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Marcelo Teixeira

Liderança aumentada: orquestrar talento na era da inteligência artificial 

19 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Vivemos uma era de disrupção contínua, onde a única constante é a aceleração da mudança. Impulsionada por avanços tecnológicos sem precedentes e por uma redefinição profunda das expectativas do mercado de trabalho, a liderança enfrenta um ponto de inflexão. A questão deixou de ser ‘como podem as organizações equilibrar a gestão de talento com a Inteligência Artificial (IA)?’ para se tornar ‘como redesenhamos a própria arquitetura da liderança para um futuro simbiótico?’ 

A resposta, acredito, não reside numa escolha entre pessoas e tecnologia, mas sim em orquestrar uma fusão estratégica entre o talento humano e as ferramentas de gestão mais avançadas, criando o que gosto de chamar Liderança Aumentada. 

A gestão de talentos é, na sua essência, uma arte. A arte de identificar, atrair, potenciar, inspirar, desenvolver e reter as pessoas certas, garantindo que estão nas funções adequadas e que se sentem valorizadas. Contudo, esta arte é hoje amplificada por uma ciência de precisão: a dos softwares de gestão potenciados por IA. Mas temos de ir além do óbvio. 

A primeira geração de IA nos RH focou-se na eficiência, como a análise de currículos ou a automação de tarefas. A nova fronteira, onde atuamos, é a da eficácia preditiva e da hiperpersonalização. Com a  Análise Preditiva de Potencial, por exemplo, os algoritmos analisam projetos, contribuições em plataformas abertas e percursos não-lineares para identificar competências como a adaptabilidade, a resiliência e a agilidade de aprendizagem — qualidades que um simples CV raramente revela.  

Mais recentemente, esta transformação estendeu-se também ao recrutamento. Lançámos este ano recrutadores de IA, como o “Anna AI”, que permitem às organizações escalar e automatizar todo o processo de contratação de forma mais ágil e imparcial. Estudos académicos recentes mostram até que quase 80% dos candidatos preferem ser entrevistados por estas soluções de IA, valorizando a consistência, a ausência de preconceitos e a rapidez do processo. Essa tecnologia está a expandir-se a nível global, demonstrando como a IA pode não só apoiar decisões humanas, mas também reforçar a experiência e a confiança de todos os intervenientes no processo de recrutamento. 

A IA não substitui o discernimento humano, amplifica-o, permitindo que os líderes dediquem mais tempo ao que é insubstituível: a conexão humana, a mentoria, a inspiração e o desenvolvimento de uma cultura de crescimento.

Esta evolução exige uma nova governança. O desenvolvimento de futuros líderes é um pilar estratégico, mas agora nutrido por dados. Plataformas inteligentes mapeiam as competências da organização em tempo real, comparando-as com as necessidades futuras do negócio e criando ‘pools de talento’ dinâmicas, garantindo uma sucessão ágil e baseada em potencial real, não apenas em histórico.  

No caso do recrutamento, este novo paradigma de liderança aumentada significa também aprender a trabalhar em conjunto com sistemas inteligentes, capazes de identificar talento de forma mais inclusiva e estratégica. 

A liderança do futuro é, portanto, uma orquestração inteligente entre o potencial humano e as capacidades exponenciais da Inteligência Artificial. O nosso sucesso não dependerá apenas de abraçar a tecnologia, mas de qualificar as nossas pessoas para a questionarem, a desafiarem e a utilizarem de forma estratégica e ética. É assim que se constroem organizações que não são apenas mais inteligentes, mas fundamentalmente mais humanas. 

É esta a nossa missão: construir a próxima geração de líderes aumentados e, com eles, desenhar organizações que não só prosperam na mudança, mas que a lideram com propósito e humanidade. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Opinião

«É complexo ser simples» – A grande Arte do ‘Menos’ segundo Mats Alvesson

18 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Medidas, papeladas, procedimentos e plataformas, sistemas frequentemente detalhados, rígidos, muitas vezes considerados absurdos ou mesmo ‘kafkianos’,  um manancial ‘virtuoso, viscoso, vicioso e viral’. Uma lama, um lodo organizacional (organizational sludge) que bloqueia as empresas e as pessoas. Mats Alvesson, em coautoria com André Spicer, explica de uma forma simples como vivemos afogados na cultura do ‘mais’ – mais projetos, mais objetivos, mais regras e mais métricas. A grande arte está na redução ao ‘menos’ possível. Porque, definitivamente, menos é mais. Mas ser simples é complexo. 

 Mats Alvesson é um dos mais importantes investigadores europeus na área dos estudos organizacionais e uma das principais vozes com maior autoridade na matéria. Professor na Universidade de Lund, na Suécia, os seus trabalhos em liderança têm mostrado a discrepância entre o que esperamos dos líderes e aquilo que os líderes nos entregam na realidade. O seu recente livro, The Art Of Less – How to Focus on What Really Matters at Work, escrito com André Spicer, professor de comportamento organizacional na Bayes Business School, é um manifesto contra a tendência das organizações em se empanturrarem com mais. O resultado é tornar a vida das pessoas uma experiência de permanente contacto com a burocracia e as suas expressões práticas: reuniões longas que não levam a lugar nenhum, excesso de regulamentação, preenchimento de formulários e formalismos inúteis.  

