• Skip to main content
Revista Líder
Ideias que fazem futuro
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos

  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Poder de compra aumentou, mas pobreza continua a afetar 1,66 milhões de portugueses

      Villas-Boas campeão, Varandas estável, Rui Costa sob pressão: o novo mapa das lideranças no futebol português

      Mudanças nas viagens de negócios? Saiba como evitar conflitos com os trabalhadores

      O que aconteceu às chamadas telefónicas?

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

      Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
Loja
  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Poder de compra aumentou, mas pobreza continua a afetar 1,66 milhões de portugueses

      Villas-Boas campeão, Varandas estável, Rui Costa sob pressão: o novo mapa das lideranças no futebol português

      Mudanças nas viagens de negócios? Saiba como evitar conflitos com os trabalhadores

      O que aconteceu às chamadas telefónicas?

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

      Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos
Subscrever Newsletter Assinar

Siga-nos Lider Lider Lider

As ideias que fazem futuro, no seu email Subscrever

Marcelo Teixeira

Bússola da competitividade europeia: onde está o Norte da inovação e crescimento económico? 

13 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A renovação económica é um processo demorado e que requer esforços contínuos e delineados, especialmente relevantes no momento crítico que a humanidade atravessa. Na União Europeia, estes fomentos chegam muitas vezes em forma de diretrizes e planos conjuntos, na certeza de que a união leva as nações mais longe. 

É nesta senda que a Comissão Europeia apresentou a sua estratégia para os próximos cinco anos, ‘Uma bússola da competitividade para a UE’, destinada a revitalizar a paisagem económica da União Europeia (UE). Este plano abrangente aborda a necessidade crítica de inovação, produtividade e crescimento económico, enquanto enfrenta as transições para uma economia digital e verde. 

A “Bússola” baseia-se no relatório Draghi e tem um duplo objetivo. O primeiro é a identificação das mudanças políticas necessárias para que a Europa acelere as reformas económicas. O segundo objetivo é melhorar a forma como a UE trabalha em conjunto. É necessário aumentar a rapidez e a qualidade do processo de decisão, simplificar o quadro regulatório, ultrapassando simultaneamente a fragmentação na UE. 

O segundo objetivo prende-se com a participação ativa dos Estados-Membros, bem como de outras partes interessadas, como as empresas e os cidadãos. Muitas alavancas essenciais, desde a fiscalidade aos mercados de trabalho e às políticas industriais, estão em grande parte ou parcialmente nas mãos dos governos da UE, e as reformas nacionais coordenadas e o investimento serão uma componente essencial desta estratégia global. 

 

Três imperativos transformacionais e os cinco facilitadores horizontais para estimular a competitividade 

O relatório Draghi identificou três imperativos transformacionais para aumentar a competitividade e a Bússola da Competitividade traduz esses imperativos num caminho para a realização nos próximos anos. 

 

 

Colmatar o gap de inovação: estratégias para promover startups e tecnologias europeias 

O crescimento económico da Europa depende cada vez mais de inovação disruptiva e ganhos de eficiência. Apesar de o número de patentes europeias rivalizar com os EUA e a China, apenas um terço das patentes universitárias da UE são comercializadas. A causa está na fragmentação do mercado, escassez de capital de risco e apoio limitado à inovação, travando o desenvolvimento de startups. 

Para inverter esta tendência, a Comissão Europeia prepara a Startup and Scale-up Strategy, com medidas como o reforço do capital de risco e incentivos ao investimento em tecnologias emergentes — incluindo IA, semicondutores, computação quântica e biotecnologia. 

A estratégia inclui ainda uma revisão da política de concorrência e a aplicação coordenada da Lei dos Mercados Digitais, além da expansão de Projetos Importantes de Interesse Europeu Comum (IPCEI) para fomentar a cooperação em setores estratégicos. 

 

Descarbonização e competitividade: a estratégia europeia para uma indústria mais verde 

A descarbonização da economia europeia está no centro da nova estratégia de crescimento sustentável da UE. O Clean Industrial Deal surge como uma iniciativa-chave para tornar a Europa mais atrativa para indústrias intensivas em energia, com foco em tecnologias verdes e modelos de negócio circulares. 

A proposta de um Circular Economy Act visa aumentar os investimentos em reciclagem e promover o uso de materiais secundários, contribuindo simultaneamente para as metas de neutralidade carbónica e para o reforço da competitividade industrial. 

Contudo, os preços elevados e voláteis da energia continuam a ser um desafio. Em resposta, o novo Action Plan for Affordable Energy, lançado em fevereiro de 2025, pretende garantir energia acessível para empresas e famílias, aproveitando as vantagens da integração energética europeia. 

Setores fundamentais como aço, metais e químicos estão no foco da transformação verde. Estes exigem apoio público estratégico para viabilizar a transição para modelos de produção mais sustentáveis. 

Apesar da complexidade do processo, a descarbonização industrial da Europa representa uma oportunidade única para impulsionar a inovação, fortalecer a resiliência económica e posicionar a UE como líder global na ação climática. 

