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Marcelo Teixeira

Do frango frito aos troncos que dão presentes: o Natal como nunca o viu

24 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

O Natal é uma celebração global, mas a forma como é vivido varia enormemente entre culturas, religiões e climas. Para além da árvore, dos presentes e do Pai Natal, muitos povos preservam tradições ancestrais ou criam costumes surpreendentes, que revelam a criatividade, história e crenças locais. Este artigo explora oito tradições de Natal que fogem ao óbvio e permanecem carregadas de significado cultural.

Japão — Frango Frito no Natal

No Japão, o Natal não é um feriado religioso oficial, dado que apenas cerca de 1% da população é cristã. Ainda assim, a véspera de Natal tornou-se sinónimo de frango frito da KFC, tradição iniciada nos anos 1970 com a campanha publicitária Kentucky for Christmas. Hoje, milhares de japoneses fazem encomendas semanas antes do dia 25 para garantir o seu balde de frango. A tradição simboliza celebração, convívio e modernidade urbana, e tornou-se um ícone cultural inesperado do Natal nipónico.

Venezuela — Patinar até à Missa de Natal

Em Caracas, crianças e adultos vão à missa de Natal de patins. Durante a semana que antecede o Natal, algumas ruas principais da cidade são fechadas ao trânsito automóvel até às 8 da manhã, permitindo que a comunidade deslize até à igreja. Esta tradição remonta aos anos 1970 e vai além da fé, simbolizando um forte sentido de comunidade e alegria coletiva, transformando a prática religiosa numa experiência social única.

Filipinas — Lanternas Gigantes Parol

Nas Filipinas, a celebração do Natal começa cedo, com a preparação das lanternas gigantes chamadas parol, que representam a estrela de Belém. Cada cidade organiza concursos de lanternas, algumas com mais de cinco metros de diâmetro, feitas de bambu e papel colorido. A tradição combina religiosidade, arte e vida comunitária, transformando as noites de dezembro em autênticos espetáculos de luz e cor.

Ucrânia — Árvores Decoradas com Teias de Aranha

Uma tradição folclórica ucraniana envolve decorar a árvore de Natal com teias de aranha artificiais ou ornamentais. A origem remonta a uma lenda popular: uma viúva pobre não conseguia enfeitar a árvore da família, mas aranhas teceram teias que, milagrosamente, se transformaram em fios de ouro e prata. Hoje, estas teias simbolizam sorte, prosperidade e a beleza que pode surgir da adversidade.

Islândia — Os 13 Pais Natais do Gelo (Yule Lads)

Na Islândia, as crianças não aguardam um único Pai Natal, mas sim 13 Jólasveinar — figuras travessas da tradição nórdica. Cada um chega numa noite diferente, entre 12 e 24 de dezembro, deixando pequenos presentes ou pregando partidas às crianças menos bem-comportadas. A tradição combina mitologia ancestral, pedagogia moral e entretenimento durante os longos e escuros dias de inverno islandês.

Estónia — Sauna e Simplicidade

Na Estónia, o Natal é vivido como um tempo de recolhimento e essencialidade. Antes da ceia, muitas famílias tomam banho de sauna, acreditando que o calor purifica o corpo e o espírito. A refeição natalícia é simples, baseada em peixe, vegetais e pão. Esta tradição reflete uma cultura de sobriedade, equilíbrio e ligação à natureza, em contraste com o consumismo dominante noutras partes do mundo.

Espanha (Catalunha) — O Tronco que ‘defeca’ Presentes

Na Catalunha, o Natal inclui uma figura insólita chamada Caga Tió: um tronco de madeira com cara sorridente que, nos dias que antecedem o Natal, é ‘alimentado’ pelas crianças. Na véspera ou no dia de Natal, as crianças batem-lhe com paus enquanto cantam canções tradicionais, para que o tronco ‘defeque’ presentes. A tradição mistura humor escatológico, ritual familiar e folclore ancestral.

