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Marcelo Teixeira

Leadership Next Gen: «A consistência é o ingrediente essencial para chegar ao topo», realça Duba Barradas

17 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Do desporto aos perigos das redes sociais, passando pela saúde mental, pela gestão do dinheiro e pelos desafios de crescer num mundo cada vez mais digital, o encontro procurou aproximar experiências reais de quem já trilhou caminhos de exigência e superação. Ao longo de várias conversas e intervenções, atletas, especialistas e líderes partilharam percursos, conselhos e alertas para um público jovem que ouviu, questionou e participou ativamente.

Com casa cheia e uma plateia onde a média de idades não ultrapassava os 16 anos, a iniciativa mostrou que o debate sobre o futuro não é apenas uma conversa entre adultos: começa cada vez mais cedo e com cada vez mais perguntas.

As boas-vindas foram dadas por Filipe Vaz, CEO da Tema Central, e por Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais. Centenas de jovens de agrupamentos escolares do concelho ouviram com atenção as primeiras intervenções.

Piteira Lopes alertou para a «semente do ódio» que muitas vezes é perpetuada nas redes sociais e defendeu que estes espaços digitais «devem ser um encontro de amizade». O autarca pediu ainda cautela «pela saúde mental» dos jovens e sublinhou a importância de estar atento aos sinais de quem está à nossa volta.

Nuno Piteira Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Cascais
Filipe Vaz, Diretor Geral da Tema Central

Antes do primeiro momento mais sério do programa, foi lançado um desafio à plateia. Quem respondesse mais rapidamente a um questionário sobre Cascais ganharia vários prémios. A condução do evento esteve a cargo de Catarina Silva, locutora da Cidade FM, que assumiu o papel de host.

«O sucesso leva tempo e trabalho»

Depois do momento lúdico, arrancou o primeiro painel, «Viver o Desporto: Sonho, Suor e Futuro», com Tomás Appleton, capitão da Seleção Nacional de Râguebi, e Duba Barradas, campeão mundial e europeu de muay thai e fundador do Cascais Fight Center. A conversa foi moderada por Leonor Wicke, coordenadora editorial da revista Líder.

Tomás Appleton confessou que nunca teve grandes expectativas em relação à carreira, mas que «a vida fluiu». Hoje, diz, não consegue imaginar os seus dias sem râguebi. Para o atleta, os valores e os princípios fazem parte do ADN da modalidade. Além de jogador, é médico dentista, mas acredita que a resiliência que o define nasceu precisamente no desporto que pratica desde pequeno.

Tomás Appleton, capitão da Seleção Nacional de Râguebi.

Já Duba Barradas recordou o percurso no Bairro da Cruz Vermelha, onde cresceu, e como acabou por descobrir nos desportos de combate a sua vocação. «Foi no desporto de combate que me encontrei e que comecei a tirar o melhor de mim», afirmou. Mas acrescenta que o caminho não se fez sozinho: «As pessoas que tenho à volta ajudam-me imenso». O apoio de quem acreditou nele permitiu-lhe «desbravar caminho» até se tornar campeão mundial.

Para chegar longe, Appleton acredita que o talento é importante, mas tem uma visão particular sobre o sucesso. «Não é só a vitória. É estar todos os dias às seis da manhã no Jamor para treinar». Já Duba destaca a «consistência» como ingrediente essencial para atingir o topo.

Sobre oportunidades no desporto, Appleton considera que o caminho está a ser feito e que «a sociedade está a perceber cada vez melhor a importância do desporto no crescimento de todos». Ainda assim, questiona se Portugal está preparado para um nível crescente de profissionalização.

No que toca às novas gerações, Duba acredita que os jovens têm hoje «muita informação». Appleton concorda que os novos jogadores surgem com melhor preparação física, mas aponta um risco: as redes sociais podem diluir a compreensão de que «o sucesso leva tempo e trabalho».

Duba Barradas, campeão mundial e europeu de muay thai e fundador do Cascais Fight Center.

Para descontrair o ambiente, dois alunos de Duba, Pedro e Francisca, fizeram uma breve demonstração de muay thai. Regressando à conversa, Duba sublinhou que «quando se passa por desilusões desportivas em tenra idade, aprende-se a lidar melhor com os falhanços quando se é adulto». Já o capitão dos Lobos destacou o papel fundamental dos pais no seu percurso e recordou que muitos colegas «abdicaram do talento para seguir outros caminhos».

Nos conselhos finais, Duba destacou a importância da persistência e de dar valor à atividade que se pratica. Appleton aconselhou os jovens a «definir objetivos desde cedo» e deixou uma reflexão: para ter «um terço de dias bons é preciso dois terços de dias médios e maus».

No final do painel, Appleton ensinou Duba Barradas e Leonor Wicke a lançar uma bola de râguebi. A bola, autografada pelo jogador, acabou por voar para as mãos mais rápidas da plateia.

Seguiu-se a flash talk O teu dinheiro, o teu futuro. Uma conversa que pode mudar tudo, com Nuno José Oliveira, diretor de desenvolvimento de produtos de recursos e seguros do Bankinter.

Logo no início, deixou uma ideia clara: o dinheiro importa porque «dá liberdade de escolha» e pequenas decisões tomadas hoje podem ter impacto no futuro. Depois lançou um desafio à plateia: «Se tivessem mil euros, o que fariam? Gastavam tudo ou investiam?» A maioria escolheu investir, embora alguns admitissem gastar quase tudo.

Entre os erros mais comuns, apontou gastar todo o dinheiro ou cair no FOMO — a necessidade de ter sempre o último gadget ou produto da moda. Outro erro frequente é simplesmente não investir.

Nuno José Oliveira, diretor de desenvolvimento de produtos de recursos e seguros do Bankinter.