«Não é o aumento diário, mas a diminuição diária. Elimine o que não é essencial.» – a frase de Bruce Lee dá o mote ao livro que nos levou a esta entrevista e a colocar a pergunta: ‘De onde vem o vício de “mais”? A propósito, foi também recentemente publicado em Portugal Desobediência Civil, de Henry David Thoreau, um clássico sobre a arte de não fazermos tudo aquilo que nos mandam. A desobediência civil é um ato de coragem, mas também uma forma de cidadania exigente. Na sua ausência, as tentativas de imposição do poder do Estado sobre os cidadãos acentuam-se. Este curto libelo ajuda a compreender como ontem e hoje é preciso contrariar alguns ditames do Estado e das autoridades. Fazer tudo o que as autoridades mandam é meio caminho andado para o conformismo que propicia o desastre. E, tal como o autor tão claramente nos explica, as pessoas têm uma fácil tendência para a complacência e a obediência, por querer fazer as coisas bem e, sobretudo, procurar a minimização do risco. Daí cresce o vício pela estrutura e as regras, que fazem aumentar a pressão e o lodo. Vivemos numa época do medo, de pensar o que outros julgam de nós e de achar que é preciso cumprir tudo. O que resulta em altos níveis de frustração e perda de energia e a sociedades que se tornam espaços de conformidade onde fazemos mais e pior. Sem radicalismos temperados, Mats Alvesson defende um minimalismo institucional, com base nas pessoas e na sua capacidade de julgamento e bom senso. Um bom líder deve concentrar-se no que é desnecessário, acompanhar aquilo que cria valor e eliminar o lodo. Coragem! 

 

Qual a motivação que o levou à escrita deste livro?  

Ao longo do tempo, fui-me apercebendo desta adição aos procedimentos, medidas e formações obrigatórias, o que me parecia ser uma característica em muitas universidades, a nível global, particularmente nas anglo-saxónicas. Mas, ao olharmos à nossa volta, tal acontece na vida profissional e nas organizações em geral. E, na minha perspetiva, isto tornou-se um fator chave: porque precisamos desta quantidade de ingredientes desnecessários e, muitas vezes, contraproducentes? Esta foi a motivação que me levou a olhar de forma muito mais sistemática para este fenómeno e pensar como o podemos entender. E o olhar sobre estas questões levou também a criar alguns conceitos que ajudam a refletir e a incentivar a novas formas de agir e resistir. Tentámos ser performativos, e o livro vai de certa forma transtornar as pessoas, mas também servir para que sintam que, apesar de tudo, podem trabalhar com estes conceitos e promover alguma mudança.  

 

Aborda o conceito do «lodo organizacional» (organizational sludge), o acumular de  processos, reuniões e burocracia, que obstrui o trabalho. Porque são as organizações tão propensas a ser complicadas, mesmo quando todos afirmam querer simplicidade? 

Por um lado, gostamos de nos concentrar na atividade principal, naquilo que cria valor, o que torna mais simples, eficaz e agradável. Por outro lado, muitas pessoas gostam de proteção, segurança e ordem. E isso significa que há uma necessidade de ter um tipo de controlo, de minimização de riscos, ou clareza, como é o caso das regras, que trazem minimização do stress. O que fazer e como posso ter a certeza de que não vou ter problemas, se estiver a fazer a coisa errada? Em geral, há uma procura por muita estrutura e ordem, portanto, muitos desses motivos são um pouco contraditórios. E, claro, há muitas profissões e instituições que gostam de acrescentar coisas. Precisamos de considerar segurança, bem-estar, gestão eficaz de Recursos Humanos, questões de género, controlo financeiro, objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, etc. E depois há muitos atores, profissionais, instituições especializadas, que tendem a aumentar a pressão e a apresentar soluções e referências que são muito tentadoras de se aceitar.  

 

Vivemos numa cultura do ‘mais’: mais projetos, mais objetivos, mais métricas. Como pode este “vício do mais” afetar a qualidade do trabalho e a motivação das pessoas? 

As pessoas estão motivadas a fazer as coisas corretamente, a fazer as coisas bem e a evitar problemas e riscos. A minimização do risco é a chave.

Vivemos numa cultura do medo, onde os riscos e os problemas potenciais devem ser minimizados e, relacionado com isso, há que lidar com muita legislação.

E quando há muita legislação, há uma preocupação em fazer as coisas da maneira errada, e cria-se uma pressão. Mas em outras questões somos flexíveis, então alguns motivos são muito misturados. 

 

Para se tornarem mais produtivas, as organizações adotam ferramentas e métodos de gestão, mas por vezes acabam ainda mais sobrecarregadas. Como pode a tecnologia estar a contribuir para o próprio problema que tenta resolver? 

Muitas vezes, temos o problema, e aqui está a solução, mas às vezes a solução pode criar problemas. E, claro, a tecnologia promete contribuições fantásticas, mais eficiência e tranquilidade. Às vezes funciona, mas, outras vezes, como diriam os filósofos, ‘shit happens’. A tecnologia é útil, mas há essa visão um pouco ingénua de que resolverá muitos problemas. Então os cálculos, as estruturas e os sistemas parecem muito bons, mas temos de trabalhar com tudo isso e surgem problemas, muita densidade, stress. Acho que tendemos a exagerar a crença de que a tecnologia irá resolver tudo.  

 

Todos concordamos com o diagnóstico proposto pelo livro, incluindo as pessoas que estão a criar ‘mais’. Então, por que não conseguimos resistir a esta tendência e quebrar o círculo vicioso?  

