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Marcelo Teixeira

Viagem pela integração europeia – Vítor Martins

3 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A integração europeia, lançada há 75 anos, foi a mais bela iniciativa da História da Europa. Reergueu-a dos escombros de uma guerra hedionda. Garantiu-lhe paz e prosperidade como nunca antes conhecera.

Viagem pela integração europeia, de Vítor Martins, revisita a história singular de integração europeia, com enfoque no nosso país, debatendo ainda os grandes desafios do futuro.

Chancela do Clube de Autor.

Arquivado em:Livros e Revistas

Viver com pouco: retrato cru da pobreza em Portugal

3 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Casas pequenas, luz fraca, cheias de faturas amontoadas. Há famílias que não sabem se vão ter o que comer ao jantar; há idosos que contam moedas para não faltarem os medicamentos; há mães que deixam o próprio estômago vazio para que os filhos não passem fome. Não são histórias isoladas. São 1,8 milhões de portugueses, quase 17% da população, a viver com menos de 632 euros por mês — um número frio, mas que carrega vidas inteiras, anos de esforço e sonhos que não passaram disso.

A Pordata divulgou estes dados e o que eles escondem é o som do país a ranger: silêncio nas casas, ansiedade nas ruas, vidas a sobreviver, não a viver. O país continua a ser pesado de carregar, e cada dia traz a mesma pergunta: como vamos chegar a amanhã?

A velhice voltou a empobrecer

Entre os grupos mais vulneráveis estão os idosos. A taxa de risco de pobreza entre quem tem 65 ou mais anos subiu para 21,1% em 2023, depois de ter sido 17,1% em 2022. Um em cada cinco idosos vive sozinho ou em agregados com rendimentos abaixo do limiar de pobreza.

É um número que carrega histórias: décadas de trabalho, impostos pagos, vidas dedicadas à família e à comunidade — e agora, no fim da linha, sobrevivem com pouco mais de seiscentos euros. Envelhecer em Portugal muitas vezes significa empobrecer e isolar-se. A solidão intensifica a dor e a sensação de que a sociedade os esqueceu.

As famílias que mais caem

As famílias monoparentais com filhos continuam a ser as mais vulneráveis: quase uma em cada três vive com menos de 632 euros per capita. Mas o risco de pobreza cresce também entre quem vive sozinho (28,6% em 2023, +4 pontos percentuais em relação a 2022), ultrapassando, em termos de aumento, quase todas as categorias.

Ser independente tornou-se um luxo. Viver sozinho, pagar renda sozinho, arcar com contas sozinho — a autonomia transformou-se numa armadilha financeira. Entre os agregados mais extensos, dois adultos com três ou mais filhos, o risco aumenta ainda mais, expondo o país a uma crise silenciosa de vulnerabilidade familiar.

Pobreza com ou sem trabalho

A pobreza não escolhe apenas quem está desempregado, mas o desemprego continua a ser o fator mais crítico: 44% dos desempregados vivem abaixo do limiar de pobreza. Entre os reformados, a taxa subiu de 15,4% em 2022 para 19,6% em 2023.

Trabalhar deixou de ser sinónimo de segurança. Em muitas casas portuguesas, o salário cobre contas, mas não cobre a vida. Alimentação, eletricidade, medicamentos, transportes — tudo depende de equilibrar o impossível. A pobreza tornou-se estrutural e silenciosa, e não há apenas fome física: há fome de futuro.

Quinze anos de perdas reais

Metade das famílias portuguesas sobrevive com menos de 1.054 euros por pessoa, valor que representa uma perda de poder de compra real face a 2009, quando ajustado pela inflação. Dois momentos críticos marcaram a última década e meia: a crise financeira de 2010 a 2012 e o segundo ano da pandemia, em 2021.

O resultado é um país que trabalha, produz, contribui, mas não vê os frutos refletidos na vida das famílias. A austeridade deixou cicatrizes duradouras, e a recuperação económica não atingiu quem mais precisava dela.

Um país na cauda da Europa

Portugal ocupa agora o 19.º lugar entre os 27 países da União Europeia em rendimento mediano mensal, tendo sido ultrapassado pela Letónia. Os números mostram a distância: Luxemburgo, Dinamarca e Áustria lideram com rendimentos que parecem inacessíveis para a maioria.

No território português, o rendimento bruto médio declarado ao IRS é de 1.155 euros. A Grande Lisboa lidera com 1.375 euros, enquanto o Tâmega e Sousa fecha com 883 euros. Oeiras é o extremo positivo, com 1.637 euros. Mas fora do litoral, a realidade é outra: em 77 municípios, os 20% mais pobres vivem com menos de 500 euros mensais. Em Resende, Montalegre e Valpaços, o valor mal chega a 400 euros.