Para gerir melhor o dinheiro, explicou, é preciso equilíbrio. «Cerca de 70% deve ir para necessidades e 30% para desejos», recomendou, sublinhando que parte desse valor deve ser poupado. As três regras fundamentais são simples: gastar com responsabilidade, poupar e investir. «Ponham o dinheiro a trabalhar para vocês. Não deixem o dinheiro debaixo do colchão. O segredo? Os juros compostos.»

Existem também ferramentas que podem ajudar nesta gestão, desde orçamentos pessoais a planos e produtos de investimento. «Procurem informar-se», aconselhou.

«Há vida para além do ecrã»

A primeira parte do programa terminou com o debate «Entre o feed e a vida real: ser visto, seguido e estar protegido», com João Francisco Lima, fundador da MindMatch, Inês Marinho, fundadora da associação Não Partilhes, e Tito de Morais, fundador do MiudosSegurosNa.Net e cofundador do Agarrados à Net. A moderação voltou a estar a cargo de Catarina Silva.

Tito de Morais defendeu que os pais devem expor menos os filhos nas redes sociais e sublinhou a importância do acompanhamento desde cedo no uso da internet. Para o especialista, a educação para a cidadania digital deve começar cedo e evoluir à medida que os jovens ganham autonomia.

Inês Marinho lembrou que partilhar faz parte da natureza humana e que as redes sociais são apenas mais um espaço onde essa intimidade se manifesta. No entanto, alertou para os riscos quando conteúdos íntimos são divulgados sem consentimento. Muitas vítimas acabam por mudar de escola ou de cidade, ou até deixar de falar sobre o que aconteceu. Nesses casos, aconselha a procurar ajuda de um adulto e denunciar às autoridades.

Inês Marinho, fundadora da associação Não Partilhes.

Também destacou a importância de reconhecer sinais de alerta: jovens que deixam de aparecer, que se isolam ou que começam a publicar conteúdos mais depressivos ou violentos. «Às vezes basta perguntar: está tudo bem?», disse.

Sobre como recuperar o controlo do tempo nas redes sociais, Tito de Morais sugeriu começar por medir o tempo de utilização do telemóvel e definir metas progressivas de redução. «Há vida para além do ecrã», lembrou.

João Francisco Lima acrescentou que é importante perceber porque se quer reduzir o tempo online e substituir esse hábito por outras atividades que tragam energia e significado.

João Francisco Lima, fundador da MindMatch.
Tito de Morais, fundador do MiudosSegurosNa.Net e cofundador do Agarrados à Net.

Já Inês Marinho reforçou a mesma ideia: procurar atividades fora do telemóvel que tragam felicidade e equilíbrio.

«Comparison is the killer of joy» 

O tema da presença online e redes sociais foi constante ao longo do evento. A conversa O ChatGPT não é um psicólogo contou com Francisco Soares, Cofundador da Ivory Therapy, e João Nuno Faria, Psicólogo Coordenador do Núcleo de Intervenção no Comportamento Online no PIN. 

O psicólogo começou por fazer uma comparação improvável: terapia através do ChatGPT e móveis do IKEA. O modelo de linguagem de IA vai entregar uma terapia igual para todos, sem adaptação ou personalização. «Uma terapia ChatGPT é uma terapia one size fits all», concluiu. 

Francisco partilhou o que o levou a criar a Ivory Therapy, o facto de ter passado por um período difícil relativamente à sua saúde mental e que cunhou todo o propósito da marca. «As redes sociais contribuem para uma comparação constante. Comparison is the killer of joy», lembrou à jovem audiência. 

João Nuno Faria garantiu: «As pessoas com mais problemas de saúde mental são as que passam mais tempo nas redes sociais, para se proteger do que estão a sentir». 

Seguiu-se a flash talk Lideras a tua vida ou estás em piloto automático?, protagonizada por Mariana Teixeira, do Global Shapers WEF – Hub de Lisboa. A jovem trouxe uma reflexão sobre a constante pressão para medir a produtividade de todos os aspetos da nossa vida. 

«Crescemos numa sociedade que diz que é mais importante sermos produtivos e eficientes antes de sermos humanos. Vivemos num mundo em que tudo se mede: sono, calorias, passos», referiu. 

Como tal, reforçou que a solução não passa por encontrar um equilíbrio perfeito. «O líder do futuro não é o que vai mais longe e mais alto, é o que é mais humano e vai com propósito!» 

 

Diógenes é chill? A Filosofia Antiga chegou à Geração Z 

A talk Bora pensar: lições de liderança da filosofia antiga, com David Erlich, Professor do Ensino Secundário, Mestre em Filosofia e em Ensino de Filosofia. 

O Professor utilizou conceitos e temáticas da Geração Z para fazer uma analogia com a Filosofia Antiga. Tales de Mileto – farming de aura, Sócrates – no cap, Diógenes – chill, as lições antigas atravessaram gerações e adaptaram-se aos dias de hoje. 

À jovem audiência, deixou três desafios: «Encontrar um sentido, propósito, sobre o que estamos a fazer, não esquecer a importância de perguntar e parar para pensar e conversar com um amigo.» 

O último debate do dia foi A guerra já não é longe, que levou a palco Carlos Manuel Mendes Dias, Coronel do Exército, e Vânia Guerreiro, Comandante do Corpo de Alunos da Escola Naval. Com moderação de Marcelo Teixeira, Jornalista da Líder. 

O Coronel começou por relembrar que, apesar de parecer que as guerras no mundo se intensificaram nos últimos anos, estes conflitos fazem parte da História. «Nem na missa desejamos a nossa paz. A paz dos homens é passageira e circunstancial, ela não é eterna», explicou. 

Relembrou que «a guerra tem componentes militares e não militares» e que a tecnologia tem mudado muitos setores. «Não queremos morrer na guerra, mandamos robots e drones que morram por nós». 

