• Skip to main content
Revista Líder
Ideias que fazem futuro
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos

  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      Portugal na Europa: um retrato de envelhecimento acelerado e convergência incompleta

      Diversidade nos ‘boards’ traz vantagens, mas só funciona com inclusão real, alertam especialistas

      Cyberbullying continua a ser desvalorizado em Portugal apesar de 95% o considerarem um problema grave

      Quase 80% das empresas da Europa Ocidental enfrentam atrasos nos pagamentos

      Juliana Aguiar é a nova Business Director da Talenter

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Frank Gehry, Levi’s e Swatch: 5 escolhas de lifestyle, design e tecnologia para descobrir

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

      Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

      Bruno Sambado: «O áudio prospera porque está dotado da eficiência tecnológica aliado à intimidade humana»

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

      Três livros sobre quem somos e como chegámos aqui

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
Loja
  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      Portugal na Europa: um retrato de envelhecimento acelerado e convergência incompleta

      Diversidade nos ‘boards’ traz vantagens, mas só funciona com inclusão real, alertam especialistas

      Cyberbullying continua a ser desvalorizado em Portugal apesar de 95% o considerarem um problema grave

      Quase 80% das empresas da Europa Ocidental enfrentam atrasos nos pagamentos

      Juliana Aguiar é a nova Business Director da Talenter

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Frank Gehry, Levi’s e Swatch: 5 escolhas de lifestyle, design e tecnologia para descobrir

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

      Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

      Bruno Sambado: «O áudio prospera porque está dotado da eficiência tecnológica aliado à intimidade humana»

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

      Três livros sobre quem somos e como chegámos aqui

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos
Subscrever Newsletter Assinar

Siga-nos Lider Lider Lider

As ideias que fazem futuro, no seu email Subscrever

Marcelo Teixeira

A cultura do ‘ok’ está a substituir a conversa em Portugal

18 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

 Uma dessas formas de comunicação cabe numa palavra curta, funcional e cada vez mais omnipresente: ‘ok’, que serve para confirmar, encerrar, alinhar ou simplesmente evitar prolongar o momento em que uma conversa poderia tornar-se mais exigente, mais desconfortável ou mais útil, e é precisamente por isso que o seu uso constante diz menos sobre eficiência e mais sobre o modo como se tem vindo a reduzir o espaço para a conversa real.

O problema não é o ‘ok’ enquanto resposta pontual, mas o facto de ele funcionar como substituto estrutural da continuidade da conversa, eliminando perguntas, dispensando discordância e cortando o momento em que uma ideia ainda poderia ser trabalhada em conjunto antes de se tornar decisão, e quando isto se torna padrão, perde-se tempo de diálogo e densidade de pensamento partilhado, porque uma sociedade ou uma organização além de ser medida pelo volume de comunicação, pauta-se pela qualidade da fricção que permite entre ideias.

Comunicação mais frequente, mas menos profunda

Imagine momentos quase domésticos, em que duas pessoas falam por mensagens enquanto estão a poucos metros uma da outra, uma no sofá, outra na cozinha, e a conversa, que podia ser curta e viva, transforma-se num vaivém de ‘ok’, ‘ya’, ‘está bem’. A televisão a preencher o espaço com som de fundo e não há discussão nem desacordo nem sequer pausa verdadeira, apenas confirmações que vão fechando portas pequenas sem que ninguém se aperceba do edifício inteiro que se está a fechar. Quando finalmente se levanta a cabeça do ecrã já passou tempo suficiente para ninguém se lembrar do que poderia ter sido dito de outra maneira, mais lenta, mais imperfeita, mais humana, como se a vida estivesse sempre a acontecer ao lado da conversa, mas nunca dentro dela.

Portugal não comunica menos, comunica mais do que nunca, mas comunica de forma progressivamente mais fragmentada, mais rápida e mais orientada para resposta imediata do que para desenvolvimento de pensamento, e isto não é apenas uma perceção subjetiva, mas um padrão descrito em vários estudos sobre comunicação digital e comportamento organizacional, onde se observa que o aumento de canais e interações não corresponde necessariamente a maior qualidade relacional ou cognitiva.

A OCDE mostra que a frequência de interação social — isto é, o número de contatos com amigos ou família — tem uma correlação apenas fraca com a perceção de qualidade das relações ou com sentimentos de solidão, o que sugere que mais comunicação não significa necessariamente melhor ligação social.

O ‘ok’ como tecnologia de compressão social

Num escritório no meio de Lisboa, já sem horas claras, o chefe escreve ao colaborador que está ali ao lado, tão perto que dava para falar sem levantar a voz, mas escreve na mesma, «consegues fechar isso hoje?» O trabalhador olha, não responde logo, mas acaba por largar um “ok” que não é acordo nem entusiasmo nem resistência.

O chefe insiste, «precisas de alguma coisa?», e vem outro «ok, está controlado», e fica tudo dito sem ter sido dito, como se a conversa tivesse sido espremida até não restar nada. Ninguém disse não, ninguém disse sim com vontade, ninguém ficou dentro da frase tempo suficiente para ela ganhar corpo.

