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Marcelo Teixeira

85% dos consumidores já troca marcas habituais por preços mais baixos. Tecnologia pode inverter a tendência

5 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A pressão do contexto económico está a levar os consumidores a optarem por produtos mais baratos: 85% já trocaram as suas marcas habituais por alternativas de menor custo. A tendência, impulsionada pela inflação, instabilidade nas cadeias de abastecimento e mudanças no mercado laboral, está a forçar as empresas de bens de consumo a reinventarem-se — e a tecnologia pode ser a chave.

De acordo com dados da Salesforce, 32% das empresas do sector já integraram totalmente a inteligência artificial (IA) generativa nas suas operações. Outros 34% estão em processo de expansão. Esta tecnologia pode não só aumentar a eficiência, como ajudar as marcas a manterem-se relevantes e rentáveis num mercado cada vez mais competitivo.

Ao mesmo tempo, as equipas de vendas continuam a perder tempo com tarefas repetitivas e de baixo valor. Estima-se que 41% do tempo das forças comerciais esteja a ser desperdiçado nestas funções. A IA promete inverter esse cenário, libertando os profissionais para atividades de maior impacto.

Uma das ferramentas em destaque é o Agentforce for Consumer Goods, uma solução desenvolvida pela Salesforce para criar agentes inteligentes com base em IA generativa, machine learning e processamento de linguagem natural. Com acesso a dados críticos e competências pré-configuradas, estes agentes conseguem assumir funções que vão da gestão de contas ao apoio ao cliente.

Quatro áreas-chave de transformação

1. Vendas
Os agentes de IA conseguem analisar grandes volumes de dados para apoiar as equipas comerciais, desde o contacto inicial com potenciais clientes até à marcação de reuniões. Automatizam tarefas como a resposta a perguntas frequentes ou a gestão de objeções, acelerando o ciclo de vendas.

2. Gestão de contas
Na gestão de grandes contas, os agentes ajudam a identificar oportunidades de negócio, monitorizar níveis de stock e fornecer análises preditivas. A sua acção melhora a retenção de clientes e permite decisões mais informadas e ágeis.

3. Apoio às equipas de campo
Os agentes inteligentes apoiam os representantes de vendas no terreno, automatizando o agendamento de visitas, preparando briefings e resumindo interacções com clientes. Isto permite libertar tempo precioso para actividades estratégicas.

4. Atendimento ao cliente
Cerca de 43% das marcas apontam o atendimento como a principal área para aplicar IA generativa. Os agentes podem operar 24 horas por dia, prestar assistência personalizada em tempo real e responder em simultâneo a múltiplos pedidos, reduzindo tempos de espera e melhorando a experiência do cliente.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

De favelas a futuros: o desafio urbano da América Latina

2 Maio, 2025 by Marcelo Teixeira

A América Latina e as Caraíbas são hoje das regiões mais urbanizadas do mundo. Cerca de 82% da população vive em cidades,  um número que supera largamente a média global de 55%. A urbanização acelerou o crescimento económico e impulsionou o progresso social. Mas trouxe também novas desigualdades.

A pobreza, que antes era sobretudo rural, é agora maioritariamente urbana. Em 2000, 66% das pessoas em situação de pobreza viviam em cidades; em 2022, eram já 73%. A redução da pobreza monetária — que desceu para 26% nesse ano — não travou a mudança de geografia da privação.

Hoje, mais de 15% da população urbana vive em pobreza multidimensional, segundo dados da CEPAL e do PNUD. São famílias que, mesmo com algum rendimento, continuam sem acesso a habitação condigna, educação de qualidade, cuidados de saúde ou serviços básicos. A concentração urbana torna os números ainda mais graves: milhões de pessoas vivem em bairros clandestinos, sem água potável, sem saneamento seguro, presas a ciclos de exclusão que se perpetuam geração após geração.

Três países — Brasil, Venezuela e México — reúnem 59% das pessoas em pobreza extrema na região. São mais de 52 milhões de indivíduos a viver com menos de 3,65 dólares por dia. A urgência de respostas integradas nunca foi tão evidente.