É muito complicado; eu próprio tenho esta tendência. Evito reuniões desnecessárias, nunca preencho formulários, a menos que os considere definitivamente importantes, e isso quase nunca acontece. Perguntamos às pessoas na nossa faculdade: por que preenchem os formulários sobre a garantia de qualidade? As respostas são ‘porque me pedem’, ou ‘porque me relembram’. Então vamos observar o que está a acontecer: nada. Ninguém está realmente a ler a informação. Este tipo de relatórios, ou formulários, não são levados a sério, mas as pessoas tendem a ser obedientes, surpreendentemente obedientes. São muito educadas, não querem correr riscos, e tem essa legitimação, quando afirmam ‘leva apenas 10 minutos’, ou ‘é feito rapidamente’. Alguém fica chateado se eu perguntar: ‘Por que estamos a fazer isto?’ Há muitas preocupações sociais e as pessoas tendem a ser bastante míopes. Em vez de economizar tempo a longo prazo, não se aloca tempo para se livrar destas coisas no curto prazo, porque é mais fácil simplesmente seguir o fluxo. Eu fico surpreendido que as pessoas não sejam mais resistentes, mas muitas são bastante complacentes, e sabemos, pela ‘experiência de Milgram’ e outros estudos, que a obediência à autoridade é uma característica humana básica e muito comum. 

 

Usa o termo “minimalismo institucional”. Pode-nos explicar o que significa e como pode uma organização aplicá-lo sem perder estrutura ou disciplina? 

Significa que há muitas expectativas e exigências, e espera-se que a pessoa se conforme com o que os outros estão a fazer e com o que é definido na sociedade como uma organização boa e racional. E isso tende a levar a mais. Portanto, deve-se cuidar não apenas dos clientes, dos alunos, no que lhes diz respeito, mas também considerar todas as suas exigências e expectativas. Como o ambiente, as questões de género, de diversidade, branding, etc. Há muitas dessas exigências que as organizações enfrentam e podemos admitir que elas possam criam um amortecedor (buffer), e pensar, ‘isto não é relevante para nós’, mesmo que outros estejam a fazê-lo, ou haja expectativas de que o devem fazer, podem pensar cuidadosamente se não é possível resistir e tentar minimizar as respostas. ‘É preciso ter tantas atividades de branding, há pessoas realmente interessadas nas declarações de missão e outro tipo de coisas?’ Em muitos casos, pode-se simplesmente ignorar grande parte disso e, noutros casos, não se pode ignorar completamente, mas podemos fazê-lo de uma forma minimalista. Pode haver cursos de desenvolvimento de liderança, mas em vez de um curso padronizado e obrigatório em grande escala, para todos, pode ser de adesão voluntária, ou para aqueles que realmente precisam, por algum motivo, por serem jovens, inexperientes ou com alguma incapacidade. Se após considerar estas premissas se concluir que se está a fazer por ser conformista, então não se pensou bem nestas questões e está-se demasiado preocupado com o que os outros vão pensar de nós. Se pensarmos em todos os motivos para cumprir e colocarmos a hipótese de que talvez não seja preciso cumprir tanto, podemos adotar uma abordagem muito mais minimalista.  

 

Facilmente se associa simplicidade com facilidade ou falta de ambição. No entanto, o seu trabalho mostra que simplificar é um ato estratégico. Como evitar que o ato de «fazer menos» seja visto como preguiça ou falta de motivação? 

Uma boa liderança concentra-se nos resultados e práticas de desempenho, e em muitas organizações não podemos realmente decidir sobre o desempenho, como é o caso do setor público. Não é fácil medir resultados, mas podemos ter uma visão geral do que está a acontecer. Os fluxos de trabalho estão a decorrer diretamente ou as reuniões estão a ser produtivas? As pessoas estão a usar as informações que estão a ser recolhidas? A boa liderança significa que se acompanham os resultados, e, se possível, em seguida, os processos centrais que realmente agregam valor e tenta-se eliminar o que não está a contribuir de forma positiva. Devem acompanhar-se os tempos e a qualidade das reuniões. Muito tempo de reunião é sinal de que as pessoas só querem ouvir a sua própria voz, tal como a produção de relatórios e procedimentos são desnecessários e contraproducentes.

Uma boa liderança deve concentrar-se sobretudo no que é desnecessário e minimizar todo esse tipo de ‘porcaria’ das organizações, esse ‘lodo’, para que haja mais energia disponível e colocar o foco no trabalho principal.

Em hospitais, escolas, forças policiais, empresas, pode-se fazer muito mais ao concentrar-se nas atividades essenciais. Mas deve-se enfatizar que as pessoas não têm de fazer o check em todas as caixas e usar corretamente o tipo de linguagem institucionalizada, sem sentido (aqui o autor usa o termo bullshit), que é tão comum nas empresas. O que passa por mobilizar mentalidades e colocar o foco na criação de valor para quem beneficia do nosso trabalho, apesar do todo o ‘lodo’.  

 

Ironicamente, mesmo os leitores que concordam com o seu diagnóstico terão dificuldade em praticar a ‘arte do menos’ (art of less). Porque será? 