 

Reduzir dependências estratégicas e reforçar a segurança económica da Europa 

O reforço da autonomia estratégica europeia tornou-se um dos pilares fundamentais para garantir a resiliência económica e geopolítica da União Europeia. A estratégia passa por reduzir dependências excessivas de países terceiros, ao mesmo tempo que se ampliam parcerias comerciais globais e se assinam acordos comerciais sustentáveis. 

A segurança económica e a capacidade industrial de defesa ganham nova importância, com a UE a planear investimentos estruturais para reforçar a sua indústria de defesa e aumentar a sua independência tecnológica e energética. 

No contexto da ação climática, a União está também focada em aumentar a sua resiliência ambiental, com destaque para o desenvolvimento de um Plano Europeu de Adaptação às Alterações Climáticas. Este plano inclui medidas para lidar com fenómenos meteorológicos extremos e a implementação de estratégias sustentáveis para a gestão da água, um recurso cada vez mais crítico em muitos Estados-Membros. 

A conjugação entre segurança, sustentabilidade e cooperação internacional está no centro da nova visão europeia para uma economia robusta e preparada para os desafios globais. 

 

Cinco eixos estratégicos para reforçar a competitividade europeia 

Os pilares anteriormente apresentados são complementados por ações relativas a fatores horizontais facilitadores, sendo elas: 

  1. Simplificação regulatória e digitalização
    Através do Pacote Omnibus, a UE pretende reduzir em até 35% as obrigações de reporte para empresas, especialmente PME, promovendo simultaneamente a digitalização administrativa para facilitar o acesso a financiamento e o cumprimento normativo; 
  2. Revitalização do Mercado Único
    A Single Market Strategy visa eliminar barreiras internas à livre circulação de bens, serviços e capitais, com foco na modernização das comunicações eletrónicas e integração europeia em normativos globais; 
  3. Mobilização de investimento privado e poupança
    A Savings and Investments Union aposta na canalização de poupanças privadas para setores estratégicos de crescimento, complementada por um futuro European Competitiveness Fund focado em tecnologias-chave; 
  4. Valorização do capital humano
    Com iniciativas como a Union of Skills e o Quality Jobs Roadmap, a UE reforça o investimento em requalificação, trabalho digno e atração de talento global como base de uma economia inclusiva e resiliente; 
  5. Coesão estratégica e coordenação de investimentos
    Um novo instrumento europeu visa alinhar políticas e recursos dos Estados-Membros, com projetos-piloto em áreas críticas como energia, transportes e digitalização, promovendo sinergias para maior impacto competitivo. 

 

Arquivado em:Economia, Notícias, Política

Telecomunicações geram valor recorde, mas retorno desaponta

13 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

O setor global das Telecomunicações criou 694 mil milhões de dólares (643 mil milhões de euros) em valor entre 2020 e 2024, um crescimento de 21% face ao quinquénio anterior, revela o novo estudo da Boston Consulting Group (BCG), intitulado ‘Returns May Be Declining, but Opportunity Is Calling’. Ainda assim, o retorno médio anual para os acionistas (TSR) ficou nos 4%, dois pontos percentuais abaixo dos 6% registados no período anterior.

Segundo Eduardo Bicacro, partner da BCG em Lisboa, «a indústria enfrenta um ambiente desafiante, mas as empresas que apostam cedo na digitalização, na inovação e em fusões e aquisições inteligentes conseguem distinguir-se e criar mais valor». Além disso, sublinha ainda que a menor escala tem funcionado como uma vantagem competitiva para alguns operadores, ao permitir maior agilidade na adaptação e captura de oportunidades.

Eduardo Bicacro, Partner at Boston Consulting Group (BCG)

No mesmo período, o retorno sobre o capital investido (ROIC) das empresas do setor fixou-se nos 6,7%, abaixo do custo médio ponderado de capital (WACC) mediano, que foi de 7,1%. Apesar disso, o setor encurtou a distância em relação à média do mercado: ficou 7 pontos percentuais abaixo do índice S&P Global 1200, contra os 15 pontos de diferença registados em 2023.

 

Pequenas empresas lideram no retorno acionista

O estudo da BCG divide o setor em quatro arquétipos. As telecom globais geraram 199 mil milhões de dólares em valor, com um retorno médio anual de 3,1% — menos 4 pontos percentuais que no quinquénio anterior. Já os grandes operadores domésticos representaram dois terços do valor total criado (455 mil milhões), com um TSR de 4%, ligeiramente abaixo dos 6% anteriores.

As pequenas empresas, com receitas inferiores a 10 mil milhões de dólares, foram o único grupo a registar crescimento no retorno aos acionistas: alcançaram uma média anual de 6%, mais 3 pontos percentuais face ao quinquénio anterior. Em contraciclo, as empresas de infraestruturas perderam valor — cerca de 34 mil milhões de dólares — e apresentaram um retorno negativo de -2%, uma queda abrupta em relação aos 10% positivos registados entre 2019 e 2023.

