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Marcelo Teixeira

Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

8 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Os Códigos das Competências – Matt Beane 

Casa das Letras 

As competências essenciais para trabalhar com a tecnologia, evoluir na carreira e manter a relevância profissional. Neste livro, o investigador e tecnólogo Matt Beane revela o «código oculto» que sustenta todas as relações eficientes entre especialistas e principiantes. Após uma década de estudo em contextos tão diversos como armazéns e salas de cirurgia, identifica os três elementos fundamentais do desenvolvimento de competências: competição, complexidade e conexão – os «três C’s» -, tão essenciais como aminoácidos para o ADN. 

 

Nunca Lidere Sozinho – Keith Ferrazzi, Paul Hill 

Actual 

Durante décadas, o papel do líder foi enaltecido. Porém, as melhores equipas do mundo não ganham só devido à liderança. Ganham, em grande parte, por causa da colaboração em equipa. Numa excelente equipa, uns dão feedback aos outros. Numa excelente equipa, prestam-se contas mutuamente. Este livro vai mostrar-lhe como. 

 

Estar Presente – Maria João Martins 

PACTOR 

O sofrimento emocional é uma realidade humana e universal e, quando algum familiar ou amigo está em sofrimento, o nosso instinto é intervir e tentar amenizar a situação. Porém, na tentativa de ajudar, é comum sentirmo-nos perdidos, dizer algo inadequado ou assumir responsabilidades que não nos pertencem. É uma situação exigente. Com o objetivo de ser um ‘ombro amigo’ a psicóloga clínica Maria João Martins juntou-se a colegas do Serviços de Saúde de Universidade de Coimbra para escrever a obra. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Leadership, Livros e Revistas, Notícias

O futuro das organizações é humano, ético e assente em cloud cognitiva 

8 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

A tecnologia deixou de ser um simples suporte operacional. Tornou-se um fator estrutural de confiança, soberania e continuidade do negócio, profundamente integrado no modelo de governação das organizações.

Neste contexto, o verdadeiro desafio já não reside apenas na adoção de novas plataformas, mas na capacidade de liderança para as integrar de forma consciente, segura e alinhada com os objetivos do negócio. 

A experiência acumulada na Capgemini nas áreas de cloud, inteligência artificial, governação e cibersegurança, confirma uma realidade cada vez mais evidente: a inovação só cria valor sustentável quando coloca as pessoas no centro, tem como alicerces princípios éticos claros e arquiteturas robustas e resilientes. 

 

Inteligência Artificial e Cloud: eficiência com novos riscos 

A adoção da Inteligência Artificial, incluindo a IA Generativa, trouxe ganhos relevantes de eficiência, de escala e de velocidade de decisão. Contudo, expôs também desafios estruturais que não podem ser ignorados: a opacidade algorítmica, a dependência tecnológica, bem como superfícies de ataques mais amplas e uma pressão regulatória crescente. 

Estes desafios tornam-se particularmente visíveis em ambientes híbridos e multicloud, característicos da atual fase de maturidade, frequentemente designada por Cloud 3.0, onde as organizações procuram simultaneamente resiliência, portabilidade, soberania e governação de serviços críticos. 

A falta de visibilidade transversal, a escassez de competências especializadas e a dependência de grandes fornecedores globais, criam tensões reais entre a inovação e o controlo. Tecnologia sem governação amplifica o risco; governação sem evolução tecnológica limita a capacidade de competir e escalar a IA. Pelo que o verdadeiro desafio está na integração consciente destes dois vetores. 

 

Confiança: o novo capital económico 

À medida que a IA e a cloud transformam as organizações em sistemas cognitivos, capazes de aprender, decidir e interagir em tempo real,  a confiança emerge como um novo ativo económico crítico. 

Incidentes de segurança, falhas tecnológicas ou automações mal concebidas, têm atualmente impacto direto na reputação e no valor de mercado das organizações. A perceção do mercado já não depende apenas de produtos ou serviços, mas da forma como a tecnologia é governada e eticamente integrada nas estratégias de negócio. Neste cenário, a qualidade da decisão humana torna-se um diferencial competitivo. As organizações mais resilientes são aquelas que desenvolvem lideranças com clareza cognitiva, inteligência emocional e capacidade de decisão sob pressão, especialmente em contextos altamente regulados e automatizados. 