O ‘ok’  funciona como um mecanismo de compressão social, uma forma de reduzir interações complexas a confirmações mínimas que evitam conflito, evitam prolongamento e evitam, sobretudo, o momento em que seria necessário explicitar desacordo ou dúvida, e isso torna-o extremamente eficiente em contextos de ritmo elevado, especialmente no trabalho, mas também o transforma num agente silencioso de redução da profundidade comunicacional.

No campo da psicologia organizacional, o conceito de psychological safety, desenvolvido por Amy Edmondson e amplamente explorado em estudos contemporâneos de liderança e dinâmica de equipas, mostra que a eficácia coletiva não depende da ausência de conflito, mas da existência de um ambiente onde é possível expressar discordância sem receio de punição social, o que significa que a fricção, longe de ser um problema a eliminar, constitui muitas vezes um elemento essencial para a qualidade da decisão e para a robustez do pensamento partilhado.

Em Portugal, este fenómeno ganha uma forma particularmente interessante porque se cruza com uma tradição cultural de gestão suave do desacordo, onde o conflito direto tende a ser evitado em favor de soluções implícitas ou adiadas, o que não significa ausência de opinião, mas frequentemente ausência de confronto explícito entre opiniões, e isso cria uma forma de comunicação que privilegia harmonia aparente em detrimento de clarificação profunda.

Este padrão não é exclusivo de Portugal, mas torna-se mais visível num contexto onde a digitalização do trabalho elimina muitos dos momentos informais de discussão, substituindo-os por mensagens curtas e respostas rápidas que reduzem ainda mais o espaço para desenvolvimento de pensamento conjunto.

O desaparecimento da conversa longa

À superfície, este modelo parece mais eficiente, porque reduz o tempo de decisão, acelera respostas e diminui atrito visível, mas a literatura sobre tomada de decisão e comportamento organizacional mostra que decisões tomadas sem exploração suficiente de alternativas tendem a ser menos robustas por redução do processo coletivo de análise.

A própria OCDE, em trabalhos sobre governação e confiança, destaca que a qualidade das decisões públicas e organizacionais depende tanto da velocidade como da qualidade dos processos deliberativos que as antecedem, e que a simplificação excessiva da comunicação pode gerar ganhos operacionais imediatos mas perdas cognitivas acumuladas.

O mais relevante nesta transformação não é o fenecimento da comunicação, mas a erosão progressiva da conversa longa, aquela que demora, que se desvia, que volta atrás, que corrige e insiste, porque é precisamente nesse tipo de conversa que as ideias deixam de ser apenas posições e passam a ser pensamento construído em conjunto, e quando esse espaço se reduz perde-se capacidade coletiva de aprofundamento.

Arquivado em:Nacional, Notícias, Sociedade

PAICV vence as eleições legislativas em Cabo Verde e regressa ao poder após dez anos na oposição

18 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

O novo líder do governo também declarou que começa «um novo Cabo Verde» e prometeu cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Francisco Carvalho é o novo Primeiro-Ministro de Cabo Verde

Segundo os resultados provisórios divulgados pela Comissão Nacional de Eleições, o PAICV conseguiu assegurar maioria absoluta no parlamento, enquanto o Movimento para a Democracia – MpD reconheceu a derrota. O atual primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, felicitou Francisco Carvalho e anunciou a sua saída da liderança do partido.

Do outro lado, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal força da oposição, entrou nestas eleições apostando no desgaste do Governo e no descontentamento popular relacionado com o aumento do custo de vida, desemprego jovem, dificuldades no acesso à habitação e desigualdades sociais.

O PAICV chegou reforçado após os resultados das eleições autárquicas de 2024, nas quais conquistou a maioria dos municípios do país, resultado que relançou as expectativas da oposição em regressar ao poder. Acabou por se concretizar.

A campanha eleitoral ficou igualmente marcada por acusações mútuas entre os dois maiores partidos. O PAICV acusou o Governo de utilizar inaugurações de obras públicas e iniciativas institucionais para favorecer eleitoralmente o MpD, enquanto o executivo rejeitou as críticas e acusou a oposição de promover um discurso de confrontação política e instabilidade.

Também a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) procurou afirmar-se como alternativa ao tradicional bipolarismo político do arquipélago, defendendo reformas económicas e maior descentralização.

As eleições decorreram num contexto de forte atenção pública e elevada expectativa, num país frequentemente apontado como uma das democracias mais estáveis do continente africano. Observadores nacionais e internacionais acompanharam o processo eleitoral, marcado por um ambiente geralmente pacífico durante o dia de votação.

A afluência às urnas foi acompanhada com expectativa pelos partidos políticos, sobretudo entre os jovens eleitores, num momento em que temas como emprego, emigração, oportunidades económicas e custo de vida dominaram o debate nacional.

Arquivado em:Cabo Verde, Notícias

Empresas só descobrem fragilidades quando a crise já começou

15 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

A sessão contou com a participação de Laura Nogueira, Enterprise Risk Management Senior Consultant, e José Batista, Head of Enterprise Risk Management & Engineering, que defenderam que a diferença entre empresas que superam crises e aquelas que saem fragilizadas está, sobretudo, na preparação prévia.