Otimização, 5G e IA como motores de valor

A BCG identifica três frentes críticas para a criação de valor no setor:

  • Otimização de ativos e custos, incluindo redes partilhadas e soluções cloud, como forma de reforçar a rentabilidade operacional.
  • Investimento em arquiteturas de rede de próxima geração, aproveitando o fluxo de caixa de redes 5G e fibra para lançar novos produtos e serviços.
  • Transformação digital e adoção de inteligência artificial, com destaque para a IA generativa na personalização de campanhas, automatização do atendimento ao cliente e redução da rotatividade.

Fusões e aquisições (M&A) ganham peso estratégico

Noutro estudo recente, ‘Future-Proofing Telcos with Smart M&A’, a BCG reforça o papel das fusões e aquisições como alavanca para consolidar mercado, ganhar escala e aceder a novas competências tecnológicas. Num contexto de mercados saturados e elevada concorrência, a aposta seletiva e estratégica em M&A permite às operadoras explorar sinergias de custo, melhorar a eficiência operacional e aumentar o retorno sobre o capital.

O setor das Telecomunicações continua a apresentar potencial de crescimento, mas para capturar esse valor, as empresas terão de acelerar a transformação tecnológica e reforçar a sua posição através de operações inteligentes de consolidação.

Arquivado em:Economia, Notícias

Nova formação ensina alunos universitários a conciliar vida pessoal e profissional 

13 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Atravessamos um momento em que o bem-estar no trabalho e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal ganham crescente relevância nas organizações. Neste sentido, a Atlântica – Instituto Universitário anunciou o lançamento de uma nova Microcredencial em Gestão da Conciliação, como resposta à necessidade crescente de preparar profissionais para integrarem práticas de bem-estar nos contextos organizacionais e escolares.  

Esta formação é totalmente online e está alinhada com a Norma Portuguesa 4552:2022, que define os princípios para um Sistema de Gestão da Conciliação entre a Vida Profissional, Familiar e Pessoal (SGC). Esta proposta teve origem nas salas de aula da Atlântica, como resultado da unidade curricular de Ética, Felicidade e Aconselhamento Filosófico. 

«Queremos oferecer uma visão integradora da Norma 4552:2022 e preparar os alunos para desafios atuais e futuros, numa área em clara ascensão a nível nacional e internacional» afirma Jorge Humberto Dias, docente da instituição. 

 

Formação prática e adaptada às novas exigências do mercado 

A Microcredencial tem uma duração total de 27 horas, incluindo componentes teórico-práticas, trabalho autónomo e sessões de tutoria. Jorge Humberto Dias acrescenta que «esta formação responde a uma prioridade real dos trabalhadores: a conciliação entre vida pessoal e profissional». Recorda ainda um estudo recente que revelou que, pela primeira vez em Portugal, o equilíbrio trabalho-vida pessoal ultrapassou o salário como fator determinante na escolha de emprego. 

A experiência-piloto da semana de quatro dias, recentemente realizada no país, também reforça a importância desta temática. Os resultados demonstraram ganhos claros em termos de produtividade, saúde mental, envolvimento e felicidade dos colaboradores, validando a necessidade de implementar modelos organizacionais mais sustentáveis e humanos. 

A Atlântica já conta com várias iniciativas focadas na promoção da felicidade organizacional e da qualidade de vida no trabalho, com a Pós-Graduação em Gestão de Pessoas e Felicidade Organizacional ou o curso ‘Happy Schools’ – desenvolvido em colaboração com a UNESCO e a Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE). 

Arquivado em:Educação, Notícias

Bolsa Luís Patrão com candidaturas abertas até 31 de maio

13 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Estão abertas até 31 de maio as candidaturas à Bolsa Luís Patrão, uma iniciativa do Turismo de Portugal que atribui apoios de 50 mil euros a jovens com potencial para liderar o futuro do setor. A dotação total é de 500 mil euros, a dividir por dez bolsas de estudo: cinco para cursos técnico-profissionais e cinco para programas de pós-graduação, como mestrados ou MBAs.

Destinada a candidatos até aos 35 anos, residentes em Portugal, a bolsa exige formação técnica ou superior e uma média mínima de 14 valores no último grau académico concluído. A seleção será feita por um júri externo e independente, com base no desempenho académico, experiência profissional, perfil de liderança, contributo potencial para o turismo e valorização da inovação e sustentabilidade.

Criada em 2023, a Bolsa Luís Patrão pretende reforçar o capital humano do turismo nacional. Na sua edição inaugural, apoiou jovens em instituições como o Les Roches Marbella, o Culinary Institute of Barcelona ou a Universidade Católica Lisbon. Três dos bolseiros eram oriundos da rede de escolas do Turismo de Portugal.

«A Bolsa promove a criação de uma rede de jovens profissionais altamente qualificados, contribuindo para a formação de gestores de topo», sublinha Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal.