A Comandante Vânia Guerreiro lida diariamente com futuros soldados e garante que os modelos de formação dos oficiais ainda «são do passado». Explicou que as próprias organizações têm de se agarrar à evolução tecnológica e reestruturar as suas abordagens. O seu conselho para quem quer seguir esta profissão é perentório: «Ter coragem para superar as adversidades; quem vem para esta vida tem de vir por convicção.»

Carlos Manuel Mendes Dias acrescentou: «Não se limitem a gerir, construam a sociedade do futuro. A estatística não é vencer, é conhecimento».

A programação terminou com o desafio Next Voice: Geração depois do amanhã, que levou a palco os pitches de cinco jovens sobre o tema Fake News e Democracia. A audiência escolheu a vencedora, Lady Mello, aluna do 10º ano da Escola Secundária Fernando Lopes Graça. 

Pedro Morais Soares, Vereador da Câmara Municipal de Cascais, encerrou o evento, lembrando que os jovens do concelho são o futuro e têm muito para trazer.

 

Tenha acesso à galeria de imagens do evento aqui.  

Todos os momentos da Leadership Next Gen estão disponíveis na Líder TV e no canal 560 da NOS. 

Arquivado em:Artigos, Leadership, Notícias

Apostas em Portugal: quem joga, quanto gasta e porquê

17 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Um mercado em expansão contínua

Portugal legalizou o jogo online em 2015. Desde então, o mercado cresceu de forma consistente. Atualmente existem quase cinco milhões de contas registadas em plataformas legais, um número impressionante para um país com pouco mais de dez milhões de habitantes.

O volume financeiro envolvido também ilustra esta expansão. Em 2025, o total de apostas online ultrapassou os 23 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 63 milhões de euros apostados por dia.

Mesmo em 2024, o valor já era recorde: os portugueses apostavam em média cerca de 56 milhões de euros por dia em plataformas digitais.

Este crescimento trouxe também receitas fiscais significativas para o Estado, que arrecada centenas de milhões de euros por ano em impostos sobre o jogo online.

No entanto, os números escondem uma realidade complexa: embora o montante apostado seja elevado, grande parte desse dinheiro corresponde a valores reinvestidos pelos jogadores depois de ganhos anteriores. Ainda assim, o crescimento do setor levanta questões sobre hábitos de consumo e riscos de dependência.

As apostas mais populares

O universo das apostas em Portugal divide-se sobretudo entre dois grandes segmentos: jogos de casino online e apostas desportivas.

Os dados mostram que os jogos de casino representam cerca de 63% da receita do setor, enquanto as apostas desportivas correspondem a cerca de 37%.

Dentro dos jogos de casino, existe um claro domínio: slots (máquinas virtuais) – cerca de 80% do volume de apostas; banca francesa; roleta.

Nas apostas desportivas, o futebol domina amplamente, representando cerca de 75% das apostas. As competições que concentram mais volume incluem: Primeira Liga portuguesa; Premier League inglesa; Liga dos Campeões.

Este padrão revela duas tendências: a digitalização do jogo tradicional de casino e a ligação emocional dos apostadores ao futebol.

Quem aposta em Portugal

O perfil demográfico do apostador português mudou ao longo da última década. Se no passado o jogo estava associado a casinos físicos ou a raspadinhas, hoje o perfil é mais jovem e digital. Segundo dados oficiais do regulador do setor, 77% dos jogadores têm menos de 45 anos e o grupo que mais cresce está entre os 18 e os 24 anos.

Este dado é significativo. Indica que as apostas online estão profundamente ligadas à cultura digital e às plataformas móveis, onde a facilidade de acesso reduz barreiras de entrada.

Além disso, muitos jogadores não se limitam a um tipo de jogo. Cerca de 41% combinam apostas desportivas com jogos de casino online, alternando entre diferentes formas de apostar.

 

Quanto se gasta

Apesar dos montantes globais elevados, o gasto individual varia bastante. Estudos indicam que a maioria dos jogadores online gasta até 50 euros por mês.

No entanto, uma pequena percentagem de jogadores concentra uma fatia significativa das perdas, fenómeno comum em mercados de jogo. Este grupo inclui apostadores mais frequentes ou pessoas com comportamentos de risco.

Outro dado preocupante prende-se com o jogo ilegal. Estima-se que cerca de 41% dos jogadores utilizem plataformas não licenciadas, muitas vezes sem saber que são ilegais.

Isso significa que uma parte significativa do mercado opera fora das regras de proteção ao consumidor.

 

Entre entretenimento e risco social

Para muitos portugueses, apostar é visto como entretenimento — uma extensão da emoção do desporto ou um passatempo ocasional. No entanto, especialistas alertam que a combinação entre facilidade de acesso, publicidade intensa e recompensas imediatas pode criar condições para comportamentos compulsivos.

O desafio das autoridades passa por equilibrar três fatores: receita fiscal do setor; liberdade de consumo; proteção contra o jogo problemático.

A discussão pública sobre limites à publicidade, mecanismos de autoexclusão e educação financeira começa a ganhar espaço, sobretudo à medida que o número de jogadores aumenta.

Um fenómeno que espelha o tempo em que vivemos

O crescimento das apostas em Portugal não é apenas um fenómeno económico; é também um reflexo da sociedade contemporânea. Num mundo digital, rápido e imprevisível, apostar oferece uma promessa sedutora: transformar um momento de sorte em ganho imediato.

Mas a realidade estatística lembra que, na maioria dos casos, a casa continua a ganhar.

E talvez seja precisamente aí que reside o verdadeiro debate: perceber se o jogo online é apenas mais uma forma de entretenimento moderno ou se representa um risco social que ainda estamos a aprender a medir.