Crise e incidente não são a mesma coisa

Um dos principais pontos abordados no webinar foi a distinção entre incidente e crise — dois conceitos frequentemente confundidos pelas organizações.

Segundo os especialistas, a gestão de incidentes, enquadrada pela norma ISO 22301, está focada na continuidade operacional e recuperação técnica de processos e serviços. Já a gestão de crises, regulada pela ISO 22361, opera ao nível estratégico, envolvendo liderança, reputação, comunicação e proteção das pessoas.

A diferença, sublinham, traduz-se em estruturas de resposta distintas, diferentes níveis de decisão e objetivos próprios. Confundir estas abordagens pode comprometer a capacidade de reação das empresas perante situações críticas.

Crises exigem respostas diferentes

Durante a sessão, a WTW identificou várias tipologias de crise enfrentadas atualmente pelas organizações, incluindo crises operacionais, tecnológicas, reputacionais, regulatórias, legais, humanas e híbridas.

Os especialistas alertaram, contudo, que nem todas as crises podem ser resolvidas através de soluções técnicas. Por isso, defendem que alguns simulacros devem ser desenhados sem uma solução operacional possível, obrigando equipas e lideranças a desenvolver competências de decisão sob pressão, gestão reputacional e comunicação institucional.

«A construção de narrativas credíveis, a relação com reguladores e autoridades e a gestão da pressão externa tornam-se fatores decisivos quando não existe uma solução técnica imediata», foi destacado durante o webinar.

Simulacros devem testar liderança e não apenas processos

Para a WTW, um simulacro eficaz deve basear-se em cenários realistas, envolver decisores reais e introduzir elementos de pressão e ambiguidade.

O objetivo, defendem os especialistas, não deve limitar-se à validação de procedimentos internos, mas sim testar a verdadeira capacidade de liderança em contexto de crise.

Os exercícios devem decorrer em várias fases — desde a identificação inicial da crise até à escalada mediática e institucional — incluindo cenários tecnicamente insolúveis que permitam identificar vulnerabilidades reais antes de uma situação crítica acontecer.

«As organizações que saem reforçadas de uma crise não são as que tiveram mais sorte — são as que investiram na preparação antes de a crise acontecer. Planos e procedimentos são necessários, mas são as pessoas treinadas e as lideranças preparadas que fazem a diferença real no momento crítico», afirmou Laura Nogueira.

Preparação contínua é essencial para a resiliência

Os especialistas concluíram que a preparação organizacional deve ser encarada como um processo contínuo e não como uma iniciativa pontual.

Segundo a WTW, as empresas devem testar regularmente os seus planos de resposta, promover formação contínua e realizar revisões pós-incidente para identificar falhas e oportunidades de melhoria.

«A tecnologia acelera a resposta, mas não substitui a liderança. Numa crise real, o que determina o resultado é a capacidade de tomar decisões coerentes com informação incompleta, mantendo uma narrativa consistente e protegendo as pessoas — e isso só se aprende treinando», afirmou José Batista.

Arquivado em:Corporate, Notícias

Rita Cadillon (Cegid): «Não somos um oásis da felicidade, que é por si só um conceito muito relativo»

15 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

 Um reconhecimento que reforça a imagem de uma organização que cresceu através da integração de culturas e empresas — incluindo a PHC — e que hoje se estende entre Portugal e vários mercados africanos marcados por realidades económicas, sociais e laborais profundamente distintas.

Com escritórios cheios em Braga, modelos híbridos ajustados à geografia e políticas de bem-estar que procuram responder a contextos muito diferentes, a empresa constrói uma ideia de cultura que é menos uniforme do que adaptativa. Para a organização, o selo não é só um ponto de chegada, tratando-se de um processo contínuo de autoavaliação. Numa organização que conta atualmente com 1.900 colaboradores na região ILA (Ibéria, Espanha e América Latina), é este o enquadramento que abre a conversa com Rita Cadillon, Diretora de Recursos Humanos da Cegid em Portugal e África , onde a ideia de cultura organizacional precisa de ser constantemente adaptada à realidade local.

A Cegid volta a ser distinguida como Top Employer pelo terceiro ano consecutivo. O que é que este reconhecimento diz sobre a empresa neste momento?

Este reconhecimento, para nós, não deve ser lido apenas como um prémio ou uma validação externa. Ele é importante, claro, mas o que realmente o torna relevante é o processo que lhe está associado. O Top Employer funciona como um exercício bastante exigente de autoanálise, porque nos obriga a responder a um conjunto muito alargado de dimensões que vão desde práticas de liderança até à forma como comunicamos internamente, como gerimos pessoas e como nos relacionamos com o contexto social onde estamos inseridos.

E isso tem um efeito interno muito concreto: obriga-nos a parar e a pensar com algum rigor sobre aquilo que estamos a fazer e, sobretudo, por que razão o estamos a fazer daquela forma. Não é um processo automático. É quase uma auditoria à forma como a organização vive o dia a dia.