As candidaturas são submetidas exclusivamente online, através do portal do Turismo de Portugal:
https://www.turismodeportugal.pt/pt/bolsa-luis-patrao/Paginas/candidaturas-blp.aspx

Arquivado em:Educação, Notícias

Não podemos voltar ao quintal 

13 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Vivemos tempos inquietos. Tempos em que a incerteza e o medo empurram muitos para dentro, de volta aos seus pequenos quintais. Quintais ideológicos, quintais económicos, quintais nacionais. Mas se há algo que a história recente nos ensina é que não há futuro no isolamento. O mundo já não cabe em fronteiras apertadas. E insistir em soluções locais para problemas globais é não perceber o tempo em que vivemos. 

 A globalização, com todas as suas contradições, não é uma escolha — é uma realidade. Hoje, tudo está ligado: a energia, a tecnologia, a economia, a saúde, o clima. O que acontece num porto asiático afecta uma fábrica na europa. Uma decisão em Frankfurt ecoa em Lisboa. O mundo funciona em rede — e tentar desligar dessa rede é cortar o fio que nos mantém conectados ao progresso. 

 O recente apagão eléctrico que afectou simultaneamente zonas de Portugal e Espanha é um exemplo claro desta interdependência. Uma falha técnica, aparentemente localizada, expôs vulnerabilidades comuns e levantou, de imediato, vozes a questionar as interligações, a dependência energética, até a estratégia europeia. Mas talvez a verdadeira reflexão deva ser outra: será que somos mais fortes sozinhos? Ou será que estes momentos demonstram, precisamente, a urgência de reforçar as nossas ligações, os nossos acordos, os nossos sistemas partilhados? 

Somos mais quando somos Portugal e Espanha, lado a lado. Somos mais quando somos Europa, quando partilhamos recursos, inteligência e solidariedade. E somos mais ainda quando reconhecemos que pertencemos a uma única casa: o mundo. 

Importa sublinhar que, como é evidente, nem tudo está bem. Ainda temos muito por aprender — na forma como gerimos recursos, como garantimos justiça entre países, como equilibramos interesses económicos com direitos humanos e ambientais. Reconhecer isso não é sinal de fraqueza, é sinal de maturidade.  

Fechar-nos no quintal pode parecer seguro. Mas é uma segurança ilusória. É uma nostalgia que ignora os desafios reais do nosso tempo: as alterações climáticas, a transição energética, as desigualdades sociais, as crises sanitárias. Nenhum destes problemas se resolve de forma isolada. Precisamos de políticas coordenadas, de cadeias de abastecimento globais, de alianças estratégicas e de valores comuns. Precisamos, sobretudo, de uma visão interligada da humanidade. 

Portugal sempre foi maior do que o seu território. Navegámos mares, abrimos caminhos, ligámos culturas. A nossa vocação nunca foi o fechamento, mas a ligação. E agora, mais do que nunca, essa vocação precisa de ser resgatada. Temos de ser locais com alma global. Temos de saber quem somos, mas sem medo de abraçar o mundo. 

A verdadeira soberania, hoje, é a capacidade de cooperar. A verdadeira força é partilhar. E a verdadeira liderança é aquela que sabe construir pontes em vez de levantar muros. 

Não podemos voltar ao quintal. Porque é lá fora que a vida acontece. E é juntos que seremos sempre maiores. 

Arquivado em:Opinião

António Saraiva: «As desigualdades são a mãe de todas as convulsões»

12 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Atravessou a Revolução de Abril com o cheiro do enxofre ainda entranhado nas roupas e, sem nunca renegar as origens, tornou-se o rosto sereno do capital à portuguesa. António Saraiva é uma dessas figuras que rasgam o molde. Nasceu em Ervidel,  cresceu em bairros operários, aos 17 anos começou a trabalhar por turnos e com caldeiras, sentiu a pulsação das sirenes industriais — e depois subiu. Subiu devagar, com diplomacia e um jeito antigo de estar, até se sentar à mesa dos grandes interesses, entre ministros, banqueiros e multinacionais. Nunca gritou, mas todos o ouviram.

Hoje, às 18h, no Palácio da Rocha do Conde d’Óbidos — sede da Cruz Vermelha Portuguesa — apresenta-se António Saraiva, Um Certo Perfil, o retrato biográfico do histórico presidente da CIP, escrito por Pedro T. Neves e com prefácio de Ramalho Eanes. Publicado pela Guerra e Paz, o livro devolve-nos o percurso improvável de um homem que começou nas fábricas a dobrar metal e acabou a representar todos os patrões do país.

A Líder esteve à conversa com os dois, num momento de intimidade e memória, onde se tropeçou em silêncios que dizem mais do que os discursos e se resgataram episódios que nunca tinham saído do seu lugar original — as fábricas, os sindicatos, a justiça e os bastidores da diplomacia. Pedro T. Neves, jornalista e autor, ouviu-o com a atenção de quem sabe escutar um país numa só vida.

No livro, não há santificações — mas também não há cinismo. Há trabalho. Muito. Há dúvidas, embates e recuos. E há sobretudo uma lição rara no mundo dos que mandam: saber ouvir.