Muitas vezes, o excesso acontece derivado de boas intenções e da ingenuidade das pessoas. Há um interesse genuíno em produzir, implementar e reproduzir. Os departamentos de RH gostam de expandir, as pessoas do marketing e do branding ou do departamento de controlo financeiro, mesmo os advogados, todos gostam de expandir os seus pequenos impérios o máximo possível. Então acabam por se envolver na produção de ‘lodo’ e desafiar esse movimento leva a muitos problemas e ganham-se inimigos, apesar de as pessoas terem boas intenções. Por isso são tão importantes as questões de género, diversidade, formação em liderança, os processos de RH demorados, o controlo financeiro total e a conformidade com todas as leis. É muito fácil deparar-se com alguns destes problemas na maioria dos negócios e em grandes empresas.  

 

Autores como Kathleen M. Eisenhardt já apelaram ao uso das regras simples. Porque é tão difícil simplificar?   

O problema é o mundo ser, por vezes, complexo e termos a ideia de que o complexo por fora exige complexidade internamente. E há ainda a questão da  necessidade de haver mais divisão do trabalho, mais profissões, mais conhecimento a ser considerado. As pessoas que estão na vida profissional querem que sejam satisfeitas muitas das suas necessidades e desejos. Há exigências e expectativas crescentes e, mesmo que existam regras simples, elas criam complexidade. As regras tendem a não ser apenas aditivas, mas também interagem de forma complexa. Há regras contraditórias, inconsistentes que criam muita ambiguidade. Essas regras simples não são tão simples assim. É complexo ser simples. 

De todos os indicadores que apresenta, qual considera o mais perigoso?   

Um grande problema é que as organizações muitas vezes funcionam mal. Se for um pequeno fabricante, isso é menos problemático; no setor público isso tende a acontecer, mas também em grandes organizações. Há um elevado grau de frustração, algumas pessoas realmente julgam-se numa gaiola de ferro, e gastam muito tempo e energia em coisas frustrantes. 

 

Enquanto gestor, qual é o indicador que destaca como problemático: regras contraditórias, obediência cega?  

Proliferação de políticas, regras e outras coisas. A Polícia sueca tem 589 medidas e algumas pessoas falam sobre a luta contra o crime organizado grave – ou não será antes a administração organizada grave? Normalmente, o problema é o crime organizado. Mas aqui, a administração organizada grave é um problema. Noutros casos, gasta-se muito tempo em projetos bastante insignificantes, que não levam necessariamente a lado nenhum, mas que parecem bons ou que a alta administração assim o decide. Na universidade, as pessoas reclamam de cursos muito longos, padronizados e obrigatórios em Pedagogia. Um colega meu disse que em 30 anos na universidade nunca ouviu ninguém dizer nada de positivo sobre os cursos de Pedagogia. Se se passar 10 semanas em algo que se considera irrelevante, então esse pode ser o caso. Varia bastante, mas julgo que a proliferação de regras e, em seguida, os sistemas de controlo de gestão podem ser indicadores graves. Em outros casos, são as atividades padronizadas obrigatórias. Um caso sério são as reuniões, de que muitas pessoas se queixam. Muitas reuniões, muitas pessoas convocadas e muito longas.

Os rituais das reuniões não levam a lado nenhum e são uma grande fonte de frustração.

Uma pessoa partilhou recentemente que participou em 40 horas de reuniões numa semana, o que é muito frustrante. Há muita variação e pessoas diferentes podem enfrentar diferentes tipos de obstáculos. 

 

Existem algumas organizações que possam servir de referência no tipo de gestão e na ‘arte do menos’? 

Costumamos mencionar a Netflix e a Nordstrom, a empresa de retalho norte-americana que tem uma regra que é: «Não há regras». ‘Se não tiver a certeza, pergunte ao seu gestor’. É claro que há algumas exceções. Temos outro livro, a ser lançado em breve, Return to Judgment, e a ideia é que, em linha com o iluminismo, as pessoas devem usar o seu próprio julgamento, a sua própria inteligência, tanto quanto possível. É claro que, às vezes, é preciso apoio e orientação, mas esse é o princípio fundamental. Agora, estamos a criar organizações por especialização, estruturas, políticas e procedimentos, que estão a assumir o controlo, e, portanto, resta muito pouco para o julgamento de cada um. E as pessoas precisam de perceber que quando não sabem nada sobre algo, não podem usar o julgamento ou devem-no usar para perguntar à pessoa certa ou para obter apoio de uma estrutura de conhecimento e regras. Mas isso é diferente do que é comum, o julgamento é uma parte muito pequena do que acontece. Nas universidades, por exemplo, usava-se o julgamento no início, agora é mais regulamentado. É este tipo de diminuição da qualidade, de ‘lodo’, que deixa as pessoas frustradas e a desperdiçar muita energia. 

 

Em contextos em que as pessoas se sentem sobrecarregadas, ocupadas e sob pressão, qual é o seu conselho para se dar o primeiro passo e praticar “a arte do menos”? 

Digo para começar sempre por perguntar: qual é o objetivo disto? Qual é o significado? No final do dia, isto contribui para quê? Porque devo fazê-lo? Fico feliz, mas preciso de ter um motivo muito bom para fazê-lo. E um bom motivo não é porque a direção da empresa decidiu que todos devem fazer, por ser uma política. Mas sim, devemos fazê-lo por levar a um trabalho melhor, com melhores resultados, consequências e benefícios. ‘Por que estamos a fazer isto?’ Façam esta pergunta com bastante frequência. 

