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«As empresas devem contribuir para a sociedade porque acabam por ganhar muito», afirma Rita Barrocas

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24 Junho, 2024 | 8 minutos de leitura

Rita Barrocas é a Coordenadora de Responsabilidade Social do Continente, responsável pela Missão Continente, uma iniciativa que já conta com mais de 20 anos e tem sido pioneira em matéria de responsabilidade social corporativa. Só em 2023 foram doados mais de 262 720 euros a instituições de Solidariedade Social, arrecadados com a venda de produtos […]

Rita Barrocas é a Coordenadora de Responsabilidade Social do Continente, responsável pela Missão Continente, uma iniciativa que já conta com mais de 20 anos e tem sido pioneira em matéria de responsabilidade social corporativa.

Só em 2023 foram doados mais de 262 720 euros a instituições de Solidariedade Social, arrecadados com a venda de produtos solidários, nomeadamente os Sacos Solidários e Contos Solidário. Outros projetos contribuíram para doar 30 800 000 euros a mais de mil instituições, em excedentes alimentares das lojas e entrepostos.

Em conversa com a Líder, Rita Barrocas abordou a importância da solidariedade nas organizações, como fomentar a responsabilidade social e quais os desafios deste caminho.

Quais são os maiores desafios em coordenar programas de responsabilidade social?

Eu diria que os maiores desafios têm a ver com a seleção das temáticas que vamos trabalhar e por isso mesmo é que surgiu a iniciativa de criar um Conselho Estratégico que nos apoia na seleção. É uma grande preocupação, garantir que todas as instituições que apoiamos são idóneas e promovemos muito essa transparência e ética.

E por isso mesmo é que avançámos também com o relatório de impacto para mostrar exatamente quais são as instituições que apoiamos, para onde é entregue o valor doado, o que é feito e quais são os resultados.

 

Como é comunicado ao público o envolvimento do Continente em causas sociais? É importante existir transparência e abertura neste processo?

A transparência é um fator essencial no trabalho da Missão Continente. É muito importante haver transparência e abertura em todos os processos de responsabilidade social e de campanhas que fazemos. Procuramos sempre comunicar não só nas lojas onde estão os nossos clientes como também no site e redes sociais.

Também comunicamos internamente com os nossos colaboradores, através dos canais internos que temos e, em alguns casos específicos, tendo em conta a dimensão do projeto, podemos comunicar em televisão, rádio ou imprensa.

 

Que conselhos daria a uma empresa que está a dar os primeiros passos nesta matéria?

Claramente falar com outras empresas que já estejam mais desenvolvidas, pois foi exatamente isso que nós fizemos. Começámos por tentar perceber quais eram as empresas dentro e fora de Portugal, que estavam já mais avançadas nesta área de responsabilidade social e medição de impacto, para percebermos qual o caminho que teríamos de percorrer.

Somente desta forma, e cometendo erros naturalmente, ao longo do caminho, é natural, tivemos consciência de que estávamos a dar os primeiros passos neste tema da medição do impacto.

Estamos também conscientes de que queremos fazer o melhor e ir mais longe, com os parceiros que temos, marcar pela diferença e criar um impacto social positivo. Participar em conferências, palestras, e debates sobre o tema, ler os relatórios e analisar toda a comunicação que está a ser feita por outras empresas.

Todos estes resultados são efeitos do trabalho de muitas equipas dentro da empresa, sendo as operações e logística fundamentais para isso. Todos os intervenientes são fundamentais para o sucesso destas campanhas e para conseguirmos angariar os valores que depois doamos às instituições.

 

Qual tem sido o impacto / resultados das iniciativas nos últimos anos, para além dos números?

Em 2023 lançámos o primeiro relatório de impacto, relativo aos dados de 2022, que foi reconhecido com um prémio internacional. Este documento permite criar um modelo-base de gestão do impacto para comunicação e posiciona a Missão Continente como investidor social. Não só estamos a fazer doações e a apoiar as instituições, como também as acompanhamos e medimos o impacto social do nosso investimento, de forma quantitativa.

Precisamos de compreender o impacto dos projetos que estamos a apoiar para direcionar o trabalho que estamos a fazer. Nós damos uma grande relevância a este relatório e inclusive recebemos um prémio internacional europeu do melhor relatório de impacto.

