• Skip to main content
Revista Líder
Ideias que fazem futuro
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos

  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      Joana Cadete é integrada na Neves de Almeida numa aposta em Executive Search

      Junho chega carregado de impostos: estes são os prazos que empresas não podem falhar

      Centro de Inovação Carlos Fiolhais celebra primeiro ano com mais de 1.500 participações

      «Estamos a mudar a geografia da inovação em Portugal»: o programa que trouxe venture capital a Leiria é para ficar

      Mercado de trabalho: «Humildade intelectual é saber ser liderada por alguém mais novo», defende Elsa Vila Lobos

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      «Se o líder for mau, a IA vai ajudá-lo a tomar más decisões mais depressa», defende Ricardo Fortes da Costa

      «Hoje a engenharia civil não consegue atrair: é uma profissão que perdeu espaço e alguma credibilidade», explica Nuno Garcia

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Três livros para entender a Inteligência Artificial: do dicionário à estratégia empresarial

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
Loja
  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      Joana Cadete é integrada na Neves de Almeida numa aposta em Executive Search

      Junho chega carregado de impostos: estes são os prazos que empresas não podem falhar

      Centro de Inovação Carlos Fiolhais celebra primeiro ano com mais de 1.500 participações

      «Estamos a mudar a geografia da inovação em Portugal»: o programa que trouxe venture capital a Leiria é para ficar

      Mercado de trabalho: «Humildade intelectual é saber ser liderada por alguém mais novo», defende Elsa Vila Lobos

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      «Se o líder for mau, a IA vai ajudá-lo a tomar más decisões mais depressa», defende Ricardo Fortes da Costa

      «Hoje a engenharia civil não consegue atrair: é uma profissão que perdeu espaço e alguma credibilidade», explica Nuno Garcia

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

      «A energia pode tornar-se um ponto de ligação entre vizinhos», realça a investigadora Margarida Ortigão

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Três livros para entender a Inteligência Artificial: do dicionário à estratégia empresarial

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos
Subscrever Newsletter Assinar

Siga-nos Lider Lider Lider

As ideias que fazem futuro, no seu email Subscrever

Leonor Wicke

Marcelo Santiso é o novo Diretor-Geral da Verisure em Portugal

27 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Marcelo Santiso assume a missão de dar continuidade ao ciclo de crescimento e consolidar a liderança da empresa em Portugal, apoiado por uma equipa de cerca de 800 colaboradores.

Marcelo iniciou o seu percurso na Verisure em 2020, tendo vindo a construir uma trajetória sólida dentro da organização. Ao longo deste percurso, desenvolveu uma visão ampla do negócio, tanto em Portugal como a nível internacional, fruto também do trabalho próximo com António Anguita, presidente do Sul da Europa, América Latina e Países Nórdicos, a quem irá reportar nesta nova função. Desde 2025, lidera a área de Transformação em Portugal, estando à frente do processo de evolução da marca no mercado nacional.

Antes de integrar a Verisure, Marcelo Santiso desenvolveu o seu percurso profissional na Boston Consulting Group (BCG), onde trabalhou em projetos de estratégia e transformação orientados para a melhoria do desempenho, eficiência operacional e crescimento sustentável em diferentes setores e mercados. Esta experiência conferiu-lhe uma abordagem analítica rigorosa, forte orientação para resultados e elevada capacidade de liderar processos de mudança complexos. Possui ainda um percurso académico de excelência, com um MBA pelo INSEAD, onde integrou a Dean’s List.

Na nova função, Marcelo Santiso terá como principais prioridades a consolidação do recente processo de rebranding da marca em Portugal, o reforço da experiência do cliente, com foco na rapidez de resposta, qualidade e consistência do serviço.

«Assumir a liderança da Verisure em Portugal é um enorme privilégio num momento particularmente relevante para a empresa. A nossa prioridade será consolidar o caminho que temos vindo a construir com foco na experiência do cliente. Queremos continuar a elevar os padrões do nosso segmento de mercado, combinando inovação tecnológica, num contexto de rápida e constante evolução, com uma forte componente humana, que é, e continuará a ser, um dos principais fatores de diferenciação da Verisure», afirma Marcelo Santiso.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Personalização através de um portal de serviços de IA

26 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Durante anos, muitos portais corporativos limitaram-se a funcionar como pontos centralizados para submissão de pedidos e consulta de informação. Embora úteis, estes modelos frequentemente criavam experiências genéricas, pouco adaptadas às necessidades reais dos utilizadores.

Com a evolução dos modelos de linguagem e da inteligência artificial aplicada ao contexto empresarial, começou a surgir uma nova abordagem baseada em personalização dinâmica e contextual.