A intersecção entre desigualdade urbana e vulnerabilidade climática

O crescimento desordenado das cidades, aliado ao impacto crescente das alterações climáticas, aprofundou a exclusão social. Muitos centros urbanos expandiram-se mais depressa do que a capacidade dos governos para planear, levando a uma ocupação massiva de zonas de risco: encostas, margens de rios, periferias expostas.

Nestes territórios frágeis, qualquer tempestade, qualquer inundação, torna-se catástrofe. As populações mais pobres, a viver em habitações precárias e sem rede de apoio, são sempre as mais afetadas. Estimativas recentes alertam: sem intervenção urgente, os choques climáticos poderão aumentar a pobreza extrema até 300% até 2030.

A crise climática não atinge todos por igual. Ela agrava desigualdades antigas. Secas, tempestades e degradação de solos forçam deslocações em massa, pressionando ainda mais bairros já saturados. Mulheres, que chefiam um quarto dos agregados urbanos nas Caraíbas e América Latina — a maior proporção do mundo — enfrentam obstáculos acrescidos: trabalho clandestino, responsabilidades de cuidado, menor acesso a proteção social. Em contextos de desastre, a vulnerabilidade agrava-se. A mobilidade é menor, o acesso a recursos é mais difícil, o risco de violência sobe.

Inovação urbana: caminhos possíveis

Apesar dos desafios, as cidades continuam a ser espaços de inovação e esperança. Em Medellín, na Colômbia, a estratégia de ‘urbanização social’ transformou zonas vulneráveis em bairros integrados: transportes públicos acessíveis, bibliotecas, zonas verdes e centros culturais fortaleceram comunidades e reduziram a violência.

Curitiba, Bogotá e Cidade do México apostaram em soluções de mobilidade sustentável, encurtando tempos de deslocação, melhorando a qualidade do ar e criando novas oportunidades económicas, sobretudo para os mais pobres.

Natureza também é resposta. Iniciativas de plantação de árvores, florestas urbanas e recuperação de zonas húmidas em cidades como Lima e Bogotá estão a mitigar riscos climáticos e a devolver qualidade de vida aos espaços públicos. Em Quito, o conceito de ‘laboratórios urbanos’ colocou universidades, comunidades e autarquias a desenhar em conjunto soluções locais. Pequenas obras, grandes impactos.

O que estas experiências mostram é claro: a transformação urbana não depende apenas de grandes investimentos. Precisa de inovação, vontade política e, sobretudo, de colocar as pessoas no centro da decisão.

Dignidade e resiliência: a prioridade das próximas décadas

A luta contra a pobreza urbana e a vulnerabilidade climática exige políticas integradas e de longo prazo. Cidades mais justas e resilientes não se constroem por acaso: exigem planeamento focado na equidade, sustentabilidade ambiental e gestão do risco.

É essencial regulamentar o uso do solo, impedir construções em zonas de risco, garantir infraestruturas básicas — água, saneamento, transportes, energia eficiente — em áreas seguras e acessíveis. Investir em espaços públicos seguros, promover redes de proteção social robustas, criar sistemas de alerta e preparar as comunidades para reagir a desastres é igualmente crucial.

Financiar esta transformação implica criatividade: melhor cobrança fiscal local, incentivos ao investimento verde, acesso a mecanismos de financiamento misto. As políticas urbanas devem integrar objetivos sociais e ambientais, evitando abordagens fragmentadas. Planeamento com sensibilidade de género, uso de dados para decisões mais justas e processos participativos de governação serão essenciais.

Por fim, é necessário lembrar: infraestrutura é importante, mas não suficiente. A mudança verdadeira nasce também da consciência coletiva. Quando comunidades adotam comportamentos sustentáveis, reforçam laços sociais e participam na construção dos seus territórios, abrem caminho a cidades mais fortes, mais justas, mais humanas.

A pobreza urbana, na sua dimensão multidimensional, obriga a repensar tudo: mais do que medir rendimentos, trata-se de defender a dignidade, garantir oportunidades e construir ambientes onde todos possam viver em segurança, saúde e bem-estar.

À medida que a urbanização avança, abre-se uma janela histórica para reimaginar as nossas cidades como motores de desenvolvimento inclusivo e de baixo carbono. Não aproveitar essa oportunidade seria, mais do que um erro, uma traição às gerações futuras.