O «patrão dos patrões», como lhe chamaram, agora passado a papel.

 

Pedro Teixeira Neves e António Saraiva

 

Aos 17 anos, entrou pela porta da Lisnave e encontrou o ruído do ferro e o cheiro da graxa. Hoje preside à Cruz Vermelha Portuguesa. O que ficou agarrado às mãos desse tempo antigo?

António Saraiva (AS) – O que fica agarrado às mãos é o que fica para todos nós: a experiência que vamos acumulando, as sensações que nos moldam, os episódios que, com o tempo, vão esculpindo o nosso carácter. É isso que fica. As várias experiências, desde tenra idade até hoje, na presidência da Cruz Vermelha — um conjunto de experiências acumuladas que foram moldando este ser inacabado que todos nós somos, nesta aprendizagem permanente que vamos tendo.

PTN (Pedro Teixeira Neves) – O António é um exemplo vivo disso. Começou num ambiente operário e foi construindo um caminho a partir dessa base. Mas nunca se desvinculou dela. Carrega ainda hoje a memória e a consciência desse início, o que lhe confere uma autenticidade rara entre os que chegam ao topo.

 

O que é que um homem aprende quando começa por baixo — e nunca esquece, mesmo quando sobe?

AS – Aqueles que não esquecem — e nem todos são assim — aprendem que há várias formas de ver o mundo. A nossa não é a única. E à medida que acumulamos experiências, com tudo o que elas contêm, vamo-nos tornando mais conscientes disso: não somos donos da verdade. Mesmo quando achamos que temos razão, isso não quer dizer que o outro esteja errado.

Foi isso que fui aprendendo ao longo da vida — com as interações que tive, com os saberes que fui recolhendo dos outros. E isso exige humildade. Aquela humildade socrática: saber que nada sabemos. Ter sede de aprender. Porque se ficamos presos às verdades adquiridas, rapidamente nos tornamos obsoletos. Hoje, o conhecimento envelhece depressa. Por isso, precisamos dessa vontade de continuar a aprender — é isso que nos molda, ao longo do tempo.

PTN – Essa aprendizagem está presente na forma como o António evita o dogmatismo. Ele tem posições, tem convicções, mas raramente o vi ceder à tentação do absolutismo. Talvez por saber o que custa subir, talvez por ter começado lá em baixo, guarda sempre esse sentido de proporção, de equilíbrio, de escuta. Não é um saber enciclopédico — é um saber vivido. O António sabe muito bem quem é. Não há dúvidas de que ele é uma figura pública, mas não se deixa engolir por isso. Tem a consciência clara do seu percurso, daquilo que construiu, mas também sabe que isso não foi feito sozinho. 

Por falar nisso, liderar, por vezes, é andar sozinho. Sentiu-se mais vezes rodeado ou mais vezes só?

AS – Senti-me muito mais só. Liderar, em qualquer circunstância — numa empresa, num sindicato, até numa família — é, acima de tudo, um ato solitário. Ao longo da vida aprendi isso: por mais conselheiros que tenhamos, por mais que saibamos ouvir — e devemos ouvir —, a decisão final é sempre nossa. Podemos recolher experiências, opiniões, saberes, filtrá-los com bom senso, mas o momento da decisão, esse instante em que se age, é sempre solitário. E traz sempre dúvidas. Nunca sabemos, no momento, se a decisão tomada é a mais acertada ou se atingirá os objetivos desejados. Só o tempo o dirá.

 

O António representou fábricas, empresas, países, causas. Mas o que é isso, afinal, de representar os outros?

AS – Representar os outros é tentar calçar os seus sapatos, perceber as suas necessidades, entender os seus pontos de vista e interpretá-los com responsabilidade. Seja numa representação individual — quando alguém nos confia essa missão — ou coletiva, como tive oportunidade de viver, quer no movimento sindical, na liderança da comissão de trabalhadores da Lisnave, com oito mil pessoas, quer mais tarde, na CIP, representando um universo de 160 mil empresas.

Representar exige humildade e consciência da autoridade que nos é delegada. Obriga a agir com ética, responsabilidade e uma equidistância real perante os interesses em jogo. Porque uma representação séria não se faz ao serviço desta ou daquela parte, mas do todo — mesmo quando há pressões, poderes instalados e lobbies que tentam puxar-nos para o seu lado.

Em suma, representar é assumir um ato profundamente responsável, mantendo sempre essa neutralidade ativa, que nos impede de ser reféns e nos obriga a pensar no coletivo.

PTN – Ao longo da escrita da biografia, fui percebendo o que isto queria dizer na prática. Representar é uma arte delicada, sobretudo quando o que está em causa são interesses contraditórios. O António nunca foi ingénuo — sabe onde pisa — mas há nele essa insistência teimosa numa certa ideia de equilíbrio, de justiça. Não para agradar a todos, mas para não trair ninguém.