Arquivado em:Nacional, Notícias

O seu apelido está nesta lista? Estes são dos mais comuns do mundo

16 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Bases de dados demográficas internacionais e projetos de análise de apelidos indicam que os nomes de família mais comuns tendem a surgir em países muito populosos ou em regiões com forte tradição de transmissão de apelidos ao longo de várias gerações. Plataformas de estudo genealógico como a Forebears e o projeto académico WorldNames Public Profiler cruzam dados de censos, registos civis e estatísticas nacionais para estimar quantas pessoas usam cada apelido.

Os resultados mostram uma forte predominância asiática no topo da lista, sobretudo devido à dimensão da população da China.

 

Entre os apelidos mais comuns do mundo

Com base nessas estimativas demográficas, estes estão entre os apelidos mais difundidos globalmente:

  1. Wang
  2. Li
  3. Zhang
  4. Nguyen
  5. García
  6. Hernández
  7. Smith
  8. Müller
  9. Silva
  10. Singh

Os três primeiros pertencem a centenas de milhões de pessoas na China. O apelido Wang, por exemplo, é frequentemente apontado como o mais comum do mundo, podendo ultrapassar os 100 milhões de pessoas.

 

Apelidos que refletem a história de cada país

A origem destes nomes revela muito sobre a cultura e a história das sociedades onde surgiram. Em países de língua espanhola, apelidos como García ou Hernández têm origem patronímica, ou seja, derivam do nome de um antepassado. O mesmo acontece com Smith, muito difundido no mundo anglófono e originalmente associado a uma profissão — ferreiro.

Já Singh, extremamente comum na Índia, tem raízes históricas na comunidade sikh e significa ‘leão’, tendo sido adotado por milhões de pessoas ao longo dos séculos.

Outro caso curioso é Nguyen, dominante no Vietname. Estima-se que cerca de 40% da população vietnamita tenha este apelido, resultado de mudanças históricas de dinastias e da adoção massiva do nome ao longo do tempo.

 

Um apelido português entre os mais comuns

Entre os nomes de família mais difundidos aparece também Silva, muito frequente em Portugal e especialmente no Brasil.

O apelido tem origem latina — ‘silva’ significa floresta ou bosque — e tornou-se um dos mais populares do mundo devido à expansão demográfica brasileira e à história colonial portuguesa.

 

Um retrato da população mundial

Os apelidos mais comuns ajudam também a traçar um retrato demográfico do planeta. Países com grandes populações ou tradições de apelidos mais concentrados acabam por dominar estas listas.

Ainda assim, especialistas sublinham que os rankings são estimativas baseadas em diferentes fontes nacionais. Como não existe uma base de dados global única de apelidos, os números podem variar consoante a metodologia utilizada.

Mesmo assim, alguns nomes de família tornaram-se verdadeiros fenómenos globais, ligados a milhões de histórias humanas espalhadas por todo o mundo.

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias

«A maior bolha que temos de rebentar é mental», realça João Maria Botelho

16 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Jurista, empreendedor, Forbes Under 30 e fundador da Generation Resonance, uma plataforma de jovens líderes, João Maria Botelho rejeita a romantização simplista do sucesso e defende uma liderança jovem com densidade — mais competente do que performativa, mais institucional do que mediática. Nesta entrevista exclusiva à LÍDER, explica o que o inspira, como Portugal forma jovens ambiciosos e de que forma se constrói credibilidade sem perder o propósito.

 

De que necessidade ou lacunas surgiu o podcast ‘Fora do Lugar’?

O Fora do Lugar nasceu de uma inquietação simples: as palavras estão a perder peso. Hoje ouvimos ‘inovação’, ‘liderança’, ‘sustentabilidade’, ‘propósito’ em todo o lado — em conferências, em relatórios, em campanhas institucionais, em outdoors. São palavras fortes. Mas quando tudo é inovação, nada é verdadeiramente inovador. Quando tudo é liderança, a liderança dilui-se. As palavras, como a roupa usada em excesso, começam a perder cor. Senti que era preciso devolver densidade ao discurso.

Assim este projeto surge como uma plataforma estratégica que pretende dar consequência às palavras. Um lugar onde conceitos são testados pela experiência real de quem decide, constrói, investe, assume risco e representa Portugal dentro e fora do país.

Há também uma convicção que temos pessoas extraordinárias em Portugal e na diáspora portuguesa. Temos talento, capacidade de trabalho, dinamismo. O povo português é resiliente, criativo e adaptável. Mas, durante demasiado tempo, habituámo-nos a uma narrativa de periferia, à margem do centro decisório europeu ou global.

Eu não vejo Portugal como uma periferia. Vejo-o como um país com uma sólida posição estratégica. Somos a porta de entrada na Europa. Somos ponte atlântica e janela para vários continentes. Temos história, cultura, língua, rede e capital humano.

O Fora do Lugar nasce dessa necessidade de articulação. De sentar à mesma mesa líderes empresariais, decisores públicos, empreendedores e jovens com ambição estruturada. Não apenas líderes pelo cargo que ocupam, mas pelo peso que têm.  Num momento em que as pessoas parecem cada vez mais desligadas umas das outras, das instituições, da ideia de projeto coletivo — queremos promover conversas com densidade e propósito. Conversas que não fiquem na superfície e questionem como é que Portugal pode posicionar-se nos próximos 10 ou 15 anos.

Nós, jovens, não podemos limitar-nos a repetir palavras. Temos de lhes dar conteúdo. Somos a geração que vai assumir empresas, instituições, estruturas públicas. Se não começarmos já a articular setor público e privado, empresas e sociedade civil, dificilmente levaremos o país a um patamar mais competitivo e mais relevante.

No fundo, o podcast nasce para reforçar a ideia de que Portugal tem escala quando tem ambição coordenada. E que as palavras só recuperam significado quando são acompanhadas de ação.