Arquivado em:Notícias, Sociedade, Sustentabilidade

«A inclusão financeira é uma das bases da inclusão social» afirma João Guerra, CEO da Nickel Portugal

30 Abril, 2025 by Marcelo Teixeira

A nova legislação e regulamentação europeia obriga os bancos a disponibilizarem transferências imediatas, com custos equiparados às transferências tradicionais. A medida, que entrou em vigor em fevereiro e vai ser progressiva, representa um avanço significativo na rapidez e na confiança do sistema bancário europeu. No entanto, traz também novos desafios: as instituições terão de reforçar os seus mecanismos de segurança para combater a fraude num cenário onde tudo acontece em tempo real.

João Guerra, CEO da Nickel Portugal — fintech do grupo BNP Paribas que chegou ao mercado português em 2022 com a missão de democratizar o acesso a serviços financeiros essenciais — está na linha da frente desta transformação. Com mais de duas décadas de experiência em marketing estratégico, desenvolvimento de negócios e inovação digital, o CEO lidera a operação nacional da Nickel, que aposta numa combinação entre tecnologia e proximidade física, com uma rede crescente de pontos de venda em papelarias e tabacarias.

Em entrevista à Líder, João Guerra explicou o que muda na prática com estas novas regras, analisando os impactos diretos no bolso e na segurança dos clientes.

 

Que impactos é que estas novas medidas europeias vão ter no nosso sistema de pagamentos?

Estas medidas representam uma mudança estrutural. Não é apenas uma questão de velocidade. Estamos a falar de um novo paradigma na forma como o dinheiro circula. A transferência imediata passa a ser um direito — não um extra, não um serviço adicional, mas uma obrigação para todos os bancos e instituições financeiras que operem transferências SEPA tradicionais. Ou seja, o cliente que antes podia esperar dois dias úteis para ver uma transferência concluída, agora tem esse valor creditado em segundos. Isso transforma a experiência de pagamento e levanta novas exigências, tanto tecnológicas como operacionais.

E essas transferências deixam de ser um serviço pago à parte?

Exatamente. O legislador europeu foi claro: o custo das transferências imediatas não pode ser superior ao das tradicionais. Esta medida foi introduzida para garantir que a inovação chega a todos, independentemente da instituição ou do tipo de conta que têm. Mas a verdade é que, na prática, muitos bancos tiveram de rever o seu modelo de comissões. O que temos visto é a criação de pacotes com um número limitado de transferências gratuitas — geralmente associados a contas com mensalidades mais altas. O que é oferecido de um lado é recuperado do outro.

No vosso caso, como aplicaram estas novas regras?

Optámos por simplificar ao máximo: transferências imediatas ilimitadas e gratuitas, ponto final. Sem pacotes, sem condições escondidas. A Nickel nasceu com uma missão de inclusão financeira — isso significa também não criar barreiras ou escalões que limitem o acesso a funcionalidades que deviam ser universais. Acreditamos que a transparência é essencial para construir confiança.

Disse que não é só uma questão de velocidade. O que é que muda mais?

Segurança. E aqui há duas dimensões importantes. A primeira é a chamada ‘verificação do destinatário’. Sempre que um cliente fizer uma transferência, pode confirmar se o nome que inseriu corresponde ao nome real associado ao IBAN. Isso reduz drasticamente o risco de erros e aumenta a confiança, sobretudo em pagamentos mais avultados ou pouco frequentes. A segunda dimensão é a resposta dos bancos perante esta nova realidade: com as transferências imediatas, o tempo de reação desapareceu. Se algo correr mal, o dinheiro já saiu. Antes havia uma margem de 24 a 48 horas para travar fraudes. Agora, é tudo em tempo real.

 

Isso obriga a reforçar os sistemas internos?

Sem dúvida. É aqui que entra o investimento em tecnologia. Estamos a apostar em ferramentas de inteligência artificial para identificar padrões anómalos, prever comportamentos suspeitos e agir antes que a fraude aconteça. Não se trata apenas de proteger os nossos clientes, mas de garantir a integridade do ecossistema como um todo. Porque a confiança, uma vez abalada, é difícil de recuperar.

