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Marcelo Teixeira

Maternidade e carreira: um equilíbrio que inspira

19 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Três mães, três partilhas de histórias vividas com intensidade, amor e dedicação, entre os desafios e paixões da maternidade e das suas carreiras na L’Oréal. 

 

Sofia Prista Cunha, National Skincare Expert de Lancôme 

Ser mãe de quatro filhos e trabalhar na L’Oréal pode parecer uma combinação explosiva — e às vezes é. Mas a verdade é que nunca senti que a maternidade tenha bloqueado a minha carreira. Pelo contrário, deu-me ainda mais motivação (e uma resistência física de atleta). 

Como formadora, aprendi que educar e formar têm muito em comum: é preciso paciência, rir quando tudo corre ao contrário, e saber que priorizar nem sempre é fazer tudo — é fazer o que é importante. 

 A flexibilidade da L’Oréal tem sido a minha maior parceira. Permite-me estar onde sou mais precisa: numa call, num TPC de matemática ou a dar abraços no momento certo. É uma dança caótica, mas é a minha. E não a trocava por nada. 

 

 

Ana Sofia Amaral, Diretora Científica e de assuntos regulamentares

Ser mãe… uau! É uma aventura incrível! E conciliar essa aventura com uma carreira profissional, bem, isso é definitivamente um grande desafio! Na L’Oréal, encontrei o apoio e a flexibilidade que me permitiram ser mãe e profissional ao mesmo tempo, sem ter que abdicar de nenhuma das partes.  

Já lá vão 30 anos nesta empresa, e com três filhos crescidos, posso dizer que vivi intensamente as alegrias e os desafios da maternidade enquanto construía a minha carreira. E a L’Oréal esteve sempre presente, a cada passo. A possibilidade de trabalhar a tempo parcial, em momentos cruciais, foi fundamental. Lembro-me, como se fosse hoje, do apoio incondicional que recebi durante a minha primeira gravidez, quando precisei de ficar em casa por uns tempos. A compreensão e a flexibilidade da empresa foram essenciais para o meu bem-estar e para a minha capacidade de regressar ao trabalho com a energia renovada. 

A L’Oréal é exigente? Sim, sem dúvida. Mas também é um lugar onde se pode conversar abertamente, onde o respeito impera. A possibilidade de partilhar as minhas necessidades, enquanto mãe, e encontrar soluções em conjunto, fez toda a diferença. E essa flexibilidade, acreditem, foi crucial para o meu equilíbrio. 

Os meus filhos? Sempre os fiz parte da minha jornada profissional. Expliquei-lhes as minhas responsabilidades, as minhas ausências… e eles compreenderam. Criámos laços ainda mais fortes, baseados na confiança e na partilha. Nem tudo foi um mar de rosas, claro, mas olhando para trás, o balanço é incrivelmente positivo. Sinto-me grata por todo o apoio que recebi e orgulhosa da carreira que construí na L’Oréal, sem nunca deixar de ser, em primeiro lugar, mãe. 

Ser mãe na L’Oréal? Uma experiência completa, que me ensinou e me enriqueceu de forma única, a mim e à minha família. 

Sara Silva, Diretora de Relações Humanas

Na L’Oréal já tive o privilégio de trabalhar com 10 marcas diferentes ao longo da minha carreira. No entanto, costumo sempre acrescentar mais duas: os meus filhos. E é precisamente disto que se trata — de uma jornada desafiante e profundamente gratificante, que só foi possível porque ser mãe sempre me inspirou a ser uma profissional melhor, mais empática, mais resiliente e com uma capacidade de adaptação que me surpreende até hoje. 

Na L’Oréal encontramos uma cultura que valoriza verdadeiramente a diversidade, a equidade e a inclusão — não como conceitos abstratos, mas como práticas reais e consistentes. Uma das provas mais claras e pessoais disso foi a minha promoção a Diretora de Marketing, que aconteceu precisamente um mês antes do nascimento do meu segundo filho. Esse momento foi marcante. Mostrou-me que é possível crescer, assumir mais responsabilidade e continuar a evoluir profissionalmente, mesmo quando se está prestes a abraçar uma fase desafiante da vida pessoal. 

Foi uma aventura? Foi!  É possível? Sem dúvida! Principalmente quando existe apoio, confiança e uma cultura inclusiva, conseguimos verdadeiramente conciliar os vários papéis da nossa vida. 