No último ciclo, tivemos inclusive uma evolução muito significativa na avaliação global, com uma subida de cerca de oito pontos percentuais. Isso não é habitual neste tipo de avaliação e resulta de um trabalho interno muito consistente, especialmente na forma como conseguimos traduzir a estratégia da empresa para dentro das equipas. Esse é, aliás, um dos pontos mais críticos: garantir que aquilo que é definido ao nível estratégico não fica distante da operação e é compreendido e incorporado pelas pessoas que estão no terreno.

Esse trabalho de tradução da estratégia está muito ligado à liderança dentro da organização?

Está totalmente ligado. Nós temos vindo a investir bastante em liderança, mas não apenas no sentido tradicional de liderança técnica ou de gestão de equipas.

O foco tem sido desenvolver líderes que consigam realmente fazer essa ponte entre estratégia e execução, ou seja, pessoas que não se limitem a receber uma direção e a replicá-la, mas que consigam interpretá-la, adaptá-la ao contexto das suas equipas e transformá-la em ação concreta no dia a dia.

Isso é fundamental porque, sem essa mediação, a estratégia corre o risco de ficar demasiado abstrata. E quando isso acontece, perde impacto. O que tentamos garantir é precisamente o contrário: que há uma linha contínua entre o que é decidido e o que é vivido pelas pessoas na organização.

O mais recente Relatório Mundial da Felicidade coloca Portugal em queda no ranking e associa parte do declínio ao bem-estar, sobretudo entre os mais jovens. Estes sinais entram dentro da empresa ou ficam fora do perímetro organizacional?

Entram, obviamente entram. Não conseguimos nem faz sentido estarmos desligados do que se passa à nossa volta.

As pessoas não entram na empresa num vazio — entram com uma bagagem, com um contexto pessoal, social e até emocional que é influenciado por aquilo que está a acontecer no mundo, seja o contexto económico, seja o contexto geopolítico, sejam até situações mais amplas de instabilidade que acabam por afetar a forma como cada um está.

O que tentamos fazer, dentro do que nos é possível, é garantir que o impacto do trabalho não acrescenta mais uma camada de stress a esse conjunto de fatores.

Ou seja, se as pessoas já chegam com uma carga emocional ou com dificuldades associadas ao contexto externo, o que procuramos é que a experiência profissional não seja mais um elemento de pressão adicional.

Pelo contrário, que possa ser um espaço onde exista algum suporte, alguma estabilidade e algum equilíbrio.

Como é que o programa de wellbeing da empresa é estruturado e de que forma integra diferentes dimensões do bem-estar dos colaboradores?

Temos vindo a desenvolver várias iniciativas ligadas ao bem-estar, mas não apenas numa lógica física ou mais visível. O nosso programa de wellbeing é bastante holístico. Inclui, por exemplo, iniciativas como massagens, momentos de bem-estar no escritório, webinars sobre alimentação saudável, mas também dimensões mais profundas como a saúde mental e a literacia financeira.

Já fizemos sessões muito práticas, por exemplo sobre questões fiscais, como o IRS, ou sobre gestão de finanças pessoais e investimentos. E isto pode parecer distante do conceito tradicional de bem-estar, mas não é, porque muitas vezes as dificuldades financeiras ou a falta de literacia nesta área têm um impacto direto na ansiedade e no stress das pessoas.

Em contextos como África isto torna-se ainda mais evidente. Em alguns países onde operamos, como Angola ou Moçambique, a literacia financeira básica ainda não está tão disseminada, e isso obriga-nos a ter uma abordagem diferente e mais próxima.

Depois há também o papel dos managers e dos business partners, que é fundamental. Procuramos que estejam muito próximos das pessoas, que conheçam as realidades individuais tanto quanto possível e que consigam ajustar práticas quando isso é necessário. Não temos uma solução mágica para tudo, nem uma abordagem única que funcione para todos, mas temos esta lógica de proximidade e de flexibilidade.

No fundo, o que tentamos garantir é isto: não resolver todos os problemas das pessoas — porque isso não é possível — mas também não ser mais um fator de agravamento daquilo que já existe fora da empresa. E essa distinção é muito importante.

Como referiu, essa flexibilidade também se aplica às diferentes geografias onde a empresa está presente?

Sim, e de forma muito clara. Nós estamos em Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde, mas não podemos olhar para estes países como se fossem uma realidade homogénea. Não são.

São contextos profundamente diferentes, com níveis de desenvolvimento distintos, infraestruturas diferentes e também expectativas culturais diferentes em relação ao trabalho.

Em Angola, por exemplo, temos uma operação bastante significativa e também um conjunto de desafios muito próprios, desde a qualificação de talento até às condições básicas de trabalho. Há coisas que em Portugal são assumidas como garantidas — como ter internet em casa — que em Angola não são.

Isso tem impacto direto em tudo, desde a forma como se organiza o trabalho até à possibilidade real de implementar modelos híbridos.

O modelo híbrido não é, então, aplicado da mesma forma em todos os países?