 

A propósito disso, esteve com patrões, operários, ministros, reitores. O que é que é sempre igual num ser humano, mesmo quando tudo muda à sua volta?

AS – A grande característica do ser humano está no equilíbrio instável entre as suas virtudes e os seus defeitos. No fundo, o ser humano é a sua circunstância. É essa teia de contextos, experiências e encontros que molda o carácter de cada um.

Independentemente dos cargos que ocupamos ou das responsabilidades que assumimos, trazemos conosco um conjunto de traços que definem a forma como nos posicionamos no mundo. E aquilo que a vida me ensinou, através das múltiplas interações que tive, é que os defeitos e as qualidades atravessam todas as pessoas. Nuns, sobressaem o egoísmo, o egocentrismo, a certeza absoluta de estarem certos. Noutros, a humildade, a ética, a escuta.

Mas cada ser humano é único — e essa singularidade é, talvez, a nossa maior riqueza. Somos um somatório de partes, e é na leitura atenta dessas partes que percebemos que há muito de comum e um pouco de diferença. Foi essa a aprendizagem maior que retirei da convivência com tantas pessoas, em tantos contextos. E, no fundo, quando se despem os papéis, os cargos, os títulos, o ser humano — despojado — é, de certa forma, igual aos outros.

PTN – Numa altura em que se fala tanto de autenticidade, o António não precisa de a simular. Ele acredita mesmo que, despidos os papéis e os títulos, todos temos mais em comum do que pensamos. E é nessa leitura do outro — por vezes silenciosa — que reside grande parte da sua força.

 

Escutar é um verbo difícil. A que preço se escuta verdadeiramente, sobretudo quando há urgência de falar?

AS – Não é fácil. Sobretudo quando, por dentro, nos apetece gritar. Mas o que o Marcelo me perguntava, e que entendi como: «porque é que tantas vezes, quando queremos explodir, escolhemos o silêncio?», tem que ver com isso mesmo — com um jogo de percepções.

Com o tempo e a experiência, se soubermos tirar delas os devidos ensinamentos, aprendemos a ler melhor o outro. Nem sempre conseguimos, claro, mas vamos desenvolvendo essa capacidade. E, nesse processo, percebemos que, por mais que tenhamos razão — e por mais que a vontade de a afirmar seja quase visceral —, há momentos em que gritar seria perder a oportunidade de perceber quem temos à nossa frente. E perceber o outro exige escuta, exige silêncio — mas um silêncio ativo, que nos permita decifrar.

Por vezes, a maior força está em conter o ímpeto, dar espaço ao outro para esvaziar a raiva ou a impotência que carrega, e só depois, com tempo e leitura, intervir. Esse silêncio, que parece ter um preço, é muitas vezes um ganho. Porque ao calarmo-nos, não rompemos. E quem quer construir pontes, como é o meu caso, precisa de manter as margens ligadas. Só assim se constrói qualquer coisa.

O preço do silêncio, na verdade, é o benefício da relação. E aprendemos que o grito pode até trazer alívio imediato — mas quase sempre leva à rutura. E a rutura raramente constrói.

PTN – Para explicar a simplicidade do António e o seu ‘saber escutar’ basta contar como nos conhecemos.  Na nossa primeira conversa, estávamos no café, e depois de algumas horas o estabelecimento fechou. O António foi o primeiro a sugerir que continuássemos a trocar ideias, e fomos sentar-nos num muro ali perto. A partir dali, a figura pública desapareceu e o António, o homem, fez-se notar ainda mais. Ele não fez qualquer esforço para manter as distâncias. E eu comecei a perceber que a visão que eu tinha dele, como ‘patrão dos patrões’, foi completamente desfeita.

 

Fala-se cada vez mais em diplomacia empresarial — a chamada corporate diplomacy. Trata-se apenas de um nome moderno para a construção de pontes entre mundos que antes se evitavam?

AS– Sim, creio que sim. No fundo, é a forma como nos relacionamos com os outros — em diferentes níveis, com diferentes culturas. A cultura ocidental não é igual à oriental. A portuguesa não é igual à alemã. Cada povo traz à relação os seus próprios códigos, os seus traços históricos e culturais. E é aí que entra a diplomacia: criar entendimento, estabelecer pontes, construir diálogo.

Isso sempre existiu. Hoje chamamos-lhe corporate diplomacy, porque aplicamos a lógica diplomática às organizações. Mas, no fundo, estamos a falar de relações humanas. A diplomacia é o contrário do confronto: ou nos entendemos ou entramos em contenda. Mesmo em guerra, o objetivo último é alcançar a paz. O que agora fazemos é transportar esse espírito para o mundo empresarial, onde também é preciso consensualizar, negociar, encontrar equilíbrios. A terminologia muda, mas a essência é antiga como o tempo.

 

Portugal parece, por vezes, um país parado a meio da travessia. Falta-lhe escada ou vontade de subir?

