A crescente adoção da inteligência artificial (IA) está a mudar rapidamente o panorama da cibersegurança. Assim, em 2025, há novos desafios, com ênfase para o consumo de energia, desenvolvimento de software e questões éticas e jurídicas. A IA, enquanto ferramenta de inovação, também será usada como arma por cibercriminosos ou até mesmo por governos, criando novas ameaças.
Pressão sobre recursos naturais e avanços tecnológicos
O crescimento da IA é exponencial. O ChatGPT, por exemplo, alcançou 100 milhões de utilizadores em apenas dois meses após o seu lançamento. Outros modelos como Claude, Gemini e Midjourney também têm sido amplamente adotados. Até o final de 2024, 92% das empresas da Fortune 500 já tinham integrado IA generativa em seus fluxos de trabalho, de acordo com o Financial Times.
Este aumento de uso gera uma pressão enorme sobre os recursos naturais. A rápida expansão dos centros de dados, essenciais para as operações de IA, já está a consumir a terra, sendo que a energia e a água atingiram quantidades alarmantes. A McKinsey relata que o número de centros de dados duplicou de 3500 em 2015 para 7000 em 2024. A Deloitte prevê que o consumo de energia por estes centros aumentará de 508 TWh em 2024 para 1580 TWh em 2034, o equivalente ao consumo anual da Índia.
Além disso, a IA está a forçar mudanças nos design de chips e na computação em memória, essenciais para tornar a tecnologia mais eficiente em termos energéticos. A adoção de fontes de energia sustentáveis será inevitável para lidar com o aumento da exigência energética.
Desafios de segurança e regulação da IA
No campo do desenvolvimento de software, a IA está a tornar-se um aliado poderoso, com ferramentas como o GitHub Copilot, CursorAI e Replit.com. No entanto, essa evolução traz novos riscos de segurança. A possibilidade de gerar malware completo a partir de um único comando coloca os cibercriminosos num novo patamar de sofisticação. Assim sendo, a barreira de entrada para ataques de cibercriminalidade está a desaparecer, tornando o mundo digital cada vez mais vulnerável.
A responsabilidade no uso da IA será um ponto crucial. Criadores de software e especialistas em cibersegurança devem unir forças para prevenir o uso malicioso da IA. As novas parcerias serão essenciais para antecipar e mitigar as ameaças, garantindo que a IA não seja utilizada como uma arma.
Além disso, em 2025, teremos duas grandes mudanças legislativas. A Lei da IA da UE, a entrar em vigor a 2 de fevereiro, e a nova estrutura regulatória dos EUA, que será implementada com a Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA). Estas mudanças exigem um controlo mais rigoroso das implementações de IA e a criação de plataformas de governança para garantir ética e transparência.
A IA trará também um aumento das estruturas de garantia específicas para validar a confiabilidade e segurança da tecnologia. Em 2025, devemos esperar que surjam plataformas que garantam explicabilidade nos resultados da IA e evitem viés e danos.
Em suma, o futuro da cibersegurança dependerá de como profissionais, empresas e governos conseguirem adaptar as suas estratégias, equilibrando os avanços da IA com a mitigação de riscos.