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Marcelo Teixeira

Cátia Batista: «Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida»

12 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Foi dessa pergunta aparentemente simples que nasceu a ‘Morabeza’, uma aplicação criada pelo NOVAFRICA, centro de investigação da Nova SBE, para testar até que ponto informação clara, organizada e acessível pode alterar o percurso de integração de imigrantes em Portugal. O resultado foi profundamente humano.

Ao longo de vários anos, Cátia Batista, Professora Catedrática de Economia e Fundadora e Diretora Científica do centro de investigação NOVAFRICA, em conjunto com a sua equipa acompanhou centenas de imigrantes cabo-verdianos na Área Metropolitana de Lisboa, cruzando investigação quantitativa com trabalho de terreno, visitas a bairros, entrevistas repetidas e meses de escuta paciente.

Com uma aplicação de baixo custo que traduz linguagem jurídica para instruções práticas, os participantes passaram a encontrar empregos mais próximos de casa, horários mais dignos e maior estabilidade no quotidiano. Tornaram-se mais ativos na procura de oportunidades, criaram redes sociais mais amplas e recuperaram uma ideia de futuro. Mas os efeitos foram ainda mais longe. O estudo mostra que uma integração bem-sucedida em Portugal pode viajar até Cabo Verde através das relações familiares, fortalecendo participação cívica, igualdade de género e valores democráticos.

Nesta conversa, Cátia Batista fala sobre tecnologia, migrações e desigualdade, mas também sobre tempo, dignidade e oportunidade. Sobre o que acontece quando um Estado falha em responder e sobre o potencial transformador de algo tão simples como informação compreensível. Porque às vezes a diferença entre ficar preso e conseguir avançar começa apenas com alguém a explicar, finalmente, por onde se entra.

 


De onde surgiu a ideia para desenvolver a aplicação ‘Morabeza’?

A inspiração para este projeto vem muito do trabalho que nós já vínhamos a fazer há vários anos, sobretudo em países africanos lusófonos, onde estudámos precisamente como tecnologias relativamente simples — como o telemóvel — podem transformar profundamente a vida das pessoas.

Por exemplo, em Moçambique, tivemos a oportunidade de acompanhar muito de perto o lançamento do mobile money, aquilo que no Quénia ficou conhecido através do M-Pesa. Foi uma mudança absolutamente brutal. Em pouco tempo, cerca de 60% da população estava a utilizar este sistema e uma parte muito significativa da economia começou literalmente a circular através do telemóvel.

Nós fizemos avaliações experimentais nessa fase inicial, sobretudo em contextos rurais no sul de Moçambique, onde havia populações completamente excluídas do sistema financeiro tradicional. Trabalhámos com agricultores, microempresários, famílias sem acesso a bancos, e fomos percebendo como uma ferramenta aparentemente simples podia alterar comportamentos económicos, aumentar oportunidades e reduzir barreiras muito concretas do dia a dia.

E eu diria que a ‘Morabeza’ nasce muito dessa experiência acumulada. Já tínhamos visto que o telemóvel podia ser um instrumento de inclusão extremamente poderoso. Aqui quisemos perceber se também podia ajudar num outro tipo de exclusão: a exclusão informacional.


Ou seja, o problema não era apenas falta de informação, mas a dificuldade em aceder a ela?

Exatamente. E acessibilidade aqui tem dois sentidos diferentes. O primeiro é o mais direto: a informação estar no telemóvel, imediatamente disponível, fácil de consultar. Mas o segundo talvez seja ainda mais importante: tornar a própria informação compreensível.

Porque a realidade é que os processos relacionados com imigração em Portugal são extremamente complexos. Mesmo para alguém altamente qualificado. Nós tivemos uma assistente de investigação, já com um mestrado completo, que passou cerca de seis meses a recolher informação pública oficial para construir os conteúdos da aplicação. E mesmo assim foi um processo extremamente difícil.

Ela teve basicamente de navegar um sistema em que uma lei remete para outra lei, que depois foi alterada por outra revisão legislativa, com informação espalhada por vários sites e documentos diferentes. Há pessoas que passam meses à procura de informação simples sobre como regularizar a própria vida.

E nós fizemos esse processo exatamente como um migrante faria. Não houve nenhum acesso privilegiado, nenhuma ajuda institucional especial. Fomos simplesmente à procura da informação pública disponível.

O que a aplicação fez foi pegar nesse labirinto burocrático e transformá-lo em passos simples e claros. «É isto que precisa para regularizar a situação.» «É aqui que pode procurar emprego.» «É aqui que encontra informação sobre habitação.» «Estes são os seus direitos e deveres.»

No fundo, organizámos a informação de forma utilizável.