 

 

 

The Art of Less – How to Focus on What Really Matters at Work, Mats Alvesson e André Spicer, Bloomsbury Publishing, 2025

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

Simplificar

18 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Por alturas do início do ano escolar, o Público inquiriu um conjunto de professores que haviam interrompido a docência, e que foram agora recolocados, sobre as diferenças que encontraram passado um intervalo na atividade. Sem surpresa, foram mencionados dois aspetos: menos respeito e mais burocracia. Na mesma altura, Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, explicava no Leadership Summit cá da casa, que se na Terra temos regulação a mais, no Espaço há regulação a menos. 

Nas nossas sociedades contemporâneas temos uma tendência para o controlo e por isso para a construção de regras. Mas as regras e o controlo não resolvem os problemas. A este propósito, recordo sempre uma magnífica passagem de um livro de Garcia Márquez, Em viagem pela Europa de Leste, em que descreve uma festa na antiga RDA. Tudo era tão regulado que, escreveu, o evento era a coisa mais parecida com o caos que era possível imaginar. Por cá, para aí caminhamos: empanturramos professores, polícias, médicos e outros com papelada. Por vezes, parece que até se pode fazer mal o trabalho desde que os papéis estejam corretamente preenchidos. 

Ou seja, simplificar é preciso. Aprendamos com Will Schutz que em 1979 publicou Profound Simplicity. Aí, defendia que a nossa compreensão passa por três fases: simplismo, complexidade e simplicidade profunda. Esta última é a fase mais rica, em que não nos enredamos na tentativa de querer controlar tudo nem queremos compreender os detalhes. A simplicidade profunda consiste numa aproximação à essência das coisas. Como prosaicamente avisava um slogan de uma saudosa estação de rádio, simplificar consiste em discernir a obra-prima do mestre da prima do mestre de obras. Em Portugal, aquilo que Geert Hofstede identificou como elevada necessidade de evitamento da incerteza, leva-nos à propensão para regulamentar, controlar, burocratizar, formalizar. Quanto mais melhor, eis o pressuposto. Ao contrário: descompliquemos! 

Enquanto isso não acontece procuremos a beleza nas coisas simples: num haiku, numa natureza morta, nas Variações Goldberg. Ou, na liderança, num livro como Simple Rules, de Sull e Eisenhardt, ou nos textos deste número da Líder. Pratiquemos. E haja esperança. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

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Maria Amélia Cupertino de Miranda: «Longevidade sem equidade não é progresso, é distopia»

17 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Quando Maria Amélia Cupertino de Miranda explica a missão da Fundação António Cupertino de Miranda, criada pelo seu tio-avô, percebe-se rapidamente que não se trata apenas de finanças. Trata-se de tempo, de como viver mais e melhor, de como transformar anos em escolhas conscientes e autonomia real. Desde 2010, a Fundação tem levado a literacia financeira às escolas, aos adultos, aos seniores e a pessoas com necessidades especiais, apoiando-se no Museu do Papel-Moeda como base e laboratório pedagógico.

A aposta mais antiga e mais abrangente da Fundação — o projeto ‘No Poupar Está o Ganho’ — já acompanha crianças há 15 anos e, ao longo desse percurso, impactou mais de 115 mil alunos em mais de 120 municípios por todo o país, ensinando-lhes literacia financeira com um propósito que ultrapassa os números e se apoia na tomada de decisões conscientes ao longo da vida.

«Viver mais não significa viver melhor se não soubermos gerir os nossos recursos, se não tivermos poder de decisão sobre a nossa vida», sublinha Maria Amélia, Presidente da Fundação. Neste contexto, o V Fórum sobre Longevidade, organizado pela Fundação e realizado no Porto a 20 de novembro, reuniu mais de 300 participantes entre especialistas, académicos, representantes da sociedade civil e decisores, para debater os desafios demográficos do século XXI e as suas implicações sociais e económicas.

O Fórum mostrou, sem rodeios, a estratégia da Fundação: preparar os portugueses para cada fase da vida, dando-lhes ferramentas para decisões que não se limitam à poupança, mas que afetam saúde, confiança e a própria forma como vivem.

 

Quando falamos de longevidade, falamos de mais tempo ou de melhor tempo? E quem decide essa diferença?

A longevidade não é apenas uma questão de tempo cronológico; é sobretudo uma questão de qualidade desse tempo. Viver mais anos não é uma conquista se esses anos forem passados com fragilidade, insegurança ou exclusão. A forma como conseguimos usufruir desses anos depende das políticas públicas, das oportunidades de educação ao longo da vida, do acesso à saúde, da literacia financeira e da capacidade de cada pessoa de planear o seu futuro. Não são decisões individuais, mas estruturais, exigindo estratégia, antecipação e uma visão integrada da longevidade como eixo central do desenvolvimento social e económico.

 

Portugal está envelhecido. A literacia financeira pode ser o despertador do país?

Portugal envelhece rapidamente, mas sem plena consciência do impacto disso. Em 2015, por cada 100 jovens, residiam 147,6 idosos; em 2024, eram 192,4. Estes números exigem ação integrada em diversos setores.

A literacia financeira deve ser um despertador coletivo, não confinada às elites ou aos mais informados. Se não for inclusiva, acessível e adaptada à realidade das pessoas, falha no seu propósito social.