 

O papel da IA na evolução dos portais de serviços

A integração de inteligência artificial nos portais de serviços está a alterar a relação entre utilizadores e equipas de suporte. Em vez de estruturas rígidas e menus estáticos, os novos modelos procuram compreender intenção, histórico e contexto operacional.

Na prática, isso permite:

  • Sugestões mais relevantes;
  • Respostas adaptadas ao perfil do utilizador;
  • Automação contextual de pedidos;
  • Redução do tempo de resolução;
  • Melhoria da experiência digital interna.

Em organizações com milhares de colaboradores, esta capacidade de adaptação pode reduzir significativamente fricção operacional e carga administrativa.

 

Da centralização à experiência contextual

Muitos portais tradicionais foram concebidos numa lógica de uniformização. Todos os utilizadores recebiam essencialmente a mesma experiência, independentemente da função, departamento ou necessidade específica.

A utilização de modelos de linguagem começou a mudar esse paradigma. Sistemas mais avançados conseguem interpretar linguagem natural, identificar padrões de utilização e apresentar conteúdos ajustados ao contexto de cada utilizador.

É neste cenário que temas relacionados com Portal de Serviços de IA começaram a ganhar relevância dentro das discussões sobre modernização do ITSM.

O objetivo deixa de ser apenas disponibilizar serviços e passa a incluir capacidade de antecipação e adaptação contínua.

 

Personalização também levanta novos desafios

Apesar das vantagens operacionais, a personalização baseada em IA introduz questões importantes relacionadas com governação, privacidade e transparência.

Quanto maior a capacidade de contextualização, maior tende a ser a dependência de dados sobre comportamento, preferências e histórico de utilização. Isso obriga organizações a definir políticas claras sobre recolha, utilização e proteção da informação.

Além disso, sistemas altamente personalizados precisam de evitar enviesamentos e recomendações inadequadas, sobretudo em ambientes empresariais críticos.

Segundo a ENISA, o crescimento da inteligência artificial aplicada a operações empresariais aumenta a necessidade de frameworks robustos de segurança, monitorização e controlo de risco.

 

O impacto operacional dentro das organizações

A personalização dos portais não afeta apenas a experiência do utilizador final. Também altera a forma como equipas de suporte gerem prioridades, categorizam pedidos e distribuem recursos.

Ao reduzir interações repetitivas e melhorar a precisão dos pedidos submetidos, as equipas conseguem concentrar-se em problemas mais complexos e estratégicos.

Por outro lado, organizações começam a perceber que a qualidade da experiência digital interna influencia diretamente produtividade, satisfação e retenção de talento.

Em muitos casos, o portal de serviços passou a ser visto como uma extensão da experiência global do colaborador dentro da empresa.

 

Uma mudança gradual no ITSM empresarial

A adoção destas soluções continua desigual entre setores e geografias. Grandes organizações tendem a avançar mais rapidamente devido à dimensão das operações e ao volume elevado de interações internas.

Ainda assim, especialistas consideram que a personalização suportada por IA deverá tornar-se progressivamente mais comum nos próximos anos.

Segundo a Gartner, empresas que conseguirem equilibrar automação inteligente, contexto operacional e supervisão humana terão maior capacidade de resposta em ambientes digitais complexos.

A evolução dos portais de serviços reflete uma mudança mais ampla no modo como as organizações encaram experiência digital e eficiência operacional. A IA aplicada ao ITSM deixou de estar limitada à automação básica e começou a assumir um papel mais contextual e adaptativo.

O desafio para as empresas passa agora por implementar modelos de personalização capazes de melhorar a experiência dos utilizadores sem comprometer segurança, transparência e controlo operacional.

 

Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a EasyVista.

Arquivado em:Líder Corner

Adolfo Mesquita Nunes: «O maior risco da IA é convencermo-nos de que ela sabe mais do que nós»

26 Maio, 2026 by Leonor Wicke

O impacto da IA nos Recursos Humanos já se faz sentir, mas os perigos e vieses que surgem devem levantar questões sobre a sua utilização generalizada. Porque usar «a justificação ‘foi o algoritmo’ não é uma resposta aceitável.» Quem o diz é Adolfo Mesquita Nunes, que trouxe ao palco da Leading People – International HR Conference 2026, no dia 21 de maio, uma perspetiva focada nos riscos da inteligência artificial.

O Sócio e Country co-Chair da Pérez-Llorca apontou a opacidade dos sistemas de inteligência artificial como uma das principais preocupações. Segundo explicou, muitas organizações já utilizam algoritmos em processos de despedimento, recrutamento ou promoção sem conseguirem explicar concretamente os critérios utilizados pelas máquinas.

