As mudanças no mercado de trabalho tiveram um efeito especial para a Geração Z (nascidos entre a metade dos anos 1990 até o início do ano 2010) que se preparava para a entrada num primeiro emprego. Os novos ambientes virtuais privaram esses jovens de se envolver diretamente com a cultura e ambiente de uma empresa, e dificultou a formação das devidas competências sociais, emocionais e mentais que tocam a personalidade e comportamento a nível profissionais (soft skills).
Uma recente pesquisa da Fundação do Grupo Adecco revela que 79% dos jovens entre os 18 e os 30 anos acredita que essas mesmas competências serão as mais importantes nos líderes do futuro.
O inquérito #CtheFuture2.0, realizado no âmbito do Programa “CEO For One Month” analisa o impacto da pandemia nos jovens e na sua entrada no mercado de trabalho, dado que, até 2030, esta Geração Z irá, em estima, representar um terço da força laboral e, até 2040, ocupar posições de liderança e de influência em organizações a nível mundial.
Se antes já era difícil, os processos tornaram-se mais desmoralizadores: 26% dos estudantes do ensino superior foram retirados dos seus estágios, e 28% dos finalistas viram as ofertas de emprego para recém-licenciados anuladas. A pandemia veio também afetar mais os jovens, do que outros grupos etários, no que toca ao acesso a estágios, ainda assim 50% dos inquiridos indicaram conseguir aceder a primeiras ou novas oportunidades de emprego durante este período, independentemente do nível de formação.
Esta foi também a geração que mais teve de se adaptar em tão curto espaço de tempo e de assumir maior responsabilidade quanto à sua aprendizagem, fosse a frequentar salas de aula virtuais e no acesso a conteúdos digitais. Foi também uma geração privada de trabalhar e colaborar com os seus pares, aprender presencialmente, e de participar em atividades que poderiam beneficiar o desenvolvimento de capacidades de comunicação, colaboração, tomada de decisões e resolução de problemas.
A saúde mental é a maior preocupação sobre o futuro do trabalho, segundo os resultados, lado a lado com o acesso ao mundo do trabalho e a igualdade salarial. A falta de comunicação presencial com os membros da equipa e colegas de trabalho também é muito sentida após as novas práticas de trabalho remoto.
A flexibilidade é importante para 87% dos inquiridos, que revelam preferir horários que lhes permitam equilibrar a vida laboral e privada. Mas, se por um lado a grande maioria exige esta característica, apenas 54% acham desejável ou muito desejável contratos sem termo, com posições de carreira estáveis e de longo prazo.