E isso obrigou também a muito trabalho de terreno, certo?

Muito. E esse lado do trabalho às vezes não aparece tanto quando as pessoas olham para os papers finais, para as estatísticas ou para os resultados quantitativos.

Nós somos economistas, trabalhamos muito com métodos experimentais e análise de dados, mas ninguém consegue fazer investigação séria nesta área sem estar no terreno, sem falar com pessoas, sem perceber como é que elas vivem.

Eu própria andei por bairros onde nunca tinha estado antes, aqui na área metropolitana de Lisboa. Passámos muito tempo em associações, centros comunitários, bairros com grande presença de população migrante. Falámos com pessoas sobre dificuldades concretas do quotidiano.

Esse trabalho é absolutamente essencial porque muitas vezes as hipóteses iniciais que os investigadores têm acabam por mudar completamente depois do contacto com a realidade. E foi exatamente isso que aconteceu aqui.


Porque inicialmente a principal hipótese nem era a da informação?

Não. Essa é talvez uma das partes mais interessantes do estudo. A nossa hipótese inicial era outra: nós achávamos que muitos imigrantes em Portugal poderiam sentir-se limitados pelas experiências de discriminação, segregação ou falta de perspetivas.

Portugal não tem o mesmo nível de segregação visível que existe noutros países europeus, como França, por exemplo, mas nós suspeitávamos que pudesse existir um efeito mais psicológico, de redução de aspirações.

Então criámos uma segunda intervenção além da app. Fizemos vídeos com histórias reais de sucesso de imigrantes cabo-verdianos em Portugal. Havia uma mulher que abriu o próprio negócio de penteados africanos. Um homem que se tornou chefe de segurança de um grande centro comercial em Lisboa. Outro que criou uma fábrica de bolachas. Pessoas que chegaram com poucos recursos e conseguiram construir uma vida estável.

A ideia era perceber se exemplos positivos poderiam aumentar motivação e ambição.


E funcionou?

No curto prazo, sim. Funcionou muito. Logo depois de verem os vídeos, as pessoas ficavam extremamente motivadas. Havia um impacto emocional muito forte. Sentiam-se inspiradas, mais confiantes, mais otimistas.

Mas quando regressámos um ano e meio depois, esse efeito praticamente tinha desaparecido. E isso foi uma aprendizagem importante para nós.

Porque a motivação, por si só, não resolve barreiras estruturais. Uma pessoa pode sentir-se inspirada naquele momento, mas depois continua a enfrentar dificuldades administrativas, empregos precários, horários impossíveis, problemas de habitação, burocracias intermináveis.

Já a aplicação teve precisamente o efeito contrário. No início parecia quase uma intervenção mais ‘fria’, mais prática. Mas ao longo do tempo acabou por produzir mudanças muito mais profundas e duradouras.

 


Que tipo de mudanças?

Sobretudo mudanças relacionadas com autonomia e qualidade de vida. Muitas pessoas começaram a encontrar empregos melhores. Não necessariamente empregos muito mais bem pagos, e isso é importante dizer, porque nós não encontrámos grandes diferenças salariais. Mas encontraram trabalhos com horários mais humanos, mais próximos de casa, com melhores condições.

Havia pessoas que antes passavam horas em transportes, saíam de madrugada e regressavam perto da meia-noite. E começaram a conseguir reorganizar a vida. Também vimos efeitos interessantes ao nível das redes sociais. As pessoas passaram a ter mais contactos próximos de origem portuguesa, tornaram-se mais ativas na procura de oportunidades e mostravam níveis mais elevados de satisfação com a vida.

E isso acabou por nos mostrar uma coisa muito importante: informação prática e acessível pode ser profundamente empoderadora.

Porque quando uma pessoa compreende o sistema, ganha capacidade de agir dentro dele.

E às vezes isso muda mais uma vida do que qualquer discurso motivacional.


Que desafios encontraram para fazerem a investigação?

Nós já tínhamos muita experiência de trabalho de terreno em África, em contextos até bastante complexos, mas aqui em Portugal assumimos inicialmente que existiriam mais dados disponíveis sobre as comunidades migrantes. E a verdade é que não existiam.

Tentámos perceber se havia bases de dados mais completas, mais detalhadas, que nos permitissem caracterizar a comunidade cabo-verdiana em Portugal, mas isso praticamente não existia. E aquilo que existia tinha limitações enormes, nomeadamente por questões de proteção de dados.

Então tivemos de fazer o trabalho quase do zero. Começámos por contactar associações e centros ligados à comunidade cabo-verdiana, falámos com várias organizações locais, e depois literalmente fomos para o terreno. Utilizámos os dados do Censos de 2011 para perceber quais eram as zonas com maior concentração da comunidade cabo-verdiana na Grande Lisboa e começámos a trabalhar a partir daí.