«Empresas que utilizam sistemas de inteligência artificial para escolher quais as pessoas que despedem viram despedimentos anulados em tribunal porque não foram capazes de explicar qual foi o critério utilizado», afirmou.

Para Adolfo Mesquita Nunes, o problema agrava-se porque os sistemas de inteligência artificial tendem a ser desenhados para maximizar eficiência, algo que, segundo o advogado, nunca pode ser o único critério nas decisões humanas.

As nossas decisões em recursos humanos nunca são exclusivamente eficientes. E é bom que não sejam. Na nossa vida tomamos decisões por eficiência, claro, mas por amor, por caridade, por solidariedade, por justiça, por equidade, por proporcionalidade.

Assista ao momento completo:

Adolfo Mesquita Nunes – RH Na Era Dos Algoritmos

O risco do erro e da confiança excessiva nas máquinas

Ao longo da intervenção, Adolfo Mesquita Nunes insistiu numa ideia central: o maior problema da inteligência artificial não é apenas a possibilidade de errar, mas a tendência crescente para os seres humanos acreditarem que a máquina está automaticamente certa.

«Todos os dias nos dizem que a inteligência artificial é espetacular e muito melhor e muito mais eficiente do que nós. A tendência para acharmos que a máquina está certa e nós estamos errados existe e é grande», afirmou.

Segundo o advogado, esse risco torna-se particularmente grave na área dos recursos humanos, onde decisões automatizadas podem afetar diretamente a vida das pessoas. «Nós podemos estar a despedir uma pessoa que não devíamos ou a não recrutar uma pessoa que devíamos», alertou.

Para o responsável, o problema não está na utilização da IA em si, mas na ausência de supervisão humana qualificada. E aqui identifica uma contradição crescente nas empresas: investe-se fortemente em sistemas de inteligência artificial, mas muito pouco na formação das pessoas que terão de os supervisionar.

«Vamos pedir a pessoas que supervisionem coisas que não sabem nem percebem e, portanto, vão supervisionar de uma forma muito deficiente», afirmou.

Como os algoritmos podem discriminar mulheres

Um dos momentos fulcrais da intervenção surgiu quando Adolfo Mesquita Nunes falou sobre enviesamento algorítmico e discriminação.

O advogado contou um exercício que costuma fazer em formações de executivos e diretores de recursos humanos: pede aos participantes, na maioria mulheres, que criem um algoritmo simples para decidir promoções internas dentro de uma empresa.

No final, submete ao sistema currículos praticamente iguais entre homens e mulheres, com apenas uma diferença: as mulheres tiveram filhos e interrupções na carreira. O resultado, explicou, repete-se quase sempre. «Nenhuma das mulheres é promovida pelo algoritmo que as mulheres criaram», contou.

Segundo explicou, critérios aparentemente neutros, como disponibilidade para fazer horas extra, carreiras sem interrupções ou ausência de faltas imprevistas, acabam por reproduzir discriminações estruturais sem que quem constrói o algoritmo se aperceba disso.

«Basta nós termos cuidado com os algoritmos que estamos a criar», afirmou, defendendo maior literacia tecnológica e espírito crítico dentro das empresas.

«Foi o algoritmo» não é uma explicação aceitável

Outro dos riscos apontados foi a opacidade dos sistemas de inteligência artificial. Segundo explicou, muitas organizações já utilizam algoritmos em processos de despedimento, recrutamento ou promoção sem conseguirem explicar concretamente os critérios utilizados pelas máquinas.

«Empresas que utilizam sistemas de inteligência artificial para escolher quais as pessoas que despedem viram despedimentos anulados em tribunal porque não foram capazes de explicar qual foi o critério utilizado», afirmou.

Para Adolfo Mesquita Nunes, o problema agrava-se porque os sistemas de inteligência artificial tendem a ser desenhados para maximizar eficiência, algo que, segundo o advogado, nunca pode ser o único critério nas decisões humanas.

As nossas decisões em recursos humanos nunca são exclusivamente eficientes. E é bom que não sejam. Na nossa vida tomamos decisões por eficiência, claro, mas por amor, por caridade, por solidariedade, por justiça, por equidade, por proporcionalidade.

Empresas vão gerir pessoas e agentes

A intervenção abordou também aquilo que considera ser a próxima grande transformação das organizações: a entrada dos chamados agentes autónomos – sistemas de IA capazes não apenas de recomendar decisões, mas de as executar. Segundo explicou, as empresas caminham rapidamente para modelos híbridos onde trabalhadores humanos coexistirão com agentes digitais.