 

Que tipo de palco é Portugal, neste momento, para jovens profissionalmente ambiciosos?

Portugal é, para muitos, casa. É conforto e rede de apoio. É identidade – mas para muitos jovens é também frustração, precariedade, sensação de limite. E esta dualidade precisa de ser assumida com honestidade.

Temos talento e formação de qualidade. Há capacidade científica, empresarial e criativa reconhecida lá fora. Somos fortes no mar, na economia azul, na inovação tecnológica, na diplomacia multilateral, na ciência, na educação. E, no entanto, continuamos muitas vezes a agir como se estivéssemos na periferia do debate europeu ou global. nEsse é um dos nossos paradoxos.

Há uma espécie de síndrome silencioso que nos acompanha, uma tendência para achar que os outros fazem melhor, que os centros de decisão estão sempre fora, que a escala relevante nunca é a nossa.

Essa mentalidade limita-nos mais do que qualquer constrangimento estrutural. Ao mesmo tempo, é impossível ignorar a realidade: muitos jovens continuam a sair do país por falta de condições, por precariedade prolongada, por ausência de oportunidades alinhadas com a sua preparação. Não porque sair seja errado — mobilidade é riqueza — mas porque muitas vezes não é uma escolha; é uma necessidade.

Ainda recentemente, num encontro com a Ministra da Juventude, num summit da Forbes, discutíamos precisamente isto: como criar condições para que ficar seja uma opção atrativa e não um sacrifício? Como transformar Portugal num espaço onde a ambição encontra estrutura? Precisamos de ambicionar um Portugal diferente. Um Portugal dinâmico.  O palco português, hoje, é um palco em redefinição e, para um jovem ambicioso, pode ser simultaneamente desafiante e cheio de potencial. O mercado é menor, as estruturas podem ser mais lentas, o acesso a capital nem sempre é simples. Mas há proximidade institucional, há capacidade de influência real, há espaço para construir com impacto visível.

Se queremos um país mais competitivo, mais inovador e mais justo, não podemos esperar que alguém o faça por nós. A geração que hoje questiona as condições é a mesma que amanhã terá de criar alternativas.

A bolha que os jovens devem rebentar é social, cultural, económica ou mental?

Se tivesse de escolher apenas uma, diria que é mental. Mas essa resposta exige explicação.

A bolha social existe. Portugal ainda funciona muito por círculos, por redes fechadas. Quem nasce fora desses círculos sente que precisa de mais tempo, mais esforço e mais prova. A bolha económica também existe. O acesso a capital, a oportunidades de escala e a estabilidade financeira não é igual para todos. E a bolha cultural manifesta-se numa certa aversão ao risco e numa tendência para valorizar a previsibilidade.

Mas nenhuma dessas bolhas é tão limitadora quanto a mental. A bolha mental é a ideia de que determinados lugares não são ‘para nós’. É a auto limitação que se instala antes mesmo de haver uma barreira objetiva. E essa é a mais perigosa, porque não depende do contexto externo, depende da forma como interpretamos esse lugar.

O maior entrave é acreditar que o horizonte que vemos é o único possível. Peço aos jovens que não aceitem o primeiro limite que lhes aparece e aos empresários que não confundam estabilidade com teto máximo. Peço a ambos que questionem se estão onde querem estar ou apenas onde aprenderam a ficar. O desconhecido assusta. Mas também é onde começa a expansão.

O lugar constrói-se. Não depende apenas das circunstâncias externas. Depende de preparação, de ‘risco calculado’, de exposição a contextos diferentes. Depende de aceitar o desconforto de tentar algo que ainda não dominamos e essa conquista começa sempre na nossa cabeça.

 

Achas que, para ascender na carreira, é necessário estar sempre fora do lugar? Ou há uma dose de ‘pés na terra’ que é recomendável?

Quando evocamos a expressão Fora do Lugar, não pretendemos enaltecer a instabilidade nem legitimar qualquer forma de disrupção irrefletida. Pelo contrário, a designação traduz um posicionamento intelectual e estratégico: celebra-se a capacidade de pensar antes do consenso se formar, de decidir antes de surgir validação externa e de construir antes de existir um modelo consolidado. Trata-se de reconhecer o valor daqueles que, em momentos determinantes, assumiram a responsabilidade de agir sem precedentes claros, guiados por visão estruturada e não por mera impulsividade.

O podcast nasce, assim, para escalar a visibilidade a líderes que, em fases críticas do seu percurso, se encontraram ‘fora do lugar’. São protagonistas que desafiaram o previsível, abriram setores até então inexistentes, criaram mercados, internacionalizaram organizações e assumiram riscos reputacionais significativos quando a alternativa mais cómoda seria a manutenção do status quo. O que os distingue não é a excentricidade, mas a capacidade de transformar intuição estratégica em arquitectura de execução.

As conversas que promovemos reúnem CEOs, fundadores, líderes empresariais e change-makers que realmente compreendem a liderança como responsabilidade estrutural. Operam na interseção entre estratégia, cultura organizacional e impacto económico efetivo, conscientes de que decisões estruturantes moldam ecossistemas empresariais e influenciam cadeias de valor alargadas.

Celebrar os ‘fora do lugar” implica reconhecer o pioneirismo como força produtiva. Significa valorizar quem ultrapassou os limites do instituído, redesenhou modelos de negócio e construiu pontes entre geografias distintas. Particular relevo assume o espaço lusófono, onde a partilha de língua pode transcender a afinidade cultural e converter-se numa rede estratégica de confiança, capital relacional e cooperação económica.