 

Para além da transformação digital 

O futuro das organizações não será construído apenas sobre a inovação tecnológica. Surgirá na interseção entre liderança humana, cloud governada, inteligência artificial responsável e marcas confiáveis. 

Mais do que transformação digital, vivemos uma transformação organizacional consciente, onde inovação, risco e confiança evoluem de forma integrada. Num mundo em que algoritmos decidem, plataformas executam e sistemas aprendem, a forma como as organizações governam a tecnologia determinará a sua sustentabilidade, legitimidade e relevância económica. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Opinião

Genocídio – Paolo Fonzi

7 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Nos últimos trinta anos, o uso deste termo conheceu uma expansão sem precedentes, suscitando debates não apenas jurídicos e históricos, mas também políticos e culturais. Nunca como hoje esta palavra é utilizada com tanta frequência — e muitas vezes para definir acontecimentos muito diferentes.

Chancela da Edições 70.

Arquivado em:Livros e Revistas

21 Lições de filosofia para viver uma vida quase boa – David Erlich

7 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

De Sócrates a Montaigne, de Platão a Descartes, de Aristóteles a Nietzche, de Epicuro a Witthenstein, este livro mostra que a filosofia pode ser muito proveitosa para nos dar conselhos acerca de temas que preocupam qualquer pessoa, como o luto, o amor, a amizade, o cansaço, a solidão, o ócio, a rotina e o sentido da vida.

21 lições de filosofia para viver uma vida quase boa não promete uma vida perfeita, nem soluções milagrosas, mas, sim, uma reflexão acessível e bem-humorada sobre quem somos e como podemos viver com mais lucidez e mais humanidade.

 

Da Planeta.

Arquivado em:Livros e Revistas

Comunicação sem alma ou mais eficiente? O dilema da IA

7 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Podcasts e streaming lideram e não é por acaso

Pela primeira vez, os podcasts e plataformas de streaming surgem como o canal preferido de quase 80% dos diretores de comunicação. O salto é expressivo face a 2025 (34%) e não deve ser visto como uma moda passageira. Este crescimento reflete uma combinação de fatores: consumo on-demand, maior proximidade com as audiências e capacidade de aprofundar narrativas de marca.

Ainda assim, os meios tradicionais mantêm relevância (72%), seguidos do LinkedIn (68%), reforçando que a estratégia não é de substituição, mas de integração. Eventos, influencers orgânicos e plataformas sociais continuam a desempenhar papéis importantes, mas com uma nuance decisiva: a autenticidade tornou-se critério-chave. Prova disso é a preferência clara por criadores orgânicos pela perceção de saturação e desconfiança face a conteúdos patrocinados.

Inovação sobe, ESG perde protagonismo (mas não desaparece)

A inovação é agora o eixo dominante da comunicação estratégica, presente em 63% das abordagens. Em contraste, temas como responsabilidade social corporativa (RSC), diversidade e sustentabilidade registam uma quebra significativa.

Mas isto não significa desinteresse. Pelo contrário: muitos diretores consideram que estes temas foram absorvidos pela cultura organizacional e deixaram de exigir campanhas dedicadas. Outros apontam a crescente pressão regulatória, nomeadamente em ESG, como fator que desloca estes tópicos da comunicação para o compliance.

Há ainda um terceiro elemento: o contexto social e político. A polarização leva as marcas a adotarem posturas mais cautelosas. Mais de metade dos inquiridos opta por posicionar-se apenas em temas diretamente ligados ao seu setor, enquanto uma minoria assume uma voz mais ativa. O chamado ‘CEO activism’ segue a mesma linha: exposição moderada, foco corporativo e aversão ao risco reputacional.

 

O desafio continua a ser medir impacto

Apesar da evolução dos canais e das narrativas, o principal desafio mantém-se: medir impacto e demonstrar ROI. Mais de 53% dos diretores de comunicação identificam esta dificuldade como prioritária.