Duas velocidades, uma só dor

Enquanto regiões do interior lutam para sobreviver, Lisboa, Oeiras, Porto e Cascais concentram a maior desigualdade. Em onze freguesias, o topo dos 20% mais ricos tem rendimentos acima de 2.500 euros mensais. O país tornou-se uma casa dividida: um litoral que cresce, um interior que esmorece, uma classe média que encolhe e uma multidão que resiste na fronteira da pobreza.

A desigualdade não é apenas económica; é social, emocional, psicológica. Ela rasga famílias, isola indivíduos, apaga sonhos.

Rostos por detrás dos números

A Pordata dá-nos estatísticas. A realidade dá-nos rostos. Há uma avó em Setúbal que salta refeições para pagar a renda. Um idoso em Bragança que divide comprimidos ao meio para que durem mais dias. Uma mãe em Lisboa que gasta o salário inteiro em creche e transportes.
Em 2023, Portugal voltou a ser um país onde a pobreza se quantifica em euros, mas também em tempo, saúde e esperança. E há uma frase que atravessa gerações, dita em surdina à mesa: «Não é que falte trabalho. Falta é chegar para viver.»

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Menos casamentos, menos filhos, e um novo desinteresse pelos seguros de vida

3 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

O seguro de vida está a perder espaço entre os consumidores com menos de 40 anos. A tendência, confirmada pelo World Life Insurance Report 2026 da Capgemini e da LIMRA, reflete uma mudança profunda nas prioridades desta geração — que adia o casamento, a parentalidade e, com isso, as decisões financeiras que tradicionalmente motivavam a subscrição destas apólices.

Apesar de 68% dos jovens adultos reconhecerem a importância dos seguros de vida, a verdade é que os produtos disponíveis parecem desajustados. Segundo o estudo, 32% dos inquiridos consideram que as ofertas não correspondem às suas necessidades, 28% apontam o valor elevado dos prémios e 25% criticam a falta de benefícios imediatos.

O que os jovens procuram são soluções com retorno rápido, benefícios em vida e uma linguagem mais acessível, algo que raramente encontram nas apólices tradicionais. A complexidade dos processos e o jargão técnico continuam a afastar potenciais clientes: um em cada quatro consumidores com menos de 40 anos não contrata seguros precisamente por essa razão.

A geração que não casa nem tem filhos — pelo menos para já

Os dados revelam um setor a braços com novos desafios. O estudo indica que 63% dos jovens não têm planos imediatos para casar e 84% não tencionam ter filhos no curto prazo. Com menos marcos familiares e maior instabilidade económica, os seguros de vida perdem espaço para produtos financeiros com vantagens tangíveis e acesso imediato.

Ainda assim, há um paradoxo: dentro de 15 a 20 anos, prevê-se uma das maiores transferências de património da história, com milennials e geração Z a herdarem, em média, 106 mil dólares por pessoa. Mesmo entre os céticos, 40% dos adultos até aos 40 anos continuam a considerar os seguros de vida e as rendas vitalícias como a terceira componente mais relevante dos seus planos de investimento, logo atrás das ações e da poupança líquida.

«À medida que a próxima geração acumula património e adota estilos de vida menos tradicionais, as suas expectativas estão a evoluir», sublinha Samantha Chow, líder global da área de seguros de vida da Capgemini. «O setor já não pode depender apenas da cobertura em caso de morte. Precisa de demonstrar valor real em vida, com benefícios concretos e acessíveis.»

Reposicionar o seguro de vida

O relatório mostra que as seguradoras já começaram a ajustar as suas estratégias, pressionadas por três grandes fatores: envelhecimento da população (64%), adiamento de etapas decisivas (53%) e incerteza económica (51%).

Mas as perceções negativas persistem. O setor continua a ser visto como caro, distante e pouco relevante. Os jovens valorizam sobretudo benefícios práticos, desde apoio financeiro de emergência a recompensas por comportamentos saudáveis ou coberturas para tratamentos de fertilidade.

«As seguradoras precisam de reinventar-se para despertar o interesse das novas geraçõe», defende Bryan Hodgens, da LIMRA. «É preciso provar que o acesso é fácil, que os preços são competitivos e que há espaço para inovação, enquanto ajudam os jovens a atingir os seus objetivos financeiros à medida que envelhecem.»