Essa verificação do nome aplica-se também a transferências internacionais?

Sim, essa será a próxima fase. A partir de outubro, a funcionalidade será alargada a transferências para IBANs estrangeiros dentro da zona SEPA. Aqui, o sistema funciona com graus de correspondência: pode dar um ‘match perfeito’, um ‘aproximado’ ou, em casos mais problemáticos, um ‘inexistente’. É uma validação diferente, porque há variações de nome entre países e sistemas bancários, mas continua a ser um instrumento muito útil.

E no caso das empresas? Há novidades que lhes dizem respeito?

Há uma ferramenta em particular que será bastante útil no contexto empresarial: o SPIN. É uma plataforma do Banco de Portugal que permite fazer transferências imediatas com base no NIPC — ou seja, sem necessidade de introduzir o IBAN. É semelhante ao MB Way em alguns aspetos, mas orientado para o segmento empresarial. Pode simplificar bastante os pagamentos entre empresas, sobretudo em contextos de volume ou urgência.

Em resumo, ganhamos todos em rapidez e confiança — mas os bancos enfrentam riscos maiores?

É esse o equilíbrio. O cliente final ganha agilidade, clareza e controlo. Pode fazer pagamentos mais rapidamente, com maior confiança de que está a enviá-los para a pessoa certa. Mas as instituições têm de operar num ambiente muito mais exigente, onde o tempo para detectar e reagir desapareceu. Isso exige investimento, visão estratégica e, acima de tudo, antecipação. Não podemos continuar a jogar com ferramentas do século passado num campo de jogo que avança todos os dias.

 

Temos cada vez menos tempo..

Sim. Nos últimos dez anos, temos assistido a uma transformação enorme — e não é só em Portugal. No fundo, a missão da Nickel passa por facilitar a vida das pessoas. Isso faz parte do nosso ADN: promover a inclusão financeira através da simplicidade, do preço justo e da eliminação de burocracias. Assim, muitas vezes, tudo se resume a poder abrir uma conta numa loja de bairro, numa tabacaria. Isso muda tudo.

 

Ainda existem muitas pessoas fora do sistema?

Mais do que se imagina. Em Portugal, existem mais de 800 mil pessoas não bancarizadas. É um número muito significativo. E quando analisamos porquê, percebemos que há dois fatores principais: o preço e a proximidade.

 

Pode explicar melhor?

Há pessoas que só querem uma conta para receber o salário, pagar despesas e fazer uma ou outra transferência. Ainda assim, pagam 8, 10 ou até 12 euros por mês — mais de 100 euros por ano. Depois, temos o abandono do interior. Os balcões fecham, não há multibancos, e para ir ao banco mais próximo é preciso fazer dez quilómetros. O nosso modelo responde diretamente a essas dores: baixo custo e proximidade física, com mais de 700 agentes (lojas, tabacarias, etc.) em todos os distritos de Norte a Sul de Portugal e desde dezembro na Região Autónoma da Madeira.

 

E há uma ligação direta entre inclusão financeira e social, certo?

Claramente. O Banco Mundial defende isso há anos: a inclusão financeira é uma das bases da inclusão social. Em Portugal, muitos setores dependem de trabalhadores estrangeiros. Mas sem conta bancária, ninguém assina um contrato — já não se paga em dinheiro ou cheques. Sem conta, há exclusão. Sem conta, não há trabalho, não há habitação, não há dignidade. O nosso modelo ajuda a resolver esse problema.

 

Também pensam nos mais jovens e digitais?

Sim, claro. A Nickel também é uma solução inovadora para quem viaja ou usa ferramentas digitais. Temos uma oferta sem custos em pagamentos e levantamentos fora da zona euro — sem comissões de câmbio, sem imposto de selo, nada. É uma vantagem real.

 

E no meio disto tudo, ainda há tempo para cafés e conversas sem pins e códigos?