«As áreas dos recursos humanos vão ter de começar a olhar para uma realidade híbrida. Vão ter pessoas e agentes e vão ter que definir regras», afirmou.

Entre os desafios futuros, destacou questões relacionadas com produtividade, avaliação de desempenho e mérito. Afinal, questionou, até que ponto um trabalhador é mais eficiente por talento próprio ou apenas porque utiliza um agente mais avançado do que outro colega?

Ao mesmo tempo, alertou para o crescimento exponencial dos riscos cibernéticos. «Quanto mais IA nós tivermos nos nossos processos de tomada de decisão, mais superfícies de entrada há para riscos cibernéticos», afirmou.

«O ser humano não se realiza na sua vida diletante»

Já perto do final da intervenção, o debate deixou o campo jurídico e aproximou-se de uma reflexão mais filosófica sobre trabalho, propósito e realização humana. Adolfo Mesquita Nunes rejeitou a ideia de um futuro em que o ser humano deixa simplesmente de trabalhar enquanto a inteligência artificial executa todas as tarefas. «O ser humano não se realiza na sua vida diletante», afirmou.

Para o advogado, as empresas precisam de estar atentas aos sinais de perda de propósito dentro das equipas, sobretudo em funções excessivamente dependentes da automatização. «Temos nas nossas empresas, nas nossas equipas, de perceber quando é que as pessoas estão a começar a deixar de ter um propósito naquilo que fazem», alertou.

Apesar dos vários alertas, recusou assumir-se como um cético da inteligência artificial. Pelo contrário, explicou que utiliza IA diariamente no seu trabalho. «Eu utilizo a inteligência artificial todos os dias», afirmou, referindo que recorre à tecnologia para trabalho jurídico, emails e tarefas do quotidiano.

Mas deixou uma última advertência ao auditório. «A única coisa que eu sinto que tenho sempre de garantir é não me deixar convencer pela ideia de que aquilo sabe mais do que eu. Aquilo não sabe absolutamente nada. Aquilo é um bom sistema para me auxiliar.»

Tenha acesso à galeria de imagens aqui.

Tudo o que aconteceu na Leading People está disponível na Líder TV e no canal 560 da NOS.

Além disso, à chegada, todos receberam a mais recente edição da revista Líder. Dentro do tema de capa – Condição Humana – encontram-se reflexões, entrevistas e artigos que aprofundam o debate deste dia.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

IA pode controlar 30% das compras online até 2030, revela estudo

26 Maio, 2026 by Leonor Wicke

A inteligência artificial está prestes a transformar radicalmente a forma como os consumidores compram online. Segundo um novo relatório estratégico da Getnet desenvolvido em parceria com a Deloitte, até 2030 cerca de 30% do valor global das transações de e-commerce poderá ser influenciado por Agentic AI.

O estudo sobre Agentic Commerce aponta para uma mudança estrutural no comércio digital, em que agentes inteligentes deixam de apenas apoiar os consumidores para passarem a gerir autonomamente toda a jornada de compra — da descoberta de produtos ao pagamento.

Agentes inteligentes vão centralizar toda a experiência de compra

Atualmente, os consumidores navegam entre múltiplas plataformas durante o processo de compra, incluindo motores de busca, redes sociais e marketplaces. Segundo o relatório, este modelo gera fricção, dispersão e complexidade.

No paradigma do Agentic Commerce, essa experiência será centralizada num único agente inteligente capaz de:

  • Analisar dados em tempo real;
  • Antecipar necessidades;
  • Comparar preços;
  • Otimizar decisões de compra e pagamento.

Os chamados shopping agents assumem assim o papel de intermediários ativos entre consumidores, plataformas e marcas.

Segundo a Getnet, trata-se de um verdadeiro ponto de viragem no comércio digital, onde a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a orquestrar todo o processo de consumo.

Pagamentos tornam-se infraestrutura crítica da nova economia digital

Neste novo cenário, os pagamentos deixam de ser apenas uma função transacional para assumirem um papel central na economia autónoma digital.

O estudo destaca que os sistemas de pagamento passam a funcionar como uma camada crítica de:

  • Controlo;
  • Confiança;
  • Autenticação;
  • Execução das transações.

Ao mesmo tempo, surgem novos desafios associados à crescente adoção de transações human-not-present, em que agentes autónomos atuam em nome dos utilizadores.

Entre os principais riscos identificados estão a validação da identidade dos agentes (know your agent), a verificação da intenção real do utilizador e a prevenção de fraude em ambientes cada vez mais sofisticados.

Mercado pode valer até 4,5 biliões de euros

Apesar dos desafios, o potencial económico é significativo. Segundo a análise da Deloitte incluída no relatório, o mercado de Agentic Commerce poderá representar entre 2,5 e 4,5 biliões de euros até 2030.