Não. E isso não é uma decisão ideológica, é uma decisão baseada na realidade. Em alguns contextos conseguimos aplicar modelos híbridos, mas apenas para determinadas funções e com determinadas condições. Em outros casos, isso simplesmente não é possível.

E isso, naturalmente, cria alguma fricção, porque as pessoas comparam experiências entre países. Mas é importante explicar que não se trata de desigualdade de tratamento, trata-se de realidades estruturais diferentes.

Tentamos compensar isso através de outras práticas, nomeadamente ao nível de benefícios e de acompanhamento mais personalizado. Em Angola ou Moçambique, por exemplo, algo como um seguro de saúde que possa abranger a família tem um impacto muito significativo na perceção de valor da empresa.

Há diferenças culturais muito marcadas entre os países africanos onde estão presentes?

Sim, há diferenças muito marcadas e é importante dizer isto de forma muito clara: nós não podemos falar de África como se fosse um bloco homogéneo.

Angola, Moçambique e Cabo Verde são realidades completamente diferentes, e isso sente-se não só na forma como o mercado funciona, mas também na forma como as pessoas se relacionam com o trabalho, com a empresa e até com o próprio conceito de compromisso organizacional.

Em Cabo Verde, por exemplo, estamos a falar de um mercado mais pequeno em termos de dimensão de negócio, mas com dinâmicas muito próprias e com projetos muito interessantes que fazemos todos os anos e que acaba por ser também uma forma de presença e de construção de relação no terreno.

Angola é outra realidade. É onde temos maior escala, maior número de colaboradores e também onde sentimos mais desafios, sobretudo ao nível da retenção e da gestão de talento. É um mercado onde há muito potencial, mas onde também há mais fricção, mais exigência, e onde o próprio compromisso com a organização tem características diferentes daquilo que vemos em Portugal ou noutros contextos.

Moçambique, por sua vez, tem a sua própria dinâmica, muito própria, muito distinta. Não é comparável de forma direta. E isto obriga-nos a uma coisa que é essencial: não tentar uniformizar.

E como é que essa diferença aparece na prática, no dia a dia das pessoas?

Aparece de muitas formas, e nem sempre é óbvia. Por exemplo, em termos de inquéritos de satisfação, nós vemos em alguns países — Moçambique é um caso típico — níveis de satisfação muito elevados. Mas isso não pode ser lido de forma linear.

Porque culturalmente pode haver uma tendência para não ser tão direto na crítica ao empregador, para não expressar insatisfação da mesma forma que em Portugal. E isso altera completamente a leitura dos dados.

Ou seja, um número elevado não significa automaticamente uma experiência melhor. Por isso é que nós nunca olhamos apenas para os dados quantitativos. Temos sempre de cruzar isso com conversas reais, com proximidade às equipas, com aquilo que as pessoas dizem quando estamos mesmo com elas. Só assim conseguimos perceber o que está por trás dos números.

A Cegid resulta de um percurso de crescimento por integração de várias empresas e culturas, incluindo a PHC. Como é que se gere essa articulação sem diluir identidades nem gerar ruturas internas?

Esse é, provavelmente, um dos maiores desafios que temos enfrentado. Porque não estamos a falar de uma empresa que cresce de forma orgânica e linear, estamos a falar de um processo de integração sucessiva de organizações que já tinham culturas muito próprias, formas de trabalhar muito próprias e também histórias diferentes.

A PHC foi, de facto, a maior integração que fizemos até hoje, mas não foi a única. Já vínhamos de um percurso em que tínhamos integrado várias empresas em Portugal — como a Primavera, a Eticadata, a Cloudware, a Nexperience — cada uma com a sua identidade e com formas distintas de operar. Ou seja, quando chegamos à PHC já tínhamos experiência neste tipo de processos, mas isso não significa que deixe de ser desafiante.

O que tentamos fazer não é apagar essas diferenças nem forçar uma uniformização imediata. Isso não só não funciona como gera resistência. O que procuramos é perceber o que cada uma destas empresas traz de valor. Há práticas, formas de gestão, maneiras de olhar para as equipas que fazem sentido e que podem enriquecer a organização no seu conjunto.

Mas depois há uma limitação natural: nem tudo pode ser transposto tal como existia. Há sempre necessidade de adaptação, porque estamos a construir uma organização maior, mais complexa, com outra escala e com outras exigências. Exige comunicação.

Tentamos ser muito transparentes com as pessoas no que toca ao que muda e ao que não muda. Explicar o que se perde e o que se ganha. E isso é particularmente importante nestes processos, porque há sempre uma dimensão emocional associada à mudança cultural.

No caso da PHC, por exemplo, havia uma cultura muito forte de proximidade, muito enraizada numa estrutura mais pequena, muito concentrada geograficamente, com uma relação muito direta entre equipas e gestão. Isso não desaparece de um dia para o outro quando se passa para uma organização maior.

Compensamos essa perda de proximidade com outras dinâmicas e práticas, que criem novas formas de ligação e de pertença. Não é uma substituição direta, é uma reorganização dessa experiência dentro de uma estrutura maior.