Arquivado em:Líder Corner

Portugueses ignoram corrupção. Eleições fazem-se a falar de IRS e urgências

16 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A menos de uma semana das legislativas, um estudo da LLYC revela o que realmente mexe com os portugueses nas redes sociais: a carteira e a saúde. Com base em mais de 184 mil publicações no X (antigo Twitter) e em meios de comunicação online, a análise mostra que ‘Economia e Impostos‘ lidera a conversação digital (23,8%), seguido por ‘Saúde‘ (11,7%). Já o tema que ditou a queda do Governo — a corrupção — ficou relegado para o 11.º lugar, com apenas 4% das menções.

O estudo, que monitorizou o comportamento digital de partidos, líderes políticos, jornalistas, key opinion makers e cidadãos, revela um desinteresse crescente por temas éticos, mesmo com a memória recente da demissão de António Costa e da Operação Influencer. Há um ano, o tema estava no top 4 da discussão online. Hoje, perdeu mais de metade da sua presença.

Ao contrário, a ‘Defesa’ e a relação com os EUA entraram pela primeira vez no top 5, reflexo de um contexto internacional cada vez mais instável e presente no discurso político. ‘Justiça‘ também ganha tração, subindo para 7.º lugar, impulsionada por casos mediáticos no sistema prisional. A ‘Habitação’, tema central na campanha e motivo de confronto entre PS e PSD, ocupa apenas o 9.º lugar na conversa digital.

Apesar da atenção mediática, os debates não incendiaram as redes como noutras campanhas. Ainda assim, os confrontos entre Pedro Nuno Santos e André Ventura e entre o líder do PS e Luís Montenegro geraram os maiores picos de conversa.

 

 

Direita domina interações, mas Ventura faz a diferença

A LLYC analisou também o desempenho digital dos partidos e dos seus líderes nas redes sociais. A direita domina em volume de interações, com uma média de 1.210 por publicação, muito acima das 403 registadas pela esquerda. O fenómeno repete-se nos líderes: 2.814 interações à direita contra 876 à esquerda. Mas quando se retira o ‘efeito Ventura’, os números caem a pique. Sem o líder do Chega, a direita afunda para 783 interações — abaixo da esquerda.

Ainda assim, a audiência digital da direita aumentou face às eleições de 2024. Na esquerda, apenas Mariana Mortágua (TikTok) e Rui Tavares (Instagram) se destacam com crescimento relevante. A CDU é a única força fora do TikTok, rede cada vez mais usada por partidos e candidatos.

 

A voz das redes versus a agenda dos políticos

Maria Eça, diretora de Assuntos Públicos da LLYC, sublinha o desalinhamento entre a agenda política e as preocupações reais expressas nas redes: «Quisemos perceber se as prioridades dos eleitores coincidem com as dos políticos. A resposta está na conversa digital: nem sempre andam de mãos dadas. E, mais uma vez, surgem surpresas.»

João Dias, especialista em análise de dados da LLYC, reforça a importância destas ferramentas: «Perceber o que realmente preocupa as pessoas exige escutar as redes. É aqui que se manifesta a temperatura emocional e racional do eleitorado. E é daqui que devem partir narrativas mais ajustadas.»

No final, a mensagem é clara: os portugueses continuam a discutir o que sentem no bolso e o que os aflige no centro de saúde. A ética, pelo menos nas redes, deixou de ser prioridade.

Arquivado em:Notícias, Política

Coleira inteligente já ajuda a cuidar da saúde dos seus animais

16 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Já não é só nos filmes: a inteligência artificial chegou ao mundo dos animais de estimação. E veio para ficar. Uma coleira com sensores, algoritmos e uma app associada promete vigiar a saúde de cães e gatos em tempo real — mesmo quando estão sozinhos em casa e parecem estar bem. A tecnologia existe, está a ser usada em Portugal e pode fazer a diferença entre um susto e um diagnóstico precoce.

Na ZU, rede de clínicas e lojas especializadas, a médica veterinária Daniela Simões fala sem hesitações: «Esta tecnologia não substitui o olhar atento dos tutores, mas complementa-o. Ajuda-nos a perceber o que acontece quando não estamos a ver. Acompanhar animais com doenças crónicas, detetar alterações subtis, perceber se uma nova medicação está a resultar — tudo isso fica mais simples.»

O sistema chama-se Mavenpet e combina uma coleira com sensor inteligente, uma aplicação móvel e uma plataforma alimentada por IA. É, segundo Daniela Simões, «uma ferramenta do presente e do futuro».