É por isso que a Fundação António Cupertino de Miranda se orgulha de ser pioneira na educação financeira desde 2010, com o projeto ‘No Poupar está o Ganho”, implementado em todos os ciclos do ensino em escolas de 120 municípios, atualmente na sua 15.ª edição. Há ainda programas como ‘Eu e a Minha Reforma’, que capacita pessoas mais velhas, ‘Por Tua Conta’, focado no Ensino Profissional, e ‘Educação Financeira – Uma Necessidade Especial’, para pessoas com défice cognitivo. Todos visam transferir conhecimento financeiro para mudar atitudes e comportamentos, capacitando para transformar a gestão das finanças e da vida.

 

Como se prepara alguém para a velhice num país onde tantos vivem o presente em modo sobrevivência?

Começa-se por reconhecer essa realidade. A precariedade afeta várias faixas etárias, mas os mais velhos sentem-na particularmente. É um desafio complexo, mas é possível criar programas credíveis que devolvam margem de decisão sobre a vida financeira, mesmo em contextos difíceis.

Preparar para todas as fases da vida não é falar de reforma aos 20 anos; é criar competências financeiras e digitais ao longo do tempo, para gerir rendimentos, compreender riscos, tomar decisões informadas e ganhar confiança. O foco é capacitar.

 

Num cenário político volátil, como se protege a educação financeira de ser usada como arma política?

Jamais deve ser encarada assim. A literacia financeira está definida na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania como ferramenta essencial para «assegurar que crianças e jovens adquiram conhecimentos, capacidades, valores e atitudes no domínio financeiro». No Quadro de Competências Financeiras da OCDE, a literacia prepara os jovens para decisões financeiras sólidas enquanto adultos. A Fundação trabalha com a Faculdade de Economia da Universidade do Porto que assume a responsabilidade de revisão científica dos conteúdos dos nossos programas. Recorremos à Faculdade de Psicologia e de Educação para avaliar o impacto social dos nossos programas e também como podemos contribuir ativamente para uma sociedade financeiramente mais informada.

Estes programas são orientados pelo conhecimento e vontade de transformar a sociedade e não por terceiros, com objetivos diferentes. Quando a literacia financeira é pensada a longo prazo, transversal a ciclos políticos, deixa de ser arma e passa a ser um bem comum. A Fundação assume precisamente esse papel: atuar onde há défices sociais, com visão estratégica e foco na capacitação das pessoas.

 

A literacia financeira não corre o risco de ser vista como moralização disfarçada?

Só se houver iliteracia financeira elevada. A inclusão financeira garante que todas as pessoas, independentemente da classe, idade ou localização, tenham acesso a produtos, serviços e informação essenciais.

O projeto ‘Eu e a Minha Reforma’ capacita pessoas mais velhas: medições de impacto mostram melhoria de competências financeiras acima de 80%, junto com aumento da literacia digital. Estruturas adequadas modificam comportamentos e promovem uma vida mais equilibrada e feliz.

Avenida da Boavista 4245, no Porto, é o endereço da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, que abriga o Museu do Papel Moeda, um local interessante para conhecer a história do dinheiro e coleções de miniaturas, sendo um ponto cultural relevante na cidade.

 

 

 Como se trabalha com uma geração cuja memória financeira é de crises sucessivas?

Anna Maria Lussardi, de Stanford, diz: «estamos na hora de conhecer mais, para temer menos». Concordo. O mundo mudou. Longevidade redefine carreiras, economia e vida pessoal. Trabalhar a literacia financeira é transmitir visão solidária, vinculando conhecimento, inovação e equidade.

A confiança constrói-se quando as pessoas percebem que podem controlar suas decisões mesmo em contexto incerto.

O próximo passo é estrutural ou emocional? Ensinar números ou ensinar a não ter medo deles?

Ambos. Não há transformação estrutural sem programas assegurem continuidade, proximidade, flexibilidade e aposta na qualificação financeira e digital das pessoas. Ensinar números e estratégias de gestão financeira não é suficiente a longo prazo. A formação financeira vai muito para além disso. Ensinar números não basta; é preciso traduzir conceitos complexos de forma acessível, compreendendo anseios e necessidades de cada público.

 

Falta-nos coragem política ou organização para ver a longevidade como oportunidade?

Portugal tem uma pirâmide demográfica invertida. Outros países também. Longevidade é realidade e pode ser um ativo social e económico se houver qualificação e investimento na formação financeira e digital. É preciso integrar todos, desenhar estratégias de vida coletiva, envolvendo academia, sociedade civil e setores público, privado e social.

Longevidade sem equidade não é progresso, é distopia. Mas tudo isto também exige políticas públicas coerentes, novos modelos de trabalho, sistemas de proteção ajustados e uma mudança cultural profunda. Precisamos, por isso, de uma Estratégia Nacional para a Longevidade.

 

O Fórum trouxe governo, academia e decisores económicos. O que ainda falta à conversa?

O primeiro é antecipação: a literacia financeira e da saúde deve começar o mais cedo possível, tanto nas escolas como nas empresas, de forma a que as pessoas adquiram competências ao longo da vida e não apenas quando a velhice se aproxima.

O segundo vetor é prosperidade: uma sociedade envelhecida só se sustenta se houver crescimento económico. Os anos extra de vida só se transformam em oportunidade social e económica se forem acompanhados de investimento, emprego e políticas que permitam prosperar em todas as fases da vida.

O terceiro é olhar para os mais velhos como ativos, e não passivos. Eles não são apenas beneficiários de sistemas de proteção social; são consumidores, tomadores de decisão e motores económicos com poder de compra significativo, capazes de influenciar mercados e comunidades.