No fundo, o objetivo não é ter uma cultura única no sentido rígido do termo, mas sim uma cultura suficientemente flexível para integrar diferenças sem perder coerência. E isso é um processo contínuo, não é algo que se fecha.

Em Portugal, também há diferenças entre escritórios?

Sim, há diferenças claras, e isso também é interessante porque mostra, lá está,  que a cultura não é uma coisa única nem fechada.

No Porto, por exemplo, temos uma equipa mais pequena, cerca de 80 pessoas, e isso cria naturalmente uma dinâmica muito mais próxima, quase como uma lógica de startup. As pessoas conhecem-se mais, há mais convivência informal, há mais iniciativas espontâneas, como jantares ou encontros depois do trabalho.

Lisboa é diferente. É mais disperso, também por causa da dimensão e da localização em Oeiras. Mas o escritório foi pensado precisamente para contrariar isso, com espaços de convívio, ginásio, salas de descanso, zonas sociais. Ou seja, há um esforço claro para criar pontos de encontro.

E depois há Braga, que vem de uma história muito própria, da PHC, e que mantém uma cultura muito forte de proximidade e de convívio entre equipas. Há ali um ADN muito social, muito enraizado.

Ou seja, não existe uma cultura única dentro da empresa?

Não, não existe uma cultura única no sentido estrito. Existe uma cultura global, sim, mas depois há várias microculturas que coexistem e que são muito influenciadas pelas equipas, pelas geografias e até pelos perfis das pessoas.

E nós não tentamos apagar isso. O que tentamos é criar um princípio comum que permita essa diversidade funcionar, e esse princípio é muito simples: liberdade com responsabilidade.

Ou seja, nós sabemos que não faz sentido tratar todas as equipas da mesma forma, porque não são todas iguais. Uma equipa de engenharia ou de inteligência artificial não tem a mesma relação com o escritório que uma equipa comercial ou de marketing. Não tem as mesmas necessidades, nem o mesmo tipo de trabalho.

Por isso damos autonomia às equipas para se organizarem, mas com um sentido claro de responsabilidade e de entrega.

No meio disto tudo, sobretudo no caso das gerações mais jovens, o que pesa mais hoje na escolha de uma empresa: a progressão de carreira ou o sentimento de pertença e cultura interna?

Para os mais jovens, o peso maior está sobretudo na progressão de carreira, na flexibilidade e na autonomia. Há uma expectativa muito clara de liberdade e de capacidade de gestão do próprio trabalho, e isso tornou-se um fator central na escolha de uma organização.

A progressão de carreira continua a ser decisiva, mas vem muito acompanhada desta ideia de flexibilidade. Ou seja, não é apenas «onde posso crescer», mas também «em que condições posso crescer».

O sentimento de pertença, por outro lado, acaba por não ser tão determinante no momento inicial da escolha. Não é necessariamente um fator de decisão primário. Pode vir depois, pode construir-se com o tempo, e muitas vezes constrói-se de forma quase natural, mas não é aquilo que define a entrada numa empresa.

O que aparece com muita força nas conversas que temos com jovens é esta combinação entre remuneração, condições de trabalho e a possibilidade de evolução. Há também uma realidade muito concreta que nos é transmitida: são frequentemente abordados com propostas que implicam mais salário, mas muitos acabam por não sair.

Acontece porque sentem que, apesar dessas oportunidades externas, existe dentro da organização um reconhecimento que não é apenas salarial. Sentem progressão, sentem acesso a projetos interessantes, sentem flexibilidade e que há uma preocupação com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Esse equilíbrio tornou-se um tema central. Já ouvimos expressões muito diretas, como a ideia de que saíram de empresas anteriores porque aquilo «estava a mexer com o seu lado psicológico». Isto mostra até que ponto o bem-estar deixou de ser um conceito abstrato e passou a ser uma expectativa concreta.

Nesse sentido, estar num ambiente onde se sentem respeitados enquanto pessoas é algo que valorizam cada vez mais.

Então, no fim, a Cegid é uma empresa feliz ou uma empresa que construiu condições para que a felicidade seja possível?

Eu diria que é uma empresa que aprende todos os dias com os colaboradores.

Não somos um resort da felicidade. Aliás, a felicidade — whatever that is — é um conceito muito difícil de definir, muito ambíguo e muito relativo. Não é algo estanque, preservamo-la naquilo que ela pode significar em cada momento, sabendo que isso muda, que não é constante e que não é simples de medir.

E também com a consciência de que estamos num contexto em que uma empresa existe sempre nesta tensão entre pessoas e resultados. No fundo, esse binómio está sempre presente.

Uma empresa procura, antes de mais, resultados e sustentabilidade. Mas esses resultados só fazem sentido se forem construídos com pessoas. E é nessa equação, sempre desafiante, que tentamos trabalhar todos os dias.

Arquivado em:Entrevistas, Trabalho

«Se não trabalharmos a presença da marca ela não existe»: Zurich recebeu Encontro de Conselheiros dedicado à compensação e benefícios

15 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Na abertura do encontro, Helene Westerlind, CEO da Zurich Portugal, destacou precisamente a importância de criar ambientes que reflitam a cultura da organização, sem esquecer os desafios estruturais que hoje se colocam às empresas e, em particular, ao setor segurador.