A combinação entre visão e execução emerge aqui como eixo central. Em última instância, o que se pretende é evidenciar uma liderança com densidade conceptual e impacto estrutural. Uma liderança que assume o risco com cálculo, que pensa para além do imediato e que entende que o verdadeiro legado na capacidade de estruturar o futuro. É nesta articulação entre antecipação estratégica e construção consistente que o Fora do Lugar encontra a sua razão de ser e afirma a sua relevância no panorama empresarial contemporâneo.

 

O sucesso profissional vem muitas vezes aliado a uma romantização do percurso e das aspirações pessoais. Pensas que existe uma pressão para ‘ter uma história inspiradora’?

Existe hoje uma pressão clara para ter uma história. Não apenas um percurso, mas uma narrativa. Vivemos num tempo em que o sucesso quase exige enquadramento. Não basta fazer. É preciso explicar, estruturar, transformar em história coerente. E, muitas vezes, inspiradora. O problema é que essa lógica começou a contaminar até o fracasso.

O fracasso tornou-se parte do pitch. Uma etapa numa narrativa calculada. Algo que se menciona numa conferência ou num slide para provar resiliência. Como se tivesse sido necessário, quase planeado.A realidade é diferente. Claro que fracassar não é elegante, não é confortável, não é linear. É desorganizado, ambíguo e, muitas vezes, solitário. E não tem sempre um final redentor, mas faz parte.

A maior parte dos líderes empresariais que conhecemos falhou várias vezes. Projetos que não avançaram. Investimentos que não resultaram. Expansões que ficaram aquém. Decisões tomadas com informação incompleta. No momento, não era uma história bonita. Era um risco que podia ter corrido mal.

Hoje fala-se muito de sucesso e fracasso como categorias absolutas. Mas o que é sucesso? O que é fracasso? Depende de quem observa e de quando observa. Um projeto que não resultou pode ter sido o passo necessário para uma decisão mais madura mais tarde. Um negócio que correu bem pode ter sido apenas circunstância favorável. O que me preocupa é a romantização superficial.

Não precisamos de glorificar o fracasso nem de o transformar em medalha. Precisamos de normalizá-lo como consequência de quem tenta.

Se queremos incentivar mais pessoas a criar empresas, a assumir risco, a sair da zona confortável, temos de retirar o estigma do erro. O problema não é falhar. É não aprender. É não ajustar. É não voltar a tentar. Talvez a conversa deva mudar. Em vez de perguntarmos ‘qual é a tua história inspiradora?’, devíamos perguntar ‘que decisões difíceis assumiste quando não tinhas garantias?’.

 

Devem os fracassos integrar a conversa sobre sucesso?

Devem. Mas não como ‘nota de rodapé’. Toda a gente já falhou em alguma coisa. A diferença é que alguns falharam em público e outros em silêncio. Quando ouvimos CEOs e líderes com décadas de percurso, a imagem que temos é a do resultado final. A empresa consolidada. A marca reconhecida. A posição alcançada. O que raramente vemos são as decisões que correram mal, os projetos que não avançaram, os ‘quase’ que nunca chegaram a ser. E, no entanto, muitas vezes foi aí que tudo começou.

Há líderes que criaram a própria empresa depois de terem sido afastados. Há negócios que nasceram depois de um investimento falhado. Há marcas que ganharam identidade porque o plano inicial não resultou. O fracasso, quando é enfrentado com lucidez, obriga a clareza. Obriga a perguntar: afinal, o que é que eu quero construir? Onde é que errei? O que é que tenho de fazer diferente? É isso que nos interessa ouvir.

Sucesso aos 30 não é o mesmo que sucesso aos 50. Para uns é crescimento rápido. Para outros é estabilidade. E aquilo que hoje parece vitória pode, daqui a uns anos, parecer apenas uma etapa intermédia.

Talvez devêssemos falar menos de ‘histórias de sucesso’ e mais de percursos reais. Percursos com desvios, hesitações, mudanças de rota. Porque é assim que quase todos constroem algo com substância.

Falar disso com honestidade muda a conversa. Tira peso a quem está a começar. Integrar o fracasso na narrativa do sucesso exige sobriedade. Reconhecer o erro, assumir a responsabilidade, aprender e continuar. Porque ninguém constrói algo relevante sem ter enfrentado momentos em que pensou desistir.

 

Que tipo de liderança precisamos de normalizar entre os jovens?

Primeiro, a ideia de que liderança não é um traço místico. É uma competência treinável. Há pessoas com maior predisposição natural para comunicar ou influenciar. Mas, depois de ter estado em múltiplos palcos, fóruns institucionais e conversas com CEOs de diferentes setores, percebi uma coisa simples: quase tudo é treino. Liderar é prática. É exposição. É errar na forma como se comunica e corrigir. É aprender a decidir sob pressão. Não é algo com que se nasce acabado.

Precisamos também de desmontar outra ideia. Liderar não é mandar.  Liderança séria é responsabilidade sobre pessoas. É saber ler uma equipa. Perceber onde cada pessoa pode render mais. Alocar talento com inteligência. Criar ambiente de exigência sem criar ambiente de medo. Num contexto corporativo, isso torna-se ainda mais relevante. Equipas não são linhas num organograma. São pessoas com ritmos, ambições e fragilidades diferentes. Liderar é coordenar essas diferenças com propósito comum.

Há ainda uma dimensão que me preocupa. Vivemos num mundo hiperconectado digitalmente e, paradoxalmente, cada vez mais desconectado presencialmente.

Vejo jovens com enorme capacidade técnica, mas com dificuldade em ler a sala, perceber a energia de uma reunião, interpretar silêncio ou hesitação.

A liderança deste século terá de ser profundamente humana. Criar confiança presencial, não apenas reputação online. Tenho 24 anos e digo isto sem dramatismo: muitos jovens têm talento extraordinário, mas precisam de desenvolver presença, disciplina e capacidade de foco. Normalizar este tipo de liderança significa dizer aos jovens que podem aprender a liderar. Que exige dedicação, interesse genuíno e sentido de propósito. E que, no fim, liderar é servir uma visão maior do que o próprio ego.