Íamos aos bairros, às associações, aos cafés, aos espaços de encontro das pessoas, falávamos diretamente com elas, perguntávamos se aceitavam participar, fazíamos entrevistas iniciais e depois organizávamos o acompanhamento por telefone, sempre com muita flexibilidade.

Estas pessoas têm vidas extremamente exigentes. Horários difíceis, trabalhos precários muitas vezes, longos tempos de deslocação. Portanto tivemos de adaptar o estudo à realidade delas. E mesmo assim conseguimos construir uma amostra muito significativa: cerca de 800 pessoas acompanhadas ao longo do tempo.

 


E isso acaba também por revelar uma fragilidade maior do próprio Estado português, não?

Sem dúvida. Hoje fala-se muito de imigração em Portugal, fala-se muito de números, mas a verdade é que continuamos sem conhecer verdadeiramente quem são os imigrantes que vivem cá.

Nós sabemos estimativas gerais, sabemos mais ou menos quantas pessoas entraram, mas não sabemos suficientemente bem quais são os seus níveis de educação, as suas aspirações, os seus percursos profissionais, as dificuldades concretas que enfrentam, as suas necessidades.

É um problema muito sério para quem quer desenhar boas políticas públicas. Porque não basta ter uma política de abertura migratória. É preciso ter capacidade institucional para integrar as pessoas.

O que aconteceu nos últimos anos foi, em parte, uma liberalização relativamente rápida sem o correspondente reforço dos serviços públicos. E isso criou enormes dificuldades. Os serviços de imigração ficaram sobrecarregados, houve períodos em que praticamente deixaram de conseguir responder, e muitos imigrantes acabaram completamente desamparados em termos administrativos.

E depois há um paradoxo curioso: discute-se muito imigração em abstrato, mas existe muito pouca informação rigorosa sobre a realidade concreta destas populações.


Nos resultados do estudo há melhorias ao nível do emprego, da motivação e da procura ativa de oportunidades. O que é que lhe parece mais importante a longo prazo?

Para mim, uma das coisas mais importantes é o facto de muitas pessoas terem conseguido aproximar-se mais de empregos compatíveis com as suas qualificações e capacidades.

Porque existe um fenómeno muito comum em praticamente todos os países que recebem imigração: o chamado ‘mismatch’ inicial no mercado de trabalho. São pessoas altamente qualificadas que acabam em empregos muito abaixo daquilo que sabem fazer. O exemplo clássico é o do engenheiro que acaba a conduzir um táxi, mas isto acontece em muitas profissões e é muito mais grave do que às vezes parece.

Há reunida muita evidência científica de que a forma como uma pessoa entra no mercado de trabalho marca profundamente o resto da sua trajetória profissional.

Há estudos sobre jovens licenciados que mostram que terminar um curso durante uma recessão económica pode afetar salários e oportunidades durante décadas.

Nos imigrantes acontece exatamente o mesmo. Se uma pessoa chega ao país e entra logo num percurso de precariedade, de subemprego, de empregos muito afastados das suas competências, isso tende a criar um efeito de cicatriz que pode durar a vida inteira. E isso depois não afeta apenas aquela pessoa. Afeta também os filhos, a integração familiar, as oportunidades educativas da geração seguinte.

Portugal já é um país com níveis relativamente elevados de transmissão intergeracional de desigualdade. Portanto, se nós recebemos pessoas qualificadas e não conseguimos integrá-las adequadamente, estamos também a criar problemas sociais futuros.

Por isso é que estes resultados são importantes. Porque mostram que mesmo uma intervenção relativamente simples pode ajudar as pessoas a reposicionarem-se melhor no mercado de trabalho.


O estudo mostra também algo muito interessante: os efeitos positivos da integração em Portugal acabam por chegar a Cabo Verde e influenciar atitudes democráticas. Esperavam encontrar esse efeito?

Esperávamos… mas ao mesmo tempo foi surpreendente ver a força com que apareceu.

Durante muito tempo existiu uma visão muito pessimista sobre migrações nos países em desenvolvimento. Havia esta ideia da ‘fuga de cérebros’: quando as pessoas mais qualificadas saem de um país, isso seria necessariamente uma tragédia para o país de origem.

Esse discurso dominou praticamente até aos anos 2000. Mas depois começaram a surgir muitos estudos — incluindo vários na área da economia do desenvolvimento — a mostrar que a realidade é bastante mais complexa.

Claro que existem as remessas financeiras, que já eram conhecidas há muito tempo. O dinheiro enviado pelos emigrantes ajuda famílias, fortalece economias locais, aumenta consumo, investimento. Mas depois começaram a aparecer outros efeitos muito mais interessantes.