AS – A vontade de subir existe. A história mostra isso. Portugal foi pequeno, mas partiu. Descobrimos mundos, muitas vezes por necessidade, outras por aventura. Mais tarde, emigrámos, sem falar línguas, sem conhecer culturas, mas sempre à procura de melhor. Está no nosso ADN: o espírito de superação.

O problema não está na ambição. Está na construção dos degraus. Podemos ter vontade de subir, mas se não construirmos uma escada sólida, degrau a degrau, ficamos a meio. Falamos há anos de crescimento económico. Sabemos o que é preciso. Mas não estruturamos o caminho. Entre burocracias, leis confusas e guerras político-partidárias estéreis, vamos andando para a frente e para trás. Há vinte, vinte e cinco anos que Portugal não cresce de forma sustentada. Identificamos bem os problemas, mas não os resolvemos.

Falta-nos objetividade, um desígnio comum, acordos estruturantes. Em vez disso, temos guerrilhas e protagonismos. O 25 de Abril trouxe três grandes objetivos: descolonizar, democratizar, desenvolver. Cumprimos dois. Falta o terceiro. É essa escada do desenvolvimento que ainda não conseguimos construir.

 

O país está cheio de talento a prazo, com vidas em suspenso. O que se faz com uma geração assim?

AS – Temos de lhes dar uma perspectiva. O diagnóstico está feito. Sabemos que a nossa estrutura empresarial é frágil — demasiadas microempresas, demasiada precariedade. Sabemos que já não temos o Brasil, nem as colónias, nem a mesma abundância de fundos europeus. E também sabemos que temos vantagens geográficas, que somos uma plataforma atlântica com potencial.

Mas falta-nos coragem para agir. Fala-se de lítio, mas ninguém o quer no quintal. Fala-se de gás ou petróleo, mas desde que não estrague o turismo no Algarve. É preciso um plano, um verdadeiro plano estratégico. Um plano de fomento. O regime anterior teve muitos defeitos — muitos — mas tinha um plano, uma ideia de país. Hoje, temos diagnósticos sem terapias. E isso não chega. É preciso agir. Alterar este estado de coisas. Saibamos dar soluções, e não apenas despejar mágoas.

PTN – Eu vejo as cicatrizes do António como parte do seu processo de construção. Ele faz justiça às pessoas da sua vida, aos seus amigos de infância, àqueles que o acompanharam na sua jornada. Ele não esconde nada, nem mesmo as feridas que o marcaram. E isso é importante. É no respeito pelas suas cicatrizes e pelas dos outros que ele demonstra quem é realmente. A biografia não se trata de uma lista de conquistas, mas de uma história de vida que é construída também pelos outros.

 

As universidades formam cabeças, mas será que formam vontades?

AS – Acho que não. Acho mesmo que não. E o facto de dizermos, como tantas vezes se diz, que temos hoje a geração mais formada, mais habilitada… eu, de alguma maneira, contesto isso. Temos sim a geração com mais canudos, mais cursos superiores, mas isso não quer dizer que estejam mais bem preparados para o mundo que têm pela frente.

Por exemplo, o curso superior, ainda por cima com a reforma de Bolonha, dá-me quatro anos de um determinado conhecimento. Mas nesses quatro anos, o mundo já mudou. Se eu acabasse o curso e voltasse ao primeiro ano, o plano curricular já teria que ser outro. A velocidade da mudança é tal que aquilo que aprendo hoje pode estar ultrapassado amanhã.

Assim, contam as ferramentas, mas não só as académicas. Contam as outras — a vontade, a adaptação, a ânsia de aprender. É nos vários saberes, nos livros e na vida, que se constrói um futuro. E não está longe o tempo, defendo eu, em que um eletricista ou um canalizador ganharão mais do que um advogado ou um arquiteto.

Está a dizer que essas profissões ‘manuais’ vão valer mais?

AS – Sim. Porque a inteligência artificial vai substituir muitas das profissões com notoriedade social. O robô pode fazer um projeto de canalização, mas não o executa. Não monta uma instalação elétrica nem faz uma soldadura rigorosa. E é aí que está o futuro. Há escolas que já trabalham nisso — formação dual, entre empresa e escola. E há mentes de marca, como lhes chamo, que começam a pensar diferente.

 

Mas ainda há essa ideia do ‘meu filho vai ser doutor’…

AS – Claro. A minha geração herdou isso dos nossos pais, que por sua vez herdaram dos avós. Vínhamos de um meio rural para o industrial e depois para os serviços. E o sonho era que o filho fosse doutor. Mas de que me serve isso hoje, num mundo cheio de doutores sem oportunidades? Mais vale aprender a ser um bom canalizador.

 

Se um aluno lhe dissesse: «não quero ser grande, só quero ser justo», o que lhe respondia?

AS – Que é uma excelente forma de estar. Porque uma das minhas maiores angústias é perceber que o mundo está a perder valores, ética, princípios. E o justo, para mim, é o somatório disso tudo e sinal que há esperança. Se deixarmos de querer ser justos, apostando noutras variáveis, corremos o risco de nos desumanizarmos.