Para que estes vetores se concretizem, a inclusão financeira, a inclusão digital e a sustentabilidade social são cruciais. É necessário que políticas públicas estruturadas garantam que todos os segmentos da sociedade, especialmente os mais vulneráveis, se beneficiem da transformação digital e da literacia financeira, tornando a longevidade um ativo partilhado e sustentável.

 

Que papel tem a cultura neste debate?

É a base do que consideramos possível, desejável ou indispensável em cada fase da vida. Se a cultura dominante associa envelhecimento a perda e dependência, as respostas institucionais serão reativas e curtas. Precisamos ver os mais velhos como ativos plenos, com capacidade de decisão e contributo.

Cultura e educação mudam a narrativa do idadismo.

A cultura exerce um papel central neste debate porque precede políticas, programas e decisões económicas. É a forma de pensar coletiva que define o que consideramos possível, desejável ou essencial em cada fase da vida, moldando não só a maneira como envelhecemos, como também a forma como gerimos o dinheiro, trabalhamos e projetamos o nosso futuro.

Se a cultura dominante continuar a associar envelhecimento a perda, dependência e irrelevância, as respostas institucionais tenderão a ser reativas e de curto prazo. É urgente ver as pessoas mais velhas como um «ativo a gerir», cidadãos plenos, capazes de decisão, contribuição e autonomia. Esta narrativa deve guiar políticas públicas e expectativas individuais, mostrando que é através da cultura e da educação que podemos desconstruir o preconceito do idadismo.

A Fundação promove iniciativas educativas e culturais ligadas à literacia financeira, com destaque para a história do papel‑moeda.

 

Envelhecer com dignidade num país com literacia financeira limitada significa o quê?

Não significa que não tenha havido já caminho percorrido. Significa, antes de mais, garantir que a segurança e a autonomia não ficam dependentes da sorte, da origem social ou do nível de escolaridade. A dignidade não pode ser um benefício colateral de quem teve mais oportunidades ao longo da vida: deve ser um direito de todos. A literacia financeira é, por isso, um pilar central dessa dignidade porque qualifica pessoas, confere poder de escolha e reduz a dependência de terceiros.

 

E o maior medo da longevidade — viver mais ou viver mal?

Todos queremos viver mais, mas também melhor. O verdadeiro medo da longevidade não é durar anos, mas vivê-los sem autonomia nem controlo. Esse receio nasce da baixa literacia sobre longevidade e da falta de adaptação da sociedade.

O modelo trifásico — aprender, trabalhar, reformar — já pertence ao século passado.

É preciso um novo paradigma social que sirva todas as gerações: capacitação, trabalho e lazer ao longo da vida, com investimento sério em saúde, educação contínua e literacia financeira e digital, apoiado por políticas públicas estruturadas.

No entanto, também exige uma mudança de narrativa, que finalmente encare a longevidade como um ativo social e económico e não como um problema.

É através destas lacunas e também da identificação de vários défices sociais que a Fundação molda a sua programação, sempre a partir do Museu do Papel-Moeda, de forma que ninguém fique para trás e para que todos possam ter mais autonomia e conhecimento sobre a melhor forma de conduzirem as suas vidas.

 

 

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Ciberataques ligados à IA atingem quase metade das PME portuguesas

17 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A inteligência artificial entrou de forma decisiva no quotidiano das pequenas e médias empresas portuguesas. Automatiza processos, acelera decisões, melhora a eficiência. Mas, à medida que se instala no centro das operações, abre também novas fragilidades. Em 2025, 48% das PME em Portugal sofreram pelo menos um ciberataque associado ao uso de ferramentas de IA, revela o Relatório de Ciberpreparação da Hiscox.

Os dados confirma uma tendência clara: a mesma tecnologia que sustenta a inovação está a alargar a superfície de ataque das empresas, num contexto em que os cibercriminosos se adaptam com rapidez ao novo ecossistema digital.

Um ambiente de ataque cada vez mais frequente

A pressão sobre as empresas é constante. 54% das PME portuguesas foram alvo de pelo menos um ciberataque nos últimos 12 meses, sendo que mais de metade registou entre um e dez incidentes no mesmo período. Quando o foco recai especificamente sobre ataques relacionados com vulnerabilidades associadas à inteligência artificial, quase metade das organizações confirma ter sido afetada.

Estes números mostram que a exploração de falhas ligadas à IA deixou de ser episódica. Passou a integrar o arsenal regular de ataque, acompanhando o ritmo acelerado da adoção tecnológica nas empresas.

O relatório identifica um conjunto diversificado de vetores de ataque. Os dispositivos IoT corporativos surgem no topo da lista, afetando 33% das empresas, seguidos dos servidores internos (30%) e dos dispositivos móveis dos colaboradores (29%). Ataques de phishing e engenharia social dirigidos a trabalhadores continuam igualmente a ter um peso significativo.

As ferramentas e softwares de IA surgem como porta de entrada em 24% dos casos, um sinal de que estas soluções, muitas vezes integradas de forma rápida e sem auditorias profundas, se tornaram um alvo prioritário. A complexidade técnica e a dependência de terceiros aumentam o risco, sobretudo quando estas tecnologias passam a operar sobre dados sensíveis e processos críticos.