Mas há outra dimensão que considero essencial e que raramente é enfatizada: liderança é construção de pontes. Não acredito numa liderança jovem baseada na rutura permanente. Acredito numa liderança que sabe colaborar, que sabe trabalhar com parceiros diferentes, que constrói redes reais.

Qual foi o momento em que sentiste que estavas fora do teu lugar e o que aprendeste com isso?

Talvez a resposta mais honesta seja esta: muito cedo.Nunca acreditei particularmente em sonhos no sentido abstrato da palavra. Sempre acreditei em objetivos. Sonhos podem ser vagos; objetivos exigem compromisso. Desde pequeno que me sentia, de certa forma, desalinhado com o que era esperado para a minha idade — pelas conversas que procurava ter, pelos temas que me interessavam, pela ambição que assumia sem grande filtro.

Enquanto muitos viam o tempo livre como pausa, eu via-o como possibilidade. Gostava de o investir em projetos, em ideias, em iniciativas que pudessem, de algum modo, melhorar a vida de outros. Sentia-me fora do lugar nas salas que não desafiavam. Procurava ambientes onde as discussões fossem mais densas, onde os tópicos fossem maiores do que eu. Esse sentimento não vinha de exclusão. Vinha de inquietação.

A educação que tive foi decisiva. Cresci num contexto familiar onde a ambição nunca foi desvalorizada. Nunca me disseram para abrandar para ‘não parecer demais’. Nunca me ensinaram a encolher para caber. Pelo contrário, os meus pais e a minha família alimentaram essa vontade de fazer, de tentar, de construir. Acreditaram em mim antes de qualquer validação externa existir. Significou também aprender que nem sempre é preciso falar. Que há momentos para intervir e momentos para ouvir. Que agregar é mais importante do que impressionar.

No fundo, ser fora do lugar é procurar mais, procurar melhor, procurar impacto. E fazer isso com trabalho, com disciplina e com a consciência de que crescer é acrescentar valor.

 

Que conselhos deixas para os jovens que querem ‘rebentar a bolha’?

Se tivesse de simplificar, diria isto: Mais trabalho em equipa.  O primeiro conselho é simples e pouco glamoroso: trabalhem. Trabalhem mais do que aquilo que vos é pedido. Aprendam continuamente. Invistam tempo em ganhar competências reais. Não há atalho que substitua a preparação.

O segundo é resiliência. O ‘não’ raramente é definitivo. Na maior parte das vezes, é apenas um ‘não agora’. É um contexto que ainda não está preparado.

O terceiro é não perder a fé nas pessoas. É fácil desacreditar das instituições, dos colegas, dos parceiros. Mas ninguém constrói nada sozinho. Vivemos num mundo profundamente interligado. Gostamos de falar de autonomia, mas a verdade é que somos interdependentes.

E há uma mensagem particular para Portugal: precisamos de acreditar mais nos nossos jovens. Nos nossos jovens empresários. Nos que querem inovar, criar empresas, desenvolver projetos aqui. Manter talento no país é uma questão de confiança coletiva.

O Fora do Lugar nasce também com esse propósito: ser um espaço seguro para pioneiros. Para quem quer adquirir mais competências, compreender melhor o mercado, perceber como Portugal pode evoluir nos próximos 10 ou 15 anos. É para os que já sabem que são ‘fora do lugar’. Para os que ainda não perceberam que o são. E para aqueles que sentem essa inquietação e querem transformá-la em ação.

 

Pode assistir aos episódios do podcast aqui.

 

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

A armadilha dos CEOs de primeira viagem

16 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Uma análise recente da consultora Korn Ferry mostra que as empresas lideradas por CEOs de primeira viagem tendem, pelo menos no curto prazo, a ter desempenhos financeiros mais fracos do que aquelas que escolhem líderes experientes. Em média, as empresas que contrataram um CEO estreante registaram um retorno anual de cerca de 16,3%, enquanto as lideradas por executivos que já tinham ocupado o cargo atingiram 36,3%. Apesar disso, cerca de 80% das empresas continuam a escolher líderes sem experiência prévia como CEO.

O fenómeno levanta uma pergunta incómoda: será que a aposta na renovação está a prejudicar o desempenho das organizações?

O salto mais difícil da carreira

Mais do que um degrau na hierarquia empresarial, o recém-nomeado prepara-se para encontrar uma mudança de natureza. Muitos executivos passam décadas a liderar departamentos ou divisões, mas o cargo máximo exige uma visão muito mais ampla da organização e do ambiente externo.

Outra investigação conduzida pela Korn Ferry com dezenas de CEOs recém-nomeados mostra que muitos descobrem rapidamente que o cargo é muito diferente do que imaginavam. As exigências do conselho de administração, a pressão dos investidores e o escrutínio público criam um ambiente de responsabilidade constante.

O impacto psicológico também é significativo. Um dos choques mais frequentes é o da visibilidade: todas as decisões são analisadas, comentadas e, muitas vezes, criticadas. Para um líder acabado de chegar ao cargo, isso pode significar uma perda súbita de controlo sobre a narrativa da empresa e até sobre a própria imagem pública.

O problema da preparação

Um dos pontos mais sublinhados nos estudos sobre liderança executiva é o chamado ‘gap de preparação’. Mesmo executivos que passaram anos a preparar-se para o cargo admitem que a transição é mais complexa do que antecipavam.

Em muitos casos, CEOs novatos entram em funções com a expectativa de promover mudanças rápidas e provar o seu valor. Assim, o resultado pode ser o contrário: decisões precipitadas, reformas demasiado ambiciosas ou conflitos com o conselho de administração e com a estrutura interna da empresa.