Os dados revelam também uma forte predisposição para adoção deste modelo:

  • 70% dos profissionais do setor de pagamentos demonstram interesse em explorar aplicações de Agentic AI;
  • 50% das empresas consideram trabalhar com agentes autónomos para melhorar eficiência operacional e personalização.

Do lado dos consumidores:

  • 46% valorizam agentes inteligentes para encontrar melhores preços e ofertas em tempo real;
  • 37% apontam a redução de fraude como uma das principais vantagens;
  • 33% demonstram interesse em automatizar subscrições e programas de fidelização.

O relatório revela ainda que 51% dos consumidores acreditam que as marcas ainda não utilizam os seus dados de forma verdadeiramente benéfica, reforçando a oportunidade para soluções mais personalizadas e inteligentes.

Amazon e novos players de IA aceleram corrida ao Agentic Commerce

O estudo sublinha que grandes empresas tecnológicas já estão a avançar rapidamente neste mercado, incluindo gigantes como a Amazon e novos players nativos de inteligência artificial.

Segundo a Getnet, isto aumenta a urgência estratégica para empresas que pretendem manter relevância no novo ecossistema digital.

Durante um evento dedicado ao tema, realizado a 15 de abril e que reuniu parceiros e clientes, a empresa alertou que as organizações que desenvolverem capacidades Agentic nos próximos anos poderão definir a próxima década do comércio e dos pagamentos.

«A confiança será o principal ativo competitivo»

Para Frederico Teles Gomes, Diretor de Soluções Transacionais da Getnet em Portugal, a confiança será o principal fator diferenciador nesta nova economia automatizada. «Mas há um fator crítico de diferenciação neste novo contexto: a confiança. Num ambiente em que as decisões de consumo são cada vez mais automatizadas, a confiança assume-se como o principal ativo competitivo», afirma.

O responsável sublinha ainda a importância de garantir:

  • Segurança em tempo real;
  • Prevenção de fraude;
  • Mecanismos avançados de autenticação;
  • Tokenização;
  • Interoperabilidade entre plataformas;
  • Transparência nas transações autónomas.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

O jogo da imitação

26 Maio, 2026 by Leonor Wicke

É verdade, porque tanto as inovações tecnológicas como a magia nos provocam uma mistura de fascínio e receio, já que ambas desafiam as nossas expectativas sobre o que é possível.

Também nos causam desilusão quando descobrimos os seus truques. Por isso os mágicos não os revelam e os tecnólogos escondem-nos através do seu jargão.

E não é necessariamente positivo porque, no fundo, o olhar mágico impede-nos de pensar a tecnologia e de compreender as mudanças culturais que ela produz.

O olhar mágico, seduzido por encantamentos e feitiços, é uma forma algo infantil e caprichosa de enfrentar as inovações tecnológicas.

É como a atitude do Guille, o irmão mais novo da Mafalda, quando pede ajuda ao pai para escrever a carta aos Reis Magos.

O pai procura papel e lápis e Guille começa a ditar:

— Queridos Reis Magos: quero tudo.

— Como assim tudo, Guille? Eles não podem trazer-te tudo a ti. Têm de repartir os presentes entre as crianças do mundo inteiro.

— Ah… risca o “Queridos”.

É exatamente isto que nos acontece com a inteligência artificial.

O utilizador formula desejos, mas não consegue controlar a forma como eles são concretizados e, no final, pode receber algo diferente daquilo que pediu.

Uma metáfora inadequada

Um dos problemas que temos com a inteligência artificial é que a própria expressão nos impede de a pensar adequadamente.

É uma metáfora que nos fugiu das mãos.

Como alerta o meu mestre, Juan José García-Noblejas, é preciso escolher cuidadosamente as metáforas, porque os novos fenómenos da comunicação, diz ele, «transformam-se imediatamente — independentemente do que sejam — no objeto estritamente adequado à metáfora de que dispomos»[2] .

Por um lado, há uma obsessão com o facto de tudo ser inteligente (a televisão, o telemóvel, o relógio, os óculos, os altifalantes): estamos a desvalorizar a nossa própria inteligência cada vez que chamamos inteligentes aos eletrodomésticos que nos rodeiam.

Por outro lado, porque chamamos artificial apenas a esta tecnologia?

Porque não chamamos artificiais aos computadores, à internet ou à televisão?

Toda a cultura humana é artificial, começando pelo alfabeto e pela escrita. Os gregos não encontraram as vogais penduradas nas árvores — tiveram de as inventar.

