• Skip to main content
Revista Líder
Ideias que fazem futuro
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos

  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      O que aconteceu às chamadas telefónicas?

      Não existe um inglês ‘mais correto’: sotaques refletem identidade, cultura e diversidade, diz estudo

      Leading People 2026: «O ser humano não se realiza na sua vida diletante», salienta Adolfo Mesquita Nunes

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Falta de talento e competências digitais tornam-se prioridade de risco na Europa

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Frank Gehry, Levi’s e Swatch: 5 escolhas de lifestyle, design e tecnologia para descobrir

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

      Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
Loja
  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      O que aconteceu às chamadas telefónicas?

      Não existe um inglês ‘mais correto’: sotaques refletem identidade, cultura e diversidade, diz estudo

      Leading People 2026: «O ser humano não se realiza na sua vida diletante», salienta Adolfo Mesquita Nunes

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Falta de talento e competências digitais tornam-se prioridade de risco na Europa

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Frank Gehry, Levi’s e Swatch: 5 escolhas de lifestyle, design e tecnologia para descobrir

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

      Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos
Subscrever Newsletter Assinar

Siga-nos Lider Lider Lider

As ideias que fazem futuro, no seu email Subscrever

Marcelo Teixeira

Universidades portuguesas lançam ciclo de conversas sobre o impacto da Inteligência Artificial

6 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A Inteligência Artificial sai dos laboratórios e entra no debate público. O Digital Data Design Institute at Nova SBE e a NOVA Medical School lançam este mês um novo ciclo de conversas – as Human-AI Talks – dedicado a pensar, de forma crítica e aberta, o impacto da IA no mundo real.

A estreia aconteceu ontem no campus da Nova SBE, em Carcavelos. O tema da sessão: AI & Society e no centro da conversa, ouviram-se três vozes internacionais com percurso académico sólido e pensamento afiado.

 

Diversidade, mitos e novas métricas: três visões sobre o presente da IA

Sofia Bapna, professora na Carlson School of Management (University of Minnesota), abriu a tarde com Fixing Diversity in AI – uma intervenção que mergulhou nas falhas estruturais do setor tecnológico, propondo caminhos para corrigir a desigualdade de género e promover uma inclusão real em plataformas digitais.

Logo depois, Ravi Bapna, da mesma instituição, desmontou cinco mitos comuns sobre inteligência artificial. Em 5 Common Myths About AI, são desenvolvidos argumentos que partem da investigação e da experiência prática em contextos empresariais e governamentais. Dessa forma, são factos que alertam para os limites e exageros no discurso tecnológico.

A fechar, Gordon Burtch, da Boston University, apresentou How AI is Redefining What We Can Measure – uma talk que olhou para o modo como a IA está a redesenhar o que medimos, como avaliamos e, no fundo, o que consideramos conhecimento válido num mundo cada vez mais digital.

Esta primeira sessão marcou o arranque de uma agenda ambiciosa, que quer abrir espaço à dúvida, à escuta e à partilha entre academia, empresas e sociedade. «Queremos aumentar a consciência coletiva sobre os riscos e as oportunidades da inteligência artificial, e reforçar o nosso papel como espaço de pensamento estratégico sobre o futuro da IA em Portugal», sublinha Lénia Mestrinho, diretora executiva do Digital Data Design Institute at Nova SBE e NOVA Medical School.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Navegar na incerteza: resposta estratégica das empresas familiares

6 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

As empresas familiares enfrentam dificuldades particulares em ambientes económicos sujeitos a incerteza e a volatilidade provocadas por fatores externos, como, alterações políticas, crises financeiras, guerras comerciais, disrupções tecnológicas e pandemias.

Estes fenómenos, difíceis de antecipar e de controlar, criam pressões adicionais sobre a sustentabilidade a longo prazo, especialmente em estruturas orientadas por processos tradicionais e relações internas estáveis. A liderança torna-se determinante na definição das respostas estratégicas. A capacidade para combinar práticas de inovação aberta com o desenvolvimento de uma cultura empreendedora constitui um instrumento eficaz para antecipar, reagir e adaptar-se à imprevisibilidade.

A inovação aberta permite o acesso a conhecimento, recursos e competências externas, superando limitações internas e criando novas possibilidades estratégicas. O empreendedorismo organizacional favorece a agilidade na identificação de oportunidades e a flexibilidade na reconfiguração de modelos de negócio.  A sucessão assume uma posição central neste processo.