Hoje em dia, já nem isso. Estamos cercados por códigos, passwords, apps… É a tal ‘panaceia digital’ — resolveu muita coisa, mas deixou muita gente de fora. E até nós, às vezes, já não conseguimos acompanhar tudo. É por isso que continuamos a apostar na presença física e no contacto direto. O digital é essencial, mas não chega a todos.

 

Lembra-se da sua primeira transferência?

Lembro! E lembro-me de tentar perceber como se construía um NIB (risos). Tive essa sorte — ou azar — de começar a trabalhar em consultoras ligadas à banca. Hoje em dia, com dois cliques faz-se tudo. Os meus filhos já nem sabem o que é o IBAN, fazem tudo pelo número de telemóvel.

 

E como é trabalhar com os bancos? Já se irritou este ano?

Não, de todo. Já trabalhei muitos anos na banca tradicional. Comparando com as fintechs, nota-se a diferença. Os grandes bancos são como petroleiros — tudo demora. Nós, na Nickel, somos muito mais ágeis. Desenvolvemos um produto em França ou Espanha e, com pequenos ajustes, lançamo-lo em Portugal no dia seguinte. São mundos diferentes, com ritmos diferentes. Mas é exatamente por isso que a nossa proposta faz sentido hoje.

Arquivado em:Economia, Entrevistas

Credenciais roubadas são a principal porta de entrada nos sistemas

30 Abril, 2025 by Marcelo Teixeira

A data é simbólica: amanhã, 1 de maio celebra-se o Dia Mundial da Palavra-Passe. Mas a festa já não faz muito sentido. Segundo a empresa de cibersegurança Sophos, o mundo digital avançou — e as velhas senhas ficaram para trás. Não por desleixo, mas porque já não servem. Hoje, os cibercriminosos não precisam de saber o nome do seu primeiro cão. Basta-lhes um ataque bem montado para contornar métodos de autenticação antiquados.

A edição de 2025 do relatório Active Adversary da Sophos é clara: 41% dos ataques começam com credenciais roubadas. É o segundo ano consecutivo em que este número lidera. O que isso significa? Que a proteção baseada em ‘segredos partilhados’ está esgotada.

Durante anos, reforçaram-se palavras-passe com mais um número, um caractere especial ou um código temporário enviado por SMS. Mas esse castelo já não se aguenta. Os atacantes usam hoje ferramentas como o evilginx2, capazes de automatizar ataques de phishing ou roubar cookies de sessão, abrindo caminho mesmo em sistemas com autenticação multifator.

Adiar a morte das senhas com remendos fracos é perigoso. A solução pode passar por uma mudança de paradigma: abandonar a ideia de que a segurança depende apenas daquilo que o utilizador sabe.

Uma nova abordagem: passkeys e biometria

Entre os especialistas em cibersegurança, há um novo consenso a ganhar força: a adoção do protocolo WebAuthn. Esta tecnologia dispensa palavras-passe. Em vez disso, utiliza chaves criptográficas — uma pública e uma privada — geradas no momento em que o utilizador cria a conta. A primeira fica no servidor. A segunda, no dispositivo do utilizador.

Para iniciar sessão, o servidor envia um desafio digital. Só quem tiver a chave privada — no seu dispositivo — e conseguir provar que é o legítimo proprietário (por exemplo, com biometria), consegue responder. A autenticação continua a ter dois fatores, mas sem depender da memória.

Além disso, o protocolo inclui uma verificação bidirecional. O utilizador não só se autentica perante o serviço, como também confirma que está no domínio certo — uma medida importante contra phishing.

Segurança mais forte, experiência mais simples

Este novo modelo segue a norma FIDO2 e tem várias vantagens. A principal: protege contra as técnicas de phishing mais comuns. A segunda: simplifica a vida de quem está do outro lado do ecrã.

Contudo, nem tudo são boas notícias. Há ainda riscos em cima da mesa. Por exemplo:

  • Se o dispositivo ou a nuvem onde a chave privada é guardada não estiver seguro, o sistema falha.
  • A adoção empresarial ainda é lenta. A mudança exige vontade política dentro das organizações.
  • O roubo de cookies de sessão continua a permitir acesso não autorizado, mesmo em sistemas avançados.