Curiosamente, aquilo a que chamamos linguagem natural é um artifício, uma criação humana. É um sistema simbólico que construímos por consenso. E precisamente porque a linguagem é um sistema simbólico pode ser reproduzida eficazmente pelas máquinas [3] .

E se, em vez de inteligência artificial, lhe chamássemos estatística aplicada?

Perguntei isso à própria IA e a resposta foi: «seria como chamar a um avião “uma ventoinha que voa”. É parcialmente verdade, mas não capta a verdadeira complexidade».

E é exatamente isso que acontece com a metáfora da inteligência artificial: não capta a verdadeira complexidade.

O Teste de Turing

Outro britânico, o matemático Alan Turing (que muitos recordarão pelo filme The Imitation Game), colocou, num artigo publicado em 1950, esta questão crucial: «Podem as máquinas pensar?».

Turing queria evitar o dilema filosófico que implicava definir os conceitos de pensar e máquina, pelo que propôs substituir a pergunta por uma experiência mental a que chamou “o jogo da imitação”.

Nesse jogo existem três participantes em salas separadas: um humano e um computador, aos quais um interrogador faz perguntas através de mensagens escritas.

O objetivo do interrogador é determinar quem é o humano e quem é a máquina com base nas respostas. O humano deve responder naturalmente, mas o objetivo da máquina é enganar o interrogador fazendo-se passar por humano.

Desta forma, Turing substitui a pergunta inicial por outra: «É possível imaginar computadores digitais capazes de vencer o jogo da imitação?».

E assim abriu caminho a um campo que alguns anos mais tarde seria chamado inteligência artificial e a uma experiência observável que ficaria conhecida como Teste de Turing.

A expressão “inteligência artificial”

A expressão inteligência artificial foi utilizada pela primeira vez em 1955, numa proposta dirigida à Fundação Rockefeller, na qual um grupo de cientistas norte-americanos solicitava financiamento para um projeto de dois meses orientado para a criação de máquinas capazes de emular a inteligência humana[4]. Outra carta aos Reis Magos.

Poderíamos dizer que se tratou de uma estratégia de marketing, já que a designação inteligência artificial soava mais glamorosa do que ‘estudos sobre autómatos’, da mesma forma que hoje falamos de ChatGPT em vez de ‘máquinas geradoras de conteúdos sintéticos’[5], que é aquilo que realmente são.

Aquilo a que chamamos alegremente IA é, na realidade, um conjunto muito variado de tecnologias que vai desde o reconhecimento facial à condução autónoma, passando pelos algoritmos de recomendação, filtros anti-spam, moderação de conteúdos nas redes sociais ou navegação assistida por GPS.

Aqui vamos focar-nos apenas na IA generativa conversacional (a IA com a qual interagimos através de texto ou voz para gerar novos conteúdos). A IA em que entra texto e sai texto.

Máquinas falantes

Ao contrário de outras inovações no campo da Comunicação, estamos agora perante máquinas falantes. Máquinas capazes de simular a nossa linguagem, máquinas que parecem compreender-nos e que até nos respondem.

Aristóteles definiu o ser humano como «o único animal que possui palavra»[6] .

Um animal que fala (algo que se vê bastante no Twitter).

Somos seres constituídos por palavras.

É por isso que a IA nos provoca fascínio e receio. Porque a linguagem é a nossa marca identitária enquanto espécie.

Mas permitam-me dizê-lo com toda a clareza: a IA não compreende as palavras.

A IA generativa conversacional é construída sobre modelos matemáticos da linguagem. As palavras e frases utilizadas para treinar a IA transformam-se em representações numéricas. A IA calcula probabilidades a partir dos seus dados de treino e simula a linguagem sem a compreender.

Por isso, não nos deveria surpreender que a IA “alucine”, ou seja, que produza respostas convincentes, mas erradas.

É um erro bastante comum criticar uma tecnologia por fazer mal aquilo para o qual nunca foi concebida.

Ora, a IA não foi desenhada para saber o que é a verdade, nem para dizer a verdade.

A IA generativa baseia-se em modelos estatísticos da linguagem concebidos para gerar textos que pareçam escritos por humanos.

Um dilema perverso

Para a Universidade, enquanto instituição geradora de conhecimento, e especialmente para a nossa Faculdade e para o setor da Comunicação, a IA generativa constitui aquilo a que, na Teoria dos Jogos, se chama um dilema perverso.

Um dilema perverso só pode ser mitigado ou gerido, porque não tem uma solução correta: todas as opções razoáveis produzem efeitos negativos indesejados e cada solução cria novos conflitos. Até a própria formulação do problema depende da interpretação e dos valores de quem o analisa.

