante cerca de mil pessoas, não tremeu: «A nossa casa está a arder e muitos agem como se nada fosse». Rita Nabeiro, presidente do BCSD Portugal, inaugurou a conferência anual do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável com um tom tão firme quanto necessário. Não há mais espaço para discursos neutros.

A Casa da Música, no Porto, foi o palco da edição mais expressiva de sempre da conferência do BCSD. Este ano, sob o mote ‘Empresas com Visão – Liderar e agir num mundo em mudança’, o encontro pôs o dedo na ferida: não é só uma questão de eficiência ou reputação. É uma questão de sobrevivência.

No arranque, Capicua trouxe um poema, íntimo e cru, sobre o que ainda resta da nossa ligação à Terra. Depois, Rita Nabeiro entrou a sério: falou das ondas de calor, das secas, das cheias que «já não são exceção mas o novo normal». Apontou o risco da perda de 75% da neve global até ao fim do século, com impacto direto para 240 milhões de pessoas. E não ficou por aí.

Apontou para a política: recuos nas metas ambientais, retrocessos nas agendas de diversidade e inclusão, desmantelamento de compromissos construídos com anos de luta e consenso. «Assiste-se agora ao fenómeno do greenhushing, o medo de comunicar o que se faz de bem, por receio do escrutínio. Na Europa, esse medo já está a travar a entrada em vigor de novos modelos de reporte. E com isso, trava-se o próprio progresso».

A líder do grupo Nabeiro deixou claro: é preciso provocar, inquietar e responsabilizar. O tempo de liderar à distância acabou. Cada um tem de encontrar o seu lugar e agir. O planeta já não pede. Grita.

A gestora destacou o papel da BCSD Portugal como «a voz estratégica junto de decisores públicos, investidores, academia e sociedade civil, que promove a inovação e a colaboração entre empresas, start-ups, centros de investigação e investimento de impacto, através de uma comunicação clara e mobilizadora, coerente com os princípios defendidos”.

Do poema ao algoritmo: liderar com urgência

Filipa Pantaleão, Secretária-Geral do BCSD Portugal, lançou o repto: pensar o futuro das práticas ESG com responsabilidade real — do consumo à eficiência energética, das renováveis à equidade. «A sustentabilidade está a evoluir», disse, apontando os dois mil milhões já investidos em projetos sustentáveis em Portugal. E apelou à adesão ao CSO Circle, para capacitar quem lidera a mudança.

Fernanda Torre (Next Agents e Boards Impact Forum) abriu as sessões com uma mensagem sem rodeios: sem fusão entre inovação e sustentabilidade, não há futuro empresarial.

Seguiu-se Madalena Carey (Happiness Business School): «Não há empresas saudáveis com colaboradores doentes. Nem colaboradores saudáveis num planeta doente.»

Åsa Jarskog (Inner Development Goals) foi ao âmago: mudar de dentro para fora. Destacou cinco dimensões do desenvolvimento humano – Ser, Pensar, Relacionar, Colaborar, Agir – como antídoto ao fracasso coletivo nos ODS.

No painel ‘IA e alterações climáticas’, Joe Paton (Fundação Champalimaud) e Roland Thompson (Greyparrot) deixaram claro: sem visão ética, a tecnologia é só mais um risco.

A tarde trouxe surpresa e leveza: João Cruz, do BCSD, abriu com stand-up antes de uma sessão interativa sobre reporting e transparência, com Tiago Carrilho, Daniela Lima e vozes internacionais como Emily Grady (WBCSD) e Sandrine Dixson-Declève (Clube de Roma).

Depois, silêncio. Literalmente. Cada participante escolheu o seu painel com auscultadores:

  • Finanças e Seguros: Cláudio Pimentel (Cofidis), Filipa Saldanha (Crédito Agrícola), Margarida Soares (Nextbitt).

  • Indústria: Anabela Gomes (Lactogal), José B. Carbajo (Bondalti), Maria Helena Almeida (Sonae).

  • Energia: Fernando Rocha (Energia do Porto), José Barbosa (NTT Data), Liliana Benites (EDP), Tito Lemos (Greenvolt).

  • Retalho e Logística: Eunice Maia (Maria Granel), Inês Vieira (PRIO), João Lavos (Leroy Merlin), Luísa Magalhães (Smart Waste).

  • Construção: Benedita Chaves (Lipor), Conceição Magalhães (Brisa), Pedro Lopes (Grupo Casais).

  • Serviços e Tecnologia: José Freitas (Kaizen), João Vale (Schneider), Kayo Ribeiro (Fujitsu), Pedro Gaspar (CEiiA).

O encerramento ficou nas mãos de Paulo Azevedo (Sonae): sustentabilidade global, impacto local e o papel da biodiversidade. «Estamos perante algo maior do que nós. Mas adaptar e mitigar é o que nos resta. E é urgente.»

Aplausos contidos. Porque a esperança, só por si, já não chega. O resto começa amanhã.