Como funciona

O sensor regista a atividade e os padrões de descanso do animal durante sete dias. A partir daí, tudo o que se desvia do habitual — como um aumento de prurido, alterações na respiração ou sinais de stress — gera um alerta. O tutor recebe a notificação. O veterinário também.

Os dados não se limitam ao movimento: medem frequência respiratória em repouso, padrões de sono, consumo de água (nos cães), sinais de ansiedade e comichão localizada. Para o animal, o impacto é nulo. Para quem cuida, o valor é real.

 

Porquê usar uma coleira com IA?

Porque um animal pode parecer bem — até deixar de o estar. A deteção precoce é a maior vantagem apontada por quem já testou a tecnologia. Permite reagir mais cedo, ajustar tratamentos e aumentar a qualidade de vida do animal.

«Ajuda-nos a comunicar melhor com os tutores, a basear decisões em dados objetivos e a atuar nos momentos certos», sublinha a veterinária.

Para quem é?

Serve para cães e gatos, novos ou idosos, saudáveis ou com doenças crónicas. Funciona com animais pequenos, grandes, nervosos ou pachorrentos — embora alguns mais ansiosos possam precisar de uns dias para se adaptarem à coleira.

Não substitui uma consulta veterinária, nem é essencial para todos os casos. Mas pode fazer diferença. E dá paz de espírito a quem vive de coração nas quatro patas que tem em casa.

 

O que vem no kit?

• Sensor inteligente, com monitorização 24/7
• App móvel, que permite registar observações e responder a check-ups
• Plataforma de IA, que cruza dados individuais com o historial da raça

 

Fale com o seu veterinário.
Cada animal é único — e nem todos precisam da mesma coisa. Mas a tecnologia está aí. E, usada com critério, pode ajudar a cuidar melhor. Mesmo quando não estamos a ver.

 

Arquivado em:Inovação, Notícias

Nelson Pires assume liderança regional da Recordati para a Grécia

15 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

O Diretor-Geral da Jaba Recordati Portugal, Nelson Ferreira Pires, foi nomeado Diretor-Regional da farmacêutica para o mercado da Grécia. A nomeação, que entra em vigor este mês, vem reforçar a aposta do grupo Recordati no talento nacional, com o responsável a acumular agora as funções em ambos os países.

Com mais de duas décadas de experiência no setor, Nelson Pires começou a carreira aos 19 anos como delegado de informação médica. Aos 36 assumiu a liderança da operação em Portugal, tendo desde então consolidado uma gestão orientada para resultados, inovação e foco no doente. Ao longo do percurso, passou também pela direção-geral da Recordati no Reino Unido e Irlanda e foi distinguido com diversos prémios, entre os quais os de Personalidade do Ano e Melhor Diretor-Geral da indústria.

Licenciado em Direito, com formação em gestão e marketing farmacêutico, Nelson Pires mantém igualmente uma ligação ao meio académico e à responsabilidade social, sendo presidente da Fundação Marquês de Pombal desde 2022. Sobre o novo desafio, o responsável sublinha o potencial do mercado grego e reforça o papel do talento português no grupo: «Portugal tem demonstrado que, mesmo nos mercados mais desafiantes, é possível alcançar resultados de excelência. É com orgulho que levo essa experiência para um novo contexto, sem nunca deixar o nosso país para trás.»

A nomeação é encarada pela empresa como sinal da relevância estratégica crescente de Portugal dentro da estrutura internacional da Recordati.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Uruguai em sete minutos: o jardim democrático de ‘Pepe’ Mujica

15 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Terra onde o tempo até parece andar descalço, o Uruguai despediu-se esta semana de José ‘Pepe’ Mujica — ex-guerrilheiro, ex-presidente, eterno jardineiro da democracia — com um nó na garganta e uma flor no bolso. Mujica não foi só um político: foi um poema vivo de coerência, um cavalo velho que nunca esqueceu o caminho da esquerda, mesmo quando a esquerda se perdeu de si mesma.

Segundo o Democracy Index 2024 da Economist Intelligence Unit, publicado em fevereiro de 2025, o Uruguai mantém-se como uma ‘democracia plena’, ocupando o 15.º lugar global com uma pontuação de 8,67. Este resultado reflete a robustez das instituições democráticas do país, incluindo um processo eleitoral transparente, funcionamento eficaz do governo e respeito pelas liberdades civis.

No Global Soft Power Index 2025 da Brand Finance, o Uruguai ocupa a 67.ª posição a nível mundial, mantendo-se entre os países latino-americanos com maior influência cultural e reputacional. Este desempenho reflete a imagem internacional do país como um bastião de democracia, direitos civis e políticas públicas progressistas.