A continuidade da empresa depende da preparação intencional das novas lideranças, da transferência progressiva de responsabilidades e da criação de uma cultura de gestão orientada para a renovação estratégica. A ausência de um plano estruturado de sucessão compromete a capacidade de resposta a choques externos e reduz o potencial de adaptação em contextos dinâmicos. A liderança atual deve assumir a incerteza como parte integrante da gestão.

Incorporar práticas de inovação aberta, fomentar o espírito empreendedor interno e preparar ativamente a sucessão são movimentos que reforçam a resiliência organizacional. Esta abordagem permite transformar a imprevisibilidade num processo contínuo de aprendizagem e de renovação.

Evidências da literatura especializada e casos concretos demonstram que as empresas familiares que adotam estas práticas apresentam maior capacidade de sustentação em períodos de elevada incerteza. A liderança que reconhece a importância da sucessão estruturada e da abertura estratégica posiciona a empresa num caminho de adaptação, crescimento e continuidade.

O controlo sobre os fenómenos externos é limitado. A escolha consciente da forma de resposta permanece uma responsabilidade exclusiva da liderança. Preparar a sucessão e fomentar a inovação interna não são reações circunstanciais, mas decisões estratégicas que moldam a trajetória futura da empresa familiar.

Arquivado em:Opinião

Inteligência artificial revela impacto de doenças crónicas no envelhecimento do cérebro

5 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) demonstrou como certas doenças crónicas afetam o envelhecimento do cérebro, através de técnicas avançadas de inteligência artificial. O estudo, publicado na revista científica Brain Communications, mostra que a idade biológica do cérebro pode diferir significativamente da idade cronológica de uma pessoa. Ainda mais em casos de patologias associadas ao declínio cognitivo.

A doença de Alzheimer, por exemplo, pode acelerar o envelhecimento cerebral em mais de nove anos em relação à idade real do doente. Já a diabetes tipo 2 antecipa esse envelhecimento em cerca de cinco anos, enquanto na esquizofrenia o desfasamento ronda os dois anos.

O trabalho, liderado por Maria Fátima Dias, investigadora do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) e do Centro de Informática e Sistemas da UC (CISUC), foi desenvolvido sob a orientação de Miguel Castelo-Branco e Paulo de Carvalho, ambos docentes e responsáveis pelos respetivos centros de investigação.

A investigação baseia-se no conceito de brain age gap estimation – uma métrica que compara a idade real de uma pessoa com a idade cerebral estimada. Este cálculo é obtido a partir da análise de imagens de ressonância magnética por modelos de inteligência artificial.

Um novo biomarcador para o cérebro

«A idade cerebral estimada é a ‘idade biológica’ do cérebro, prevista por algoritmos que analisam alterações estruturais e funcionais no órgão. Um desvio positivo entre essa idade e a idade cronológica indica envelhecimento acelerado. Um desvio negativo sugere um cérebro biologicamente mais jovem», explica Miguel Castelo-Branco, autor sénior do estudo e diretor do CIBIT.

Os modelos utilizados permitiram ainda identificar as regiões cerebrais que mais contribuem para esse envelhecimento. Isto abriu caminho a novos métodos de avaliação precoce do declínio cognitivo. «Na prática, esta métrica pode vir a ser um biomarcador valioso no diagnóstico de doenças neurodegenerativas, permitindo intervenções mais atempadas», acrescenta o investigador.

Além do CIBIT e do CISUC, estiveram envolvidos no estudo especialistas da Faculdade de Medicina da UC, do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde e do Laboratório Associado de Sistemas Inteligentes. A investigação recorreu a bases de dados nacionais e internacionais, cruzando amostras diversas para reforçar a robustez dos resultados.

Este avanço científico não apenas oferece uma nova lente sobre o envelhecimento cerebral, como também reforça o papel da inteligência artificial como aliada na investigação médica e na luta contra as doenças do foro neurológico.

Arquivado em:Notícias, Saúde, Tecnologia

85% dos consumidores já troca marcas habituais por preços mais baixos. Tecnologia pode inverter a tendência

5 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A pressão do contexto económico está a levar os consumidores a optarem por produtos mais baratos: 85% já trocaram as suas marcas habituais por alternativas de menor custo. A tendência, impulsionada pela inflação, instabilidade nas cadeias de abastecimento e mudanças no mercado laboral, está a forçar as empresas de bens de consumo a reinventarem-se — e a tecnologia pode ser a chave.