Por exemplo: quando pessoas qualificadas emigram, isso muitas vezes aumenta o incentivo para investir em educação no país de origem.

Nós temos estudos em Cabo Verde, em Moçambique, nas Filipinas, na Índia, que mostram precisamente isso. Nas Filipinas, por exemplo, houve uma abertura da imigração de enfermeiras para os Estados Unidos e o resultado foi extraordinário: formaram-se muito mais enfermeiras do que aquelas que acabaram por emigrar. Ou seja, a possibilidade de emigrar cria incentivos para investir em qualificações. E depois há toda uma outra dimensão, que é a transmissão de normas sociais e políticas.

As pessoas que vivem em democracias mais consolidadas acabam muitas vezes por transmitir determinados valores às famílias e amigos no país de origem: maior exigência relativamente à transparência, maior participação política, maior valorização da igualdade de género, maior envolvimento cívico.

Nós já tínhamos estudado isso em Moçambique e noutros contextos, mas aqui quisemos perceber uma coisa mais específica: será que integrar melhor os imigrantes em Portugal reforça essa transmissão?

E a resposta parece ser sim. Quanto mais positiva e integrada é a experiência migratória, maior tende a ser também a transmissão dessas normas democráticas e sociais.


Mas o estudo mostra também um lado mais duro: em zonas onde a extrema-direita tem maior expressão eleitoral, estes efeitos diminuem.

Sim, e isso faz bastante sentido, porque integração não é apenas uma questão administrativa ou económica. É também relacional e social.

Quando o ambiente político é mais hostil, mais polarizado, menos acolhedor, isso naturalmente limita o tipo de interação social que acontece. E se há menos interação, menos proximidade, menos sentimento de pertença, também há menos transmissão de normas, menos aprendizagem mútua.

No fundo, a integração depende muito da qualidade da relação entre quem chega e a sociedade que recebe. Isso tem consequências não apenas para os próprios imigrantes, mas também para aquilo que eles transportam de volta para os seus países de origem através das suas redes familiares, sociais e económicas.

Ora, se o ambiente é mais hostil, isso torna-se muito mais difícil.

Se uma pessoa sente rejeição constante, discriminação ou hostilidade, naturalmente vai interagir menos, vai sentir menos pertença, vai ter menos oportunidades de criar essas ligações.

E, portanto, a nossa hipótese — porque nós não medimos diretamente sentimentos de hostilidade local — é precisamente essa: ambientes politicamente mais hostis dificultam a absorção de normas sociais e tornam a integração muito mais difícil.


Isso abre quase uma nova linha de investigação, não?

Completamente. E há imensos contextos onde isto seria interessante estudar. Por exemplo, nós trabalhámos sobretudo na Grande Lisboa e em Setúbal, mas seria extremamente interessante olhar para outras regiões do país onde a dinâmica migratória é diferente.

O Algarve, por exemplo, seria um caso muito interessante para estudar, precisamente porque houve um crescimento muito rápido da imigração e porque existem contextos sociais e económicos diferentes. Portanto, sim, há aqui muitas perguntas que ficaram abertas, mas faz parte das coisas boas da investigação: um estudo responde a algumas questões, mas normalmente cria logo dez perguntas novas.


Houve resistência política ou institucional quando começaram a divulgar estas conclusões?

Não, pelo contrário. Nós temos partilhado estes resultados com várias entidades e a receção tem sido bastante positiva.

Eu própria faço parte do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo e tivemos oportunidade de apresentar algumas destas conclusões. Também partilhámos resultados com equipas ligadas à AIMA e com outras organizações que trabalham diretamente na área da integração.

E aquilo que sentimos neste momento é que existe uma consciência crescente de que não basta discutir imigração em abstrato. É preciso perceber concretamente o que funciona. Há hoje uma maior abertura para testar soluções práticas, avaliar impacto, experimentar políticas diferentes e perceber quais produzem resultados reais.

 


Se pudesse apontar uma medida concreta que Portugal deveria implementar amanhã para melhorar a integração de imigrantes, qual seria?

Implementar uma aplicação deste género em larga escala. E digo isto de forma muito pragmática: porque o custo é extremamente baixo comparado com os benefícios potenciais. No fundo, estamos a falar de organizar informação pública, simplificá-la, torná-la acessível, disponível no telemóvel e fácil de utilizar.

Não é uma medida gigantesca do ponto de vista orçamental. Não exige obras, não exige estruturas enormes, não exige uma transformação institucional profunda. E, no entanto, os impactos podem ser muito significativos.