Áustria e Alemanha — Krampusnacht, a Noite do Demónio

Em várias regiões da Áustria e do sul da Alemanha, a época natalícia inclui a Krampusnacht, uma noite em que homens mascarados de Krampus — uma criatura demoníaca do folclore alpino — percorrem as ruas com sinos, correntes e máscaras assustadoras. A tradição remonta à Idade Média e funciona como um ritual de catarse coletiva, lembrando que o Natal também tem raízes pagãs e simbólicas ligadas ao medo e à disciplina moral.

Um Natal global, surpreendente e criativo

Estas oito tradições mostram que o Natal está longe de ser uma celebração uniforme. Entre frango frito, patins, troncos mágicos, demónios alpinos e saunas purificadoras, as festividades refletem história, clima, crenças e identidade cultural. Celebrar o Natal, em muitos lugares do mundo, é também resistir à homogeneização e preservar rituais que dão sentido, memória e comunidade ao tempo.

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias

Simplificar é reconhecer o essencial  

24 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A simplicidade não elimina a complexidade do mundo; ela ordena-a e transforma-a num padrão legível.  

O corpo, nu e direto, encarna a existência sustentando uma estrutura. A estrutura conceptual com a qual tentamos dar sentido ao que nos afeta, o filtro que purifica o ruído e descarta o acessório. 

Simplificar é precisamente isso –  olhar sem adornos, reconhecer o essencial e permitir que apenas o verdadeiramente significado permaneça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Raúl Nieto Guridi, autor da ilustração da capa desta última edição do ano da revista Líder, nasceu em Sevilha. Filho de pai e mãe pintores, estudou Belas Artes e passou por empresas de publicidade, decoração, arquitetura e design gráfico. Desde 2010, a sua produção tem-se concentrado na ilustração editorial e cartazes para campanhas culturais de teatro, dança e marionetas, além de conduzir workshops de ilustração e criatividade dentro e fora de Espanha. Alguns dos seus livros foram traduzidos para mais de 12 idiomas, premiados ou recomendados por editoras e museus como a Tate ou o Centro de Arte Reina Sofía. 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leadership

O futuro dos outros

24 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

“Se estiveres no caminho certo, avança. Se estiveres no errado, recua.” Lao Tzu

 

Quando se chega ao ponto de uma mãe não entregar ao filho todos os presentes que este recebe no Natal algo vai mal. Ouvi isto da parte de alguém na rádio. A pessoa que o disse não importa, mas o conteúdo sim.

Esta mãe queixava-se que o seu filho recebe tantos presentes que não sabe o que há-de fazer com eles e a mãe prefere que ele brinque, efetivamente, com apenas alguns e nem lhe chega a dar os outros. Parece-me uma atitude muito sábia da parte desta mãe, o que me choca é ela ter que o fazer. Numa sociedade com poucos filhos quer-se dar tudo àquele que é único. Recordo-me que, na China, um dos graves problemas que tinham e têm é de que, devido à política de filhos únicos, criaram uma geração egoísta, centrada nela e inclusive, pasme-se, a ligar muito pouco aos pais, na sua velhice.

Este é um tema importante que nos deve fazer pensar e aqui o problema não é ser filho único, mas a forma como ele é educado. No entanto, a minha preocupação vai para o lado consumista da questão. É evidente que muitas empresas esperam pelo Natal para realizar o grosso das suas vendas, mas a questão é a que preço estamos a vender-nos a nós e aos nossos filhos.