Outro ponto sensível é a portabilidade: 44% dos trabalhadores com apólices de grupo querem manter a cobertura quando mudam de emprego, mas apenas 19% das seguradoras o permitem. A falta de flexibilidade leva muitos a abandonarem o produto, mesmo satisfeitos com ele.

O desafio digital

A transformação tecnológica é outro obstáculo. 59% dos consumidores com menos de 40 anos querem interações digitais diretas, mas apenas 31% das seguradoras as oferecem. E quando se fala em ferramentas baseadas em dados, o fosso é ainda maior: 77% esperam recomendações personalizadas, mas só 16% das empresas conseguem fornecê-las.

O relatório aponta três caminhos para reduzir esta distância: Inovar nos produtos, simplificando processos e oferecendo benefícios em vida; Capacitar mediadores com ferramentas digitais e modelos de remuneração modernos; Criar parcerias com bancos, empresas de bem-estar e plataformas de RH, integrando os seguros no quotidiano.

Num momento em que o casamento, os filhos e a estabilidade financeira já não são certezas, o setor dos seguros de vida enfrenta uma escolha clara: reinventar-se ou arriscar perder definitivamente a nova geração.

 

Arquivado em:Notícias, Sociedade

A janela e as nuvens

3 Novembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Foi aos dezasseis anos que me disseram que a vida ia acabar, disseram como quem lê um despacho, sem emoção nem pausa, e nem sequer me perguntaram se queria ouvir, três meses, repetiram, três meses e não mais, e eu, que ainda mal sabia medir a vida em meses, olhei para a janela não para ver se estava sol ou chuva mas para perceber se o mundo também tinha recebido a notícia, se as árvores, as nuvens e os pássaros sabiam, e como continuavam indiferentes percebi que talvez a morte, quando chega anunciada, não nos leve logo o corpo, rouba primeiro a certeza dos dias, depois o descanso das noites, e só depois, se conseguir, o que sobra, mas até lá a alma já aprendeu a resistir.

Não sobrevivi, vivi, e não o digo como quem levanta bandeiras, digo-o porque entre os que ficaram e os que partiram eu fui ficando, e ficando vi nascer Afonso e Leonor, dois milagres que a vida me deu como quem rasga e reescreve uma sentença, e no entanto ficar não me poupou a ver partir, e quando digo ver não é apenas assistir, é carregar na carne a memória do que a carne dos outros se torna quando a doença decide morar nela.

Nenhuma família é imune, todas sabem ou saberão o que é a frieza de uma sala de espera numa ala oncológica, as cadeiras alinhadas, o cheiro a desinfetante, o tom monocórdico do médico que recita os efeitos secundários como quem já os sabe de cor. Entrar ali é como entrar num porto onde nem todos os barcos regressam, e sabe-se, e sente-se, que talvez não voltemos a ver certos rostos, e eles sabem o mesmo sobre nós, e há nos olhares um pacto mudo que mistura medo, esperança e, por vezes, uma paz estranha.

O cancro continuará a matar, e não me iludo, mas continuará também a ser vencido, e as vitórias nem sempre são as que se contam em números, há vitórias no cabelo que volta a nascer como relva nova, na fome que regressa depois de meses de ausência, no riso que ainda se infiltra entre dois exames. Há quem leve a quimioterapia como uma guerra que precisa de vencer mesmo quando o corpo já não colabora e é o espírito, teimoso, que morde o tempo que resta. Há também quem, sem diagnóstico de esperança, arrume gavetas e afectos, se despeça onde há despedidas por fazer, abrace como se os braços fossem eternos e trate cada instante como milagre, porque às vezes, não sempre mas às vezes, a vida devolve em triplo o que lhe foi dado.

O medo pode nascer de uma dor pequena, uma moinha quase sem importância, mas o rastreio, nesse caso, é mais do que precaução, é cuidado com o tempo que se quer viver, e mesmo sem dor, quando já se viveu meia vida, é hora de fazê-lo na mesma, não para acrescentar dias ao calendário mas para viver os que houver de forma inteira, sem concessões.

A mim disseram-me que todos os minutos contavam, e desde então fui eu quem os contou, um a um, e decidi o que fazer com cada um deles, porque se a vida é uma batalha desigual, ao menos que seja a nossa, e não entregue à frieza dos números, e talvez seja por isso que regresso à janela e vejo as nuvens ainda lá, indiferentes, cumprindo os seus dias, como se me lembrassem que é isso mesmo que eu devo continuar a fazer.

Nota: Este texto é uma homenagem a todas as famílias que já passaram – e continuam a passar – pela travessia dura da doença oncológica. Uma lembrança de que, mesmo no meio do medo e da incerteza, a vida pode sempre encontrar formas de resistir, florescer e tocar-nos de modo inteiro.