A este desafio juntam-se outros já conhecidos, mas com novas nuances: integrar formatos emergentes, compreender audiências fragmentadas e diferenciar-se num ambiente altamente competitivo. A criatividade volta a surgir como necessidade estrutural que vai além da estética, apostando numa vertente estratégica e bem definida.

 

Inteligência artificial: entre a eficiência e o receio

A adoção de inteligência artificial cresce, mas sem aceleração dramática. Em 2026, 56% dos diretores já a integram nas suas estratégias, apenas mais dois pontos percentuais face ao ano anterior.

Onde a IA ganha terreno é na operação: geração de conteúdos, adaptação de formatos, síntese de informação e apoio criativo. Para muitos, é uma aliada clara da produtividade.

No entanto, o entusiasmo é travado por preocupações relevantes. A principal — destacada por 77% — é a perda de autenticidade e criatividade. Seguem-se questões de segurança de dados, falta de competências nas equipas e ausência de regulação clara.

Este equilíbrio delicado também se reflete na transição do SEO tradicional para o GEO (Generative Engine Optimization). Quase metade dos inquiridos já está a adaptar conteúdos para motores de resposta baseados em IA, enquanto uma parte significativa ainda procura compreender o impacto desta mudança.

Agências sob pressão: mais estratégia, mais valor

A relação entre empresas e agências fortalece-se com 86% dos diretores trabalham com consultoras, mas as expectativas sobem. O que se pede é mais estratégia, mais proatividade e mais criatividade.

Curiosamente, fatores tradicionalmente decisivos como preço ou portfólio perdem peso face à qualidade da abordagem e à afinidade com a equipa. Há também uma exigência crescente em torno da senioridade, estabilidade das equipas e capacidade de medir resultados.

Quanto à inteligência artificial, o cenário é pragmático: a maioria não considera substituir agências, mas admite usar IA para otimizar tarefas, libertando recursos para trabalho estratégico.

Um último dado revela uma tendência estrutural: as equipas de comunicação estão cada vez mais próximas do marketing. Em 2026, quase 74% já operam integradas, um sinal de que a comunicação deixou de ser apenas suporte reputacional para assumir um papel direto na construção de valor e crescimento.

O que muda, afinal?

No final das contas, a comunicação está menos centrada em canais ou tendências isoladas e mais focada em coerência estratégica. A inovação lidera, a autenticidade define escolhas e a tecnologia, especialmente a IA, obriga a decisões mais conscientes.

Apesar de vivermos tempo onde tudo é mensurável, nem tudo é previsível, e o verdadeiro diferencial continua a ser humano: criatividade com propósito, visão estratégica e capacidade de gerar confiança.

Arquivado em:Liderança, Nacional, Notícias

Bruno Sambado: «O áudio prospera porque está dotado da eficiência tecnológica aliado à intimidade humana»

7 Maio, 2026 by Marcelo Teixeira

Nesta entrevista, Bruno Sambado explica como muitos ouvintes já eram leitores e utilizam o áudio como complemento, impulsionados pelo interesse em aprendizagem contínua e pela popularidade dos podcasts. Discorda quanto ao empobrecimento da experiência humana, pelo facto de a leitura ser posta de lado, e deixa-nos o desafio de ouvir o poema Anoitecer do livro de Sóror Saudade de Florbela Espanca, pela atriz Mia Tomé. 

Num mundo cada vez mais acelerado,o áudio responde a uma necessidade tecnológica ou a uma necessidade humana? 

O áudio encaixa-se perfeitamente na lógica do nosso dia a dia; podemos ouvir enquanto conduzimos, no ginásio, enquanto cozinhamos e fazemos tarefas em casa ou quando caminhamos – pessoalmente oiço muito enquanto caminho. Plataformas como o Kobo da LeYa, a Wook, o Skeelo, Spotify e Audible, entre muitas outras, transformaram o áudio numa experiência com formato portátil e acessível em termos de facilidade. Mas antes da tecnologia veio a voz, os audiolivros não são recentes. Muito antes da escrita, as histórias eram contadas oralmente. A voz carrega emoção, intenção, silêncio, respiração,  elementos que criam ligações emocionais. O sucesso dos audiolivros no mundo inteiro mostra que as pessoas não querem apenas informação, querem proximidade, querem narrativa, querem presença. O audiobook cria uma sensação íntima, alguém fala diretamente ao seu ouvido. Num mundo ‘permanentemente ligado’, mas emocionalmente muito fragmentado, os audiobooks respondem a uma necessidade profundamente humana de escuta e sensação de pertença. O áudio prospera porque está dotado da eficiência tecnológica aliado à intimidade humana. 