Isto leva-me à questão da forma como utilizamos o dinheiro. “Não nos tornamos ricos com o que ganhamos, mas com o que não gastamos.” dizia Henry Ford, mas o mundo mudou… Queixamo-nos dos baixos salários, do custo de vida alto e da falta de reconhecimento do nosso talento. Tudo isto é verdade. Mas temos o outro lado da moeda. Recordo-me quando era novo que um produtor de espetáculos que tinha acabado de trazer um grande nome da música a Lisboa, dizia numa entrevista que Portugal não tinha mercado para mais do que dois espetáculos daqueles por ano. Hoje estes espetáculos acontecem diariamente e a preços completamente inimagináveis, estão cheios e alguns repetem, porque há mais interessados. Nunca os portugueses viajaram tanto de avião e, enquanto há uns anos, grande parte das pessoas que viajavam iam em trabalho, hoje é o oposto: a viagem de trabalho quase desapareceu e as viagens lúdicas tomaram conta dos aviões. E ainda (como dizia um locutor de televisão), nunca ouve tantos restaurantes em Lisboa e noutras cidades e, cuidado, que é melhor marcar porque senão fica à porta.

“Aquele que não é capaz de se governar a si mesmo não será capaz de governar os outros.” defendia Gandhi. A realidade é esta: nas gerações mais antigas, poupar era um valor assumido, hoje em dia ninguém poupa, toda a gente gasta o que tem e às vezes o que não tem. Porque é que isto é preocupante? Acho que não é difícil pensar e preocuparmo-nos com o que será esta geração quando envelhecer. Irá ter baixas reformas, o apoio da família será quase nulo, porque a estrutura familiar estará reduzida a muito poucos elementos e poupanças zero.

Infelizmente já não estarei cá para ver, mas é um cenário preocupante e que resulta de um problema educacional grave que não é discutido, nem na política, nem na sociedade, nem nas escolas. Perceber se estamos no caminho errado é um bom princípio de gestão empresarial e pessoal. Nesta época de Natal, seria bom pensar nisto e de que forma cada um de nós está a construir o futuro dos outros.

Arquivado em:Opinião

A sabedoria antiga e a arte de simplificar

22 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

«Se quiseres fazer Pitócles rico, não aumentes as suas riquezas, mas reduz o seu desejo», recomendava Epicuro, há mais de vinte séculos, a todos os discípulos que frequentavam o seu Jardim. Alguns séculos mais tarde, Séneca lembrava o mesmo princípio, sob uma outra forma: «Não é pobre quem tem pouco, mas sim quem mais deseja». Apesar das profundas divergências entre estoicos e epicuristas, ambos convergiam na identificação do desejo desmedido como uma das principais causas de sofrimento e infelicidade: para ambas as escolas, é o excesso, e não a carência, a verdadeira fonte da miséria humana.

Ontem como hoje, os seres humanos tendem a afastar-se das suas necessidades naturais e a tentar suprir o vazio com bens, tarefas, planos, objetivos e projetos, sem um fim particular em vista. Vivemos numa espiral de desejo que se autorrenova continuamente, em que cada gratificação momentânea dá origem a nova carência, nunca se atingindo uma satisfação permanente ou sequer duradoura. Confundimos a multiplicidade de opções com liberdade, e a velocidade em que vivemos com progresso civilizacional. Paradoxalmente, porém, quanto mais acumulamos mais nos aprisionamos, e quanto mais vorazmente vivemos, mais perdemos o único tempo que realmente possuímos: o presente.

Não é, pois, por acaso, que todas as grandes escolas filosóficas da Antiguidade identificavam a liberdade com o desapego e a vida feliz com a simplicidade. Para todas elas, a felicidade consiste não em possuir mais, mas em desejar menos; não em acumular bens materiais, mas em controlar o desejo; não em procurar múltiplas vias de satisfação fugaz, mas em racionalizar a procura daquilo que nos satisfaz de forma permanente. E aquilo que nos satisfaz de forma permanente não se encontra no mundo exterior, mas numa disposição interior. A felicidade, ensina a sabedoria antiga, não reside nas coisas, mas na relação que estabelecemos com elas e no valor que lhes atribuímos no contexto global das nossas vidas.

«A arte de simplificar da sabedoria antiga é uma arte de clarificação e depuração mental: uma prática de exame e transformação dos juízos, de controlo do desejo e das “paixões da alma”.»