A confiança na IA mantém-se elevada, mas avizinham-se ameaças

Apesar do aumento dos incidentes, a perceção das empresas sobre a inteligência artificial permanece largamente positiva. 86% das PME portuguesas continuam a ver a IA como um ativo estratégico, essencial para a inovação e a competitividade.

Essa confiança convive, no entanto, com uma consciência crescente das vulnerabilidades existentes. As empresas apontam riscos nos seus próprios sistemas e software (26%), na infraestrutura de rede (25%) e no fator humano, com colaboradores expostos a ataques cada vez mais sofisticados (18%). Também as dependências externas — parceiros, fornecedores e terceiros com acesso a dados — entram no radar das preocupações.

O uso crescente de IA generativa está a moldar a perceção dos riscos futuros. Nos próximos cinco anos, as empresas antecipam ameaças mais difíceis de detetar e conter. 22% receiam ataques de engenharia social potenciados por IA, capazes de imitar padrões humanos com elevado grau de realismo. Outras preocupações passam pela utilização de modelos de IA adulterados, pelo controlo indevido de dados empresariais e por vulnerabilidades em ferramentas de IA de terceiros.

Esta leitura do risco revela um mercado mais atento e menos ingénuo quanto aos efeitos colaterais da transformação digital.

Formação, governação e seguros ganham prioridade

Perante este cenário, as PME portuguesas começam a ajustar as suas estratégias. 46% apontam a formação e sensibilização dos colaboradores como prioridade, reconhecendo que a segurança começa, muitas vezes, no comportamento diário. O mesmo valor surge associado à revisão das apólices de ciberseguro, com o objetivo de garantir cobertura específica para riscos relacionados com IA.

Outras medidas incluem o reforço da governação interna da IA, o desenvolvimento de soluções próprias, a contratação de especialistas em segurança e a realização de auditorias regulares ao uso destas tecnologias. São sinais de uma resposta mais estruturada a um risco que deixou de ser abstrato.

Ana Silva, Cyber Lead da Hiscox Portugal e Espanha, sublinha que a IA já não é apenas uma ferramenta de produtividade. «Abre novas portas à inovação, mas também à evolução das ciberameaças. O phishing potenciado por IA é um exemplo claro disso», afirma, destacando a necessidade de proteção adequada num panorama digital cada vez mais complexo.

O retrato que emerge é o de um tecido empresarial em transformação acelerada, onde a inteligência artificial se impõe como vantagem competitiva, mas exige maturidade, investimento e vigilância constante. A inovação avança e a cibersegurança tenta acompanhá-la, passo a passo, atenta às animosidades.

Arquivado em:Cibersegurança, Notícias

Técnico distingue três mulheres pelo contributo para a engenharia

17 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

O Instituto Superior Técnico entregou o Prémio Maria de Lourdes Pintasilgo a três mulheres que se destacaram pelo seu percurso e impacto nas áreas da Engenharia. Diana Marques, Susana Monteiro e Cristina Cachola foram as distinguidas na 9.ª edição da iniciativa, numa cerimónia que reuniu representantes do meio académico, científico e institucional.

Criado em 2016, o prémio procura promover a igualdade de género e reconhecer o papel das mulheres num setor historicamente dominado por homens. A distinção homenageia também Maria de Lourdes Pintasilgo, antiga aluna do Técnico e figura central da vida pública portuguesa, cujo percurso permanece como referência de liderança e compromisso cívico.

Investigação jovem com impacto na alimentação do futuro

Na categoria Young Alumna, foi distinguida Diana Marques, finalista do doutoramento em Bioengenharia no Instituto Superior Técnico, onde concluiu o mestrado em Biotecnologia em 2021. O seu trabalho de investigação centra-se no desenvolvimento de biotintas comestíveis de base vegetal, eletrocondutoras e compatíveis com células animais, destinadas à bioimpressão 3D de alimentos.

A tecnologia, já patenteada, permite a produção de carne ou peixe a partir de células animais e abriu caminho à criação de filetes de robalo por bioimpressão 3D. O projeto foi publicado na revista Bioengineering, apresentado em fóruns internacionais e recebeu, em 2021, um financiamento de 220 mil euros do Good Food Institute.

Segurança informática a partir da engenharia de compiladores

Na mesma categoria foi também distinguida Susana Moreno Monteiro, licenciada e mestre em Engenharia Informática e de Computadores pelo Técnico. A sua dissertação, dedicada à área dos compiladores, contou com o apoio de uma bolsa de investigação da Google e contribuiu para a interoperabilidade entre as linguagens de programação Rust e C++, com o objetivo de melhorar a memory safety, uma das principais vulnerabilidades exploradas em ataques informáticos.

Atualmente, Susana Monteiro trabalha na Apple, em Londres, onde integra a equipa responsável pelo compilador da linguagem Swift, focando-se na interoperabilidade com C++.

Liderança industrial num setor estratégico

O prémio Role Model foi atribuído a Cristina Cachola, engenheira química formada no Instituto Superior Técnico, com um percurso profissional marcado por funções de liderança em diferentes áreas da engenharia. Atualmente, é responsável pela refinaria de Sines, tornando-se a primeira mulher a liderar esta instalação industrial.

À frente de uma equipa com mais de 550 colaboradores, Cristina Cachola representa uma presença feminina num dos setores mais exigentes da indústria nacional, com um percurso associado à inovação e à gestão de infraestruturas críticas no setor energético.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

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