 

Assumiu a Cruz Vermelha num tempo em que o mundo parece estar a arder. Ainda acredita que é possível cuidar tantas feridas?

AS – Acredito, porque tenho experienciado isso. Nestes dois anos na Cruz Vermelha percebi o que não sabia: a pobreza que há neste país. As necessidades instaladas. E se não fossem organizações como a Cruz Vermelha, as Misericórdias, as IPSS, a situação seria insustentável. A fome é má conselheira. Se tiver um filho com fome em casa… não sei do que sou capaz enquanto pai. As desigualdades sociais são a mãe de todas as convulsões. Alimentam populismos, ameaçam democracias.

Se continuarmos com poucos muito ricos e muitos muito pobres, vamos ter problemas sérios. E é por isso que a dimensão social tem que ser levada a sério. Ajudar quem precisa não pode ser um extra — tem de ser uma obrigação humana.

 

 

Mas diz que ainda há esperança. Onde a vê?

AS – Na solidariedade. Em momentos concretos, quando há uma recolha de alimentos, quando vemos voluntários a ajudar, percebemos que o humanismo ainda não morreu. A minha angústia é que parece que temos só um quintal, quando devíamos ter um campo inteiro. Mas a semente ainda lá está. É como nas empresas. A responsabilidade social não pode ser só marketing. Não pode ser só ir pintar a sede de uma associação ou fazer um dia de voluntariado para parecer bem. É importante, claro. Mas mais importante ainda é a distribuição de lucros com justiça, os seguros de saúde, as condições de trabalho dignas. Isso é que é responsabilidade social de verdade.

 

Pedro, o António é cada vez mais raro neste mundo em que vivemos, onde tudo parece ser mais materialista, mais anónimo. Concordas?

PTN – Sim, concordo. O mundo está cada vez mais voltado para o material, mais distanciado do ser humano. Vivemos num mundo onde as pessoas se perdem na busca por status, por lucro, e esquecem-se das coisas que realmente importam. O António, no entanto, nunca se perdeu disso. Ele não se esqueceu da importância das relações humanas, da família, da amizade. Em tempos onde estamos rodeados de tecnologia e pressões externas, o António permanece uma ilha de humanidade.

Este livro não é apenas sobre um ‘patrão dos patrões’, mas sobre um homem que tem algo muito mais profundo a oferecer: a capacidade de ver os outros e de se colocar no lugar deles. Isso é o que o torna único.

 

E o que achas que o António ainda procura, mesmo depois de tudo o que conquistou?

PTN – Não sei. É difícil dizer, mas há duas coisas. O António é como um ‘MacGyver’ da vida – sempre disposto a arranjar soluções, a apontar, a arranjar. Ao mesmo tempo, ele tem uma enorme generosidade para com os outros, colocando-os quase sempre à frente dele. Por isso, o que o António ainda procura… Talvez seja algo que ele não sabe ainda bem definir. Mas uma coisa é certa: ele continua em movimento. No fim da biografia, eu sugeri ao António que fosse mais devagar, que tivesse tempo para ele. Mas sei que ele nunca vai parar. Para ele, a vida é sobre os outros, sobre a conexão com o mundo e com as pessoas.

 

Se fosse possível dar um título secreto ao livro, qual seria?

PTN – Um título secreto? Acho que seria algo como ‘Um Mundo em Construção’, porque o percurso do António é exatamente isso – uma história sem ponto final. Ele não é alguém que olha para a vida com um ponto final. O António está sempre a criar, a aprender, a evoluir. Ele é uma pessoa de raízes, que ama o seu país, a sua família, mas nunca se desvincula do mundo, da vida. E isso é algo muito raro, muito precioso. Não é fácil encontrar pessoas como ele.

António, recebeu comendas, medalhas… Sente que cumpriu?

AS – Essas distinções são o reconhecimento de um percurso. Chancelam o passado, não garantem o futuro. O que eu quero é manter-me fiel às qualidades que levaram a esse reconhecimento. E no dia em que morrer — se tiver consciência disso —, quero partir com a tranquilidade de saber que, se tivessem de me dar esse galardão naquele momento, ele ainda faria sentido.

 

Que frase deixaria escrita no caderno de um adolescente de 17 anos?

AS –  Entendendo por justo o conjunto de valores que lhe caracterizei, ser justo.

Arquivado em:Entrevistas

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Interim pages omitted …
  • Página 134
  • Página 135
  • Página 136
  • Página 137
  • Página 138
  • Interim pages omitted …
  • Página 179
  • Go to Next Page »
Lider
Lider
Lider
Lider
Lider
Tema Central

Sobre nós

  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Tema Central
  • Termos e Condições
  • Política de Privacidade

Contactos

Av. Dr. Mário Soares, nº 35,
Tagus Park
2740-119 Oeiras
Tel: 214 210 107
(Chamada para a rede fixa nacional)
temacentral@temacentral.pt

Subscrever Newsletter
Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Subscrever Newsletter

©Tema Central, 2026. Todos os direitos reservados.