 

Arquivado em:Liderança, Notícias, Responsabilidade Social, Sustentabilidade

O perigo do perfeccionismo ou como ser bom o suficiente

23 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A maioria das pessoas lê livros de psicologia porque quer arrumar a sua vida. No entanto, o leitor não é a maioria das pessoas. Na verdade, a sua vida pode estar um pouco demasiado arrumada. As pessoas que sofrem de perfeccionismo têm um autocontrolo que se tornou um pouco descontrolado. Acredite que o compreendo perfeitamente. Estou no mesmo barco. Isto não é um livro censurador do autoaperfeiçoamento daqueles que lhe dizem que está a fazer as coisas mal — isso já o leitor faz sozinho. Ao invés, veja‑o como uma permissão. Permissão para descobrir como seria a sua vida quando se permite a respirar. Quando deixa de se esforçar tanto. Quando se concentra no que dá significado à vida, e não no seu desempenho pessoal. Ainda será perfeccionista, mas trabalhará para si, e não contra si. Oficialmente, chama‑se perfeccionismo adaptativo, mas na verdade significa apenas perfeccionismo que lhe traz mais proveito do que custos.

Para mim, baixar o volume da minha intensidade tem um efeito inaudito. Quando iniciei a escrita deste livro, comecei com um perfeccionismo típico: li uma pilha de livros e artigos, tão alta que podia ser medida em palmos. Assumi o compromisso pessoal de trabalhar com diligência para colocar em prática o que aprendera. Ou seja, abordei as minhas tendências de tipo A como um problema a superar, à semelhança de todos os outros obstáculos (e sim, vejo plenamente a ironia de me esforçar ao máximo para me descontrair). No passado, quando pretendia mudar algo na minha vida — começar um podcast, ganhar forma física, passar de um centro de investigação para a escrita — podia fazê‑lo sistematicamente: estabelecia um objetivo, lançava mãos à obra e dava a tarefa por concluída.

Desta feita, contudo, não havia itens para riscar da lista. O problema não era riscar itens. Em vez de forçar as coisas, tinha de as deixar desenrolar‑se. Em vez de trabalhar para um objetivo, tinha de me concentrar em aspetos que desafiavam a definição de objetivos — como valores, prazer e comunidade. Ao invés de tentar fazer tudo sozinha, tinha de ser vulnerável perante os outros. Em vez de seguir as minhas próprias regras, tinha de ser mais flexível. Tinha de mostrar o meu processo ao mundo, repleto de contratempos e inconvenientes, e não apenas a resposta correta destacada no final.

O meu esforço interior e consciente foi‑me útil para algumas mudanças. Dou prioridade ao sono e ao exercício, pelo que já não me alimento de fumo e cafeína. Lembro‑me de falar aos amigos dos meus fracassos e sucessos. E sim, ainda tenho uma lista de afazeres, mas já sem uma ordem cronológica pesadíssima, e olho para o que alcancei, em vez de me concentrar tristemente no que ficou por fazer.

Também abdiquei de muito do esforço exagerado que não estava a funcionar. Tentei abandonar as minhas previsões do pior cenário possível. Quando os meus filhos abusam do tempo em frente aos ecrãs ou do açúcar, já não fico preocupada com a possibilidade de isso lhes perturbar o crescimento e comecei a manter presente que são crianças. Por vezes ainda fico assoberbada, mas sou muito mais benevolente comigo mesma quando dou por mim a ouvir o podcast My Favorite Murder quando devia estar a trabalhar. Confio aos colegas tarefas delegadas e de colaboração, e pergunto‑me porque não o fiz todos estes anos. Estou a aprender a tolerar críticas e a manter‑me atenta àquilo com que posso concordar, em vez de apenas defender o meu ego ferido. Procurei um «psicólogo de psicólogos» e permiti finalmente que tomassem conta de mim, em vez de ser a única a tomar conta dos outros.

Em suma, estou a aprender a descansar. A pedir ajuda. A ser genuína, em vez de impressionante. A fazer coisas por divertimento, e não para aperfeiçoamento. A não me censurar tanto. A rir de mim mesma. A mostrar mais da confusão.

Em vez de puxar a minha corda com mais força, estou a aprender a soltá‑la.

Enquanto alguém que valoriza a privacidade, acho inacreditável que agora ganhe a vida a escrever sobre as minhas inseguranças. Por vezes, quando penso nisso, sinto um aperto no estômago. Tenho uma noção inescapável de que os meus problemas são impróprios e vão afastar as pessoas. Depois, quando olho à volta e vejo o que aconteceu de facto, apercebo‑me de que partilhar as minhas fraquezas com os amigos e leitores me fez sentir mais ligada e aceite pelas muitas, muitas pessoas que sentem exatamente o mesmo — ligações que não teria de forma alguma estabelecido se tivesse continuado a esconder o que considerava errado.

Este artigo consiste num excerto adaptado do livro Como ser bom o suficiente (Nascente, 2025), de Ellen Hendriksen, publicado com o consentimento da autora.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

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