Chester Wisniewski, Diretor Global Field CISO da Sophos, resume o que está em jogo: «Temos de afastar-nos da dependência de palavras-passe e segredos partilhados. As passkeys são, neste momento, a solução mais robusta para construir um futuro sem phishing — e, idealmente, sem grandes compromissos de segurança».

O mundo mudou. E a forma como se entra num sistema também.  Assim, portas fechadas não fazem diferença quando o ladrão já tem a chave.

Arquivado em:Cibersegurança, Notícias

O fim do diploma como passaporte para o sucesso

29 Abril, 2025 by Marcelo Teixeira

Entrar num novo escritório, currículo polido, diploma exibido com orgulho. Mas, em vez de perguntar pela média final, o recrutador quer ouvir sobre a aplicação que foi programada, a campanha que foi liderada ou o sistema que foi reinventado. 2025 é o ano em que o que se faz pesa mais do que o que se estudou.

Os empregadores olham cada vez menos para o diploma pendurado na parede e cada vez mais para as competências que são trazidas para a mesa. Se ainda existe dúvida sobre se um curso superior é o bilhete dourado para o sucesso ou apenas uma formalidade cara, é tempo de perceber o que realmente impulsiona uma carreira hoje.

Competências acima de diplomas: a nova regra do jogo

A verdade é crua: os empregadores valorizam habilidades reais acima de títulos académicos. Mais de 60% das empresas nas áreas da educação e saúde já admitem que um diploma não mede produtividade. E não estão sozinhas.
Quatro em cada cinco líderes executivos afirmam que as suas empresas apostam num recrutamento focado em competências — trocando exigências de licenciaturas por provas práticas de talento.

Porquê esta mudança? Porque num mundo que muda de madrugada para madrugada — onde a IA, o trabalho remoto e a transformação digital reescrevem as regras — o que conta é a capacidade de adaptação, de resolução de problemas e de entrega de resultados.

Já não é preciso passar quatro anos numa universidade para se afirmar como marketeer, developer, gestor de projetos ou estratega. Quem demonstra resultados, comunica eficazmente e avança logo ao primeiro sinal de desafio, tem o que a maioria das empresas procura.
Portfólios, certificações e conquistas falam mais alto do que qualquer certificado emoldurado.

A ascensão das vias alternativas de formação

Bootcamps, cursos online, certificações independentes — nunca foi tão fácil evoluir ao próprio ritmo. Plataformas como a Coursera, a Udemy ou os Certificados de Carreira da Google democratizaram o acesso à educação profissionalizante, cortando custo e tempo pela raiz.

A tendência é clara. Um estudo da Pearson, em 2021, mostrou que 60% dos empregadores aceitavam candidatos com certificados sem grau académico — um salto face aos 40% registados em 2019. Em muitas áreas, quem apresenta uma certificação específica pode até ultrapassar quem chega apenas com um diploma genérico.

Hoje, endividar-se para garantir um trabalho digno e bem remunerado já não é uma inevitabilidade. Quem prova que aprende e aplica está à frente da curva.

Experiência: o novo peso-pesado no recrutamento

Em 2025, experiência já não é um bónus. É um trunfo vital. Projetos no terreno, freelancing, estágios, iniciativas paralelas — contam mais do que qualquer teoria aprendida em sala de aula. Os recrutadores querem respostas simples: há provas reais de capacidade?

Portfólios, estudos de caso e métricas de impacto são o melhor cartão-de-visita. Lançar um produto, fazer crescer uma audiência, otimizar um processo que poupa dinheiro ou tempo — cada conquista concreta conta. Deve-se assumir, quantificar e apresentar resultados palpáveis.

Porque, no fim, quem prova o que faz constrói algo mais forte do que um diploma: constrói confiança.

Networking e marca pessoal: quem não se vê, não se lembra

A carreira moderna não depende apenas do conhecimento técnico. Depende também da visibilidade. Num mercado saturado, a marca pessoal, a presença digital e a rede de contatos são armas decisivas.

Não basta trabalhar bem. É necessário ser visto a trabalhar bem. Estar presente no LinkedIn, integrar comunidades da área de interesse, contatar profissionais que já ocupam posições desejadas — tudo isso é essencial.