Aquilo que vimos foi que o simples facto de uma pessoa compreender melhor o sistema aumenta a sua autonomia, melhora decisões de emprego, facilita regularização, reduz ansiedade e melhora integração. Agora, claro, isto não substitui outra coisa que continua a ser absolutamente fundamental: capacidade de resposta dos serviços públicos.


Ou seja, a digitalização ajuda, mas não resolve tudo.

Sim. A digitalização pode simplificar muito processos burocráticos e reduzir barreiras, mas não substitui a necessidade de serviços públicos funcionarem. E este ponto é muito importante porque muitas vezes o debate sobre imigração ignora uma questão essencial: deixar pessoas durante meses ou anos sem resposta administrativa cria problemas muito sérios.

Quando uma pessoa não consegue regularizar rapidamente a sua situação, isso afeta tudo: acesso ao trabalho formal, habitação, estabilidade financeira, integração social.

E depois cria-se um ciclo de precariedade que pode ter consequências duradouras. Nós sabemos pela evidência internacional que os imigrantes, por si só, não aumentam criminalidade nem criam os problemas sociais que muitas vezes aparecem no discurso político.

Mas sabemos também que marginalização prolongada, precariedade e ausência de integração institucional podem gerar exclusão social grave. Por isso é tão importante garantir capacidade de resposta logo à chegada. Não se pode deixar pessoas num limbo administrativo permanente.


No fundo, estamos também a falar de uma questão de visão para o país.

Sem dúvida. Porque integração não é apenas uma questão humanitária. É também uma questão económica, social e até democrática. Se uma pessoa chega a Portugal e consegue rapidamente integrar-se, trabalhar, construir estabilidade, criar relações sociais, isso beneficia o próprio país. E o contrário também é verdade.

Se nós criamos sistemas burocráticos caóticos, lentos e hostis, estamos a desperdiçar capacidades, talento e potencial humano. Estas situações acabam por ter custos para toda a sociedade. Por isso é que às vezes soluções aparentemente simples — como organizar informação de forma acessível — podem ter efeitos muito maiores do que imaginamos.

 

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

Elsa Carvalho: «o futuro não precisará tanto de líderes brilhantes quanto de líderes lúcidos»

12 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Caro(a) CEO, 

Escrevo-te de um tempo que se apaixonou pela medição. Medimos desempenho, atenção, risco, produtividade, impacto, clima, potencial e até a felicidade. E, no meio de tanta sofisticação, vamos correndo o risco de nos tornarmos analfabetos do essencial. Talvez, no teu mundo, isso tenha piorado ou talvez já tenhas um dashboard para a alma.  

Aos líderes que hoje se formam, deixo um conselho pouco moderno e, por isso mesmo, urgente: aprendam a pensar. Pensar antes de reagir, antes de decidir e antes de repetir o que todos já dizem com admirável convicção e escassa reflexão. Num mundo saturado de conteúdos e aparentes respostas, a verdadeira diferença estará em quem souber questionar (e questionar-se). Sócrates já nos tinha avisado, embora sem PowerPoint: a lucidez começa quando recuamos um passo face à vaidade de achar que sabemos tudo. 

No teu mundo, a tecnologia aprimorou-se para quase tudo: prever riscos, sugerir caminhos, otimizar recursos, antecipar comportamentos e, com subtileza suficiente para parecer progresso, até condicionar escolhas. Mas liderar nunca será apenas escolher a opção mais rápida ou mais eficiente. Liderar será decidir o que merece ser preservado quando tudo à volta premeia velocidade, simplificação e conformidade bem embalada em inovação. 

Deixo-te, por isso, alguns alertas que suspeito que sejam intemporais. Não confundas visibilidade com autoridade, influência com grandeza, nem dados com juízo. O maior risco do futuro pode não ser a inteligência artificial, mas a mediocridade moral magnificamente assistida por ela. As organizações podem tornar-se brilhantes a ler padrões e perigosamente frágeis a proteger dignidade, confiança, verdade e sentido. 

Quanto aos valores, duvido que o futuro invente algum decisivo; limitar-se-á a testar, com mais dureza, os de sempre. Integridade, porque sem ela nenhuma liderança merece confiança. Justiça, porque sem ela o poder degrada-se em privilégio. Respeito, porque nenhuma ambição compensa a humilhação de uma pessoa. Responsabilidade, porque toda a decisão deixa marca em vidas concretas. 