A Arte de Simplificar

A arte de simplificar da sabedoria antiga é, assim, sobretudo, uma arte de clarificação e depuração mental: uma prática de exame e transformação dos juízos, de controlo do desejo e das “paixões da alma”, de atenção ao momento presente e de renúncia a todas as fontes de perturbação e ansiedade que não dependem de nós. Muitos destes objetivos eram alcançados através daquilo a que Pierre Hadot chamou “exercícios espirituais”, isto é, operações que os indivíduos concretizavam sobre si mesmos — incluindo práticas de leitura e de escrita, técnicas de memorização, meditação, exames de consciência, exercícios de imaginação, treinos para a morte e a adversidade, entre outros — com o objetivo de produzirem em si mesmos a transformação interior necessária para o alcance de uma vida plena, completa, feliz.

É curioso que nas últimas décadas se tenha verificado um interesse e apropriação crescentes de alguns ensinamentos e exercícios da filosofia antiga, tanto no meio empresarial, quanto na vida quotidiana. No mundo corporativo, o estoicismo é frequentemente inspiração para programas de “liderança resiliente”, treinos de “inteligência emocional” e promoção de bem-estar laboral, enquanto o epicurismo está na base de vários princípios de simplificação organizacional e minimalismo produtivo. A nível individual, é particularmente notável a proliferação de livros de autoajuda de inspiração filosófica, bem como de organizações dedicadas à prática contemporânea de exercícios espirituais antigos, como a meditação, a delimitação de prioridades, os movimentos de minimalismo material e digital, ou as práticas de gratidão e valorização do presente.

Por mais promissora que pareça esta tentativa de recuperação da sabedoria antiga, a sua aplicação é, frequentemente, mais uma perversão do que uma apropriação dos seus ensinamentos originais. Se no mercado do trabalho alguns princípios basilares da filosofia antiga são colocados ao serviço da eficiência, da resiliência e da produtividade, ao nível individual ela é reduzida a um conjunto de slogans motivacionais e convertida em mais um objeto de consumo na já saturada indústria da felicidade e do desenvolvimento pessoal. Colocada ao serviço do mercado e utilizada como ferramenta de otimização do desempenho e aumento da produtividade, a sabedoria antiga é, ela própria, instrumentalizada para servir uma finalidade justamente oposta àquele que fora o seu desígnio original.

Com efeito, os antigos sabiam que não há verdadeira libertação, reflexão ou desenvolvimento espiritual sem ócio, bem cada vez mais raro nas sociedades atuais. Numa era marcada pela positividade, a competição e a produtividade, onde o tempo livre desapareceu, também ele colonizado pela lógica da produção, regressar a uma verdadeira arte de simplificar implicaria a coragem de enfrentar o vazio, o silêncio, a falta de ocupação, de recusar os múltiplos estímulos e incentivos ao consumo, de renunciar ao supérfluo para cultivar o essencial, de contrariar a tirania da utilidade, de recusar o ritmo acelerado e a dispersão e exigir o tempo necessário para pensar e viver devagar. Simplificar, neste contexto, não seria apenas um regresso à mais elementar forma de sabedoria prática, mas também um ato ético e político de resistência, uma afirmação de liberdade, autonomia e singularidade.

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leadership

A presença constante da IA e o desgaste mental que ninguém vê

22 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

No escritório, gestores de projetos tentam acompanhar a avalanche de novas ferramentas que prometem agilizar o trabalho, mas que acabam por criar mais complexidade. Nos departamentos de marketing, analistas sentem-se pressionados a interpretar relatórios gerados por algoritmos que mudam constantemente, sem formação adequada. E na saúde, profissionais tentam integrar sistemas inteligentes que sugerem diagnósticos ou decisões de tratamento, ao mesmo tempo que mantêm contacto humano com os pacientes

Em 2025, a inteligência artificial deixou de ser uma realidade distante e entrou, invariavelmente, no quotidiano de milhões de pessoas. Dois terços da população já a utiliza regularmente, segundo a KPMG. Contudo, esta revolução silenciosa traz um peso invisível: o desgaste mental.