No campo da Educação discute-se se o uso da IA deve ser restringido ou incentivado, o que significa aprender e qual o valor do esforço, como evitar o plágio e como avaliar o conhecimento.

A irrupção da IA obriga-nos a reafirmar quais são as competências verdadeiramente valiosas e a sublinhar o papel da sala de aula, do atelier e do trabalho partilhado.

A IA oferece-nos uma excelente oportunidade para voltar a pensar e debater o que é o conhecimento, em que consiste a inteligência e qual o valor da criatividade.

Um padrão criado pela Google

No setor da Comunicação, a IA repete o padrão criado pela Google: cada pesquisa dos utilizadores treina gratuitamente um motor de busca cujo modelo de negócio assenta na publicidade contextual, retirando receitas ao mercado dos media.

Tal como a Google canibalizou a publicidade dos meios de comunicação, a IA está agora a canibalizar o seu conteúdo.

Ainda assim, a IA tornou-se, em poucos anos, uma das ferramentas mais poderosas e impactantes da Comunicação — ao nível da imprensa de Gutenberg ou da própria internet.

A IA está a reconfigurar as nossas profissões e a transformar todo o setor. Não podemos ignorá-la, nem repetir os erros cometidos com a web e as redes sociais.

De qualquer forma, confesso-vos que a minha esperança está precisamente naquilo que a IA não consegue fazer (e por isso é tão importante compreendê-la fora da lógica da magia).

A IA não possui senso comum, experiência de vida, empatia, perceção, vontade, desejos, intenções, curiosidade, paixões, consciência ou emoções.

Tenho esperança porque, quanto mais abundante e barato for automatizar a produção de conteúdos, mais valiosa se tornará a produção original de conteúdos não sintéticos e mais importante será a capacidade de verificar aquilo que é automatizado.

Preocupações

Por outro lado, a minha preocupação prende-se com o risco de estudantes e profissionais renunciarem ao desenvolvimento das suas capacidades intelectuais devido ao conforto de uma inteligência artificial que — mesmo quando utilizada de forma pobre — consegue executar tarefas sem esforço.

Preocupa-me que nos tornemos escravos das máquinas, não por alguma maldade intrínseca da IA, mas porque desistimos de desenvolver os talentos e competências que nos tornam humanos.

Conselhos

Um colega escreveu-me pouco tempo depois de se reformar:

«Vejo que a vida se pode resumir em três fases: receber conselhos que não seguimos, dar conselhos que ninguém segue e arrepender-nos de não ter seguido os conselhos.»

Como devem imaginar, estou plenamente na fase de dar conselhos, mas — ao contrário do meu amigo — espero que me oiçam.

Por isso, aqui ficam seis:

  1. Assumam que a IA não é magia, é programação automatizada; e não é inteligência, é simulação da linguagem.
  2. Não tenham medo da IA; tenham medo da preguiça induzida pela tecnologia.
  3. Tenham a coragem de procurar e dizer sempre a verdade, mas trabalhem com fontes que possam verificar — e lembrem-se de que nem a Google nem a IA são fontes.
  4. Usem a IA como um assistente cognitivo que vos ajude a pensar, não como substituto da vossa própria reflexão.
  5. Treinem diariamente a vossa inteligência através de boas leituras, grandes filmes e conversas profundas, cara a cara.
  6. Finalmente: não renunciem a pensar e não deixem de escrever. Por esta ordem. Todos os dias. Esse será o vosso superpoder.

Muito obrigado e boa sorte.

[1] Clarke, Arthur C., Profiles of the Future. An Inquiry into the Limits of the Possible, Warner Books, Nueva York, 1985, p. 26.

[2] García-Noblejas, Juan José, Medios de conspiración social, EUNSA, Pamplona, 1998 (2ª ed.), pp. 53-54.

[3] Turing, Alan M. “Computing Machinery and Intelligence” Mind, vol. 59, nro. 236, 1950, pp. 433-460.

[4] McCarthy, John, Marvin L. Minsky, Nathaniel Rochester y Claude E. Shannon, “A Proposal for the Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence, August 31, 1955”, AI Magazine, vol. 27, nro. 4, 2006, pp. 12-14.

[5] Bender, Emily M. y Alex Hanna, La estafa de la IA. Cómo combatir el espejismo de las grandes tecnológicas que amenaza tu trabajo y tu libertad, Paidós, Barcelona, 2026, p. 19.

[6] Aristóteles, Política, I, 1253a 10-11 (trad. Manuela García Valdés), Gredos, Madrid, 1988, p. 51.

[7] Sala i Martín, Xavier, Entre el paraíso y el apocalipsis. La economía de la inteligencia artificial, Conecta, Barcelona, 2025, pp. 690-691.