E que capacidades humanas serão críticas? Julgamento, distinguir o que é possível do que é certo. Coragem, dizer não ao que funciona, quando isso desumaniza. Empatia, não como ornamento, mas como disciplina de compreensão. Imaginação, porque o futuro não se gere apenas com controlo; constrói-se com visão. E, acima de tudo, Carácter. No fim, talvez a tua maior prova seja seres merecedor de confiança. Não seres apenas eficaz, mas justo. Não seres apenas forte, mas inteiro. Acima de tudo, não te tornares tão competente a gerir sistemas e máquinas que te esqueças de reconhecer pessoas. Deixo-te, por isso, uma última ideia: o futuro não precisará tanto de líderes brilhantes quanto de líderes lúcidos. Haverá sempre tecnologia para ampliar a ação, mas continuará a ser raro (e indispensável) quem saiba exercer poder sem perder a alma. 

Assinado, Uma líder do presente (teimosamente humana) 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Leia aqui todas as Cartas ao CEO do Futuro vencedoras:

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Receber reembolso do IRS? Cinco formas de pôr o dinheiro a render

11 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Especialistas em finanças pessoais alertam, no entanto, que este montante pode representar uma oportunidade para reforçar a estabilidade financeira e preparar o futuro. A Coverflex reuniu cinco estratégias para tirar maior partido deste rendimento extra.

O reembolso do IRS não corresponde a um prémio atribuído pelo Estado, mas sim à devolução do imposto pago em excesso ao longo do ano através da retenção na fonte. Quando o valor efetivamente devido é inferior ao total descontado mensalmente, o contribuinte recebe a diferença.

A entrega da declaração decorre entre 1 de abril e 30 de junho, sendo que a Autoridade Tributária tem até 31 de agosto para processar os reembolsos. Nos últimos anos, o prazo médio situou-se em cerca de 13 dias para declarações automáticas e 24 dias para as restantes.

Em 2025, as taxas de retenção na fonte foram reduzidas, o que significa que muitos contribuintes descontaram menos imposto ao longo do ano. Como consequência, os reembolsos de 2026 poderão ser inferiores aos habituais, tornando ainda mais importante uma gestão criteriosa deste dinheiro.

Investir num PPR para reduzir o IRS futuro

Entre as opções apontadas, o Plano Poupança Reforma (PPR) destaca-se pelo benefício fiscal imediato. Quem investir pode deduzir 20% do valor aplicado à coleta de IRS, até determinados limites que variam consoante a idade.

Além da vantagem fiscal, os reforços anuais permitem renovar o benefício, desde que sejam respeitadas as condições legais de resgate para evitar penalizações.

Reforçar o fundo de emergência

Ter entre três e seis meses de despesas guardados numa conta de acesso fácil continua a ser uma das principais recomendações em finanças pessoais. O chamado fundo de emergência funciona como uma almofada financeira para imprevistos, desde uma reparação automóvel até uma quebra inesperada de rendimento.

Para quem já utilizou essa reserva ou ainda não conseguiu constituí-la, o reembolso do IRS pode ser uma oportunidade para começar.

Amortizar créditos em curso

Outra possibilidade passa por amortizar parcialmente o crédito habitação ou outros empréstimos. A redução da dívida permite diminuir os juros totais pagos ao longo do contrato, sobretudo num contexto de taxas de juro elevadas.

Antes de avançar, especialistas recomendam analisar eventuais comissões de amortização antecipada e simular o impacto financeiro da operação.

Apostar em formação profissional

Investir em formação é visto como uma forma de potenciar rendimentos futuros. Cursos de especialização, certificações, aprendizagem de línguas ou competências tecnológicas podem traduzir-se em progressão de carreira e melhores salários.

A Coverflex lembra ainda que alguns empregadores disponibilizam benefícios associados à formação profissional, permitindo complementar esse apoio com o valor do reembolso.

Criar ou reforçar uma carteira de investimento

Para quem já tem um fundo de emergência constituído e as dívidas controladas, o reembolso pode servir para iniciar uma estratégia de investimento. Fundos de índice, ETFs ou outros produtos diversificados são algumas das alternativas apontadas.

O objetivo passa por colocar o dinheiro a crescer ao longo do tempo, beneficiando do efeito dos juros compostos. Antes de investir, é aconselhável definir objetivos, horizonte temporal e perfil de risco, recorrendo a aconselhamento especializado sempre que necessário.

A empresa destaca ainda a importância de utilizar simuladores de IRS para antecipar o valor do reembolso ou do imposto a pagar. Segundo a Coverflex, conhecer previamente esse montante facilita o planeamento financeiro e reduz a probabilidade de o dinheiro ser gasto sem critério.

«Tratar o reembolso como um bónus inesperado pode significar perder uma oportunidade de reforçar a poupança, preparar a reforma ou ganhar maior tranquilidade financeira», conclui a empresa.