Além das melhorias feitas no edifício, a responsável sublinhou as responsabilidades crescentes da empresa perante colaboradores, parceiros e clientes, numa altura em que temas como alterações climáticas, sustentabilidade e transformação económica obrigam as organizações a adaptarem-se constantemente.

«Se não trabalharmos a presença da marca ela não existe», afirmou.

Depois de recebidos num edifício renovado, marcado por espaços amplos, colaborativos e pensados para promover interação, os convidados percorreram zonas de lazer, áreas de trabalho e ambientes desenhados para estimular flexibilidade e proximidade entre equipas. Os jacarandás rosados do exterior quase que entram pelas janelas e reforçam a sensação de abertura do espaço.

Antes do arranque do painel principal, Nuno Oliveira, Chief People and Culture Officer da Zurich, explicou também de que forma os novos espaços procuram responder às mudanças do mercado de trabalho e às expectativas das equipas.

Literacia financeira deixou de ser um tema secundário

Moderada por Celina Pereira, People Development da Zurich, a conversa ‘Literacia Financeira, Compensação e Benefícios’ juntou Fábio Sequeira, Savings and Product Development Manager da Zurich; Nuno Oliveira, Chief People and Culture Officer da Zurich; e Paulo Fradinho, Head of Insurance da Coverflex.

Ao longo do painel ficou claro que a discussão sobre compensação já não se limita ao salário mensal. Hoje, as empresas enfrentam um desafio mais complexo: ajudar as pessoas a construírem estabilidade financeira e, simultaneamente, responderem às novas exigências de flexibilidade e qualidade de vida.

Fábio Sequeira centrou a sua intervenção na necessidade urgente de reforçar a literacia financeira dentro das organizações e alertou para a imprevisibilidade associada ao futuro das reformas. «A literacia financeira acaba por ser um chavão que pode ser aplicado a um conjunto de circunstâncias. O que queremos é perceber como organização como podemos integrar os colaboradores nessa fase, para conseguirem tomar melhores decisões», explicou.

O responsável recordou que muitas pessoas continuam sem preparação para lidar com temas como poupança, investimento ou reforma, apesar das projeções cada vez mais preocupantes relativamente à sustentabilidade do sistema. «Não sabemos se vamos ter reformas como as conhecemos hoje. Quanto mais cedo começarmos a preparação para isto, mais facilmente lidaremos com a situação.»

Durante a conversa foram ainda partilhados alguns números que ajudam a enquadrar o problema, nomeadamente o facto de existirem atualmente cerca de 38 pensionistas por cada 100 pessoas ativas.

Para Fábio Sequeira, as empresas podem ter um papel decisivo na criação de hábitos financeiros mais sustentáveis. «O investimento em literacia financeira é relativamente baixo e o impacto nas pessoas é  enorme.» O responsável destacou ainda o potencial da inteligência artificial como ferramenta complementar neste processo. «O advento da IA pode ajudar. É um excelente parceiro para otimizar algumas etapas e permitir às pessoas ganharem estas capacidades.»

 

«Não podemos fazer planos iguais para todos»

A perspetiva de Paulo Fradinho focou-se sobretudo na transformação dos modelos de benefícios e na necessidade de abandonar soluções rígidas e uniformes. Para o Head of Insurance da Coverflex, os colaboradores esperam hoje níveis de personalização muito superiores aos do passado. «Queremos escolher pelas pessoas ou dar-lhes escolhas? Não podemos fazer planos iguais para todos», afirmou.

Ao longo da intervenção, Paulo Fradinho defendeu que as empresas devem disponibilizar ferramentas suficientemente flexíveis para acompanhar as diferentes fases da vida de cada colaborador. «As empresas financiam e dão um conjunto de escolhas. É algo que vai responder a necessidades individuais.» O responsável destacou também a relação direta entre estabilidade financeira e produtividade. «Uma pessoa que não tem dinheiro ao dia 30 não vai estar em condições de ter conversas produtivas.»

Ainda assim, reconheceu que a compensação continua a ser um dos temas mais sensíveis dentro das organizações. «As piores avaliações dos colaboradores são sempre à volta das compensações. Se não me dão o que quero, é porque a empresa não me valoriza.»

Na sua visão, limitar a proposta de valor apenas ao salário já não é suficiente. «Só fazer em cash vai parecer preguiçoso. Reforma, saúde e educação são áreas onde os benefícios podem realmente fazer diferença.»

Cultura, transparência e experiência do colaborador

Já Nuno Oliveira trouxe para a conversa uma visão mais organizacional e cultural sobre a gestão de talento, defendendo que a literacia financeira deve ser trabalhada de forma integrada e não apenas através de ações pontuais de formação. «Para trabalharmos a literacia financeira, antes tem de vir a cultura», sublinhou. O responsável explicou que a Zurich procura criar um ecossistema que permita às pessoas tomar decisões mais conscientes e informadas ao longo do tempo. «Mais do que formarmos, queremos criar um ecossistema que possibilite o melhor.»