Este problema surge num contexto em que o próprio cargo se tornou mais instável. A duração média de um mandato de CEO tem vindo a diminuir e a pressão sobre os líderes empresariais é cada vez maior, alimentada por crises geopolíticas, transformação tecnológica e volatilidade económica.

A vantagem dos candidatos internos

Curiosamente, os dados indicam que nem todos os CEOs de primeira viagem têm o mesmo desempenho. Aqueles que são promovidos dentro da própria empresa tendem a ter resultados mais sólidos.

Segundo a análise da Korn Ferry, líderes promovidos internamente registaram cerca de 20% de crescimento no preço das ações, superando os CEOs externos sem experiência prévia no cargo. A razão incide por estes nomeador conhecerem melhor a cultura da empresa, os seus processos e os principais stakeholders.

Para os conselhos de administração, investir na formação de futuros líderes dentro da organização pode ser mais eficaz do que procurar soluções externas de última hora.

O fator humano da liderança

Outros estudos reforçam a ideia de que a experiência, por si só, não garante sucesso. A investigação sobre liderança executiva mostra que certas características pessoais — como empatia, capacidade de colaboração e abertura ao diálogo — são determinantes para a longevidade de um CEO.

Num estudo sobre sucessão empresarial, executivos com baixos níveis de empatia tinham 94% mais probabilidade de abandonar o cargo nos primeiros três anos. Da mesma forma, líderes menos colaborativos eram quase duas vezes mais propensos a sair cedo das organizações que dirigiam.

Estes dados sugerem que a liderança moderna secundariza experiência técnica ou currículo impressionante. Exige como prioridade a capacidade de gerir relações complexas dentro e fora da empresa.

O valor da experiência diversificada

Há também evidência académica de que o tipo de experiência profissional pode influenciar o desempenho de um CEO. Um estudo recente sobre centenas de líderes empresariais concluiu que executivos com carreiras mais diversificadas — isto é, que passaram por várias funções, setores ou áreas de conhecimento — tendem a gerar melhores resultados financeiros.

Segundo essa investigação, empresas lideradas por CEOs com maior diversidade de experiências profissionais superaram os concorrentes em cerca de 9,8 pontos percentuais ao longo de três anos. A diversidade de percursos parece aumentar a capacidade de adaptação e de tomada de decisões estratégicas em contextos complexos.

Apesar das dificuldades, os especialistas sublinham que apostar em CEOs de primeira viagem não é necessariamente um erro. Muitos destes líderes trazem novas perspetivas, maior abertura à mudança e menos apego a práticas antigas.

O desafio está em encontrar o equilíbrio entre renovação e experiência. Para os conselhos de administração, isso implica planear melhor a sucessão, preparar futuros líderes com antecedência e criar redes de apoio para os executivos que chegam pela primeira vez ao cargo.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Portugal regista 2.051 ciberataques semanais e mantém-se acima da média europeia

15 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Apesar de uma descida de 5% face a março de 2025 e de 4% em relação ao mês anterior, o relatório sublinha que o nível de pressão sobre empresas e instituições continua historicamente elevado. Em Portugal, o cenário de ciberataques mantém-se acima da média europeia, com uma média de 2 051 ataques semanais por organização, cerca de mais 400 ataques do que a média registada na Europa.

Segundo a análise, esta ligeira redução global não representa uma diminuição sustentada do risco, mas antes uma fase de estabilização temporária, num contexto em que os atacantes continuam a ajustar táticas e a explorar novas superfícies de ataque, impulsionados pela automação e pela utilização crescente de inteligência artificial generativa.

A nível global, o setor da Educação manteve-se como o mais atacado, com uma média de 4 632 ataques semanais por organização, seguido da Administração Pública (2 582) e das Telecomunicações (2 554). O relatório destaca ainda o crescimento de 30% no setor de Hospitality, Travel & Recreation, associado ao aumento da atividade antes da época alta de viagens.

Portugal acima da média europeia

Regionalmente, a América Latina lidera o volume de ataques, com 3 054 por organização por semana, seguida da região APAC (3 026) e África (2 722). A Europa regista 1 647 ataques semanais por organização, numa descida de 7%, mas ainda sob forte exposição.

No caso português, os dados mostram uma descida homóloga de 9%, mas mantêm o país acima da média europeia. Educação, Administração Pública e Serviços Financeiros surgem como os setores mais expostos, todos acima da média global, evidenciando uma vulnerabilidade persistente em áreas críticas da economia.

 

Risco associado à GenAI agrava-se e ransomware recupera atividade em março

O relatório alerta ainda para o aumento dos riscos associados à utilização empresarial de ferramentas de inteligência artificial generativa. Em média, 1 em cada 28 prompts apresenta risco elevado de fuga de informação sensível, com 91% das organizações a registarem algum tipo de exposição. Cada utilizador gera, em média, 78 prompts mensais, refletindo a rápida integração destas ferramentas nos fluxos de trabalho.

O ransomware voltou a ganhar força, com 672 ataques reportados globalmente em março, um aumento de 7% face a fevereiro. A América do Norte concentrou 55% dos incidentes, seguida da Europa (24%) e da região APAC (12%). O relatório destaca ainda a fragmentação do ecossistema, com 47 grupos ativos durante o mês, liderados por Qilin, Akira e DragonForce.

Um cenário de risco em evolução constante

A análise conclui que o risco cibernético não diminuiu, mas tornou-se mais dinâmico e distribuído. Apesar da ligeira descida no volume médio de ataques, a pressão mantém-se elevada, com maior complexidade associada à automação, à cloud e à adoção de IA.

A Check Point Research sublinha que estratégias reativas já não são suficientes, defendendo uma abordagem centrada na prevenção, visibilidade e governação contínua dos sistemas digitais.

Arquivado em:Cibersegurança, Notícias

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