De acordo com dados da Salesforce, 32% das empresas do sector já integraram totalmente a inteligência artificial (IA) generativa nas suas operações. Outros 34% estão em processo de expansão. Esta tecnologia pode não só aumentar a eficiência, como ajudar as marcas a manterem-se relevantes e rentáveis num mercado cada vez mais competitivo.

Ao mesmo tempo, as equipas de vendas continuam a perder tempo com tarefas repetitivas e de baixo valor. Estima-se que 41% do tempo das forças comerciais esteja a ser desperdiçado nestas funções. A IA promete inverter esse cenário, libertando os profissionais para atividades de maior impacto.

Uma das ferramentas em destaque é o Agentforce for Consumer Goods, uma solução desenvolvida pela Salesforce para criar agentes inteligentes com base em IA generativa, machine learning e processamento de linguagem natural. Com acesso a dados críticos e competências pré-configuradas, estes agentes conseguem assumir funções que vão da gestão de contas ao apoio ao cliente.

Quatro áreas-chave de transformação

1. Vendas
Os agentes de IA conseguem analisar grandes volumes de dados para apoiar as equipas comerciais, desde o contacto inicial com potenciais clientes até à marcação de reuniões. Automatizam tarefas como a resposta a perguntas frequentes ou a gestão de objeções, acelerando o ciclo de vendas.

2. Gestão de contas
Na gestão de grandes contas, os agentes ajudam a identificar oportunidades de negócio, monitorizar níveis de stock e fornecer análises preditivas. A sua acção melhora a retenção de clientes e permite decisões mais informadas e ágeis.

3. Apoio às equipas de campo
Os agentes inteligentes apoiam os representantes de vendas no terreno, automatizando o agendamento de visitas, preparando briefings e resumindo interacções com clientes. Isto permite libertar tempo precioso para actividades estratégicas.

4. Atendimento ao cliente
Cerca de 43% das marcas apontam o atendimento como a principal área para aplicar IA generativa. Os agentes podem operar 24 horas por dia, prestar assistência personalizada em tempo real e responder em simultâneo a múltiplos pedidos, reduzindo tempos de espera e melhorando a experiência do cliente.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

De favelas a futuros: o desafio urbano da América Latina

2 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A América Latina e as Caraíbas são hoje das regiões mais urbanizadas do mundo. Cerca de 82% da população vive em cidades,  um número que supera largamente a média global de 55%. A urbanização acelerou o crescimento económico e impulsionou o progresso social. Mas trouxe também novas desigualdades.

A pobreza, que antes era sobretudo rural, é agora maioritariamente urbana. Em 2000, 66% das pessoas em situação de pobreza viviam em cidades; em 2022, eram já 73%. A redução da pobreza monetária — que desceu para 26% nesse ano — não travou a mudança de geografia da privação.

Hoje, mais de 15% da população urbana vive em pobreza multidimensional, segundo dados da CEPAL e do PNUD. São famílias que, mesmo com algum rendimento, continuam sem acesso a habitação condigna, educação de qualidade, cuidados de saúde ou serviços básicos. A concentração urbana torna os números ainda mais graves: milhões de pessoas vivem em bairros clandestinos, sem água potável, sem saneamento seguro, presas a ciclos de exclusão que se perpetuam geração após geração.

Três países — Brasil, Venezuela e México — reúnem 59% das pessoas em pobreza extrema na região. São mais de 52 milhões de indivíduos a viver com menos de 3,65 dólares por dia. A urgência de respostas integradas nunca foi tão evidente.

A intersecção entre desigualdade urbana e vulnerabilidade climática

O crescimento desordenado das cidades, aliado ao impacto crescente das alterações climáticas, aprofundou a exclusão social. Muitos centros urbanos expandiram-se mais depressa do que a capacidade dos governos para planear, levando a uma ocupação massiva de zonas de risco: encostas, margens de rios, periferias expostas.

Nestes territórios frágeis, qualquer tempestade, qualquer inundação, torna-se catástrofe. As populações mais pobres, a viver em habitações precárias e sem rede de apoio, são sempre as mais afetadas. Estimativas recentes alertam: sem intervenção urgente, os choques climáticos poderão aumentar a pobreza extrema até 300% até 2030.