Arquivado em:Opinião

David Attenborough e Jane Goodall

26 Maio, 2026 by Leonor Wicke

O meu sono dá-me sempre as respostas mais vergonhosas sobre mim, a Han Kang já me tinha avisado: Dreams are terrifying things. No – they’re humiliating. They reveal things about you that you weren’t even aware of.

Devia ter dito qualquer coisa enquanto a Jane Goodall estava viva para, orgulhosamente, dizer que partilhava o mundo com dois velhotes que inspiram toda a gente, de todas as idades. Menos os broncos, que não se deixam inspirar por nada. Diria, nesse texto, que é na Natureza, nas ervas, nas selvas, nos bichos e na lama que se encontra a longa vida. Talvez me apanhasse a mentir, não estou certa de que acredite assim tanto nesta breve quase-teoria, porque eu sou uma fã distanciada do punk e do rock and roll, fumo IQOS mesmo quando sei que os cigarros têm mais estilo e parece-me que estas atrações estão distantes dos naturistas. Retiro o que disse. Quer dizer, os cigarros aquecidos podemos fechar que estão a léguas da Jane Goodall, já o rock n’ roll, arrisco-me a dizer que é um tirinho.

A Jane Goodall é a mulher dos livros de aventuras que me faziam brincar sozinha no meu quarto e, durante toda a minha infância, acreditei que a Jane do Tarzan tinha esse nome por causa da Jane Goodall. Ela, por sua vez, quando fechava os olhos à noite, via-se como um homem, porque desconhecia que as pernas de uma mulher também serviam para andar. A secretária de 26 anos do Dr. Louis Leakey é a escolhida para a missão que iria mudar a sua vida e a de todos nós, precisamente por não estar infestada de teorias científicas, mas antes, porque tinha algo muito mais precioso: paixão e paciência. Afinal, as pernas serviram-lhe para arrancar de Inglaterra e ficar meses sozinha na selva, com um caderno, uns binóculos e mais tarde, a sua mãe. O amor realmente tira-nos do sério. Para a Jane, esta seria a parte fácil da vida, porque não haveria nenhum outro lugar no mundo onde pertencesse mais do que no sítio onde se fala a língua dos animais.

A minha irmã mais velha é bióloga marinha e eu cresci a admirar o que, à partida, seriam realidades opostas: cigarradas, copos de cerveja do chão do Bairro Alto, a decadência no geral e, por culpa dela, a voz adulta de um homem que me apresentava os animais no mundo inteiro, a inteligência das orcas e uma mulher que vai sozinha estudar chimpanzés no Gombe. A solução estaria em andar com um cinzeiro portátil, copos reutilizáveis e, quanto à decadência, ainda não tenho solução – eu digo que já nada disso me atrai, mas é mais uma mentira das minhas.

David Attenborough nunca parou. Andava com as mãos ocupadas, uma com o Planeta Terra, outra com comunicação e mostrou-nos o mundo sem termos de sair de casa. E, quando parecia que já tinha dado tudo, mostrou-nos o mar, num último esforço de nos resolvermos com um mundo em apuros. Agarro neste senhor para tentar provar que não é apenas o sensacionalismo que chega às pessoas e o carisma nada tem que ver com rapidez, purpurinas e falsa genuinidade. A intemporalidade ainda existe e nós somos sempre capazes de aprender.

São pessoas que dedicam a sua vida a uma causa que torna tudo isto tão inspirador. A causa destas duas pessoas parece-me a causa primordial, que dá origem a todas as outras. A minha verdadeira obsessão recai sobre o início de todas as coisas, sobre as primeiras perguntas e não tenho dúvidas de que estes dois humanos perceberam quais são, melhor do que os intelectuais boémios por quem me apaixonei na adolescência e com quem sonhava que um dia me iria casar. Estes dois não precisaram de racionalizar sobre o seu potencial mas, provavelmente por estarem em sintonia com a ordem das coisas, viveram o que imaginaram no mais íntimo das suas cabeças de criança.

Arquivado em:Crónica, Notícias

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Página 2
  • Página 3
  • Página 4
  • Página 5
  • Interim pages omitted …
  • Página 584
  • Go to Next Page »
Lider
Lider
Lider
Lider
Lider
Tema Central

Sobre nós

  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Tema Central
  • Termos e Condições
  • Política de Privacidade

Contactos

Av. Dr. Mário Soares, nº 35,
Tagus Park
2740-119 Oeiras
Tel: 214 210 107
(Chamada para a rede fixa nacional)
temacentral@temacentral.pt

Subscrever Newsletter
Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Subscrever Newsletter

©Tema Central, 2026. Todos os direitos reservados.