As empresas devem contribuir para a sociedade porque também acabam por ganhar muito. As organizações também sentem uma necessidade de mudar o seu foco, porque o próprio consumidor acaba por exigir essa mudança por parte da empresa.

Os consumidores acabam por se preocupar cada vez mais com questões de responsabilidade social e esperam que as empresas tenham produtos e práticas mais sustentáveis, muitos deles até estão dispostos a pagar mais por isso. O consumidor está diferente e valoriza a questão da solidariedade e da sustentabilidade.

Isto vai acabar de alguma forma por beneficiar as empresas que conseguem praticar ou aplicar estas práticas sustentáveis, seja do ponto de vista ambiental, económico ou social. Uma marca que tenha este tipo de relação e proximidade com o cliente cria uma ligação muito mais emocional.

 

Como tem sido a evolução da Missão Continente (anterior Missão Sorriso), ao longo destes 21 anos?

A Missão Sorriso começou em 2003, começando por apoiar a Operação Nariz Vermelho, que era uma instituição que ia dar alegria e sorrisos às alas de pediatria dos hospitais onde havia crianças internadas. Com o decorrer dos anos, a Missão Sorriso foi crescendo e acabou por se transformar na Missão Continente.

Ao longo destes 21 anos, temos vindo a alargar e a diferenciar a nossa atuação, tendo em conta as problemáticas sociais que existem. A Missão Continente já apoiou mais de nove mil instituições, entre as quais a UNICEF, Operação Nariz Vermelho, APAV e Associação Salvador. Hoje em dia, estamos presentes em áreas como a saúde, solidão e isolamento social, educação e no apoio animal. Lutamos contra a fome e violência, principalmente tendo em conta esta crise socioeconómica que estamos a viver.

A Missão Continente é a plataforma de responsabilidade social da organização e cobre três eixos de atuação: a alimentação, as pessoas e o planeta. Nasceu com este compromisso e com o propósito da sustentabilidade, para contribuir positivamente para as comunidades locais onde atua.

Balizamos a nossa atuação em três áreas: apoiar de forma regular e consistente as comunidades locais e também dar uma resposta célere e proativa a situações de calamidade; reforçar o papel transformador no sentido de impactar positivamente as comunidades locais; sensibilizar e mobilizar para melhores escolhas rumo a um futuro mais sustentável.

Existe um Conselho Estratégico que é composto por grandes entidades privadas e públicas do nosso país e que trabalham em várias áreas de atuação e que nos conseguem dar uma visão muito completa do que é que está a acontecer. Reunimos anualmente com estas entidades e procuramos perceber quais são as problemáticas sociais e é a partir daí que vão surgindo as temáticas sociais a trabalhar no ano.

Nós acabamos por ser intermediários. Queremos dar a cana e ensinar a pescar, não apenas dar o peixe. Por isso, tentamos reforçar esta ligação que temos com as comunidades, com as instituições, para também as capacitar para conseguirem fazer o seu trabalho no dia-a-dia, de forma a gerarem um impacto positivo cada vez maior.

O nosso objetivo é gerar um impacto positivo cada vez maior, para conseguirmos chegar a cada vez mais pessoas e criar um futuro mais feliz, sustentável e saudável.

 

Que objetivos tem o Continente para 2024 em matéria de ações de solidariedade?

Uma grande novidade para os sacos solidários de 2024 é serem produzidos com redes de pesca e cordas navais que são recolhidos junto à linha da nossa costa, por isso estamos também aqui a trabalhar a questão ambiental. Com estes sacos vamos apoiar 16 instituições.

Nós lançámos os sacos solidários em 2021 e só nesse primeiro ano conseguimos angariar 90 mil euros que foram doados na íntegra a três instituições: a Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários, à Cruz Vermelha Portuguesa e à Animal Life. 50 cêntimos de cada unidade vendida são doados a uma instituição. No segundo ano acabámos por alargar as instituições para cinco e em 2023 conseguimos apoiar 20 instituições com um valor de mais de 360 mil euros doados.

O nosso objetivo foca-se na solidariedade e responsabilidade e em imprimir estas questões nos valores da organização.

Leonor Wicke,
Jornalista e Coordenadora Editorial

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