A crise climática não atinge todos por igual. Ela agrava desigualdades antigas. Secas, tempestades e degradação de solos forçam deslocações em massa, pressionando ainda mais bairros já saturados. Mulheres, que chefiam um quarto dos agregados urbanos nas Caraíbas e América Latina — a maior proporção do mundo — enfrentam obstáculos acrescidos: trabalho clandestino, responsabilidades de cuidado, menor acesso a proteção social. Em contextos de desastre, a vulnerabilidade agrava-se. A mobilidade é menor, o acesso a recursos é mais difícil, o risco de violência sobe.

Inovação urbana: caminhos possíveis

Apesar dos desafios, as cidades continuam a ser espaços de inovação e esperança. Em Medellín, na Colômbia, a estratégia de ‘urbanização social’ transformou zonas vulneráveis em bairros integrados: transportes públicos acessíveis, bibliotecas, zonas verdes e centros culturais fortaleceram comunidades e reduziram a violência.

Curitiba, Bogotá e Cidade do México apostaram em soluções de mobilidade sustentável, encurtando tempos de deslocação, melhorando a qualidade do ar e criando novas oportunidades económicas, sobretudo para os mais pobres.

Natureza também é resposta. Iniciativas de plantação de árvores, florestas urbanas e recuperação de zonas húmidas em cidades como Lima e Bogotá estão a mitigar riscos climáticos e a devolver qualidade de vida aos espaços públicos. Em Quito, o conceito de ‘laboratórios urbanos’ colocou universidades, comunidades e autarquias a desenhar em conjunto soluções locais. Pequenas obras, grandes impactos.

O que estas experiências mostram é claro: a transformação urbana não depende apenas de grandes investimentos. Precisa de inovação, vontade política e, sobretudo, de colocar as pessoas no centro da decisão.

Dignidade e resiliência: a prioridade das próximas décadas

A luta contra a pobreza urbana e a vulnerabilidade climática exige políticas integradas e de longo prazo. Cidades mais justas e resilientes não se constroem por acaso: exigem planeamento focado na equidade, sustentabilidade ambiental e gestão do risco.

É essencial regulamentar o uso do solo, impedir construções em zonas de risco, garantir infraestruturas básicas — água, saneamento, transportes, energia eficiente — em áreas seguras e acessíveis. Investir em espaços públicos seguros, promover redes de proteção social robustas, criar sistemas de alerta e preparar as comunidades para reagir a desastres é igualmente crucial.

Financiar esta transformação implica criatividade: melhor cobrança fiscal local, incentivos ao investimento verde, acesso a mecanismos de financiamento misto. As políticas urbanas devem integrar objetivos sociais e ambientais, evitando abordagens fragmentadas. Planeamento com sensibilidade de género, uso de dados para decisões mais justas e processos participativos de governação serão essenciais.

Por fim, é necessário lembrar: infraestrutura é importante, mas não suficiente. A mudança verdadeira nasce também da consciência coletiva. Quando comunidades adotam comportamentos sustentáveis, reforçam laços sociais e participam na construção dos seus territórios, abrem caminho a cidades mais fortes, mais justas, mais humanas.

A pobreza urbana, na sua dimensão multidimensional, obriga a repensar tudo: mais do que medir rendimentos, trata-se de defender a dignidade, garantir oportunidades e construir ambientes onde todos possam viver em segurança, saúde e bem-estar.

À medida que a urbanização avança, abre-se uma janela histórica para reimaginar as nossas cidades como motores de desenvolvimento inclusivo e de baixo carbono. Não aproveitar essa oportunidade seria, mais do que um erro, uma traição às gerações futuras.

Arquivado em:Notícias, Sociedade, Sustentabilidade

«A inclusão financeira é uma das bases da inclusão social» afirma João Guerra, CEO da Nickel Portugal

30 Abril, 2025 by Marcelo Teixeira

A nova legislação e regulamentação europeia obriga os bancos a disponibilizarem transferências imediatas, com custos equiparados às transferências tradicionais. A medida, que entrou em vigor em fevereiro e vai ser progressiva, representa um avanço significativo na rapidez e na confiança do sistema bancário europeu. No entanto, traz também novos desafios: as instituições terão de reforçar os seus mecanismos de segurança para combater a fraude num cenário onde tudo acontece em tempo real.

João Guerra, CEO da Nickel Portugal — fintech do grupo BNP Paribas que chegou ao mercado português em 2022 com a missão de democratizar o acesso a serviços financeiros essenciais — está na linha da frente desta transformação. Com mais de duas décadas de experiência em marketing estratégico, desenvolvimento de negócios e inovação digital, o CEO lidera a operação nacional da Nickel, que aposta numa combinação entre tecnologia e proximidade física, com uma rede crescente de pontos de venda em papelarias e tabacarias.