Arquivado em:Finanças, Notícias

Glossário do trabalho do futuro: do quiet quitting ao mouse jiggling, as palavras que vão marcar a sua carreira

11 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Bare Minimum Monday 

Tendência que incentiva os trabalhadores a começar a semana com um ritmo mais leve, focado nas tarefas essenciais. O objetivo é reduzir o stress associado às segundas-feiras e evitar o burnout, promovendo uma gestão de energia ao longo da semana. 

 

Career Cushioning 

Estratégia de prevenção profissional em que trabalhadores, mesmo estando empregados, começam a preparar discretamente alternativas de carreira. Pode incluir networking, atualização de competências ou procura de oportunidades, como forma de proteção face a possíveis despedimentos ou mudanças no mercado. 

 

Coffee Badging 

Expressão que descreve o comportamento de trabalhadores que vão ao escritório apenas para marcar presença, beber um café ou socializar, regressando depois a casa para trabalhar remotamente. O fenómeno tornou-se comum em empresas com políticas híbridas rígidas. 

 

Direito a desligar 

Princípio que garante aos trabalhadores o direito de não responder a e-mails ou mensagens profissionais fora do horário de trabalho. A medida procura proteger a saúde mental e evitar a cultura de disponibilidade permanente. 

 

Mouse Jiggling 

A atividade de fazer o rato do computador mover-se em intervalos regulares, usando um dispositivo ou software, para fazer o empregador pensar que se está a trabalhar. 

 

Micropausas 

Prática de fazer intervalos muito curtos durante o dia de trabalho, em vez de um longo intervalo para o almoço. É uma tendência já entrosada nos países nórdicos e entre trabalhadores mais jovens. 

 

Polyworking  

Modelo de trabalho em que um profissional tem várias atividades ou empregos simultaneamente, pode incluir trabalho freelance, projetos paralelos ou diferentes funções remotas. 

 

Quiet Firing 

Prática informal em que uma empresa cria condições que levam o trabalhador a sair voluntariamente, como falta de oportunidades de progressão, exclusão de projetos ou ausência de feedback. Em vez de despedir diretamente, a organização acaba por incentivar a saída do colaborador. 

 

Quiet Quitting 

Também os trabalhadores podem passar a cumprir apenas as responsabilidades estritamente definidas no contrato, de forma a serem despedidos, evitando horas extra ou envolvimento adicional. O fenómeno surgiu como resposta ao desgaste profissional e à procura de maior equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. 

 

Resenteeism 

Combinação das palavras resentment (ressentimento) e presenteeism (presenteísmo). Refere-se a trabalhadores que permanecem na empresa, mas com frustração ou desmotivação, muitas vezes depois de terem sido ignorados para promoções ou aumentos salariais. 

 

Workation 

Combinação das palavras work e vacation. Refere-se à possibilidade de trabalhar remotamente a partir de um destino de férias durante um período limitado, conciliando trabalho e lazer. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Notícias, Trabalho

Utilização de IA generativa no trabalho duplica em dois anos, mas formação continua aquém

11 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Também as empresas estão a acelerar a adoção desta tecnologia. Se há dois anos apenas 27% das organizações promovia ativamente o uso de IA generativa, atualmente esse número sobe para 52%, refletindo uma integração cada vez mais transversal em diferentes áreas de negócio.

Apesar do crescimento acelerado, o estudo alerta para um desfasamento entre a adoção tecnológica e a preparação das equipas, o que poderá limitar o impacto efetivo da IA nas organizações.

«Já não estamos numa fase de experimentação. A inteligência artificial entrou no dia a dia das empresas e está a tornar-se uma ferramenta estrutural de trabalho. A questão agora não é se deve ser usada, mas como garantir que está a ser bem utilizada», afirma Sandrine Veríssimo, Regional Director da Hays Portugal.

 

Produtividade lidera benefícios da IA

Empresas e profissionais identificam a produtividade e a eficiência como os principais ganhos associados à inteligência artificial generativa. O impacto positivo nestas áreas é apontado por 67% das empresas e 64% dos profissionais inquiridos.

A IA surge, assim, não apenas como um instrumento de aceleração de tarefas, mas também como uma ferramenta capaz de aumentar a escala, a consistência e a capacidade de execução das equipas.

A criatividade e a geração de ideias aparecem igualmente entre os benefícios mais valorizados, referidos por 52% das empresas e 48% dos profissionais. Já o apoio à análise de dados é destacado por 49% das organizações e 39% dos trabalhadores.

«O principal impacto que estamos a ver não é apenas fazer mais rápido, é fazer melhor. A IA está a aumentar a capacidade das equipas, sobretudo em tarefas analíticas e de suporte à decisão», reforça Sandrine Veríssimo.

Ainda assim, o estudo aponta para uma ligeira quebra na perceção da qualidade do trabalho, sugerindo que a rápida adoção da tecnologia nem sempre está a ser acompanhada por uma utilização madura e eficaz.