 

No trabalho, o stress cresce a cada atualização

Os relatórios da KPMG e da EY revelam que, longe de simplificar a vida profissional, a IA a tornou mais complexa. No ambiente laboral, 64% dos colaboradores sentem-se sobrecarregados com o fluxo incessante de novas ferramentas. Ao invés de aliviar, a tecnologia multiplicou tarefas e exigências. Apenas metade dos trabalhadores recebeu formação adequada ou dispõe de políticas internas claras sobre o uso da IA.

«Não se trata apenas de aprender uma ferramenta nova, mas de viver num estado constante de adaptação», explica a Dra. Hannah Nearney, psiquiatra clínica e diretora médica no Reino Unido da Flow Neuroscience, empresa especializada em tratamentos de estimulação cerebral para depressão. «Quando o cérebro é continuamente pressionado a processar sistemas novos e a corresponder a expectativas crescentes sem regras claras, o stress torna-se crónico. Sem regulamentação, o burnout, a ansiedade e até a depressão surgem quase inevitavelmente.»

A incerteza económica intensifica a pressão. Mais de metade dos trabalhadores teme pela sua segurança profissional e receia que a IA venha a substituir totalmente as suas funções. «Quando se vive com a sensação de que as próprias competências se tornam obsoletas, cada nova atualização de IA transforma-se numa ameaça», acrescenta o Dr. Kultar Singh Garcha, médico do NHS e diretor clínico da Flow Neuroscience. «Esta ansiedade ativa um modo de sobrevivência cerebral que consome energia mental. Repetido no tempo, o efeito é devastador.»

 

A desconexão humana e o vazio da informação

A falta de regulamentação também alimenta receios sobre a privacidade e segurança dos dados pessoais. A KPMG mostra que 70% da população considera necessária legislação específica, mas menos de metade acredita que as leis atuais sejam suficientes. Entre as preocupações mais frequentes está a perda da conexão humana: muitos recorrem a chatbots para decidir o que sentir ou como agir, esquecendo-se de ouvir as próprias emoções ou de procurar o contacto com outro ser humano.

O impacto da IA é particularmente sentido pelas gerações Millennials e Gen Z, que interagem mais com estas tecnologias. Segundo o relatório Future of Wellness 2025, estas gerações mostram-se mais proativas na gestão do stress, conscientes da necessidade de medidas preventivas antes que a pressão evolua para ansiedade ou depressão.

A Flow Neuroscience tem vindo a responder a estas necessidades com dispositivos de estimulação cerebral não invasiva (tDCS) que ajudam a regular o humor e a reduzir a ansiedade. Desde o lançamento na Suécia, em 2019, o equipamento recebeu aprovação regulatória na União Europeia, Reino Unido e Austrália. Estudos clínicos publicados na Nature Medicine mostram que a técnica reduziu sintomas depressivos em mais de 70% dos pacientes.

«Existem muitas ferramentas para aliviar o stress provocado pela IA: meditação, mindfulness, terapias digitais e psicoterapia. Sono adequado e exercício físico também são cruciais», sublinha a Dra. Nearney. «Mas o esforço individual não chega. À medida que a IA avança, o stress que provoca não desaparece. Precisamos de formação adequada, regras claras no trabalho e legislação nacional que coloque o bem-estar das pessoas no centro. No fim, a IA foi criada para facilitar a vida, não para complicá-la.»

 

Arquivado em:Notícias, Saúde, Tecnologia

Nunca houve tantas pessoas qualificadas a trabalhar em Portugal

19 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Nunca houve tantas pessoas com ensino superior a trabalhar em Portugal. No terceiro trimestre de 2025, este grau académico tornou-se, pela primeira vez, o nível de escolaridade mais representado entre quem está ativo e empregado. Um sinal claro de que o país mudou e de que o trabalho mudou com ele.