Em entrevista à Líder, João Guerra explicou o que muda na prática com estas novas regras, analisando os impactos diretos no bolso e na segurança dos clientes.

 

Que impactos é que estas novas medidas europeias vão ter no nosso sistema de pagamentos?

Estas medidas representam uma mudança estrutural. Não é apenas uma questão de velocidade. Estamos a falar de um novo paradigma na forma como o dinheiro circula. A transferência imediata passa a ser um direito — não um extra, não um serviço adicional, mas uma obrigação para todos os bancos e instituições financeiras que operem transferências SEPA tradicionais. Ou seja, o cliente que antes podia esperar dois dias úteis para ver uma transferência concluída, agora tem esse valor creditado em segundos. Isso transforma a experiência de pagamento e levanta novas exigências, tanto tecnológicas como operacionais.

E essas transferências deixam de ser um serviço pago à parte?

Exatamente. O legislador europeu foi claro: o custo das transferências imediatas não pode ser superior ao das tradicionais. Esta medida foi introduzida para garantir que a inovação chega a todos, independentemente da instituição ou do tipo de conta que têm. Mas a verdade é que, na prática, muitos bancos tiveram de rever o seu modelo de comissões. O que temos visto é a criação de pacotes com um número limitado de transferências gratuitas — geralmente associados a contas com mensalidades mais altas. O que é oferecido de um lado é recuperado do outro.

No vosso caso, como aplicaram estas novas regras?

Optámos por simplificar ao máximo: transferências imediatas ilimitadas e gratuitas, ponto final. Sem pacotes, sem condições escondidas. A Nickel nasceu com uma missão de inclusão financeira — isso significa também não criar barreiras ou escalões que limitem o acesso a funcionalidades que deviam ser universais. Acreditamos que a transparência é essencial para construir confiança.

Disse que não é só uma questão de velocidade. O que é que muda mais?

Segurança. E aqui há duas dimensões importantes. A primeira é a chamada ‘verificação do destinatário’. Sempre que um cliente fizer uma transferência, pode confirmar se o nome que inseriu corresponde ao nome real associado ao IBAN. Isso reduz drasticamente o risco de erros e aumenta a confiança, sobretudo em pagamentos mais avultados ou pouco frequentes. A segunda dimensão é a resposta dos bancos perante esta nova realidade: com as transferências imediatas, o tempo de reação desapareceu. Se algo correr mal, o dinheiro já saiu. Antes havia uma margem de 24 a 48 horas para travar fraudes. Agora, é tudo em tempo real.

 

Isso obriga a reforçar os sistemas internos?

Sem dúvida. É aqui que entra o investimento em tecnologia. Estamos a apostar em ferramentas de inteligência artificial para identificar padrões anómalos, prever comportamentos suspeitos e agir antes que a fraude aconteça. Não se trata apenas de proteger os nossos clientes, mas de garantir a integridade do ecossistema como um todo. Porque a confiança, uma vez abalada, é difícil de recuperar.

Essa verificação do nome aplica-se também a transferências internacionais?

Sim, essa será a próxima fase. A partir de outubro, a funcionalidade será alargada a transferências para IBANs estrangeiros dentro da zona SEPA. Aqui, o sistema funciona com graus de correspondência: pode dar um ‘match perfeito’, um ‘aproximado’ ou, em casos mais problemáticos, um ‘inexistente’. É uma validação diferente, porque há variações de nome entre países e sistemas bancários, mas continua a ser um instrumento muito útil.

E no caso das empresas? Há novidades que lhes dizem respeito?

Há uma ferramenta em particular que será bastante útil no contexto empresarial: o SPIN. É uma plataforma do Banco de Portugal que permite fazer transferências imediatas com base no NIPC — ou seja, sem necessidade de introduzir o IBAN. É semelhante ao MB Way em alguns aspetos, mas orientado para o segmento empresarial. Pode simplificar bastante os pagamentos entre empresas, sobretudo em contextos de volume ou urgência.

Em resumo, ganhamos todos em rapidez e confiança — mas os bancos enfrentam riscos maiores?

É esse o equilíbrio. O cliente final ganha agilidade, clareza e controlo. Pode fazer pagamentos mais rapidamente, com maior confiança de que está a enviá-los para a pessoa certa. Mas as instituições têm de operar num ambiente muito mais exigente, onde o tempo para detectar e reagir desapareceu. Isso exige investimento, visão estratégica e, acima de tudo, antecipação. Não podemos continuar a jogar com ferramentas do século passado num campo de jogo que avança todos os dias.