Nuno Oliveira destacou ainda que muitos benefícios acabam por perder visibilidade precisamente por já fazerem parte do quotidiano das equipas.«Há um conjunto de benefícios que as pessoas dão como adquiridos. Só quando saem percebem algumas das regalias que tinham.»

Outro dos temas abordados foi a diretiva europeia da transparência salarial já em vigor no próximo mês e o impacto que poderá ter nas organizações. «A transparência salarial não remete apenas para o salário base, mas para o pack completo», afirmou. Apesar dos desafios que antecipa, acredita que a mudança pode contribuir para culturas mais transparentes e maduras. «Vai gerar litigância e obrigar as empresas a corrigirem coisas, mas também é uma oportunidade. E se queremos pessoas autónomas e com espirito critico também temos de estar preparados para pessoas atentas.»

O futuro dos benefícios será cada vez mais personalizado

Ao longo da conversa tornou-se evidente que a forma como as pessoas encaram o trabalho mudou profundamente nos últimos anos. Se anteriormente a compensação era vista sobretudo como um tema transacional, hoje cruza-se diretamente com bem-estar, propósito, flexibilidade e qualidade de vida. «A Covid fez-nos olhar para as coisas de outra forma. O que a empresa faz tem impacto direto na vida das pessoas», resumiu Paulo Fradinho.

Também para Nuno Oliveira, a experiência do colaborador terá um peso crescente no futuro das organizações. «Daqui a dez anos, a experiência vai ser muito valorizada.»

No final do painel ficou clara a ideia de que os benefícios mais relevantes já não são necessariamente os mais visíveis ou os mais caros, mas sim aqueles que conseguem responder às necessidades concretas das pessoas em diferentes momentos da vida.

Mais do que uma tendência, a transformação dos modelos de compensação parece refletir uma mudança cultural profunda. Porque, no fim, falar de benefícios é também falar de confiança, estabilidade e da forma como as empresas escolhem cuidar das suas pessoas.

 

Conheça a agenda completa dos nossos encontros aqui.

Veja a galeria completa do encontro aqui.

Arquivado em:Encontros, Leading Brands, Leading People

Tecnologia, ética e inovação: construir o futuro que queremos habitar 

15 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

O verdadeiro poder da tecnologia não reside no que ela consegue fazer, mas no modo como escolhemos utilizá-la. A mão humana deve permanecer soberana, não como travão ao progresso, mas como bússola que orienta a direção e dá sentido à velocidade. É neste equilíbrio delicado que nasce o conceito de liderança digital responsável, assente num triângulo essencial: tecnologia, ética e inovação. Três vértices que, separados, perdem força; juntos, definem o caminho para um desenvolvimento sustentável e verdadeiramente legítimo. 

Integrar valores humanos em sistemas inteligentes é hoje um dos maiores desafios das organizações que operam num mundo cada vez mais algorítmico. A confiança não se constrói apenas com resultados – constrói-se com transparência, com responsabilidade clara e com a capacidade de explicar as decisões que os algoritmos tomam em nosso nome. Num ambiente cada vez mais automatizado, as perguntas tornam-se inevitáveis: quem responde pelos erros das máquinas? Quem define os limites éticos do que é aceitável? E, sobretudo, quem garante que esses limites são respeitados quando os incentivos económicos apontam noutra direção? 

Inovar com propósito não significa desacelerar o progresso. Significa avançar com consciência e intencionalidade. As empresas que lideram de forma verdadeiramente sustentável percebem que a ética não é um obstáculo à inovação, é a sua fundação mais sólida. Uma cultura organizacional orientada por valores, aliada a uma regulação transparente e proporcional, não limita o que se pode construir: garante que o que se constrói seja resiliente, confiável e duradouro. 

O triângulo do futuro é, acima de tudo, um convite permanente à responsabilidade partilhada entre todos os atores da sociedade digital. Tecnólogos, líderes empresariais, reguladores e cidadãos têm um papel ativo e insubstituível a desempenhar nesta equação coletiva. A questão central já não é apenas o que a tecnologia pode fazer – é o que ela deve fazer, como garantimos que serve verdadeiramente o interesse humano, e de que forma asseguramos que o caminho que trilhamos hoje é aquele que queremos deixar como legado consciente e duradouro para as gerações seguintes. 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Opinião

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Página 2
  • Página 3
  • Página 4
  • Página 5
  • Interim pages omitted …
  • Página 178
  • Go to Next Page »
Lider
Lider
Lider
Lider
Lider
Tema Central

Sobre nós

  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Tema Central
  • Termos e Condições
  • Política de Privacidade

Contactos

Av. Dr. Mário Soares, nº 35,
Tagus Park
2740-119 Oeiras
Tel: 214 210 107
(Chamada para a rede fixa nacional)
temacentral@temacentral.pt

Subscrever Newsletter
Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Subscrever Newsletter

©Tema Central, 2026. Todos os direitos reservados.