Os dados mais recentes da Randstad Research, baseados no Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram um mercado de trabalho em máximos históricos de participação e emprego, com o desemprego estabilizado e uma base empresarial que volta a crescer. Mas é na qualificação que se encontra a verdadeira linha de fundo deste trimestre.

O diploma como nova norma

Hoje, mais de um terço da população ativa portuguesa tem ensino superior. São 34,5% dos ativos e 35,9% dos profissionais empregados, um valor nunca antes registado. Aquilo que durante décadas foi privilégio de poucos tornou-se, no terceiro trimestre de 2025, a condição dominante da vida ativa: trabalhar em Portugal é, cada vez mais, trabalhar com um diploma universitário.

Este grupo lidera também os principais indicadores de ligação ao emprego. A taxa de atividade entre quem tem ensino superior atingiu 83,1%, enquanto a taxa de emprego chegou aos 79,1%, ambas as mais elevadas entre todos os níveis de escolaridade.

No terceiro trimestre de 2025, a população ativa aumentou 80,9 mil pessoas, ultrapassando os 5,658 milhões — o valor mais alto de sempre. Em termos homólogos, o crescimento foi de 3,3%, com a taxa de atividade a fixar-se nos 61,4%.

Também o emprego acompanhou esta subida. O número de pessoas empregadas cresceu 83,8 mil face ao trimestre anterior, atingindo 5,332 milhões, outro máximo histórico. O mercado de trabalho português está mais participativo e mais qualificado.

Estabilidade contratual mantém-se, setor público cresce

Entre os trabalhadores por conta de outrem, a estabilidade continua a marcar o ritmo. Dos 4,52 milhões de profissionais nesta situação, 84,9% têm contrato sem termo. O emprego temporário recuou para 15,1%, menos meio ponto percentual do que no trimestre anterior.

No setor público, o emprego fixou-se em 759.402 trabalhadores, com um crescimento homólogo de 1,8%. A administração central continua a concentrar a maioria destes profissionais e o continente reúne mais de 92% do total. O desemprego manteve-se estável nos 5,8%, com menos 2,9 mil pessoas desempregadas face ao trimestre anterior, num total de 326,6 mil. É um mercado mais cheio, mas também mais contido, sem sinais de degradação abrupta.

Do lado dos rendimentos, os números continuam a subir. Em agosto de 2025, a remuneração média atingiu 1.568,97 euros, um aumento homólogo de 4,7%. Lisboa destacou-se como a região com salários médios mais elevados, nos 1.745,86 euros.

Depois de vários trimestres de expansão, o teletrabalho recuou. Menos 59,4 mil pessoas trabalharam a partir de casa, total ou parcialmente, reduzindo o universo para 1,04 milhões de profissionais, o equivalente a 19,4% da população empregada.

Lisboa e a Península de Setúbal continuam acima da média nacional. O modelo híbrido mantém-se como o mais comum, seguido do trabalho remoto integral e do teletrabalho ocasional.

Empresas voltam a nascer mais do que a fechar

A transformação do mercado de trabalho acontece num pano de fundo empresarial positivo. Até setembro de 2025, foram criadas 39.242 empresas e encerradas 9.464, num saldo claramente favorável. Um sinal de confiança, ainda que prudente, num contexto económico exigente.

Para Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad, estes dados confirmam uma mudança de fundo. «O mercado de trabalho português está hoje mais qualificado do que nunca. Isso traz oportunidades, mas também novos desafios: reter talento, adaptar modelos de trabalho e garantir que as competências acompanham a evolução tecnológica», sublinha.

O retrato do terceiro trimestre de 2025 mostra um país que trabalha mais, melhor preparado e com expectativas mais altas. E isso, por si só, já diz muito.

Arquivado em:Economia, Notícias

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