 

O crescimento dos audiolivros representa uma inovação de formato? 

O crescimento dos audiolivros representa mais do que uma inovação de formato, é um sinal claro de transformação cultural. O ouvinte típico vive numa lógica de mobilidade: ouve enquanto se desloca do ponto A para o ponto B, treina ou realiza tarefas, integrando a leitura na sua rotina diária. As plataformas de streaming de audiolivros consolidaram esse hábito ao tornar o livro acessível em qualquer momento e a qualquer hora. Mas não se trata apenas de otimização do tempo. Muitos ouvintes já eram leitores e usam o áudio como complemento, não substituição. Além disso, há um público interessado numa aprendizagem contínua, especialmente em não ficção, e uma geração habituada a consumir narrativas em voz, muito influenciada pelo universo e enorme sucesso dos podcasts. No fundo, o audiobook combina tecnologia e tradição: responde ao ritmo acelerado da vida contemporânea e, ao mesmo tempo, recupera a força ancestral da oralidade. É menos uma mudança no ato de ler e mais uma ampliação da forma como experienciamos a cultura, a leitura e, não menos importante, a acessibilidade para pessoas com dificuldades visuais. 

 

Quando a tecnologia facilita o acesso ao conteúdo podemos afirmar que empobrece a experiência humana? 

Não estou de acordo. Quando a tecnologia facilita o acesso ao conteúdo, ela transforma a experiência humana, mas esta  transformação não é sinónimo de empobrecimento. Por um lado, há um risco real, excesso de oferta pode eventualmente gerar superficialidade, dispersão e consumo acelerado. A lógica do scroll rápido e infinito nas plataformas digitais privilegia muitas vezes velocidade em detrimento da profundidade do conteúdo. Nesse sentido, a experiência pode tornar-se mais fragmentada, é certo. Por outro lado, nunca foi tão fácil ter acesso à cultura. Hoje é muito fácil aceder a livros, música, cursos, filmes ou debates de diferentes culturas e épocas. Plataformas como Spotify, Netflix, Kobo da LeYa, Wook, Skeelo ou Audible democratizaram o acesso e ampliaram repertórios.  

 

«A inteligência artificial pode resumir um livro em segundos, mas não pode substituir o que acontece a um ser humano enquanto o lê». Esta afirmação é uma verdade ou um sinal de perigo? 

Essa afirmação é, ao mesmo tempo, uma verdade e um sinal de alerta. É verdade porque a leitura não é apenas absorção de informação. Quando alguém lê um livro, acontece um processo interno: imaginação, identificação, conflito, silêncio, tempo. Um resumo feito por uma pessoa ou por uma ferramenta de IA entrega conteúdo, mas não reproduz a experiência subjetiva de atravessar e viver a narrativa, página a página. Mas também é um sinal de perigo. Se passarmos a valorizar apenas a eficiência, ‘saber do que se trata’ em vez de ‘viver o que o livro, a narrativa nos provoca’, podemos reduzir a cultura a informação utilitária. O ponto essencial não é se a IA substitui a leitura, porque não substitui o processo humano de interpretação e emoção. O risco está em nós, se começarmos a trocar experiência por síntese e, mais importante ainda, profundidade por velocidade. A tecnologia oferece-nos atalhos, a questão é decidir que estrada devemos tomar. 

 

Quem define os limites éticos da utilização de vozes sintéticas? 

Os limites éticos das vozes sintéticas não são definidos por um único ator, são resultado de um equilíbrio entre lei, mercado, tecnologia e cultura. Costumo dizer que a IA, no que diz respeito à voz, é uma espécie de ‘desodorizante’, e a voz humana é um ‘perfume caro’. Estou em crer que num futuro não muito longínquo o leitor ou ouvinte vai preferir pagar mais caro para aceder a uma obra com voz humana em detrimento de uma voz mecânica. Os limites éticos não são fixos nem exclusivamente tecnológicos, são negociados continuamente entre regulação, inovação, interesses económicos e valores culturais. A pergunta talvez não seja “quem define?”, mas “como garantimos que todos os envolvidos têm voz nessa definição?”.   