 

Cultura

O Uruguai lê-se devagar, com a atenção que se dá aos detalhes. Menos exuberante que os vizinhos, mas de uma profundidade serena, feita de gestos contidos, palavras escolhidas e uma melancolia que não pede desculpa. A cultura vive nas entrelinhas, nos pequenos rituais, nas memórias que cabem numa esquina ou num banco de jardim.

Montevideu é uma cidade onde a literatura tem morada certa. As esquinas guardam versos de Eduardo Galeano e Juan Carlos Onetti como se fossem bússolas. Guitarras tocam candombe ao ritmo dos corpos, e o tambor dispersa não como ruído, mas como linguagem ancestral. Nos cafés antigos, nos mercados com cheiro a doce de leite e carne grelhada, a cultura é resistência inspiradora.

O futebol também é fé — mas fé sem milagre. É suor e tática, com sabor a glória antiga e a derrota digna. Ainda se fala de Alcides Ghiggia como quem conta histórias à volta da fogueira: «só três pessoas calaram o Maracanã — o Papa, Frank Sinatra e eu», dizia ele. Essa frase ficou para sempre, como a expressão de um país pequeno que ousou ser gigante por um dia.

A música — essa outra língua nacional — ecoa no tango de Carlos Gardel (que dizem que nasceu aqui), nas milongas que embalam o tempo, nos violões partilhados à sombra das árvores. Mas também na murga, nas canções de protesto, e na voz rouca de um povo que canta até quando cala. Aqui, o silêncio também tem som — e é profundamente uruguaio.

 

Política

A política no Uruguai é marcada pela sua estabilidade e pela transição pacífica após a ditadura militar, que durou de 1973 a 1985. Durante esse período, o país foi governado por uma estrutura militar que suprimiu as liberdades democráticas e cometeu abusos contra os direitos humanos. A transição para a democracia, liderada por figuras como o ex-presidente Tabaré Vázquez, foi um marco significativo na história política do país.

Desde então, o Uruguai tem sido uma das democracias mais sólidas da América Latina, com uma forte ênfase na transparência e na justiça social.

Pepe Mujica, que governou o Uruguai de 2010 a 2015, tornou-se uma figura emblemática não só do país, mas também do planeta. Conhecido como ‘o presidente mais humilde do mundo’,  era famoso pelo seu estilo de vida simples, morando numa pequena ‘chácara’, além de doar grande parte do seu salário.

Atualmente, o Uruguai é liderado por Luis Lacalle Pou, presidente desde 2020. Lacalle Pou é membro do Partido Nacional e apresenta um governo com uma linha mais liberal e de mercado, focado em políticas económicas de ajuste fiscal e incentivo ao setor privado.

Embora tenha conquistado a simpatia de setores mais conservadores, o seu governo enfrenta críticas por não abordar de forma eficaz a desigualdade social. Aumentou também a idade mínima de reforma de 60 para 65 anos, sendo alvo de contestação por parte de sindicatos e movimentos sociais.

Em termos de liberdade política e direitos civis, o Uruguai continua a ser um dos países mais avançados da região, apresentando-se como um dos países da América Latina com menor índice de corrupção. Um reflexo das suas instituições sólidas e do compromisso com a transparência.

 

Economia

O Uruguai não faz milagres económicos — faz contas. Cresce devagar, mas cresce. Tem um dos PIB per capita mais altos da América Latina (cerca de 23 mil dólares em 2023, segundo o Banco Mundial), mas também sabe que isso, por si só, não resolve a vida de todos. O país parece ter trocado o deslumbramento pelo equilíbrio. Prefere a prudência à promessa fácil.

Nos últimos anos, apostou em três trunfos: agro-exportações, turismo sustentável e transição energética. O campo continua a ser o motor discreto do país — a carne, a soja, o arroz e o leite viajam bem, e sustentam um modelo que, apesar das crises globais, tem conseguido manter alguma estabilidade.

O turismo, por sua vez, passa despercebido como aquela terra. Punta del Este brilha, mas o resto prefere o charme calmo das estâncias e do litoral interior. Nada de multidões — só céu largo e vinho local.

Mas é na energia que o Uruguai desafia expetativas. Mais de 94% da eletricidade vem de fontes renováveis, incluindo hídrica, eólica e solar — uma das taxas mais altas do mundo. O país conseguiu esta transição em menos de uma década, e sem subsídios massivos. Para muitos, é um feito técnico. Para os uruguaios, é apenas sensatez.