Hoje, 85% das vagas são preenchidas através de referências, e mais de 75% dos recém-contratados apontam o LinkedIn como ferramenta crucial. Apostar exclusivamente no currículo, ignorando a criação de relações, é jogar na mesa errada.

Quando o diploma ainda pesa

Sejamos justos: ainda existem áreas onde o diploma é obrigatório. Medicina, Direito, Engenharia pesada, Academia — nestes terrenos, o canudo continua a abrir portas.

Mesmo em sectores mais flexíveis, alguns empregadores utilizam o diploma como primeiro filtro — não necessariamente porque acreditem que ele mede talento, mas porque simplifica o processo. Ter um diploma continua a ser uma vantagem. Mas deve ser usado como base, não como única âncora. Por outro lado, a ausência de diploma já não é uma sentença de exclusão.

Empresas como a Google, a IBM e o Walmart abandonaram a exigência de grau académico para muitas funções. Hoje, as competências falam mais alto.

Em 2025, a carreira pertence a quem faz

Os diplomas não desapareceram. Mas já não comandam o futuro profissional. Em 2025, crescer na carreira depende menos de onde se estudou e mais da capacidade de adaptação, aprendizagem contínua e demonstração prática de resultados.

Se alguma vez houve a sensação de estar atrás na corrida por não se ter estudado na instituição ‘certa’ ou por não se possuir aquele diploma sonante, há uma nova realidade a considerar: a estrada continua aberta. E hoje, existem mais caminhos do que nunca.

Começar onde se está. Aprender sempre. Construir obra. Construir relações. Dar voz ao que se faz. É assim que se cresce em 2025.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Nova oferta leva energia 100% renovável às PME portuguesas

29 Abril, 2025 by Marcelo Teixeira

A ACCIONA Energía, empresa especializada em energias renováveis, lançou uma nova linha de negócio em Portugal para fornecer energia 100% renovável a pequenas e médias empresas (PME). A empresa reforça assim a sua atividade no país, onde já abastece mais de 3.500 clientes.

Ao todo, a ACCIONA Energía fornece mais de 250 GWh de energia limpa por ano a PME portuguesas. Evita-se, assim, a emissão de mais de 46.000 toneladas de CO₂, o equivalente a retirar 18.000 carros das estradas ou a plantar 2,5 milhões de árvores. Toda a energia fornecida é certificada com Garantias de Origem 100% renovável, emitidas pela plataforma EEGO da REN.

«As pequenas e médias empresas representam a maioria do tecido empresarial português e têm um papel fundamental na descarbonização da economia. A ACCIONA Energía quer ser o parceiro dessa transição, oferecendo energia renovável a preços competitivos e estáveis. A nossa abordagem combina sustentabilidade, tecnologia e soluções personalizadas, para que as PME possam evoluir para um modelo mais limpo sem grandes investimentos», afirmou Aprígio Guimarães, diretor comercial da empresa em Portugal.

Soluções integradas para acelerar a descarbonização

Além do fornecimento de energia elétrica, a ACCIONA Energía aposta numa oferta integrada de serviços de descarbonização. Através de soluções de autoconsumo e do modelo ‘energia como serviço’, as PME podem reduzir custos desde o primeiro dia, sem necessidade de investimento inicial. Assim, conseguem também acelerar a transição para fontes de energia mais sustentáveis.

O novo serviço insere-se na estratégia de crescimento da empresa em Portugal. A ACCIONA Energía reforça assim o seu posicionamento como fornecedor de soluções energéticas completas, tanto para o setor privado como para o público.

A presença da ACCIONA Energía em Portugal inclui o fornecimento de energia 100% renovável a milhares de clientes e contratos com a administração pública. Em julho de 2024, a empresa foi escolhida pela eSPap como fornecedor preferencial de energia limpa para o Estado. Firmou ainda acordos de longo prazo (PPAs) com empresas como Violas Group, Makro, Fnac, NH Hoteles e Vidrala.

No segmento da produção, a ACCIONA Energía opera 166 MW de capacidade renovável no país, distribuídos por 16 parques eólicos e pela central solar de Amareleja, uma das primeiras grandes instalações fotovoltaicas em Portugal.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

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