Arquivado em:Opinião

Trabalhar sendo quem somos: a comunidade LGBTQIA+ e os desafios no espaço profissional

31 Outubro, 2025 by Marcelo Teixeira

Em pleno século XXI, com discursos de inclusão e diversidade em tertúlias empresariais e relatórios de sustentabilidade, a realidade para muitos profissionais da comunidade LGBTQIA+ continua a conjugar hesitação, invisibilidade e, por vezes, discriminação aberta. Ainda que enormes progressos sejam reconhecíveis, também persistem obstáculos que não podem ser ignorados.

No Reino Unido, a organização Stonewall divulgou um estudo que revela que 39 % dos colaboradores LGBTQIA+ sentem ainda a necessidade de ocultar ou dissimular a sua identidade no local de trabalho. Para além desta cifra, mais de um terço (36 %) afirmaram ter ouvido comentários discriminatórios sobre um colega LGBTQIA+. Ainda mais preocupante: 12 % acreditam que foram despedidos por causa da sua orientação sexual ou identidade de género. Estas conclusões sublinham que o ‘ser visível’ no emprego continua a implicar risco num número significativo de casos.

Por outro lado, nos Estados Unidos, a Human Rights Campaign Foundation publicou o seu relatório de 2025, o Corporate Equality Index (CEI), que avalia práticas e políticas de inclusão LGBTQIA+ em mais de 1400 empresas. Neste universo, 98 % das entidades participantes afirmaram incluir nos seus regulamentos antidiscriminação a ‘orientação sexual’ e a ‘identidade de género’. Além disso, 82 % oferecem benefícios médicos equivalentes a casais de géneros diferentes ou iguais, e 87 % garantem cobertura para pessoas trans sem exclusões para cuidados de transição. Estes dados evidenciam um empenho institucional crescente em torno da equidade — embora o mapa completo não seja homogéneo.

 

Perspetivas e contradições

O fosso entre oportunidades formais e experiências vividas permanece vasto. A adesão às políticas parece avançar, mas a sensação interna de aprovação, pertença e segurança não avança no mesmo ritmo. Como se diz frequentemente, «a cultura arrasta mais tarde o regulamento».

No caso britânico, perto de um terço (31 %) das pessoas LGBTQIA+ afirmam que não se sentem à vontade para ser quem são no emprego — e destas, 53 % dizem ter experienciado discriminação, como abuso verbal ou exclusão.  A discrepância revela que a simples implementação de regras não basta. É preciso ambiente, confiança, visibilidade e apoio concreto.

Do lado americano, o aumento da participação das empresas e das pontuações máximas no CEI (765 empresas obtiveram 100 pontos em 2025, um aumento de 28 % em relação ao ano anterior) mostra que o ‘modelo de boas práticas’ recebe cada vez mais tração. Mas é importante perguntar: até que ponto essas políticas se traduzem em quotidianos sem medo ou sem restrições para os indivíduos?

 

Os entraves ainda presentes

Entre os desafios, salienta-se a necessidade de ocultação da identidade que continua a ser uma realidade — quase quatro em cada dez trabalhadores LGBTQIA+ no Reino Unido escondem-se. Também a relutância em reportar abusos ou assédio: 31 % afirmam que não se sentiriam confortáveis em denunciar. Mas há mais: a desconexão entre benefícios externos (planos de saúde, políticas de partners, regulamentos) e cultura interna (sentimento de pertença, aceitação, visibilidade) e ainda o impacto da falta de visibilidade: sem modelos que se vejam ou posições de liderança assumidas dentro da comunidade, a progressão de carreira pode estar comprometida, ou o sentido de pertencimento limitado. Há estudos académicos que reforçam este ponto, sobretudo para pessoas trans ou não-binárias.

 

Por que importa — e o que se ganha

A inclusão autêntica não é apenas uma bandeira moral: é também uma alavanca de desempenho. Quando pessoas se sentem seguras, valorizadas e livres para expressar a sua identidade, a produtividade sobe, a rotatividade baixa e o talento permanece. A Stonewall recorda que «quando os colaboradores sentem que podem ser quem são, estão mais integrados e produtivos — e isso é bom para os resultados».

Para as organizações, isso significa que adotar políticas robustas é o primeiro passo; sem cultura real de apoio, o investimento pode não produzir o retorno humano que promete.