A inflação — um fantasma constante na região — está sob controlo: fechou 2023 abaixo dos 6%, dentro da meta do Banco Central. Já o desemprego ronda os 8%, uma taxa moderada, ainda que com variações regionais e desigualdades de género e idade.

Sim, há pobreza. E desigualdade. Menos de 10% da população vive abaixo da linha dos mínimos da dignidade, e a concentração de riqueza ainda pesa. Mas há um Estado que, em geral, funciona — com políticas sociais relativamente eficazes, acesso universal à saúde, e uma rede de proteção que, embora longe da perfeição, resiste.

 

Sociedade

O Uruguai envelhece — como quem medita. A taxa de natalidade está entre as mais baixas da América Latina (apenas 1,4 filhos por mulher em 2023, segundo a Cepal), e o número de jovens a sair do país ultrapassa os que entram. O futuro é cinzento? Talvez. Mas é um cinzento limpo, com dignidade, com saúde pública e reforma garantida. O país envelhece devagar, como quem aceita o tempo sem pânico.

É também um dos países mais progressistas do mundo. Legalizou o aborto (até às 12 semanas, desde 2012), o casamento entre pessoas do mesmo sexo (desde 2013), e a cannabis recreativa (em 2013, sendo o primeiro país do mundo a fazê-lo com regulação estatal). Tudo isto foi feito com debate, com pragmatismo, sem histerias nem referendos ensanguentados. É uma democracia que prefere o consenso ao ruído.

Não há histeria moral nem espetáculo nos parlamentos. Mujica dizia que a liberdade era mais importante que o consumo — e o país parece ter ouvido. Ainda se compra pouco, mas lê-se muito. Não é raro ver discussões políticas sérias nas praças, nos cafés, nas aulas. E mesmo entre os mais jovens, o desinteresse globalizado convive com uma ética cívica muito própria.

Ainda assim, na educação, há dificuldades — como em todo o continente — mas também conquistas: o Plano Ceibal, que desde 2007 distribui computadores portáteis a todos os alunos das escolas públicas, transformou o acesso digital e tornou-se referência internacional. Hoje, mais de 85% das crianças têm acesso diário à internet em casa ou na escola.

 

Conclusão

Com a morte de Mujica, o Uruguai perde uma voz — mas não a memória. Talvez seja isso que o define: um país onde as recordações pesam mais que o discurso. Que escolhe ser pequeno para poder ser inteiro.

 

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Portugal vai a votos, TikTok entra em ação

15 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

No mês passado, o TikTok anunciou um conjunto de medidas destinadas a salvaguardar a integridade da plataforma e a combater a desinformação. A empresa lançou, a 18 de abril, um Centro Eleitoral na aplicação, que oferece aos utilizadores acesso direto a informações oficiais da Comissão Eleitoral, datas-chave do processo de votação e orientações para reconhecer conteúdos falsos.

Como parte da estratégia de transparência, o TikTok começou a rotular conteúdos e pesquisas relacionadas com as eleições, redirecionando os utilizadores para o novo centro de informação verificada.

Entre os dias 14 e 27 de abril, a plataforma avançou com várias ações em Portugal:

  • Mais de 275 conteúdos foram removidos por violarem as políticas de integridade cívica, desinformação ou por uso de conteúdos gerados por inteligência artificial. Segundo a empresa, mais de 98% dessas remoções ocorreram antes de qualquer denúncia.

  • Foram evitados mais de 1,4 milhões de ‘likes’ falsos e cerca de 942 mil pedidos de seguidores falsos, além de terem sido bloqueadas 7.400 contas de spam antes mesmo da sua ativação.

  • Foram ainda eliminadas mais de 45 mil contas falsas, 390 mil gostos falsos e 26 mil seguidores falsos.

A empresa indica que as suas equipas especializadas continuam a monitorizar e combater tentativas de interferência estrangeira e operações de influência encobertas. Até à data, não foi detetada nenhuma operação direcionada especificamente às eleições em Portugal.

Estas ações integram-se no esforço global da empresa para assegurar que os processos democráticos decorram com transparência. Nesse contexto, o TikTok lançou também um Hub Global de Integridade Eleitoral, com dados e relatórios sobre as medidas implementadas em vários países.

«As eleições são momentos-chave de participação cívica e estamos comprometidos em garantir uma experiência segura, autêntica e informada para a nossa comunidade», refere a empresa em comunicado.

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