 

Formação insuficiente preocupa empresas e profissionais

Um dos principais desafios identificados pelo Guia Hays 2026 prende-se com a falta de formação especializada em IA.

Embora 90% dos profissionais demonstre interesse em desenvolver competências nesta área e 84% das empresas reconheça essa necessidade, apenas 27% dos trabalhadores afirma ter recebido formação específica.

O cenário evidencia um mercado em transição, no qual a responsabilidade pela aprendizagem começa a deslocar-se para os próprios profissionais. Atualmente, 19% dos inquiridos refere ter adquirido competências em inteligência artificial de forma autodidata, sinalizando uma crescente proatividade, mas também a ausência de estratégias estruturadas de qualificação em muitas organizações.

 

IA redefine funções e aumenta procura por talento qualificado

O impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho continua a ser gradual. Segundo os dados do estudo, 57% das empresas afirma que a IA não teve impacto no número de colaboradores, enquanto 24% identifica mesmo um aumento de oportunidades associado à implementação destas tecnologias.

A principal transformação está relacionada com a redefinição de funções e competências. A IA e a automação já surgem como a segunda competência técnica mais procurada pelas empresas, estando presentes em 29% das ofertas de emprego.

O fenómeno ganha especial relevância em Portugal, num contexto de crescente pressão sobre o talento qualificado. O Guia Hays 2026 revela que 87% das empresas pretende recrutar ao longo deste ano — um máximo histórico — ao mesmo tempo que a disponibilidade dos profissionais para mudar de emprego está em níveis mais baixos, agravando o desequilíbrio entre procura e oferta.

Neste contexto, a inteligência artificial assume-se não apenas como uma ferramenta de eficiência, mas também como uma resposta à escassez estrutural de competências, obrigando as empresas a investir de forma mais estratégica na requalificação e no desenvolvimento das equipas.

 

Regulamentação europeia marca próxima fase da IA

A evolução da inteligência artificial traz também novos desafios relacionados com ética e regulação. A entrada em vigor da legislação europeia sobre IA, prevista para agosto de 2026, deverá representar um ponto de viragem em matérias como transparência, supervisão e controlo dos sistemas automatizados.

As organizações serão, assim, chamadas a garantir uma utilização mais responsável e regulada destas tecnologias, num momento em que a IA se consolida como uma componente estrutural do mundo do trabalho.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

A corrida digital ganha-se na preparação 

11 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

É nessa preparação que a tecnologia, a ética e a inovação se cruzam, como três dimensões da mesma realidade. Neste contexto, a Inteligência Artificial tornou-se um bom teste à maturidade das organizações. A sua adoção promete ganhos de eficiência, escala e produtividade, mas também levanta questões concretas: que soluções fazem realmente sentido para a organização? Que impacto se pretende gerar? Que decisões podem, ou não, ser apoiadas por IA? Que riscos existem ao nível do erro, do enviesamento ou da opacidade? E até que ponto estão as equipas preparadas para usar estas ferramentas de forma responsável? 

No caso da IA, a relação entre as três dimensões torna-se especialmente visível. Sem uma estratégia tecnológica clara, a adoção pode ser desorganizada e pouco eficaz. Sem inovação, a IA pode até ser introduzida na organização, mas o seu potencial de mudança relevante fica por concretizar. Sem ética, abre-se espaço a práticas pouco transparentes, à dependência acrítica das respostas geradas e à erosão da confiança interna e externa. O desafio, por isso, não está apenas em introduzir tecnologia, mas em integrá-la com sentido. 

Mas a adoção de tecnologia só produz valor real quando encontra competências que a sustentem.

Com a IA a integrar-se cada vez mais nas rotinas de trabalho, ganham especial relevância competências como comunicação, colaboração, adaptabilidade, pensamento crítico, capacidade de decisão e liderança. Sem elas, a transformação pode até avançar depressa, mas dificilmente se consolida. 

Neste contexto, a formação tem um papel relevante que vai além da atualização técnica, abrangendo também o desenvolvimento de competências essenciais para interpretar riscos, enquadrar a mudança, promover inovação de forma sustentada e reforçar uma cultura de responsabilidade. Para inovar de forma consequente, não basta alterar processos ou adotar novas soluções; é preciso garantir que essa mudança melhora a forma como a organização trabalha, decide e evolui. 

É isso que distingue as organizações que conseguem chegar mais longe nesta corrida. A capacidade de acelerar é importante, mas o futuro decide-se também na preparação: nas escolhas que se fazem, nas condições criadas para promover inovação e na garantia de que o progresso não acontece à custa do bom senso nem da ética. 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Opinião

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