O áudio aproxima-nos da tradição oral, a forma mais ancestral de partilha humana. A proliferação de podcasts é como o regresso das conversas ao serão? Eu (pareço velho) ainda sou do tempo em que gostava de ouvir a Dina Aguiar à meia-noite na Rádio Renascença. A única coisa que fazia, e não era pouco, era conversar todos os dias com os ouvintes, e isto era no ano 2000. Mas, em certo sentido, sim, a proliferação de podcasts pode ser vista como um regresso simbólico ao serão, mas mediado pela tecnologia. Durante séculos, histórias, memórias e conhecimento circularam pela voz, em contextos íntimos e familiares.

O podcast recupera algo dessa lógica, alguém fala, alguém ouve, cria-se uma sensação de proximidade e de genuinidade uma vez que não deverá ter cortes (um falso direto). Em Portugal temos ótimos exemplos, como Páginas com Graça, E o Resto é História ou A Beleza das Pequenas Coisas. No entanto, há uma diferença importante: o serão tradicional era partilhado no mesmo espaço físico. O podcast cria uma intimidade individualizada, muitas vezes solitária, através de auscultadores. A comunidade não desaparece, transforma-se; em vez da roda à volta da lareira, da mesa da casa de jantar, temos redes distribuídas de ouvintes que partilham referências, comentários e episódios. Mais do que um regresso ao passado, os podcasts representam uma atualização da tradição oral. É menos nostalgia e mais reinvenção da conversa. 

 

Estamos a assistir a uma democratização cultural ou a uma nova disputa pela atenção? 

Estamos a assistir às duas coisas e elas acontecem em simultâneo. Por um lado, há uma clara democratização cultural, nunca foi tão fácil produzir, distribuir e consumir conteúdo. Qualquer pessoa com um investimento em equipamento reduzido pode lançar um podcast, um audiobook ou uma série sem depender exclusivamente dos grandes meios tradicionais. Plataformas como o YouTube e o Spotify abriram espaço para vozes independentes, nichos e novas geografias culturais. Algoritmos, notificações e métricas competem por segundos de permanência e a economia da atenção redefine quem consegue ser ouvido. Há aqui um paradoxo contemporâneo: temos mais vozes do que nunca e menos tempo para ouvi-las. 

 

Que responsabilidade cultural tem uma empresa como a Tale House na formação do pensamento crítico? 

Somos o maior produtor nacional de audiobooks, gosto de acreditar que somos também mediadores culturais. Empresas como a Tale House podem contribuir para educar o público a consumir informação, explicar contextos e incentivar à reflexão. Neste enquadramento surge a nossa intenção de produzir 50 obras de grandes clássicos de autores portugueses, em domínio público, integrados no Plano Nacional de Leitura, e disponibilizá las gratuitamente através da BiblioLed. Democratizar é garantir que referências da literatura estão acessíveis, em formatos contemporâneos, às novas gerações e a todos que as queiram ouvir. A responsabilidade da Tale House não é dizer às pessoas o que pensar, mas criar condições para que pensem melhor oferecendo contexto, profundidade e acesso qualificado ao património cultural. 

 

Quais são os principais desafios no setor da produção de conteúdos? 

Os principais desafios passam por conciliar qualidade com quantidade, enfrentar a intensa disputa pela atenção do público, garantir sustentabili ade económica e ética na utilização de novas tecnologias, e ao mesmo tempo tornar o conteúdo acessível e inclusivo.  

 

Se o futuro é cada vez mais algorítmico, como preservar a autenticidade dos nossos sentidos? 

Passa por um consumo consciente, diversidade de fontes e experiências diretas. A tecnologia pode mediar o que vemos ou ouvimos, mas cabe a cada um escolher, refletir e experienciar de forma plena, garantindo que a interpretação e a emoção continuam a ser humanas.

 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

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