 

Temos cada vez menos tempo..

Sim. Nos últimos dez anos, temos assistido a uma transformação enorme — e não é só em Portugal. No fundo, a missão da Nickel passa por facilitar a vida das pessoas. Isso faz parte do nosso ADN: promover a inclusão financeira através da simplicidade, do preço justo e da eliminação de burocracias. Assim, muitas vezes, tudo se resume a poder abrir uma conta numa loja de bairro, numa tabacaria. Isso muda tudo.

 

Ainda existem muitas pessoas fora do sistema?

Mais do que se imagina. Em Portugal, existem mais de 800 mil pessoas não bancarizadas. É um número muito significativo. E quando analisamos porquê, percebemos que há dois fatores principais: o preço e a proximidade.

 

Pode explicar melhor?

Há pessoas que só querem uma conta para receber o salário, pagar despesas e fazer uma ou outra transferência. Ainda assim, pagam 8, 10 ou até 12 euros por mês — mais de 100 euros por ano. Depois, temos o abandono do interior. Os balcões fecham, não há multibancos, e para ir ao banco mais próximo é preciso fazer dez quilómetros. O nosso modelo responde diretamente a essas dores: baixo custo e proximidade física, com mais de 700 agentes (lojas, tabacarias, etc.) em todos os distritos de Norte a Sul de Portugal e desde dezembro na Região Autónoma da Madeira.

 

E há uma ligação direta entre inclusão financeira e social, certo?

Claramente. O Banco Mundial defende isso há anos: a inclusão financeira é uma das bases da inclusão social. Em Portugal, muitos setores dependem de trabalhadores estrangeiros. Mas sem conta bancária, ninguém assina um contrato — já não se paga em dinheiro ou cheques. Sem conta, há exclusão. Sem conta, não há trabalho, não há habitação, não há dignidade. O nosso modelo ajuda a resolver esse problema.

 

Também pensam nos mais jovens e digitais?

Sim, claro. A Nickel também é uma solução inovadora para quem viaja ou usa ferramentas digitais. Temos uma oferta sem custos em pagamentos e levantamentos fora da zona euro — sem comissões de câmbio, sem imposto de selo, nada. É uma vantagem real.

 

E no meio disto tudo, ainda há tempo para cafés e conversas sem pins e códigos?

Hoje em dia, já nem isso. Estamos cercados por códigos, passwords, apps… É a tal ‘panaceia digital’ — resolveu muita coisa, mas deixou muita gente de fora. E até nós, às vezes, já não conseguimos acompanhar tudo. É por isso que continuamos a apostar na presença física e no contacto direto. O digital é essencial, mas não chega a todos.

 

Lembra-se da sua primeira transferência?

Lembro! E lembro-me de tentar perceber como se construía um NIB (risos). Tive essa sorte — ou azar — de começar a trabalhar em consultoras ligadas à banca. Hoje em dia, com dois cliques faz-se tudo. Os meus filhos já nem sabem o que é o IBAN, fazem tudo pelo número de telemóvel.

 

E como é trabalhar com os bancos? Já se irritou este ano?

Não, de todo. Já trabalhei muitos anos na banca tradicional. Comparando com as fintechs, nota-se a diferença. Os grandes bancos são como petroleiros — tudo demora. Nós, na Nickel, somos muito mais ágeis. Desenvolvemos um produto em França ou Espanha e, com pequenos ajustes, lançamo-lo em Portugal no dia seguinte. São mundos diferentes, com ritmos diferentes. Mas é exatamente por isso que a nossa proposta faz sentido hoje.

Arquivado em:Economia, Entrevistas

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Interim pages omitted …
  • Página 136
  • Página 137
  • Página 138
  • Página 139
  • Página 140
  • Interim pages omitted …
  • Página 178
  • Go to Next Page »
Lider
Lider
Lider
Lider
Lider
Tema Central

Sobre nós

  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Tema Central
  • Termos e Condições
  • Política de Privacidade

Contactos

Av. Dr. Mário Soares, nº 35,
Tagus Park
2740-119 Oeiras
Tel: 214 210 107
(Chamada para a rede fixa nacional)
temacentral@temacentral.pt

Subscrever Newsletter
Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Subscrever Newsletter

©Tema Central, 2026. Todos os direitos reservados.