 

Olhar para Portugal — e além

Em Portugal, embora existam avanços legais e inclusive em políticas de empresa, o debate público sobre a situação laboral da comunidade LGBTQIA+ ainda carece de dados sistemáticos recentes à escala nacional. Torna-se então indispensável que sejam promovidas investigações locais para perceber o valor real da diversidade no emprego no contexto português — as recomendações internacionais apontam-na como imperativa.

 

Caminhos para aprofundar a inclusão

Para que as boas intenções se transformem em realidades vividas, recomenda-se visibilidade estratégica — ter figuras de liderança ou de referência dentro da comunidade LGBTQIA+ ajuda a desconstruir medos e estimular pertença. Criar ambientes seguros, não só códigos — é preciso mais do que regulamentos: protocolos de denúncia, sensibilização contínua, aliados visíveis e cultura de apoio.

Integração da identidade no quotidiano — em vez de tratar a diversidade como ‘tema especial’, que se integre naturalmente nas equipas, nas promoções, no reconhecimento. Medir resultados humanos — para além das políticas, questionar-se: «Quantos colaborado­res LGBTQIA+ sentem-se à vontade?»; «Quantos relatam ter sofrido microagressões?»; «Qual a taxa de promoção dessas pessoas?». Inovação flexível — o trabalho remoto, por exemplo, trouxe benefícios para algumas pessoas LGBTQIA+ (maior segurança e visibilidade reduzida), mas também pode gerar isolamento.  É vital ajustar o modelo de ritmo e coesão de equipa à diversidade humana.

A comunidade LGBTQIA+ no contexto laboral vive uma fase de transição: entre o reconhecimento formal e a aceitação concreta, entre políticas de igualdade e real liberdade de ser. Os indicadores mais recentes revelam energia positiva — e contudo persistem inquietantes zonas-sombra. Para que todos os trabalhadores possam verdadeiramente ser quem são no local de trabalho, o esforço precisa de ir além das assinaturas em papel: deve entrar na essência da cultura das empresas, transformar-se em práticas quotidianas e materializar-se como mudança visível.

Se uma empresa quer realmente ser competitiva, não basta que diga «somos inclusivos». Deve fazer com que cada pessoa, no seu dia de trabalho, o acredite, o sinta e o viva.

 

Arquivado em:LGBTQIA+

Alfa Romeo Junior Elettrica Veloce: 280 cv de paixão 100% elétrica

31 Outubro, 2025 by Marcelo Teixeira

O Alfa Romeo Junior veio reforçar a sua vocação como modelo que marca o regresso da marca a um segmento-chave da sua história, trazendo todo o ADN desportivo a uma nova geração de alfisti sedentos de beleza e emoção. O Junior Elettrica Veloce representa o auge da alma desportiva e do dinamismo, numa versão 100% elétrica, de elevado prazer de condução, elegância e desempenho que se esperam de um Alfa Romeo. 

Capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 5,9 segundos e atingir mais de 200 km/h, oferece um interior espaçoso e confortável, um ágil diâmetro de viragem de 10,5 metros e, segundo a marca, a maior bagageira da sua classe, com 400 litros. Tem autonomia de 334 km e velocidade de carregamento, que permite passar de 10% a 80% em 30 minutos, se for utilizada uma estação de carregamento de 100 kW. 

O Junior Veloce está dotado de um sistema de travagem específico adaptado às suas elevadas prestações, com travões de disco de 380 mm e pinças monobloco de quatro êmbolos no eixo dianteiro. A suspensão beneficia, igualmente, de uma afinação desportiva exclusiva. 

Do ponto de vista estético, a versão Veloce apresenta elementos como o interior SPIGA, com bancos desportivos, elétricos e aquecidos com função de massagem lombar, pedais desportivos, soleiras das portas com cobertura metálica e volante em pele, bem como a abertura mãos-livres do portão traseiro elétrico. No exterior, distingue-se por detalhes como o scudetto central “Progresso”, que exibe orgulhosamente o “Biscione” em tom Diamond Black ou as suas exclusivas jantes de liga leve Venti de 20”, especificamente concebidas para veículos elétricos de elevado desempenho. 

Herdeiro de modelos lendários como as várias gerações do Giuletta ou o arrojado MiTo de 2008, o Alfa Romeo Junior possui todo o ADN desportivo e estético da marca. A sua própria denominação carrega uma longa e bem-sucedida história dentro da marca, iniciada com o GT 1300 Junior de 1966. 

A Alfa Romeo propõe o novo Junior Elettrica Veloce por valores a partir dos 47.500 euros. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 31 da revista Líder, cujo tema é ‘Decidir’. Subscreva a Revista Líder aqui.

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